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Jesus que nasce para todos: como as religiões interpretam o Natal

Por interino

natal-na-igrejaPara quem não é cristão, a sensação de comemorar o Natal, o nascimento de Jesus Cristo, pode ser a mesma de participar de uma festa na casa de um desconhecido. Com antigas raízes pagãs e voltando-se recentemente a um simbolismo que perde sua conexão com Cristo, o Natal é comemorado pela grande maioria das pessoas do mundo – e de diferentes credos. E, cristãos ou não, todos compartilham, nesse período, do chamado “espírito natalino”.

Por isso, IHU On-Line conversou com alguns líderes religiosos locais para ver como cada um, a partir da sua fé, vivencia esse ambiente marcado por uma das maiores festas cristãs.

A reportagem é de Moisés Sbardelotto.

O Natal tem uma história longa e variada, marcada também por uma mistura religiosa de fundo. Em dezembro, no hemisfério norte, já havia uma celebração milenar por ocasião do solstício de inverno. Na Europa, os povos se reuniam para comemorar a luz e o nascimento após a pior fase do inverno, quando poderiam, enfim, olhar para frente esperando tempos melhores – e com mais sol. Na Roma antiga, os festejos iniciavam exatamente no dia 25 de dezembro, em homenagem ao nascimento do Deus Sol, conhecido como “Natalis Solis Invcti” (O Nascimento do Sol Invencível). Com a oficialização do cristianismo no Império Romano, várias datas festivas foram cristianizadas. Assim, da comemoração do nascimento da luz e do sol para o nascimento de Jesus foi apenas uma questão de ajuste. As primeiras manifestações do Natal propriamente cristão no dia 25 de dezembro remontam ao ano 354, como indica um manuscrito em Roma. Mais tarde, a data foi reconhecida oficialmente pelo Papa Julius I (337 -352).

Para o padre jesuíta José Ivo Follmann, o rito ou a simbologia central do Natal é a recordação do nascimento de Jesus em Belém, numa estrebaria, numa manjedoura, à margem da sociedade – ou seja, o presépio. “Deus entra na história da humanidade à margem daqueles lugares onde ele seria esperado”, afirma.

Nesse sentido, a pastora Cleide Schneider, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, acrescenta que o Natal é a celebração da “presença do Deus que virou gente e habitou entre nós, como diz o texto bíblico”. “Jesus vem de uma forma muito simples e humilde para indicar que também nas coisas humildes ali Deus se manifesta”, afirma.

“Ele rompe fronteiras”, resume Pe. José Ivo. E, por isso, também tem um alcance nas demais crenças.

Um dos aspectos destacados também é a correlação que permeia todas as religiões. Mesmo que cada uma possua suas características próprias, algumas celebrações acabam ultrapassando as fronteiras teológicas. Esse é um dos pontos citados por Dejair Rauber, ou Pai Dejair de Ogum, do Africanismo. Ele afirma que, devido ao sincretismo, durante muitos anos a religião africana foi perseguida e marginalizada, e qualquer prática de outro culto, a não ser o católico, era contravenção. Então, com o tempo, a religião africana no Brasil passou a fazer algumas homenagens ao Oxalá, que é o orixá respectivo a Jesus Cristo no africanismo, especialmente no período do Natal, mesmo sem um cunho de festividade.

José Carlos Bandeira, trabalhador do Movimento Espírita, afirma que, apesar de não comemorar a data, o espiritismo aproveita essa época para buscar a integração com os “amigos espirituais elevados”, já que as pessoas melhoram sua condição para se aproximar mais de Deus. “O que interessa é que, nesse momento, em função da vibração mais elevada ao redor das pessoas, esses espíritos superiores conseguem se aproximar mais do planeta. Então, nós somos até melhor assistidos. É uma época mais privilegiada no ano, as pessoas são mais tocadas de fraternidade, de amor”, comenta.

Segundo Bandeira, mesmo que não seja uma religião cristã, o espiritismo concede a Jesus um lugar privilegiado. “Uma das melhores respostas que nós encontramos no Livro dos Espíritos, é quando os espíritos respondem a Kardec que o melhor modelo e guia da humanidade é ‘Jesus’. Uma palavra só”, comenta.

