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Criador prevê volta de frigoríficos regionais e de menor porte

A Operação Carne Fraca da Polícia Federal, que expôs fraudes na indústria de carnes na sexta (17), vai impor dificuldades ao país no mundo, mas pode desencadear transformações estruturais no setor, segundo Luciano Vacari, diretor-executivo da Acrimat, entidade que reúne pecuaristas de Mato Grosso. O Estado tem o maior rebanho comercial do Brasil.

Uma possível mudança é a retomada de frigoríficos regionais e de menor porte, que perderam força na última década, quando grandes frigoríficos como JBS e Marfrig foram incentivados com recursos do BNDES na política de campeãs nacionais.

Para Vacari, a crise atual deve servir de lição para aprimorar métodos de controle. Embora seja reconhecido internacionalmente, o serviço de inspeção federal brasileiro -identificado pelo consumidor pelo carimbo S.I.F. em alimentos de origem animal- mostrou que tem limitações.

“Hoje, o agente do serviço de inspeção federal é praticamente imóvel. Ele é destinado a uma unidade [fabril] e fica lá praticamente a vida toda. Por que não criar um modelo rotativo para evitar esse vínculo?”, questiona.

Para Vacari, o poder de um mesmo agente em tantas decisões, como liberação do abate, processamento e assinatura de certificado sanitário, é excessivo.

Ele ressalva que o sistema brasileiro não é falido e até ajudou o país a exportar seus produtos para destinos como EUA, Japão e Austrália, alguns dos compradores mais exigentes do mundo. “Esse sistema nos trouxe até aqui, mas pode ser aprimorado.”

Isso pode ser feito com melhor gestão de pessoas, diz o representante dos criadores.

Outra solução para evitar casos de corrupção como os denunciados pela Polícia Federal seria, segundo Vacari, promover auditorias.

“Será que não podemos aproveitar isso tudo para implementar um modelo novo de governança no serviço de inspeção federal? Um modelo com participação de produtores e consumidores? Um modelo que não deixe toda a responsabilidade na mão de pessoas, mas talvez de entidades?”, questiona.

egundo ele, é cedo para estimar qual será o comportamento dos compradores e o tamanho do estrago, que terá reflexos negativos não só nos frigoríficos mas também em outros elos da cadeia, inclusive os criadores.

O caso é grave do ponto de vista sanitário, mas deve ter impacto menor na imagem brasileira do que ocorreu em 2005, com a insatisfação do mercado externo na crise de febre aftosa, diz ele.

“Lá foi mais grave. Quando há um caso de febre aftosa, é obrigatório que se comunique imediatamente a OIE (Organização Mundial de Saúde Animal). Ela suspende a emissão de certificado sanitário daquele país, ou seja, não pode comercializar. Nesse caso aqui, o comprador vai analisar”, avalia.

Folha de São Paulo

Comentário (1) enviar comentário
  1. Getulio disse:

    O mesmo "Modus operandi": Café, Algodão, Petróleo…
    Os gigantes sempre tem uma maneira "legal" usando os famosos "Capitães do Mato" para destruir os concorrentes emergentes e submeter os adversários com o terror.
    Os Coronéis mandavam botar fogo nas plantações ou roubar os rebanhos daqueles proprietários que ficavam em seus caminhos.
    A história se repete?

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