Saúde

Ministério da Saúde libera vacinação antecipada contra H1N1

3c3uni5zn1_8hjz89kn7c_fileDiante da antecipação do surto de gripe H1N1 identificada em São Paulo, o Ministério da Saúde vai permitir a antecipação da vacinação contra a doença. Ao contrário do que ocorria em outros anos, Estados interessados poderão começar a imunizar grupos considerados mais vulneráveis antes da campanha nacional, que terá início em 30 de abril.

Assim que o imunizante começar a chegar nos Estados, a vacinação já poderá ser feita, a critério de cada governo. Em São Paulo, o primeiro lote está previsto para ser liberado nesta sexta-feira — nos demais Estados, a partir de segunda.

Cada administração deverá divulgar o calendário que adotará. A estratégia em parte atende a um pedido feito ontem pelo governo de São Paulo. Nos primeiros três meses deste ano, o número de casos registrados de H1N1 já superou o que foi relatado em todo o País entre janeiro e dezembro de 2015. Do começo do ano até o dia 19, foram registrados 305 casos e 46 mortes no Brasil. Em todo o ano passado, houve 141 casos e 36 óbitos. “Foi uma surpresa o surto nesta dimensão. E sobretudo o período”, afirmou o coordenador do Controle de Doenças da Secretaria da Saúde de São Paulo, Marcos Boulos.

Na semana passada, com o aumento do número de casos, o Estado solicitou ao Ministério da Saúde o envio de doses da vacina usadas durante a campanha de 2015. Elas foram aplicadas, em caráter emergencial, na cidade de São José do Rio Preto, onde a situação era considerada mais grave. Essa ação teve como objetivo proteger apenas contra o H1N1. Mas os pacientes que receberam o imunizante deverão ainda, em data a ser definida pelo governo, receber o produto mais atual.

O imunizante contra a gripe tem sua composição alterada todos os anos. Ele é feito com base em uma combinação de cepas do vírus da gripe que mais circularam durante o inverno no Hemisfério Norte. Comparando com 2015, duas outras cepas do vírus influenza foram modificadas. “Isso significa que protege contra H1N1, mas não tem a mesma eficácia em relação às outras cepas”, disse Boulos.

Colateral

A antecipação traz um efeito colateral: os efeitos do imunizante se estendem pelo período de um ano. Isso significa que, quanto mais cedo a vacina for usada, mais cedo a pessoa se tornará suscetível. “Temos consciência disso. Mas temos uma fogueira queimando. O incêndio tem de ser apagado agora”, disse Boulos.

A vacina contra a gripe é produzida pelo Instituto Butantã, em São Paulo. De acordo com o Ministério da Saúde, essa é a razão para o governo paulista receber o imunizante antes de outros Estados. No caso do restante do País, o produto é enviado para Brasília, que se encarrega de fazer a distribuição.

Ao todo, serão seis remessas do imunizante. As primeiras três deverão ser feitas entre os dias 1º e 15 de abril. Nesse período, serão distribuídos 25 milhões de doses, o equivalente a 48% de toda a demanda. São Paulo vai receber neste período 5,7 milhões.

Boulos afirmou que a prioridade na vacinação será dada para grupos de risco na Grande São Paulo – ou seja, para idosos, pessoas com doenças pulmonares ou problemas cardíacos e gestantes.

A mudança da estratégia para vacinação deste ano para H1N1, no entanto, é feita com uma condição. Os Estados deverão reservar pelo menos 30% do total do imunizante para usar no Dia D (30 de abril). O Ministério da Saúde julga indispensável manter a campanha, que todos os anos tem potencial para atingir grande parcela do público-alvo.

Casos

A Região Sudeste concentra a maior parte dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave por H1N1 do País, com 266 registros. Desses, 260 estão no Estado de São Paulo, que relata 38 dos 46 óbitos.

Santa Catarina está em segundo lugar entre os Estados com mais casos, totalizando 14. Na sequência, vem a Bahia com 10 registros. Além de São Paulo, outros cinco Estados tiveram óbitos: Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Ceará. (Colaboraram Paula Felix e José Maria Tomazela).

