Publicidade

Acidentes no trânsito custam R$ 146 bi ao país, aponta estudo

Reviravolta. Jhonathan estava de moto quando foi atingido por um motorista embriagado: seus planos são fazer treinamento físico para outros paraplégicos – Fotos de Bárbara Lopes

Flávia Batista, de 40 anos, e Jhonathan Júnior Justino Perez, de 24 anos, não estão mais no mercado de trabalho. Um acidente de carro deixou Flávia tetraplégica, e Jhonathan ficou paraplégico ao se acidentar na moto. Estudo inédito do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES), da Escola Nacional de Seguros, estima que, só no ano passado, o prejuízo com a violência no trânsito foi de R$ 146,8 bilhões, ou 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2016, foram 33.347 mortes e 28.032 de casos de invalidez permanente — ainda assim, uma queda de 32,35% em relação a 2015, quando foram registrados 42.501 mortes e 57.798 casos de invalidez permanente, um custo estimado de R$ 217,11 bilhões, ou 3,7% do PIB. Claudio Contador, coordenador do levantamento e diretor do CPES, atribui a queda a dois fatores: a forte retração da economia (em 2016, o PIB caiu 3,6%, no segundo ano seguido de recessão), o que afetou as vendas de veículos. O outro motivo foi o aumento da fiscalização, principalmente com as operações da Lei Seca.

— A grande maioria dos acidentados, 90%, concentra-se na faixa etária entre 18 e 64 anos. Pertencem a um grupo em plena capacidade produtiva. Estamos falando apenas do impacto econômico, excluindo toda a questão da dor das perdas de vidas e da superação quando um acidente muda, em segundos, toda a sua vida — diz Contador.

Há sete anos, Flávia voltava de uma festa com o namorado. Ambos haviam bebido. Seu namorado dormiu e, segundos depois, o carro bateu no poste. Formada em Jornalismo e trabalhando como bancária, Flávia lembrou-se da novela “Viver a Vida”, em que a personagem de Alinne Moraes sofre um acidente e fica tetraplégica:

— Minhas primeiras palavras foram: não consigo mexer as pernas. Lembrei logo da novela, não conseguia sentir nada do pescoço para baixo. Estava presa nas ferragens e a retirada do carro foi demorada, mas eu não sentia nada.

Após sete anos de tratamento, Flávia já consegue se maquiar sozinha e pratica rúgbi de cadeira de rodas. Antes do acidente, ela praticava muay thai e chegava a malhar cinco horas por dia. O casal havia bebido e estava sem cinto de segurança.

— Fiquei muito mal, triste, de luto. Fiz três anos de análise. Quando vim para cá (a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação, ABBR), conheci a lesão, fui melhorando — conta Flávia.

Na ABBR, no ano passado, foram 62 pacientes vítimas de acidentes de trânsito, sendo que 13% dos atendimentos eram referentes a lesão na medula. A associação também registra queda no número de vítimas: em 2014 foram 115 casos.

MOTOQUEIROS: MAIS VULNERÁVEIS

A projeção do CPES não inclui os gastos com o atendimento no hospital, nem o período de reabilitação. Segundo Aquiles Ferraz, superintendente executivo da ABBR, um paciente com trauma na coluna precisa de um programa multidisciplinar que envolve psicólogo, assistente social, médico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e musicoterapia — um custo de R$ 3.658 por seis meses de tratamento, duas vezes por semana. Se a frequência for de três vezes na semana, são R$ 5.500. Segundo o diretor médico da associação, Robson de Bem, um paciente com lesão medular ficar de um a dois anos em tratamento.

Jhonathan está na ABBR há um ano, desde que um motorista embriagado acertou sua moto em um cruzamento. Aos 24 anos, passa a manhã fazendo fisioterapia. Ajudava o pai no bar em Duque de Caxias e fazia curso de barbearia. Espera voltar ao mercado de trabalho, formando-se em Educação Física para atender pessoas na mesma situação que ele, que nem sempre são bem acolhidas nas academias tradicionais. Ele se sentiu aceito e acolhido no cross fit:

— A gente precisa pedir ajuda o tempo todo, algumas pessoas às vezes ficam meio incomodados em ajudar. No cross fit não, eles vão vencendo os desafios junto comigo, Você se sente abraçado, incentivado.

