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FOTOS: Batman, o Cavaleiro das Trevas, é tese de mestrado de aluno da UFRN

Tema de pesquisa sobre processos midiáticos na UFRN

O Batman é um personagem de ficção que surgiu originalmente em uma revista em quadrinhos americana em 1939. O seu perfil de homem-morcego e herói mascarado que combate o crime na caótica cidade de Gotham City, atrai a atenção e o apreço de milhões de fãs em todo o mundo desde sua criação, tornando ele um dos personagens mais populares da cultura pop.

Recentemente esse herói acabou virando, também, tema de estudo para um aluno de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia (PPgEM) da UFRN. O título do trabalho é Batman: uma luz sobre o Cavaleiro das Trevas – mediações, midiatizações, transmidiatizações. Seu autor é Dickson Tavares, que além de estudante, jornalista e desenhista profissional, é fã do personagem desde criança e viu na pós-graduação uma oportunidade de se debruçar ainda mais sobre o Cavaleiro das Trevas, desta vez, com um olhar acadêmico.

Dickson conta como surgiu a ideia de estudar o Batman: “Eu acompanho o Batman e os demais personagens das histórias em quadrinhos e da cultura pop desde os meus 11 anos. Dentro de minha ingenuidade infantil, tentava compreender como funcionava a existência de diferentes versões do Batman e que mesmo assim se tratavam do mesmo personagem. Tal indagação sempre me acompanhou e no ambiente acadêmico encontrei a oportunidade de revisitar o Batman, com o olhar de pesquisador com mais evidência que com o lado fã”.

O trabalho, que teve orientação do professor e pesquisador do Departamento de Comunicação Social da UFRN, Marcelo Bolshaw, consistiu em examinar processos e conceitos ligados ao campo dos estudos da mídia, tendo o Batman como objeto de análise. A dissertação contemplou, basicamente, três aspectos midiáticos associados ao personagem e seu universo mitológico e narrativo: primeiro, tratou de como elementos socioculturais influenciaram na criação do Batman; também abordou a maneira como o personagem transcendeu as páginas das revistas em quadrinhos para aparecer em outros tipos de mídia; e, por fim, tentou entender como os valores simbólicos do herói são apropriados e utilizados como forma de ativismo social no mundo real.

Tudo isso foi feito com base no estudo de diferentes fontes, como HQ’s, livros, filmes, animações, itens de merchandising, revistas e publicações especializadas, séries, canais no Youtube e páginas no Facebook, tendo como suporte referências acadêmicas. O mestrando realizou a leitura de todo o material e traçou uma linha do tempo para demonstrar a evolução conceitual e visual do Batman relacionando-o com o ambiente midiático, mostrando como o personagem se multiplicou e se transformou com o passar dos anos.

“Foi uma redescoberta. O olhar agora é outro. Na condição de fã, a visão sobre o Batman e todo o seu universo é carregada de muita passionalidade. Ao revirar e revisitar a trajetória de existência do personagem foi um aprendizado sobre as relações entre a mídia, a cultura e a sociedade”, comenta.

Trabalhar com elementos da cultura pop em pesquisas acadêmicas não é algo novo. Existem inúmeros trabalhos de mestrado e doutorado que seguem essa linha. Dickson concorda com o potencial de análise que este nicho cultural possui: “A cultura pop, seus ícones e valores nos cercam e fazem parte de nossa realidade. A engrenagem que cria, propaga, consome e retroalimenta o universo da cultura pop, está intimamente ligada às relações humanas. Tal condição permite o levantamento de inúmeras possibilidades para se estudar a cultura pop e suas nuances sob a ótica das ciências humanas, fundamentadas no ambiente acadêmico”.

O pesquisador, também, revela que tem planos para dar continuidade ao estudo do Batman, desta vez em nível de doutorado. Ele pretende entender mais detalhadamente como funciona a apropriação do personagem pelo público geral e pelos fãs. Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho feito por Dickson Tavares sobre o Batman pode conferir a defesa que acontecerá no auditório do Laboratório de Comunicação (Labcom) da UFRN nesta segunda-feira, 20, às 10h. O evento é aberto ao público.

Com informações da UFRN

Comentários (22) enviar comentário
  1. Sem limite disse:

    Cada um tem direito de estudar o que quiser, mas usar dinheiro público sem expectativa de retorno para a sociedade é no mínimo falta de bom senso. Espero que pelo menos esse estudo não tenha sido financiado com bolsa.

  2. Dickson Tavares disse:

    Olá Ceará Mundão, Zé do Pote! Acredito que não sou o único que curte personagens fictícios, haja visto seus nicknames. Agradeço suas contribuições ao debate acadêmico. Espero que em seus estudos ambos obtenham êxito. Quem sabe teremos uma dissertação de mestrado ou tese de doutorado sobre o Zé do Pote ou o Ceará Mundão. Bons estudos pra vcs!