Mesmo no Africanismo, que sempre entendeu que as forças divinas estavam sempre misturadas ao humano, Cristo é aceito como uma divindade, explica Pai Dejair. “Apesar de a religião africana de raiz não cultuar Jesus Cristo, aqui no Brasil o povo de matriz africana passou a respeitá-lo, porque foi aqui que tivemos conhecimento do cristianismo”, explica. Para Dolores Dorneles, ou Mãe Dolores de Bará Lodê, da Nação Afro Cabinda, a celebração do Natal “é a da união entre os povos, entre toda a nação”. E com a presença de Jesus, sim. “Para nós, ele é Oxalá, o pai maior de todas as religiões, tanto da religião Afro, quanto da religião de Umbanda e a de Candomblé”.

Em Jesus, segundo Pe. Follmann, é que está a grande radicalidade do Natal: “Deus que se faz alguém, um de nós, que assume a nossa natureza humana, em todas as suas conseqüências. Tanto que sofreu a morte violenta, porque a humanidade não conseguiu suportar esse tipo de manifestação tão humana”, explica. Segundo ele, a figura de Jesus, seu jeito de ser, foi a revelação do ser humano ao próprio ser humano. E por isso foi rejeitado, porque a humanidade não estava preparada para receber uma mensagem tão forte. “No fundo, o que está revelado no Natal? Que existe o lado divino da humanidade. Deus se faz um de nós para mostrar que nós fazemos parte dele”, resume.

Em outras religiões não-cristãs, também existem festas que acompanham esse período. No Judaísmo, é o momento de celebrar a Chánuka (ou Hanukkah, “dedicação” ou “inauguração”). O líder religioso da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência de Porto Alegre, Guershon Kwasniewski, que se prepara para o o rabinato, explica que a celebração da Chánuka geralmente coincide com o Natal, mas que, enquanto conteúdo, não tem relação. “Lembramos a vitória dos macabeus, pelo ano 168 a.C., contra o rei Antiocus, da Síria, que tinha profanado o Templo de Jerusalém”, explica. Ele conta que, quando os macabeus retomaram o templo profanado, encontraram só um recipiente com óleo sagrado, que poderia manter o fogo sagrado aceso por apenas um dia. E, por um milagre, esse óleo acabou durando oito dias. “Por isso, hoje em dia, um candelabro de nove braços é aceso ao lado das janelas nos lares judaicos para lembrar o milagre acontecido. O candelabro é colocado junto à janela para também compartilhar a luz com os nossos semelhantes”, comenta.

Segundo Kwasniewski, o Judaísmo reconhece o Deus todo-poderoso, criador do universo, e as criaturas de Deus, os humanos. “Portanto, nosso relacionamento com Deus é um relacionamento de parceiros para continuar a sua obra de Criação”, diz. Nesse sentido, ele sugere que “o espírito natalino deveria acompanhar as pessoas o ano todo e não ficar restrito a dezembro. Dezembro – continua – é um período em que podemos resgatar o paraíso: ninguém briga, todo mundo é cordial, as pessoas baixam menos nos hospitais, ninguém quer ficar doente, ninguém quer perder as festas, todo mundo se cumprimenta”. Para ele, é justamente isso que falta no resto do ano. “Poderíamos espalhar um pouco dessa energia que se concentra agora nesta última parte de dezembro”, aconselha.

E esse parece ser também o desejo dos demais religiosos. “Deveríamos respeitar a fraternidade, o amor ao semelhante, tirar um pouco essa coisa comercial”, comenta José Bandeira. “As pessoas se reúnem para comer e beber e se esquecem de parar por alguns minutos para agradecer. É o momento do aniversário. E qual é o presente que Jesus gostaria de receber? É amor, é fraternidade entre os homens, entre os seus irmãos”, diz. Para Bandeira, é preciso lembrar-se de dar as mãos e “erguer os pensamentos numa prece de agradecimento por essa oportunidade que Deus nos concedeu de ter uma pessoa entre nós com um quilate desses que foi Jesus”.

Para a pastora Cleide, o Natal é um momento em que podemos resgatar muito a partilha, a comunhão, o estar juntos, valorizando os sinais e momentos pequenos de gratidão a Deus. “Não é preciso grandes festas, grandes presentes. Mas a compreensão, o respeito, a solidariedade. Esse é o sentido próprio do Natal, que já está bastante esquecido”, indica.

