‘Não vou falar sobre isso’, diz ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no STF, ao responder sobre delação de Delcídio

O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), evitou comentar nesta quinta-feira (3) sobre o acordo de delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) para colaborar com as investigações do caso.

Preso em novembro do ano passado acusado de atrapalhar as investigações da Lava Jato, e solto há duas semanas, Delcídio firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República, no qual fez acusações à presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme reportagem da revista “IstoÉ” que circula nesta quinta (3).

Na saída do STF, Zavascki disse a jornalistas que não poderia falar sobre o assunto. “Não tenho nada a declarar”, afirmou, enquanto caminhava. Indagado sobre se um vazamento poderia prejudicar a homologação do acordo, disse: “Não vou falar sobre isso”.

Caberá a Teori Zavascki, como relator da Lava Jato no STF, decidir se vai homologar o acordo ou não. Se não for homologado, a colaboração perde a validade. A homologação é a validação de que se trata de um acordo que cumpriu todas as normas previstas em lei.

Segundo a revista, Delcídio disse que Lula tinha conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras e que Dilma agiu para interferir na Lava Jato.

As acusações contra Dilma

De acordo com a revista “IstoÉ”, Delcidio contou que Dilma agiu para manter na Petrobras os diretores comprometidos com o esquema de corrupção e atuou para interferir no andamento da Operação Lava Jato.

Uma dessas ações, segundo o senador, foi a nomeação para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) do ministro Marcelo Navarro, que se teria se comprometido a votar, em julgamentos no tribunal, pela soltura de empreiteiros já denunciados pela Lava Jato.

Delcídio afirma na delação, segundo a “IstoÉ”, que, como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Dilma sabia que havia um esquema de superfaturamento por trás da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e atuou para que Nestor Cerveró, ex-diretor da estatal e um dos presos na Lava Jato, fosse mantido na direção da Petrobras.

A presidente, segundo o senador, indicou Cerveró para a diretoria financeira da BR Distribuidora.

Delcídio descreveu ainda uma operação de caixa dois na campanha de Dilma em 2010 feita pelo doleiro Adir Assad, também preso na Lava Jato. Segundo o senador, o esquema seria descoberto pela CPI dos Bingos, mas o governo conseguiu barrar a investigação dos parlamentares.

A presidente Dilma Rousseff divulgou no final da tarde desta quinta-feira (3) nota na qual afirma que, no governo, “a lei é o instrumento”.

Ela criticou “uso abusivo de vazamentos como arma política”, em referência à divulgação nesta quinta do conteúdo do acordo de delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) com a Procuradoria Geral da República no âmbito da Operação Lava Jato.

As acusações contra Lula

Ainda de acordo com a revista, Delcídio afirmou que Lula tinha conhecimento do esquema de corrupção que atuava na Petrobras, que agiu pessoalmente para barrar as investigações da Lava Jato e que seria o mandante do pagamento para tentar comprar o silêncio de testemunhas.

O ex-presidente, segundo Delcídio, foi o mandante dos pagamentos que o senador ofereceu à família de Cerveró e que resultaram na prisão do senador, em novembro.

De acordo com Delcídio, Lula pediu “expressamente” para que ele ajudasse o pecuarista José Carlos Bumlai, porque estaria implicado nas delações do lobista Fernando Baiano e de Cerveró.

O senador afirma, segundo a revista, que Lula não queria que Cerveró mencionasse o esquema de Bumlai na compra de sondas superfaturadas feitas pela estatal.

Na delação, Delcídio diz que intermediaria o pagamento à família de Cerveró com dinheiro fornecido por Bumlai.

O senador também afirma, de acordo com a publicação, que em 2006 Lula e o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci teriam articulado um pagamento ao publicitário Marcos Valério para que ele não dissesse o que sabia durante o processo do mensalão.

De acordo com o parlamentar, Valério exigiu R$ 200 milhões para se calar na CPI dos Correios, e Lula teria cedido. Palocci, conforme o depoimento, assumiu a tarefa de negociar o pagamento.

Nota do Instituto Lula, que representa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que são “completamente falsas” as acusações ao ex-presidente. “São completamente falsas as acusações feitas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em matéria publicada hoje (3) pela revista IstoÉ”, diz o texto.

Segundo a nota, o ex-presidente “jamais participou, direta ou indiretamente, de qualquer ilegalidade, antes, durante ou depois de seu governo, seja em relação aos fatos investigados pela Operação Lava Jato ou quaisquer outros citados pela revista”.

G1

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Comentários:

  1. Bosco disse:

    Meu Deus ! Se Lula é a alma viva mais honesta do mundo. Imagina a alma mais desonesta ? Pare o mundo que eu quero descer.

  2. Rodrigues disse:

    E nem precisa falar. Basta homologar.