Flávia entende as pessoas que ficam incomodadas:

— Eu nunca reparava nas pessoas de cadeira de rodas que precisam andar no asfalto, na rua, porque não dá para andar na calçada. Outro dia encontrei uma moça na Rua São Clemente (Botafogo) numa cadeira com LED. Ela me cumprimentou e disse para eu usar LED também. Nunca havia percebido que não existe calçada na São Clemente.

Os acidentes de moto respondem por 73,5% dos casos de invalidez, em média, desde 2008 e 36,3% do número de mortes, de acordo com números do DPVAT, o seguro obrigatório. Para José Aurélio Ramalho, diretor-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, os motoqueiros são os mais vulneráveis, sendo necessária uma educação intensiva:

— Vejo mulheres andando de rasteirinha de moto, imagine esfregar seu pé no chão a 40 quilômetros por hora? A família põe tela nas janelas do sobrado, protetor nas gavetas para não prender a mão da criança e anda com o filho solto no carro. Bater a 40 quilômetros por hora é mais perigoso do que cair do primeiro andar de um prédio. Num acidente, ele bate com 15 vezes seu peso contra o banco dianteiro.

Atividade. Flávia faz rúgbi de cadeira de rodas e tem um canal no YouTube – Agência O Globo

Ramalho reconhece que os acidentes diminuíram, devido à crise na economia e à fiscalização mais rigorosa. Mas ressalta que somente a partir do terceiro ano de queda consecutiva é possível dizer que há uma tendência.

O estado de São Paulo é o que registrou a maior perda devido a acidentes de trânsito: R$ 24,7 bilhões no ano passado, representando 1,23% do PIB estadual. O Estado do Rio ficou em quarto lugar, com uma perda de R$ 10,22 bilhões (1,53% do PIB). Minas Gerais e Paraná estão em segundo e terceiro lugar, respectivamente.

— O caso mais chocante é o de Rondônia, onde a perda representa 6% do PIB estadual, o maior percentual no país. Na Região Nordeste, o Ceará tem a maior perda: 4,9% do PIB. Muito desses acidentes se devem ao uso de motocicletas — diz Contador.

Ele explica que os estados mais pobres acabam registrando uma perda maior porque têm piores condições de trânsito, com falta de fiscalização e uso intensivo de motocicletas. Enquanto no Brasil as motos representam 36,5% das mortes, no Ceará, essa taxa sobe a 56,5%, na média de 2008 a 2014.

— É um paradoxo e uma ironia, pois exatamente as regiões que mais precisam de capital humano são as que perdem mais vidas — diz o diretor do CPES.

‘UMA GUERRA SILENCIOSA’

O professor de Logística e Infraestrutura da Fundação Dom Cabral (FDC), Paulo Resende, afirma que os número de mortes e casos de invalidez por causa do trânsito devem estar em torno de 50% acima das estatísticas conhecidas, porque, em muitos casos, os envolvidos não cobram o seguro DPVAT.

— O primeiro impacto é na renda, porque gera menos riqueza. A produtividade cai com a morte ou invalidez de pessoas no auge da idade produtiva. — diz Resende, ressaltando que os acidentes sobrecarregam o Sistema Único de Saúde (SUS). — O efeito é devastador, porque é uma guerra silenciosa.

Contador diz que, apesar do quadro de guerra, o Brasil está no caminho de cumprir resolução das Nações Unidas que estipula como meta diminuir em 50% o número de vítimas no trânsito até 2020.

— A tecnologia está ajudando a reduzir os acidentes. Atualmente os acidentes, comparados com os de 20 anos atrás, matam muito menos, com melhorias na lataria dos automóveis, o uso dos cintos de segurança e outros equipamentos, mas ainda assim é uma guerra. Tem de haver penas mais duras no trânsito.

O namorado de Flávia ficou com ela por dois anos após o acidente. Ela resolver terminar o relacionamento, mas continuam amigos, e ele, que foi indiciado, está sempre pronto para ajudá-la:

— Ele é consumido pela culpa, mas somos bons amigos e ele fica feliz em ajudar.

Já Jhonathan se ressente de seu algoz. Era um amigo da família e, passado um ano, sequer foi chamado para depor na delegacia:

— Ele nunca foi visitar meu filho. Somos vizinhos, já levei a mãe dele para o hospital — conta Claudio Justino, pai de Jhonathan.

Além da fisioterapia e do esporte, Flávia e Jhonathan dedicam-se a contar suas histórias. Ela mantém, no YouTube, o canal Mete a Roda, enquanto ele usa o Instagram e o Facebook. O sonho de garoto de ter moto ficou para trás:

— Sinto falta de andar de moto — diz Jhonathan.