Estadão

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Geral

Relatório dos EUA aponta suposta censura brasileira e cita impacto em conteúdos pró-Trump

Foto: Anna Moneymaker/Getty Images

Um relatório do Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos afirma que decisões de autoridades brasileiras teriam restringido conteúdos favoráveis ao ex-presidente Donald Trump em plataformas digitais. O documento menciona especialmente ações atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A informação é do colunista Paulo Cappelli, do portal Metrópoles. Segundo o texto, órgãos brasileiros teriam encaminhado solicitações a empresas de tecnologia, como a rede social X, pedindo a remoção de publicações que elogiavam Trump e criticavam o ex-presidente Joe Biden, além de conteúdos relacionados à antiga Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

“O regime de censura brasileiro chegou a enviar solicitações a plataformas como o X para remover publicações que elogiam o presidente Donald Trump e criticam o ex-presidente Joe Biden”, diz um trecho do relatório, elaborado pelo colegiado atualmente sob comando do Partido Republicano.

O documento também cita a USAID, órgão responsável por programas de assistência internacional do governo americano, que foi dissolvido em julho de 2025 durante a gestão Trump, com suas funções incorporadas ao Departamento de Estado dos EUA.

Divulgado na última quarta-feira (1º), o relatório tem como objetivo reunir informações para subsidiar debates no Congresso americano, podendo orientar eventuais medidas legislativas ou diplomáticas relacionadas à atuação de governos estrangeiros em temas como liberdade de expressão e regulação de plataformas digitais.

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Política

Preso há um mês, Vorcaro mantém rotina discreta e avança em negociação de delação

Foto: Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro completa neste sábado (4) um mês preso enquanto negocia um acordo de delação premiada no âmbito da Operação Compliance Zero. A prisão foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, sob a justificativa de tentativa de obstrução das investigações envolvendo o Banco Master.

As tratativas para a delação ganharam força após a Segunda Turma do STF formar maioria para manter a prisão. Vorcaro já assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, que atuam conjuntamente no processo. A defesa agora reúne documentos e provas que devem embasar a proposta, com expectativa de início dos depoimentos nas próximas semanas.

Investigadores aguardam que o ex-banqueiro apresente novos elementos, incluindo possíveis nomes de envolvidos e detalhes sobre um eventual esquema de fraudes bancárias, além de indicar se houve participação de agentes políticos. Caso as informações sejam consideradas consistentes, o acordo pode avançar.

Enquanto isso, Vorcaro mantém uma rotina discreta na Superintendência da PF em Brasília. Diferente de outros presos, ele evita exposição, segue a alimentação padrão da unidade e recebe visitas frequentes de advogados e familiares.

Após a fase de depoimentos, a defesa pretende solicitar a substituição da prisão por medidas alternativas, como prisão domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica, a depender do andamento e da aceitação da delação pelas autoridades.

Com informações da CNN

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Geral

PAPO DE FOGÃO ESPECIAL DE PÁSCOA: tem Colomba Pascal, bacalhau um passeio na fábrica de chocolates Lugano, em Gramado

Oxente, tu vai perder esse especial de Páscoa ,é?  Tem colomba pascal, bacalhau daqueles e ainda um passeio na fábrica de chocolates Lugano, direto de Gramado!

Corre pra assistir o Papo de Fogão que tá bom demais!

SÁBADO
BAND PIAUÍ – 8h

DOMINGO
RIO GRANDE DO NORTE – TV TROPICAL/RECORD, 10h

Ou no nosso canal do YouTube
http://youtube.com/c/PapodeFogao

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Geral

MPF recomenda ao Exército que amplie vagas para mulheres na Força

Foto: Divulgação/Exército Brasileiro

O MPF (Ministério Público Federal) enviou uma recomendação ao Exército para que, no prazo de 90 dias, apresente um plano de ação com o objetivo de ampliar a quantidade de vagas destinadas a mulheres na EsPECEx (Escola Preparatória de Cadetes do Exército).

A medida visa corrigir desigualdades identificadas em editais recentes e garantir maior equilíbrio e proporcionalidade na distribuição das vagas nos próximos cinco anos.

A ação é resultado de um inquérito civil conduzido pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Rio de Janeiro, que investigou possíveis práticas discriminatórias de gênero nos últimos concursos.

No certame do ano passado, por exemplo, das 440 vagas disponíveis, apenas 40 foram destinadas a mulheres, o que corresponde a menos de 10% do total.

De acordo com o procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto, Julio Araujo, que assina a recomendação, o Exército havia informado que a reserva de vagas para mulheres seria uma política afirmativa a ser implementada de forma gradual.

