MP pede internação de adolescente que atirou em colegas em Goiânia

O Ministério Público (MP) de Goiás pediu, na tarde deste sábado, a internação por 45 dias do adolescente que abriu fogo dentro de sua sala de aula, matando dois jovens de 13 anos e ferindo outros quatro. O promotor de Justiça Cássio Sousa Lima ouviu o adolescente, que continua detido na delegacia que cuida de atos infracionais em Goiânia. Segundo Lima, o jovem demonstrou arrependimento, sem manifestar desespero ou algum comportamento do tipo.

O pedido de internação provisória foi encaminhado à Vara de Infância e pode ser decidido ainda nesta semana. Por ser um adolescente filho de policiais militares, o promotor pediu que a Justiça providencie medidas de segurança ao jovem, de forma que fique isolado de outros adolescentes infratores. É um tratamento que se busca quando policiais estão envolvidos.

A punição máxima é uma internação por três anos, para cumprimento de medida socioeducativa. Esta medida Ainda será decidida no curso do processo.

— Ele demonstrou arrependimento. E que pegou a arma, por causa do bullying, e saiu atirando. Mas ele está tranquilo — disse o promotor.

O representante do MP afirmou ainda que a arma de fogo, uma pistola .40 de uso da mãe, estava “bem escondida” em casa. O revólver estava trancado num cômodo e acabou sendo descoberto pelo adolescente, segundo Lima.

— Ele vasculhou a casa até encontrar. A princípio, não acredito em omissão dos pais. Mas, caso o MP e a Justiça verifiquem a culpa dos pais, eles ppderão ser processados.

ENTENDA O CASO

O ataque no Colégio Goyases ocorreu na manhã de sexta-feira. O atirador disparou pelo menos 11 vezes contra os colegas de sala de aula. Matou dois adolescentes de 13 anos: João Pedro Calembo, com quem tinha uma desavença de adolescente e de quem diz ter escutado ofensas, numa prática de bullying, e João Vitor Gomes, amigo do atirador e vítima dos disparos a esmo. Depois de atirar na primeira vítima, o adolescente disse que ia matar todo mundo. Outros quatro jovens ficaram feridos. Uma adolescente foi atingida por três tiros e está em estado gravíssimo.

Após os disparos, os alunos correram para o corredor. O adolescente recarregou a arma, um revólver .40, e seguiu ao corredor, quando foi convencido pela coordenadora a desistir de mais disparos. Com conversa, ela conseguiu dissuadir o garoto de descarregar um segundo cartucho do revólver .40, inclusive contra a própria cabeça.

A arma é de uso da mãe, sargento da Polícia Militar (PM) de Goiás. O pai é major da PM. O revólver tem o símbolo da polícia. O atirador entrou na escola com a arma na mochila. Segundo relatos de testemunhas, depois de um disparo dentro da própria mochila e de um tiro para o alto, o estudante mirou em Calembo.

O Globo

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