Cientistas temem que surto de febre amarela no Brasil se torne “novo zika vírus”

Especialistas em saúde em todo o mundo temem que um surto aleatório de febre amarela no Brasil possa afetar milhões de pessoas, assim como o vírus da zika, se não contida.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), todo o estado do Espírito Santo está sob alerta de risco de transmissão, com a possibilidade de regiões densamente povoadas, como Rio de Janeiro e São Paulo, seguirem o mesmo caminho. O surto de febre amarela em curso, por enquanto, limita-se às áreas rurais do estado, onde é espalhado por meio de duas espécies de mosquitos, uma delas é o já conhecido Aedes aegypti, responsável por surtos de dengue e zika no país.

Embora o risco de epidemia em todo o Planeta permaneça remoto, ele vem apenas um ano depois da dramática epidemia de zika que se espalhou por diversos países do mundo. Em uma avaliação de risco realizada entre 2013 e 2017, a OMS recomentou que viajantes interessados em visitar alguns estados brasileiros listados em risco recebessem vacinas. A lista, que antes excluía seis estados do Nordeste, Espírito Santo e Rio de Janeiro, foi atualizada na semana passada para incluir todo o ES e norte do RJ.

O Ministério da Saúde do Brasil afirmou que desde dezembro, quando o surto de febre amarela foi detectado pela primeira vez, foram confirmadas 127 mortes, enquanto que outras 106 permaneciam sob investigação. De um total de 1.500 casos suspeitos de febre amarela, 371 foram confirmados, enquanto que 966 ainda estão sendo analisados e os restantes já foram descartados.

O número de vacinação contra a doença caiu no Sudeste nas últimas décadas porque o vírus em grande parte havia sido erradicado da região. Agora o Ministério da Saúde está correndo contra o tempo para vacinar as pessoas, enviando cerca de 15 milhões de doses extras para as áreas afetadas. O alerta para o aparecimento do surto veio após um aumento acentuado no número de macacos mortos encontrados no sudeste do Brasil, em regiões de Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES).

Autoridades de saúde agora investigam se o surto pode estar relacionado com o rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco (das empresas Vale e BHP) em Mariana, Bento Rodrigues (MG), que ocorreu em novembro de 2015 e foi considerado o pior desastre ambiental do Brasil. Os especialistas consideram que o incidente possa ter cortado o suprimento de alimentos e diminuído o habitat dos macacos da região.

O que é a febre amarela?

Trata-se de uma infecção viral grave propagada por certos tipos de mosquitos. Encontrada principalmente na África Subsaariana, América do Sul e partes do Caribe, ela afeta principalmente seres humanos e macacos. Embora seja frequentemente assintomática ou de sintomas leves para pessoas, para os animais, a febre amarela é fatal.

Os sintomas, quando nos acometem, têm dois estágios. O primeiro desenvolve-se entre três e seis dias após a infecção e pode incluir febre alta, vômito e dores musculares. Enquanto que a maioria das pessoas consegue se recuperar completamente em alguns dias, cerca de 15% dos casos evoluem para o segundo estágio, que inclui problemas como icterícia, insuficiência renal, sangramento e risco de morte.

Jornal Ciência via Daily Mail

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