Mudar meta fiscal reforça ação pró-impeachment

Ao propor a segunda mudança da meta fiscal de 2016 em menos de três meses e bem no momento da batalha do impeachment, o governo toma uma atitude que deverá reforçar os argumentos pela saída da presidente Dilma Rousseff do poder.

O governo alega que a arrecadação de tributos caiu muito, no que tem razão. E afirma que precisa de uma autorização para um deficit orçamentário de cerca de R$ 100 bilhões a fim de evitar uma recessão mais profunda. Há controvérsias sobre a eficácia, já que resultará em mais perda de confiança dos agentes econômicos.

A proposta desagradará empresários e o mercado financeiro. Ela deverá reduzir ainda mais o apoio das empresas ao governo e dará mais gás aos defensores do impeachment, que passariam a argumentar que a presidente confessa não ter capacidade de recuperar a economia brasileira.

O mercado financeiro está apostando no impeachment. E recebeu mais munição para dobrar o lance.

Front externo

A entrevista presidencial a veículos estrangeiros é uma estratégia para tentar obter uma pressão externa sobre o Congresso. O governo espera manifestações da comunidade internacional contra o impeachment.

Ao enfatizar que vai lutar na Justiça, a presidente admite indiretamente que é cada vez mais difícil reunir votos na Câmara dos Deputados para tentar barrar a sua queda. Resta a aposta numa arriscada estratégia jurídica para sustentar que ela não cometeu crime de responsabilidade e que seria um golpe o eventual impeachment.

IG

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