No entanto, a instituição afirmou posteriormente que não possuía um planejamento para ampliar a oferta de vagas femininas nos cursos de formação de Oficiais das Armas, do Quadro de Material Bélico ou do Serviço de Intendência.

Limitação do acesso com base unicamente no gênero contraria a Constituição

O documento ressalta que a limitação do acesso com base unicamente no gênero contraria a Constituição Federal, que assegura a igualdade entre homens e mulheres e veda discriminação nos critérios de admissão por motivo de sexo.

O MPF também destaca que o Brasil é signatário de tratados internacionais que garantem o direito à igualdade de oportunidades no emprego e no acesso ao serviço público.

A fundamentação jurídica da recomendação inclui decisões recentes do STF (Supremo Tribunal Federal). A Corte considerou inconstitucional qualquer norma que impeça candidatas de concorrerem ao total das vagas ofertadas em concursos de instituições militares, reafirmando os princípios da isonomia e da dignidade da pessoa humana.

Além disso, o MPF lembrou que uma lei de 2012 já estabelecia que a inclusão de mulheres na linha militar bélica deveria ser viabilizada até cinco anos após sua publicação.

Apesar disso, o órgão considera que ainda existem barreiras arbitrárias que dificultam o acesso das mulheres às funções públicas, violando tanto os objetivos do concurso quanto os direitos fundamentais das candidatas.

O MPF tomou essa medida após o Exército recusar a assinatura de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para resolver a questão de forma conciliatória.

O Exército não havia se manifestado até a publicação desta matéria.

CNN Brasil

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Médicos reforçam ao STF indicação de nova cirurgia para Bolsonaro

Foto: Ton Molina/STF

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) novos relatórios médicos que reforçam a indicação de cirurgia no ombro direito, diante de quadro de dor e limitação funcional.

Moraes deu aval para a prisão domiciliar de Bolsonaro por um período de 90 dias quando o ex-presidente foi internado no final de março. O ministro justificou a decisão com base nos problemas de saúde do ex-presidente, que enfrentou uma broncopneumonia bilateral.

A decisão condicionou a medida ao envio de relatórios periódicos ao STF. A defesa e a equipe médica devem apresentar, a cada sete dias, informações sobre o estado de saúde e a evolução do tratamento.

Este foi o primeiro relatório desde que Bolsonaro chegou em sua casa no Jardim Botânico em 27 de março.

Segundo os documentos enviados ao STF nesta sexta-feira (3), Bolsonaro apresenta redução de movimentos, perda de força e dificuldade para realizar atividades. O laudo aponta que o ex-presidente está em fase pré-operatória.

Os relatórios também indicam que a fisioterapia segue restrita ao controle da dor, sem progressão para exercícios ativos.

CNN Brasil

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Irã rejeitou proposta dos EUA de cessar-fogo de 48 horas, diz agência iraniana


Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

O Irã rejeitou uma proposta feita pelos Estados Unidos para um cessar-fogo de 48 horas, de acordo com a agência de notícias iraniana Fars. Segundo a agência, uma fonte informou que a proposta americana foi feita por meio de um país aliado.

“Avaliações indicam que essa proposta foi feita após a intensificação da crise na região e o surgimento de sérios problemas para as forças militares dos EUA, decorrentes de uma estimativa equivocada das capacidades militares da República Islâmica do Irã”, disse a fonte à Fars.

Ainda conforme a fonte da agência iraniana, a resposta do Irã a essa proposta “não foi dada por escrito, mas sim de forma prática, com a continuidade de ataques pesados”.

R7

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“O diabo sempre usou comida pra enganar o povo. No Éden: maçã. No deserto: o pão. No Brasil: Picanha”, diz atriz Lidi Lisboa

Imagem: reprodução/Instagram

A atriz Lidi Lisboa, conhecida por interpretar a rainha Jezabel na novela da TV Record (2019), publicou nas redes sociais referências bíblicas para criticar o cenário político e o sistema tributário brasileiro.

“Se vocês pararem para pensar, o diabo sempre usou comida pra enganar o povo. No Éden: maçã. No deserto: o pão. No Brasil: picanha”, escreveu Lidi sem citar nomes.

A manifestação faz alusão a promessas da campanha presidencial de 2022, como a da “picanha mais barata”.