  3. Ceará Mundão disse:

    No Brasil, é empregado muito dinheiro na educação. O problema é que é muito mal empregado. Prioriza-se caríssimas universidades públicas, que muito pouco contribuem prá sociedade, que é quem lhes custeia, por intermédio de uma altíssima carga tributária. E essa universidades públicas viraram cabides de empregos e agências de viagens de luxo, tal o número de "passeios" que patrocinam a seus professores. Prá não falar das greves constantes e infindáveis. Passam meses de greve, recebendo seus salários integralmente, como se trabalhando estivessem, e os alunos que se f… Ai os professores aproveitam prá viajar, curtir longas férias remuneradas pelo contribuinte brasileiro. Essas universidades viraram formadoras de analfabetos funcionais com diplomas de graduação. E a produção científica ó…

  4. Carla disse:

    Quanta ignorância nesses comentários! Queria só ver se alguém​ teria a capacidade de escrever algo que fosse além de suas próprias lamentações. Parabéns, Dickson, pela sua tese!

  5. Zé do Pote disse:

    Esperar o que de uma estrutura perdulária e contraproducente como a universidade pública brasileira?
    Se um dia der na telha de o Ministério Público Federal se sentir "provocado" (quem sabe por alguma arguição extraterrestre?) e resolver se debruçar sobre o tema, fazendo uma verdadeira varredura nos subterrâneos das Universidades e suas ditas fundações de pesquisa, aí sim teremos manchetes explosivas.

    • Ceará Mundão disse:

      Corretíssimo, amigo. Há poucos dias vimos um escândalo estourar na UFPR. Se vasculhar, vamos achar muitos problemas em todas elas. São escoadouros de dinheiro público. Salários altíssimos, custos exorbitantes e pouquíssima produção.

  6. Denison disse:

    Pelo amor de Deus torar dinheiro púplico com desenhos animados"fã", não sei não, teria barrado isso na hora, pq não fazer sobre a poluição visual na cidade de Natal, seja mais criativo amigo, e cresça, sua época de ser o robim já passou.

    • Dickson Tavares disse:

      Olá Denison! Muito agradecido por suas palavras. Acredito que em seus estudos o entusiasmo é o mesmo. Desejo sucesso em sua carreira acadêmica e espero alcançar o seu nível de sabedoria. Quem sabe com o Doutorado eu consiga. Bons estudos pra vc!

  7. Dickson Tavares disse:

    Olá Caio e Renato! Agradeço suas colocações e críticas. Muito bom que os estudos sobre midiatização despertem outras reflexões sobre a educação e a produção científica. Bons estudos para vocês!

  8. Dickson Tavares disse:

    Olá José ! Agradeço suas colocações. Espero que seus estudos e pesquisas acadêmicas sejam tão prazeirosas. Encontrar em objetos tão ordinários como ícones da cultura pop para explorar a mecânica dos estudos da mídia, ajudam a explicar e espalhar melhor o conhecimento.

  9. Adolfo disse:

    É sim,com o meu e com o seu, a universidade é pública.Agora uma instituição permitir a escolha de um tema que nada ajuda a sociedade.

    • Dickson Tavares disse:

      Olá Adolfo! Tenho a maior satisfação em explicar as etapas do processo de midiatização utilizando o Batman como objeto de estudo. Muito obrigado por suas observações, espero que um dia você encontre um bom tema para desenvolver no ambiente acadêmico.

  10. Netto disse:

    Ainda bem que esse tipo de coisa não é feita com o meu dinheiro.

    • Caio Emanuel disse:

      Kkkkkkk

    • Renato disse:

      Verdade Netto! Esse é o nível de estudante que temos nas universidades.

    • Joao disse:

      Aí vc se engana. A cara UFRN é bancada com dinheiro público e mestrados tem verba proveniente do MEC… ou seja, a tese de batman e de outros heróis fictícios da ufrn são bancadas com nossos impostos.

    • Dickson Tavares disse:

      Olá Netto! Muito obrigado por suas observações. Creio que os estudos sobre midiatização, por se tratarem de algo mais complexo de se compreender, tornem-se mais palatáveis quando utilizamos elementos e exemplos mais simples para melhorar a compreensão. Espero que nos seus estudos tal recurso metodológico propicie o êxito em seus projetos.

    • José disse:

      KKKKKKKKK
      Boa Neto!
      João não sabe mesmo o que é sarcasmos?

    • Netto disse:

      Ok, Dickson,
      Boa sorte. Espero que você e a sociedade consigam tirar proveito
      de seus apontamentos.

    • Dickson Tavares disse:

      Olá João! Agradeço suas colocações. Espero que seus estudos e pesquisas acadêmicas sejam tão prazeirosas. Encontrar em objetos tão ordinários como ícones da cultura pop para explorar a mecânica dos estudos da mídia, ajudam a explicar e espalhar melhor o conhecimento.

    • Dickson Tavares disse:

      Olá Caio e Renato! Agradeço suas colocações e críticas. Muito bom que os estudos sobre midiatização despertem outras reflexões sobre a educação e a produção científica. Bons estudos para vocês!

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