A mensagem do Natal, segundo Pe. José Ivo, é não procurar Deus onde ele não se encontra e também não tentar colocar Deus onde ele não se encontra. “Devemos estar atentos ao lugar que Deus escolhe para entrar na humanidade, que é à margem, no meio daqueles que são mais desprezados, daqueles que são mais excluídos. É ali que nós encontramos o Deus que é vida, o Deus que é amor”, explica. “E não vamos encontrar no meio da prepotência, no meio da riqueza, no meio da discriminação, no meio da violência, no meio de tudo aquilo que estraga a vida. Deus está presente onde há simplicidade, onde há serviço, onde há atenção às pessoas, onde há amor, onde há respeito”.

E como uma verdadeira festa, o Natal não é comemorado sozinho. “A grande lição do Natal é esta: no nosso jeito de ser, nós também devemos procurar nos tornar presentes para os outros, nos colocar a serviço dos outros”, comenta Pe. José Ivo.

De certa forma, é o que todas as crenças ensinam. Talvez, olhando novamente para o presépio neste Natal, para aquela imagem de um Deus que se faz criança pobre e rejeitada pelo mundo, possamos reconhecer novamente o amor desse Deus que todas as religiões buscam seguir. E acolhê-lo, para que nasça entre nós.

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/noticias-arquivadas/19114-jesus-que-nasce-para-todos-como-as-religioes-interpretam-o-natal

Opinião dos leitores

  1. Religião é todo conhecimento que liga criatura e criador. Neste sentido, a filosofia espírita é uma religião. E acima de tudo, cristã.

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[VÍDEO] JULIANO CAZARRÉ: “O Brasil está na mão do progressismo. Muita violência nesce do discurso progressista”

 

O ator Juliano Cazarré criticou o que chamou de domínio do progressismo nas universidades, escolas, cultura e mídia, afirmando que essa influência existe no Brasil “desde os anos 70”.

“Quem está no poder não é o grupo conservador. O Brasil tá na mão do progressismo desde os anos 70. Não é só o a presidência, é o progressismo está nas universidades, o progressismo está nas escolas, o progressismo está na cultura, o progressismo está na mídia”, afirmou Cazarré durante participação em debate na GloboNews.

Cazarré também falou sobre saúde masculina, presença dos pais na criação dos filhos e combate à pornografia. Além disso, criticou o que considera tentativas de censura e silenciamento por parte de setores progressistas.

No debate, ele apresentou a ideia de que “o mundo precisa de homens que assumam o seu papel”, defendendo homens comprometidos com a família, a sociedade e Deus. O ator rejeitou associações com movimentos red pill e afirmou que “nem todo homem é tóxico ou um estuprador em potencial”.

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‘Ou chegamos a um bom acordo ou eu os mandarei para o inferno’, diz Trump sobre o Irã

Foto: Roberto Schmidt/AFP
O presidente americano, Donald Trump disse neste sábado, 23, que as negociações para paz entre Estados Unidos e do Irã estavam “muito perto” de finalizar um acordo para encerrar a guerra, de acordo com uma entrevista por telefone à CBS News. Ele afirmou que discutiria a versão mais recente da proposta com seus assessores e que poderia tomar uma decisão sobre a retomada da guerra até domingo, conforme declarou à Axios em uma entrevista separada.

“Ou chegamos a um bom acordo ou eu os mandarei para o inferno”, disse Trump, segundo a Axios.

O americano tem oscilado entre os dois polos da diplomacia e do ataque militar desde que um cessar-fogo foi declarado há seis semanas para permitir que as partes chegassem a um acordo. Os entraves seguem sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz, rota crucial de fornecimento de petróleo e gás atualmente controlada por Teerã.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, por sua vez, disse que havia uma chance de o Irã aceitar as tratativas pôr fim ao conflito no Oriente Médio.

Irã também eleva o tom

Em Teerã, o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, alertou para uma resposta “esmagadora” caso o presidente americano Donald Trump “cometa outro ato de loucura e reinicie a guerra”.