O Globo

 

Comentários (2) enviar comentário
  1. Paulor disse:

    A maioria e causado por motoqueiro… era pra ser obrigatório o exame de embriaguez antes do atendimento no hospital, e se fosse constatado álcool.. todas as despesa seria por conta do proprio !!!

    • Jonas disse:

      Principalmente quando o motorista do carro não sabe usar a chave de seta e muda de faixa repentinamente.

Publicidade

FOTOS: Aquecimento global vai deixando a Antártica verde, aponta estudo

Musgos ocupam a paisagem da Ilha Verde – Divulgação / Matt Amesbury

Plantas estão crescendo na Antártica como nunca antes na Modernidade, estimuladas pelo aquecimento global que está derretendo o gelo e transformando paisagem branca em verde, anunciaram cientistas nesta quinta-feira.

Pesquisadores que estudam musgos em uma área de 640 km de extensão descobriram um forte aumento no crescimento dessas plantas nos últimos 50 anos, de acordo com o relatório publicado no jornal “Current Biology”.

Nessa epoca, a Antártica possuía somente 0,3% de sua área com plantas.

— As elevações de temperatura durante cerca de meio século na Península Antártica tiveram um efeito dramático sobre os bancos de musgos que crescem na região — disse o coautor do estudo, Matt Amesbury, da Universidade de Exeter. — Se isso continuar, e com o aumento das áreas sem gelo, a Península Antártica será um local muito mais verde no futuro.

Cinco núcleos de musgo — ou amostras retiradas da Terra — mostraram evidências do que os cientistas chamam de “pontos de mudança”, ou pontos no tempo, após os quais a atividade biológica aumentou claramente.

As amostras das áreas incluem três ilhas da Antártica — Ilha Elefante, Ilha Ardley e Ilha Verde — onde crescem os bancos de musgo mais profundos e antigos, segundo o estudo.

— Isso nos dá uma ideia muito mais clara da escala em que essas mudanças ocorres — completou Amesbury. — Anteriormente, tínhamos identificado tal resposta em um único local no extremo sul da Península Antártica, mas agora sabemos que os bancos de musgo estão respondendo às recentes mudanças climáticas em toda a Península.

AMBIENTES DE EXTREMOS

Icebergs e musgos estão divindo o ambiente da Ilha Verde – Divulgação / Matt Amesbury

As regiões polares estão esquentando mais rapidamente do que o resto da Terra.O Ártico está ficando mais de quente e de forma mais rápida, mas a Antártica não fica muito atrás, com temperaturas anuais que sobem 0,5ºC a cada década, desde os anos 1950.

— O sensível crescimento do musgo relacionado ao aumento da temperatura no passado sugere que os ecossistemas irão se alterar rapidamente com o aquecimento no futuro, levando a mudanças na biologia e na paisagem desta região icônica — declarou o pesquisador Dan Charman, professor na Exeter. — Em suma, poderíamos ver Antártica “esverdear” paralelamente com as observações bem estabelecidas no Ártico.

Alguns pesquisadores do projeto também vieram da Universidade de Cambridge e do British Antarctic Survey.

O Globo

 

enviar comentário
Publicidade

Mistério de 70 casos na Bahia: Doença da urina preta é causada por intoxicação com peixe, aponta estudo

A doença que causa fortes dores musculares e deixa a urina preta é causada pela intoxicação por ingestão de peixe, um mal conhecido na literatura médica como doença de Haff. No início deste ano, cerca de 70 casos foram registrados na Bahia. A conclusão sobre o que causa o mal foi feita por um grupo de 12 pesquisadores, o mesmo que identificou o vírus da zika. Eles assinam um artigo enviado para publicação em revista científica nos EUA.

O estudo feito com 15 pacientes que tiveram a mialgia aguda revelou que 14 deles tinham ingerido peixes, como Olho de Boi (Seriola) e Badejo (Mycteroperca). Já o paciente que não ingeriu peixe disse ter comido comida baiana, que pode ter peixe na composição. Testes feitos com os participantes afastaram qualquer possibilidade de contaminação por vírus ou bactéria.

Inicialmente, chegou-se a pensar que o vírus da zika poderia ser a causa do mal. “Os pacientes não tinham febre, dor de garganta, sintomas de gripe. Alguns da mesma família começaram a ter sintomas juntos após horas. Tudo sugeria uma fonte comum de exposição” diz o infectologista Antônio Carlos Bandeira, um dos participantes do estudo.

