Delator diz que fez pagamentos em nome da Fetranspor para Crivella; prefeito nega

Numa das delações sobre o esquema de propina envolvendo a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro, a Fetranspor, um funcionário do doleiro Alvaro José Novis contou aos procuradores do Ministério Público Federal ter feito pagamentos em nome da federação para o prefeito do Rio, Marcelo Crivella. Os detalhes da colaboração foram exibidos com exclusividade nesta quarta-feira (23) pelo RJTV.

Em nota, o prefeito negou “veeementemente” receber o valor citado na delação – R$ 450 mil em dinheiro vivo – e alegou que “a suposta acusação ocorreu porque não concedeu aumento na passagem de ônibus e apoiou a redução no preço das tarifas”.

A delação é de Edmar Moreira Dantas, que trabalhava na empresa do doleiro. É o mesmo funcionário que relatou aos procuradores o suposto pagamento de propinas ao governador Luiz Fernando Pezão. Em outro depoimento, ele disse que o esquema ilícito da Fetranspor também foi destinado a Crivella.

O colaborador detalhou que foram cinco os pgamentos, entre 2010 e 2012. Os valores, segundo ele, foram entregues a um homem chamado Mauro Macedo, na Rua da Candelária, no Centro, número 9. A sala, disse ele, era alugada por Crivella e usada como comitê partidário.

É também dito que as ordens para pagamentos partiam da mesma pessoa que mandava pagar Pezão, o empresário José Carlos Lavouras, que é considerado foragido e está em Portugal. O delator disse ainda que já havia visto Crivella no endereço citado e deu detalhes de como ocorreram os pagamentos a Mauro Macedo.

Em planilhas entregues ao MPF, aparecem duas de quatro doações a Crivella, no valor de R$ 100 mil. O endereço nos ofícios corresponde ao citado pelo delator e informam, inclusive, o horário da entrega do dinheiro: 16h30. Mauro Macedo foi tesoureiro da campanha de Crivella ao Senado Federal, em 2008.

Segundo Crivella, Mauro Macedo nunca exerceu funções nas campanhas eleitorais dele, não foi nomeado no Senado e tampouco na prefeitura. A Fetranspor comunicou que continua à disposição da Justiça para esclarecimentos.

G1

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