“Se atacarem o Irã novamente, [o resultado] certamente será mais devastador e amargo para os Estados Unidos do que no primeiro dia da guerra”, publicou Qalibaf, que também é porta-voz do Parlamento iraniano, nas redes sociais.

Qalibaf divulgou essas declarações após se reunir com o chefe do exército paquistanês, o marechal de campo Asim Munir, figura-chave nos esforços internacionais para alcançar uma solução negociada para o conflito, que chegou à capital iraniana na noite de sexta-feira.

Em conversa com o secretário-geral da ONU, António Guterres, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, reclamou das “posições contraditórias e das repetidas exigências excessivas” de Washington, segundo as agências de notícias Tasnim e Fars.

Esses fatores “prejudicam o processo de negociação conduzido sob mediação paquistanesa”, afirmou o ministro iraniano. “Apesar de sua profunda desconfiança em relação aos Estados Unidos, a República Islâmica do Irã tem participado do processo diplomático com uma abordagem responsável e a máxima seriedade, buscando alcançar um resultado razoável e equitativo”, acrescentou.

De acordo com a agência de notícias iraniana IRNA, o chefe do exército paquistanês, que tem desempenhado um papel proeminente nos esforços de reaproximação, conversou com Araqchi até as primeiras horas de sábado sobre os “mais recentes esforços e iniciativas diplomáticas com o objetivo de evitar uma escalada ainda maior”.

‘Divergências profundas’

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, já havia alertado que as divergências com Washington permanecem “profundas”.

Ele afirmou que questões relacionadas ao fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a situação no Estreito de Ormuz, o bloqueio americano aos portos iranianos e a questão nuclear permanecem “sem solução”.

O Catar, que foi severamente afetado pela guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, e outros países da região também intensificaram os esforços de mediação alternativa. Teerã confirmou a visita de uma delegação da monarquia na sexta-feira.

Estadão com AFP

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[VÍDEO] LULA: “A polícia não pode matar antes de conversar, não pode atirar para depois perguntar”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (22) que a polícia não pode “matar antes de conversar”, “não pode atirar para perguntar depois” e defendeu mudanças no combate à criminalidade no Brasil. A declaração ocorreu no programa Sem Censura, da TV Brasil.

Durante entrevista, Lula disse que a população vive com medo da violência e declarou que “não é mais possível mandar uma criança brincar na rua ou ir à padaria” por causa da insegurança.

O presidente também afirmou que o enfrentamento ao crime precisa de inteligência e identificação das facções criminosas. Ele criticou casos em que suspeitos são presos e acabam soltos pouco tempo depois.

Segundo Lula, é necessário discutir com seriedade o papel das forças de segurança e impedir que organizações criminosas dominem territórios e continuem comandando crimes de dentro dos presídios.

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Geral

Polícia encontra máquina de contar dinheiro e R$ 50 mil para ‘Dra Deolane’ na casa de operador do PCC; defesa alega inocência

Foto: divulgação PC-SP/Instagram Deolane

A Polícia Civil de São Paulo apreendeu uma máquina de contar dinheiro e uma caixa com cerca de R$ 50 mil em espécie com o nome “Dra Deolane” durante a Operação Vérnix, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.

O material foi encontrado na casa de Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado pela investigação como operador financeiro da facção. Ele foi preso. A influenciadora e advogada Deolane Bezerra também foi presa sob suspeita de integrar o esquema e transferida para a Penitenciária de Tupi Paulista. A defesa dela nega qualquer envolvimento.

Segundo a polícia, “Player” atuava na movimentação de recursos ligados aos irmãos Camacho, incluindo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. Conversas extraídas de celulares indicariam que ele orientava a distribuição de valores para contas bancárias, entre elas uma atribuída a Deolane.

As investigações apontam que uma transportadora de fachada em Presidente Venceslau era usada para ocultar dinheiro do crime organizado. A polícia afirma que Deolane controlava uma rede de empresas registradas em um mesmo endereço residencial no interior paulista.

Os delegados responsáveis afirmam que há indícios de que a influenciadora fazia parte da estrutura financeira usada para integrar dinheiro ilícito ao sistema formal. A apuração começou após a análise de manuscritos encontrados no esgoto da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau.