Segundo o médico, a doença de Haff, relacionada ao consumo de peixe, já foi verificada em outros países. Os distúrbios seriam provocados por substâncias naturais presentes no organismo dos peixes, fruto do hábito alimentar desses animais. “Não é contaminação por mercúrio ou outro metal pesado”, diz. Contudo, a pesquisa não confirma qual substância presente no peixe provoca o mal.

O infectologista afirma que um surto semelhante verificado em Manaus anos atrás foi associado ao consumo do peixe Pacu Manteiga (Mylossoma). Ele também diz que casos descritos em outros países ocorreram no verão. “É a mesma época em que ocorre o surto na Bahia”. Para ele, é pequeno o número de pessoas contaminadas em comparação à grande quantidade que consome peixe. “Milhões de peixes são consumidos todos os dias. Foram 71 casos notificados em 3 meses. É muito pouco”, afirma.

Contração muscular vira xixi preto

A hipótese dos pesquisadores é a de que a substância natural presente nos peixes interage com a atividade enzimática dos músculos (a bomba de sódio e potássio), provocando uma contratura abrupta. “É como se fosse um torcicolo. Começa no pescoço e chega aos braços e pernas”, diz Bandeira.

A urina preta seria provocada pela mioglobina, uma proteína semelhante à hemoglobina que dá aos músculos a coloração avermelhada. “Com a agressão muscular, a mioglobina sai do músculo e vaza para corrente sanguínea. Ela é tóxica para o rim, que a elimina, deixando a urina com cor de chá ou Coca-Cola”, explica o infectologista.

O médico diz que a doença pode causar problema nos rins. “Dos pacientes que estudamos, dois tiveram lesão, mas se recuperaram.”

Sintomas passam após 24 horas

Os sintomas da doença de Haff são as dores musculares agudas e a urina com coloração preta. Eles aparecem repentinamente, mas começam a desaparecer após 24 horas. “Em dois ou três dias, o paciente já se sente melhor”, diz Bandeira.

É importante procurar atendimento médico assim que os primeiros sintomas se manifestam, para que a doença possa ser diagnosticada. A maioria dos pacientes que tiveram o mal precisou ser internada. Contudo, é possível se recuperar ficando em casa.

“A recuperação exige repouso e hidratação. O paciente pode tomar analgésico sem anti-inflamatório”, diz o médico. Segundo ele, a uso de anti-inflamatório por quem está com a doença de Haff pode causar insuficiência renal.

UOL

 

enviar comentário
Publicidade

Mulheres heterossexuais têm menos orgasmos do que homens e lésbicas ou bissexuais, aponta estudo

Por interino

Estudo americano diz que mulheres heterossexuais têm menos orgasmos que lésbicas ou bissexuais

As mulheres heterossexuais têm menos orgasmos do que os homens e do que as mulheres lésbicas ou bissexuais, revela um novo estudo.

Os resultados foram obtidos a partir de um levantamento com 52,6 mil pessoas nos Estados Unidos, que analisou o “intervalo de orgasmos” entre os gêneros e as diferentes orientações sexuais.

A pesquisa também recomenda uma “variedade de comportamentos que os casais podem tentar para aumentar a frequência dos orgasmos”, entre eles, sexo oral e estimulação manual.

Realizado pela Universidade de Indiana, pela Universidade Chapman e pela Universidade de Claremont, todas nos Estados Unidos, o estudo mostra a proporção de pessoas que geralmente têm orgasmos:

65% das mulheres heterossexuais
66% das mulheres bissexuais
86% das mulheres lésbicas
88% dos homens bissexuais
89% dos homens gays
95% dos homens heterossexuais
“Os resultados, no entanto, indicam que esse intervalo de orgasmos pode ser reduzido”, assinala o estudo.

“O fato de que as mulheres lésbicas têm orgasmos com maior frequência do que as mulheres heterossexuais indica que muitas mulheres heterossexuais poderiam ter maiores taxas de orgasmo”, acrescenta.

OUTROS COMPORTAMENTOS

A pesquisa também destaca outro dado importante: poucas mulheres heterossexuais “atingiram o orgasmo por meio apenas da penetração”.