A declaração repercutiu nas redes sociais e dividiu opiniões. Diante disso, a atriz voltou a se manifestar, desta vez em tom irônico: “Vou postar mais sobre política, dá engajamento”.

Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, em 2022, Lula defendeu seu programa econômico, dizendo que o povo brasileiro precisava ter seu poder de compra resgatado para “comer uma picanha”.

Opinião dos leitores

  1. Dá nojo constatar que metade do eleitorado brasileiro vota seduzido por promessa de cerveja e picanha.

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Consumo excessivo de álcool em apenas um fim de semana do mês já triplica o risco de danos ao fígado, aponta pesquisa

Foto: Freepik

Um estudo da Escola de Medicina Keck, da Universidade do Sul da Califórnia, aponta que o consumo excessivo de álcool, mesmo que apenas uma vez por mês, já aumenta significativamente o risco de danos ao fígado.

A pesquisa, publicada na revista Clinical Gastroenterology and Hepatology, analisou pacientes com gordura no fígado associada a problemas metabólicos (MASLD), condição comum ligada à obesidade e ao diabetes.

Os resultados mostram que quem consome grandes quantidades de álcool em um único dia — quatro ou mais doses para mulheres e cinco ou mais para homens — tem risco até três vezes maior de desenvolver fibrose hepática avançada, em comparação com quem distribui o consumo ao longo do tempo.

Segundo os pesquisadores, esse padrão de consumo sobrecarrega o fígado, aumenta a inflamação e pode evoluir para doenças graves, como cirrose e insuficiência hepática.

O estudo, baseado em dados de mais de 8 mil adultos nos EUA, também indica que homens e pessoas mais jovens são os que mais praticam esse tipo de consumo. Além disso, quanto maior a quantidade ingerida de uma só vez, maior o risco.

Os autores alertam que o perigo não está apenas na quantidade total de álcool consumida, mas na forma como ele é ingerido, reforçando a necessidade de evitar excessos, mesmo ocasionais.

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Mais uma jogada de mestre: empreendedor de Caicó coloca Natal no mapa com o primeiro SPA do noivo do Brasil

A cidade de Natal ganha destaque nacional com mais uma visão estratégica no mercado masculino. Jackson Smith, natural de Caicó e hoje atuando na capital, vem se consolidando como referência ao entender o novo comportamento do homem moderno.

Sempre atento às transformações do público masculino, o empreendedor lança o primeiro SPA do noivo do Brasil — um espaço exclusivo, sofisticado e pensado para muito além do tradicional “Dia do Noivo”.

A proposta é clara: oferecer uma experiência completa de cuidado, imagem e bem-estar, elevando o nível do atendimento masculino no país.

Mais do que serviços, o SPA do noivo entrega um novo conceito — onde o homem se prepara, se posiciona e se torna protagonista do seu grande momento.

Com mais essa iniciativa, Jackson Smith reforça seu olhar visionário e coloca Natal como referência em inovação no mercado masculino brasileiro.

Siga @studiojacksonsmith e acompanhe essa nova era do cuidado masculino.

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Geral

Como o Congresso enterrou investigações dos dois maiores escândalos da década

APERTO DE MÃOS - Alcolumbre e Motta: contribuições para o retumbante fracasso das comissões de inquérito (Ton Molina/Fotoarena/.)

A CPMI do INSS atendia a todas as condições para entrar para a história como um dos grandes momentos do Congresso. A causa era das mais nobres: por anos, uma quadrilha formada por lobistas, empresários, funcionários públicos e sabe-se lá quem mais desviou de maneira sórdida, com a conivência e omissão de autoridades, parte das minguadas pensões dos aposentados.

Havia, no início, uma meta eletrizante a ser perseguida: a quase certeza de que a trama contava com a participação de políticos ou prepostos ligados a figurões do poder. E havia também uma meta desafiadora típica de casos de corrupção: descobrir onde foram parar mais de 4 bilhões de reais furtados dos idosos.

Porém, depois de seis meses de trabalho, 36 depoimentos, mais de 600 quebras de sigilo e muito barulho, a comissão foi encerrada sem sequer ter o relatório final aprovado. Em outras palavras, para a história, ela existiu, mas não chegou a lugar algum, não revelou nada. Entrou para os anais do Parlamento, mas como um retumbante exemplo de fracasso.