Com informações do Blog de Fausto Macedo, Estadão

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Geral

Empresas brasileiras no Paraguai sob a Lei de Maquila já tiraram cerca de 25.000 empregos do Brasil

Foto: iStock

Empresas brasileiras instaladas no Paraguai sob a Lei de Maquila já transferiram cerca de 25 mil empregos do Brasil para o país vizinho. A estimativa é baseada em dados do governo paraguaio.

Atualmente, mais de 320 empresas estrangeiras operam nesse modelo no Paraguai, sendo 70% brasileiras. Em março de 2026, as maquiladoras geraram 35.357 empregos diretos, principalmente para produção voltada ao mercado brasileiro.

O crescimento ocorre em meio ao aumento dos custos trabalhistas no Brasil, ao debate sobre redução da jornada de trabalho e à taxação de dividendos acima de R$ 50 mil por mês.

Custo do trabalhador

Apesar do salário mínimo paraguaio ser maior que o brasileiro — entre R$ 2.300 e R$ 2.400, contra R$ 1.621 no Brasil — o custo total do trabalhador é menor.

Segundo o setor empresarial, contratar formalmente no Paraguai custa entre 30% e 40% menos do que no regime da CLT no Brasil.

Menos encargos

O Paraguai tem regras trabalhistas mais flexíveis e menos encargos para as empresas.

A jornada semanal é de 48 horas, contra 44 horas no Brasil. Caso avance a proposta de redução para 40 horas semanais no Brasil, trabalhadores paraguaios passariam a trabalhar cerca de 416 horas a mais por ano.

No Paraguai:

  • não existe FGTS;
  • o 13º salário não tem descontos;
  • as férias aumentam gradualmente e chegam a 30 dias apenas após 10 anos;
  • a contribuição patronal à Previdência é de 16,5%, abaixo dos cerca de 29% cobrados no Brasil com INSS, Sistema S e taxas adicionais.

Custo previdenciário menor

No Brasil, empresas pagam:

  • 20% de INSS;
  • contribuições ao Sistema S;
  • seguro de acidente de trabalho;
  • FGTS mensal de 8%.

No Paraguai, tudo é concentrado no IPS, equivalente à Previdência local, com taxa única de 16,5%, incluindo aposentadoria, saúde e acidentes de trabalho.

Regras trabalhistas

O Paraguai não possui FGTS nem seguro-desemprego obrigatório.

Em caso de demissão sem justa causa, a empresa paga meio salário por ano trabalhado. Após 10 anos de empresa, o funcionário ganha estabilidade vitalícia, o que torna a demissão mais difícil e cara.

Por isso, muitas empresas desligam funcionários antes desse prazo.

Negociações individuais

O sistema trabalhista paraguaio também permite acordos diretos entre patrões e empregados, com menos participação sindical e mais flexibilidade em jornadas e horários.

Mão de obra treinada

A qualificação profissional ainda é um desafio no Paraguai, e muitas empresas recorrem a trabalhadores brasileiros.

Segundo Giuliana Gracete, porta-voz da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai, o país oferece uma população jovem e ativa, além de incentivos para atração de empresas estrangeiras.

Com informações de Poder 360

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Geral

Banco Central confirma o fim de notas de dinheiro em papel por conta do avanço do PIX

Foto: Eduardo Valente / Agência O Globo

O Banco Central confirmou a retirada gradual das cédulas de dinheiro em papel da primeira família do real (lançadas em 1994), mas as notas continuam válidas enquanto estiverem em circulação: bancos e caixas devem recolhê-las ao receber e substituí-las por séries mais novas, em um processo lento de substituição que não invalida o poder de compra das cédulas antigas.

O dinheiro em papel vai desaparecer do Brasil?

Não, o papel-moeda não vai sumir imediatamente. Apenas as cédulas da primeira família do real (R$2, R$5, R$10, R$20, R$50 e R$100 de 1994) estão sendo retiradas progressivamente de circulação.

As famílias posteriores de notas continuam normais e serão as principais substitutas. O recolhimento é feito pelos bancos quando as notas voltam aos cofres, sem obrigatoriedade de troca imediata para o cidadão.

As minhas notas antigas ainda têm valor?

Sim, as cédulas da primeira família continuam válidas e podem ser usadas em pagamentos enquanto forem aceitas. O BC reforça que não houve declaração de perda de valor econômico imediato.