Segundo a pesquisa, houve uma associação clara entre a frequência do sexo oral e o número de orgasmos em mulheres heterossexuais, mulheres lésbicas, mulheres bissexuais, homens gays e homens bissexuais.

Mas apenas em homens heterossexuais esse padrão não foi detectado. Outros comportamentos ligados a um aumento de orgasmos nas mulheres foram:

Pedir o que queriam na cama
Elogiar seu parceiro por algo que eles fizeram na cama
Ligar ou enviar e-mail para fazer alguma provocação sexual
Vestir uma lingerie sexy
Tentar novas posições sexuais
Estimulação anal
Falar sobre ou realizar fantasias sexuais
Envolver-se em conversas sensuais e expressões de amor durante o sexo

Os autores do estudo ressaltaram ainda que as diferentes taxas de orgasmo entre homens e mulheres podem ser explicadas por razões sociais e evolutivas.

Segundo eles, o estigma que acaba inibindo as mulheres de expressar seu desejo dificulta a descoberta sexual.

Já a crença entre alguns homens de que a maioria delas tem orgasmo durante o sexo com penetração tampouco lhes permite alcançar o momento de maior prazer.

Outro efeito que explicaria a diferença entre homens e mulheres estaria ligado à evolução, já que orgasmos masculinos e femininos serviriam a propósitos diferentes.

O orgasmo masculino é tido como uma ejaculação com fins de reprodução, enquanto nas mulheres “facilita a ligação com um parceiro romântico de longo prazo”, diz a pesquisa.

Folha de São Paulo

 

enviar comentário
Publicidade

Bebidas energéticas podem fazer mal ao coração, aponta estudo‏

13478145_H1340183Foto: Bloomberg/Patrick T. Fallon

Os energéticos, bastante consumidos por jovens em festas, podem levar a problemas no coração, diz estudo apresentado neste domingo durante o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, que acontece em Barcelona até quarta-feira. Segundo o autor da pesquisa, o professor Milou-Daniel Drici, da Faculdade de Medicina de Nice, na França, o consumo em excesso dessas bebidas pode “levar a condições adversas incluindo angina, arritmia cardíaca e até mesmo morte súbita”.

— Cerca de 96% dessas bebidas possuem cafeína, com uma lata típica de 250 mililitros contendo o equivalente a dois cafés expressos. A cafeína é um dos mais potentes estimulantes dos receptores de rianodina e leva a uma grande liberação de cálcio dentro das células cardíacas. Isso pode causar arritmias, mas também tem efeitos sobre a capacidade do coração de se contrair e usar oxigênio — afirma Drici.

O estudo analisou diversos casos associados ao consumo de energéticos entre janeiro de 2009 e novembro de 2012 e contou com a participação de 15 especialistas, incluindo cardiologistas, psiquiatras, neurologistas e fisiologistas. Durante o período, foram reportados 257 casos, sendo que 212 forneceram informações suficientes para análise.

Os especialistas informaram que, dos casos reportados, 95 apresentaram sintomas cardiovasculares, 74, psiquiátricos; e 57, neurológicos, com sobreposição em alguns. Paradas cardíacas ou mortes inexplicadas aconteceram em ao menos 8 dos casos, enquanto 46 pessoas apresentaram arritmia, 13 tinham angina e 3, hipertensão.

— Nós encontramos que a síndrome da cafeína era o problema mais comum, acontecendo em 60 pessoas. Ela é caracterizada por taquicardia, tremores, ansiedade e dor de cabeça — diz Drici. — Eventos raros, mas severos, também foram associados a essas bebidas, como morte súbita, arritmia e parada cardíaca.

O médico recomenda que pessoas que já apresentam algum problema no coração devem evitar o consumo de energéticos, pois a cafeína pode “exacerbar a condição com consequências fatais”. Drici também alerta sobre o risco de consumo dessas bebidas durante exercícios físicos ou misturadas com álcool.

— O público precisa saber que os energéticos não devem ser consumidos durante ou após exercícios físicos, como outras bebidas desenvolvidas para esse propósito — diz Drici. — Quando usados em coquetéis alcoólicos, a cafeína das bebidas energéticas permitem que os jovens superem os efeitos negativos do álcool, levando a um consumo ainda maior de cafeína.

Drici também sugere que os médicos alertem pacientes com doenças cardíacas sobre o risco potencial dessas bebidas:

— Os pacientes raramente mencionam o consumo de bebidas energéticas aos médicos, a não ser que sejam questionados.

O Globo

enviar comentário
Publicidade