Estudante baleado durante atentado em escola de Goiânia diz que perdoa atirador, mas ‘nada justifica’

Hyago, 13 anos, se recupara com a família após ser baleado durante atentado em escola de Goiânia Goiás (Foto: Giovanna Dourado/TV Anhanguera)

O estudante Hyago Marques, de 13 anos, baleado durante ataque em colégio, afirmou em entrevista à TV Anhanguera que perdoa seu colega autor dos disparos. No entanto, ele afirma que ainda está chateado pelos amigos que seguem internados e os que morreram no atentado. “Eu perdoo, mas acho que nada justifica a reação dele”, disse.

O adolescente recebeu alta do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) na manhã deste domingo (22). Já em casa, o garoto agradece por estar se recuperando bem e agora perto dos familiares.

“Saí do hospital doido para chegar em casa para ficar perto dos meus amigos, ficar perto dos meus pais, porque lá subia um de cada vez e não estava muito legal. Eu gosto muito de família reunida. Agora vai ter um churrasco e é isso que eu queria, ficar perto de todo mundo, conversar com todo mundo e falar que eu estou bem”, completou.

Hyago contou que quer voltar logo à rotina normal e espera que as colegas de sala que também foram baleadas se recuperem logo. “Eu penso em voltar para a escola, penso em ter meus amigos de volta, brincar como fazia antes e que eles melhorem logo para todo mundo ficar bem e confortar a família deles também”, afirmou

Pai do garoto, o microempresário Thiago Barbosa Gomes contou que está muito aliviado por ver o filho bem e se recuperando em casa.

“Hoje foi o melhor domingo das nossas vidas. Buscando ele no Hugo, saindo de lá perfeito, sem sequelas, andando, conversando. Para mim não tem alívio melhor. Anda estou muito chateado pelos outros que ainda estão no hospital, mas pedindo a Deus que saiam da mesma forma que meu filho saiu: andando, sorrindo e saúdável”, agradeceu.

Tiros

O crime aconteceu na manhã de sexta-feira (20) em uma sala de aula do 8º ano do Colégio Goyases, no Conjunto Riviera, em Goiânia. Além dos feridos, morreram João Vitor Gomes e João Pedro Calembo, ambos de 13 anos. Eles foram enterrados neste sábado. O pai de João Pedro disse que perdoa o atirador.

O coronel da Polícia Militar Anésio Barbosa da Cruz informou que o autor dos disparos era alvo de chacotas de colegas. “Ele estaria sofrendo bullying, se revoltou contra isso, pegou a arma em casa e efetuou os disparos”, disse.

Um aluno de 15 anos, que estava na sala no momento do tiroteio, também contou que o adolescente era vítima de piadas maldosas.

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O menor está apreendido apreendido na Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai). A Justiça acatou pedido do MP e determinou a internação provisória dele por 45 dias.

Tenente-coronel Marcelo Granja, assessor de imprensa da Polícia Militar, revelou ao G1 a conversa que teve com o pai do autor dos disparos, que é major da corporação. Segundo ele, o policial – seu amigo há mais de 15 anos – ainda está profundamente abalado com o que aconteceu.

O assessor informou que tanto o major quando a esposa, que também é policial e dona da arma usada pelo adolescente, serão ouvidos pela Corregedoria da PM. A oitiva deve ocorrer na próxima semana, mas ainda não há data definida.

Feridos

Antes de ser liberado, o pai do garoto, Thiago Barbosa Gomes, fez um vídeo do filho em que o garoto dizia estar bem e se recuperando. Na gravação, o garoto afirma que pode até “jogar bola”.

Além dele, três estudantes do 8º ano também ficaram feridas. No Hugo, ainda estão internadas Isadora de Morais, 14, e Marcela Rocha Macedo, 13. No entanto, a assessoria de imprensa da unidade de saúde informou não irá mais divulgar informações sobre elas a pedido dos familiares.

G1 conseguiu contato, no sábado (21), com um parente de Isadora, que levou um tiro no tórax que perfurou o pulmão e já foi operada. A pessoa, que preferiu não se identificar, havia dito que ela segue com estado grave, mas “em melhora e estabilizando”.

Já Marcela, segundo o boletim divulgado às 10h de sábado, tem quadro regular e respira espontaneamente. Ela foi transferida para a UTI para melhor observação.

A única que não está internada no Hugo é Lara Fleury Borges, de 14 anos, que, até sábado, estava se recuperando em um apartamento do Hospital dos Acidentados. De acordo com a unidade de saúde, ela foi operada para reconstruir o osso do antebraço, onde foi baleada. O quadro dela é considerado bom.

G1

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