Bancos podem reter essas notas quando recebê-las e não reintroduzi-las no sistema, mas isso é um processo gradual que leva tempo.

Quais cédulas de dinheiro em papel estão sendo recolhidas?

São as notas da primeira família do real emitidas em 1994, incluindo os valores de R$2 a R$100. Essas cédulas têm mais de 30 anos e estão sendo substituídas por séries posteriores.

* Importante: As cédulas da primeira família continuam valendo e podem ser usadas normalmente, mas serão retidas pelos bancos quando entrarem no sistema bancário.

Notas de outras famílias e séries continuam circulando normalmente sem restrições.

Os bancos vão se recusar a aceitar minhas notas?

Alguns bancos podem começar a reter as cédulas antigas quando elas retornam aos cofres, mas não podem negar o recebimento em depósitos ou contas. A norma orienta o recolhimento, não a recusa.

Comércios e caixas devem continuar aceitando as notas enquanto estiverem em circulação. O processo de substituição é lento e não gera urgência para troca.

O que você deve fazer agora com suas cédulas de dinheiro em papel antigas?

Usualmente continue usando normalmente suas notas antigas no dia a dia. Não há necessidade de correr para trocar imediatamente, pois o recolhimento é gradual.

Se você arrecada ou coleciona notas, essa retirada pode aumentar o interesse numismático pelas cédulas de 1994. O valor colecionável depende do estado de conservação e da raridade de cada exemplar.

O Antagonista

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Geral

Justiça dos EUA autoriza que Moraes seja notificado por email em processo da Trump Media sobre liberdade de expressão

Foto: Rosinei Coutinho/STF e Kevin Dietsch/Getty Images via AFP

A Justiça dos Estados Unidos autorizou que as empresas Rumble e Trump Media notifiquem o ministro Alexandre de Moraes, do STF, por email em um processo que discute liberdade de expressão e decisões judiciais brasileiras sobre plataformas digitais.

A decisão foi tomada na sexta-feira (22) por um tribunal federal da Flórida. As empresas têm 30 dias para comprovar o envio da notificação aos endereços eletrônicos ligados ao STF e ao gabinete do ministro.

Segundo a ação, Moraes teria determinado bloqueios de perfis e remoção de conteúdos em plataformas digitais, o que as companhias classificam como “censura extraterritorial”.

O juiz considerou válida a notificação por email porque um dos endereços já foi usado em comunicações anteriores com a Rumble e o outro é público no site do STF.

Caso Moraes não responda dentro do prazo, as empresas poderão pedir julgamento à revelia, quando o processo segue sem manifestação da defesa.

A ação tramita nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Rumble e Trump Media, dona da rede Truth Social, pedem que decisões do STF não tenham validade em território americano, alegando violação da Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que protege a liberdade de expressão.

A Rumble está suspensa no Brasil após descumprir ordens judiciais e não indicar representante legal no país. O advogado das empresas, Martin De Luca, afirmou que a decisão “destravou” o processo e cobrou uma resposta do ministro brasileiro.

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Geral

DATAFOLHA: Para 38%, governo Lula é ruim ou péssimo, enquanto 32% consideram ótimo ou bom

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo Lula é visto como ruim ou péssimo por 38% dos brasileiros e como ótimo ou bom por 32%, segundo nova pesquisa Datafolha. Outros 28% classificam o governo como regular.

O percentual oscilou dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais, em relação ao levantamento anterior, divulgado no último sábado (16).

A parcela que considera a gestão positiva oscilou positivamente dois pontos percentuais, enquanto a negativa oscilou um ponto para baixo.

Aprovação e desaprovação agora empatam em 48%. No levantamento anterior 45% aprovavam o trabalho do petista, e 51% o desaprovavam.

Esta foi a primeira rodada do instituto realizada integralmente após a revelação, pelo site Intercept Brasil, de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rival de Lula na disputa eleitoral, pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios, em entrevistas presenciais realizadas na quarta (20) e na quinta-feira (21). A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-07489/2026.

