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TCE-RN determina que prefeito Carlos Eduardo devolva dinheiro da Previdência, e envia caso para o MPRN

Prefeito e presidente do Natalprev têm prazo de 15 dias para cumprir decisão, sob pena de bloqueio do valor na conta única do Município. Novos saques acarretam multa diária de R$ 10 mil para ambos

A Primeira Câmara do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN) determinou, nesta quarta-feira (19), a devolução, por parte da Prefeitura de Natal, do valor de 15,8 milhões, referentes ao saque realizado no Fundo Capitalizado de Previdência para pagamento de aposentados e pensionistas vinculados ao Fundo Financeiro de Previdência (FUNFIPRE). Além disso, foi determinado o bloqueio desse valor, caso não seja comprovada a devolução, num prazo de 15 dias.

A decisão é fruto de voto do conselheiro Tarcísio Costa, relator do processo, que foi acompanhado pelos demais membros da Câmara, a conselheira Maria Adélia Sales e o conselheiro Carlos Thompson Fernandes, em julgamento que ratificou os termos da cautelar anteriormente expedida, monocraticamente, pelo conselheiro Tarcísio Costa. A Primeira Câmara também negou, em outro processo, provimento ao agravo interposto pelo Município de Natal contra a cautelar do relator.

Além da devolução e do bloqueio, a Prefeitura de Natal e o Instituto de Previdência Social dos Servidores do Município do Natal (NATALPREV) deverão se abster de realizar novos saques no Fundo Capitalizado de Previdência (FUNCAPRE) para pagar aposentados e pensionistas vinculados ao Fundo Financeiro de Previdência (FUNFIPRE), sob pena de multa pessoal, individualizada, no valor de R$ 10 mil por dia, ao prefeito de Natal, Carlos Eduardo Nunes Alves, e à presidente do Natalprev, Adamires França.

Em relação aos indícios de irregularidades detectados pela Corte de Contas em relação ao saque da Prefeitura de Natal, o Tribunal de Contas irá representar ao Ministério Público Estadual para apuração do descumprimento da cautelar anteriormente expedida pelo Tribunal de Contas, por parte do prefeito de Natal, Carlos Eduardo Nunes Alves, e da presidente do Natalprev, Adamires França. O conselheiro Carlos Thompson acrescentou, em seu voto, a apuração, por parte do MPE, dos saques realizados pela Prefeitura no Fundo Capitalizado de Previdência.

Os conselheiros decidiram ainda pela realização de uma auditoria no Nataprev relativa aos saques possivelmente irregulares realizados na previdência municipal antes da existência da Lei Complementar Municipal nº 166/17, que autorizou o saque dos valores no Fundo Capitalizado de Previdência para pagamento de aposentados e pensionistas vinculados ao Fundo Financeiro de Previdência. Segundo voto do conselheiro Carlos Thompson, a auditoria irá investigar “se houve omissão quanto ao recolhimento da contribuição patronal e quanto ao repasse dos valores descontados dos servidores municipais”. O prazo é de 60 dias.

O TCE também irá representar ao Ministério da Previdência e Assistência Social para fins de apuração acerca da ilegalidade dos saques e aplicação de possíveis sanções aos responsáveis.

Competência

De acordo com o conselheiro Carlos Thompson Fernandes, a atuação do Tribunal de Contas, e a cautelar expedida pelo conselheiro Tarcísio Costa no último dia 07, estão dentro das competências estabelecidas pela Constituição. “O controle exercido pelo TCE, em estrita obediência às suas competências constitucionais, efetivou-se com a prevalência de regras existentes em leis federais, que veiculam normas gerais, em detrimento de um ato materialmente administrativo de âmbito municipal que autorizou indevidamente a retirada de dinheiro de determinado”.

As cautelares proferidas pelo Tribunal de Contas possuem, de acordo com o voto do conselheiro, “amplo e irrestrito respaldo da jurisprudência reiterativa do Supremo Tribunal Federal”. O voto cita algumas decisões do STF, que reconhecem existir o poder geral de cautela dos Tribunais de Contas, das quais foram relatoras a ministra Rosa Weber, o ministro Dias Tóffoli, o ministro Edson Fachin, além da então ministra Ellen Gracie, inclusive com possibilidade de bloqueio de bens, segundo votos dos ministros Gilmar Mendes, Joaquim Barbosa, entre outros.

“É que esse procedimento mostra-se consentâneo com a própria natureza da tutela cautelar, cujo deferimento, pelo Tribunal de Contas, sem a audiência da parte contrária, muitas vezes se justifica em situação de urgência ou de possível frustração da deliberação final dessa mesma Corte de Contas, com risco de grave comprometimento para o interesse público”, aponta o ministro Celso de Mello ao indeferir mandado de segurança.

 

Comentários (11) enviar comentário
  1. Val Lima disse:

    Pelo visto essa decisão tem o mesmo valor de uma nota de R$3,00…
    Caso contrário , a PMN teria acatado a cautelar do Conselheiro desde o dia 07/04…
    Agora se fosse uma ordem do TJRN, a conversa seria outra…

  2. As. Queiroz disse:

    Muito bem. Tem colocar ordem.

  3. A. Pinto disse:

    E porque não fizeram isso com o Governo do Estado?

    Esse falso tribunal só age contra determinados gestores… deveria a sua força (se é que tem) ser igual e infalível com todos, mas isso é uma ficção…

  4. Cobre disse:

    certo quem viu usar dinheiro da previdência para pagar outros funcionários Boa tarde

  5. Natalino disse:

    Isso não vai dar em nada

  6. Francisco lima disse:

    Vamos ficar assistindo.

  7. Helio Motta disse:

    Nunca vi nenhum político ter medo do TCE. Todo mundo sabe que o TCE finge que tem moral e que os políticos fingem que respeitam.
    O importante é manter as aparências.

    • Renato disse:

      Estimado Helio Motta, que só aparece aqui no blog para resmungar e criticar as Instituições, mesmo quando estas mostram trabalho.
      Deveria você saber que, de uns tempos para cá, o TCE/RN mudou. Não é mais o mesmo de alhures. De uns 4 anos para cá, é comum se ver na imprensa, quase que diariamente, uma atuação importante da Corte de Contas potiguar. Inclusive, talvez, por terem tido um pensamento parecido com o seu, de que ninguém é condenado pelo TCE/RN, que vários e vários gestores do Estado não puderam se candidatar nas últimas eleições, por terem tido suas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas, assim como foram inúmeros os gestores que tiveram ressarciram o erário e pagaram altas multas, por pensarem que o TCE de hoje, é ainda o TCE das décadas passadas. Reveja seus conceitos, saiba elogiar e reconhecer o trabalho também, quando se faz necessário.

    • Maria disse:

      Engraçado é não terem feito isso com o governo do estado.

    • Profanos disse:

      Parabéns, Hélio Motta, pelas belas palavras em síntese. Realmente, esse Tribunal de Faz de Contas escolhe por amostragem e seletividade como fez agora. Deixa todo o Seridó nas māos dos gestores larápios. Quando atua vem o judiciário com uma liminaf esquife que autoriza o improbo sair candidato.

    • André Gonçalves de Medeiros disse:

      Esse Helio Motta é mesmo um cara amargo e reclamão. Um sujeito desse tem mesmo que ficar longe do jogo da Baleia Azul…

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