Folhapress

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Geral

Livia nunca desistiu do sonho de ser mãe e sua história emocionou toda a equipe do DNA Fértil

A maternidade tem acontecido em diferentes tempos da vida. Muitas mulheres escolhem priorizar carreira, estabilidade emocional, relacionamentos ou simplesmente enfrentam desafios inesperados no caminho até a realização desse sonho. Com os avanços da medicina reprodutiva, histórias antes consideradas improváveis hoje se transformam em histórias de esperança, amor e perseverança.

Foi assim com Lívia Libório, que realizou o sonho da maternidade através da Fertilização In Vitro (FIV) no DNA Fértil. Mas essa história começou muito antes da gestação. Entre expectativas, tentativas e emoções intensas, ela descobriu que o tempo de uma maternidade por reprodução assistida vai muito além dos nove meses.

“Uma mãe, a partir de uma reprodução assistida, tem um ‘tempo gestacional’ muito maior que nove meses. Começa na vontade, nas tentativas e nas frustrações. No nosso caso, foram duas tentativas, muita expectativa e dois corações cheios de amor à espera do nosso tão desejado filho”, relata Lívia.

Após uma primeira tentativa sem sucesso, ela destaca que o acolhimento da equipe foi essencial para seguir acreditando. “Seguir nessa caminhada com o DNA Fértil fez toda a diferença para que a primeira frustração não tomasse o lugar da nossa esperança. A nossa fé, a empatia, o amor e o acolhimento de toda a equipe nos fizeram seguir. Todos vibravam e torciam pela realização do nosso sonho, e nós sentimos isso”, afirma.

Referência em reprodução assistida no Rio Grande do Norte, o DNA Fértil acompanha diariamente histórias de mulheres que decidiram não desistir do sonho da maternidade. Em muitos casos, o suporte emocional aliado à tecnologia, ao acompanhamento individualizado e aos avanços científicos tornam possível transformar esperança em vida.

Mais do que tratamentos, cada história representa amor, persistência e a coragem de continuar acreditando.

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Geral

Prefeito Jaime Calado inaugura pavimentação da estrada que liga Coqueiros a Uruaçu

Na tarde desta sexta-feira (22), o prefeito Jaime Calado, ao lado da senadora e primeira-dama Zenaide Maia, inaugurou a pavimentação da estrada que liga as comunidades de Coqueiros e Uruaçu.

A obra possui 1.258 metros de extensão e mais de 7.500 metros quadrados de pavimentação em paralelepípedo. O investimento total foi de R$ 960.019,00, com aplicação direta de R$ 742.301,61 na execução da obra.

A solenidade reuniu moradores e lideranças locais na comunidade de Coqueiros. Representando a população, Nazareno Alexandre relembrou as dificuldades enfrentadas pelos moradores nos deslocamentos diários e afirmou que a pavimentação representa “um sonho que se tornou realidade”.

Durante o evento, Zenaide destacou que a obra “é um exemplo de dignidade no acesso das pessoas às comunidades”. A senadora acrescentou que, apesar das dificuldades enfrentadas pela gestão municipal, isso não impede “o desejo de fazer mais pelo povo”.

O prefeito Jaime Calado apresentou ações realizadas durante suas gestões na região, como a reforma da Escola Municipal Maria Judite, a urbanização da comunidade com implantação de praça e a substituição de casas de taipa por moradias de alvenaria. Ele também anunciou novidades na mobilidade, entre eles uma reunião entre lideranças locais e o Departamento Municipal de Trânsito – Demutran para discutir a implantação de uma linha de transporte para a comunidade.

“A minha felicidade é ver que Coqueiros está feliz”, afirmou o prefeito. Segundo ele, a obra representa valorização para a região e põe fim às dificuldades de acesso enfrentadas pelos moradores. “Acabou o sofrimento”, declarou.

Participaram da solenidade os vereadores Nonato Queiroz, Nazareno Tavares, Ulisses Costa, Léo Medeiros, Valda Siqueira, Rayure Protásio, Delma Silva, Anderson Morcego, Aninha Siqueira, Thiago Soares e Márcia Soares, além da deputada estadual Terezinha Maia e secretários municipais.

Após a cerimônia, a programação contou com apresentação da dupla Vivi Brito e Boyzinho do Piseiro.

A obra foi viabilizada por meio de emenda parlamentar destinada pelo deputado federal Fernando Mineiro.

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