DECEPÇÃO - A Comissão do INSS: investigação terminou sem conclusãoDECEPÇÃO - A Comissão do INSS: investigação terminou sem conclusão (Marcos Oliveira/Agência Senado)

Um conjunto de fatores contribuiu para esse desfecho. Desde que foi instalada, em agosto do ano passado, a CPMI foi alvo de sabotagem. A bancada do governo, em maioria, inviabilizou linhas importantes de investigação que poderiam atingir o Planalto, particularmente o presidente da República.

Uma das entidades envolvidas nas fraudes tinha o sindicalista José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula, como dirigente. Ele nunca foi ouvido. O mesmo aconteceu com o primogênito do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que mantinha relações, até agora também não explicadas de forma clara, com um dos líderes da quadrilha.

Os requerimentos de convocação apresentados para ouvir o irmão e o filho do presidente foram rejeitados. A apuração emperrou ainda mais quando se soube que um ex-assessor do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, recebeu 3 milhões de reais de uma empresa ligada às fraudes. Dessa vez, houve quatro pedidos de convocação do ex-assessor que nunca foram analisados. Prevaleceu a maioria da bancada governista, naquele momento reforçada pelos parlamentares ligados ao senador. Resultado: a participação de figurões na trama não pôde ser esclarecida.

Qualquer manual de investigação ensina que a melhor maneira de chegar aos criminosos é seguir o dinheiro roubado. A CPMI até tentou. Depois de um cochilo da bancada governista, os parlamentares aprovaram a quebra do sigilo bancário do filho do presidente e de ex-dirigentes do banco Master, instituição que mantinha uma carteira de empréstimos fraudulentos a aposentados. O Master foi liquidado, deixando um rombo no mercado superior a 50 bilhões de reais.

Como se sabe, o dono do banco, Daniel Vorcaro, mantinha uma extensa teia de relações e contatos com magistrados e políticos, especialmente no Congresso, o que teria facilitado muitos de seus negócios escusos. O fundo de previdência dos funcionários públicos do Amapá, por exemplo, que tem como conselheiro um irmão de Alcolumbre, comprou títulos podres do Master, gerando um prejuízo de 400 milhões de reais aos aposentados do estado.

Há duas semanas, a CPMI pediu ao senador mais tempo para concluir o trabalho. Alcolumbre não se manifestou. Os parlamentares então recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu que a prorrogação era um ato que cabia ao presidente do Congresso. Resultado: também não foi possível seguir o dinheiro.

FRACASSO - CPI do Crime Organizado: apuração do caso Master não prosperouFRACASSO – CPI do Crime Organizado: apuração do caso Master não prosperou (Saulo Cruz/Agência Senado)

Em ano eleitoral, é compreensível que políticos se protejam de eventuais desgastes. Não há, por enquanto, qualquer evidência de que Davi Alcolumbre tenha se beneficiado do roubo aos aposentados ou das falcatruas do banco. O fato de um irmão do senador ocupar o cargo de conselheiro do fundo de previdência do Amapá ou de seu ex-assessor ter recebido milhões de um golpista pode estar restrito ao universo das coincidências. A verdade é que os escândalos do INSS e do Master são altamente radioativos. Isso explicaria o empenho do presidente do Congresso em abreviar ou mesmo evitar novas investigações — cuidado que ele também tem tomado em relação à criação de uma CPI para investigar o Master.

Na semana passada, um grupo de senadores ingressou com uma ação no STF pedindo a interferência da Corte diante da omissão de Alcolumbre. Sorteado para relatar o caso, o ministro Kassio Nunes Marques ainda não se manifestou, mas é provável que a decisão dele seja contrária às pretensões dos parlamentares, o que sepultaria definitivamente a possibilidade de uma investigação congressual da maior fraude financeira da história.

EXEMPLO - CPMI dos Correios: há vinte anos, prisão e condenação de políticos e auxiliares do então presidente LulaEXEMPLO - CPMI dos Correios: há vinte anos, prisão e condenação de políticos e auxiliares do então presidente Lula (Alan Marques/Folhapress/)

Em fevereiro, deputados já haviam colhido mais de 200 assinaturas e protocolado um pedido de criação de uma CPI na Câmara. O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), assim como fizeram os senadores, pediu ao STF que obrigasse Hugo Motta (Republicanos-­PB), presidente da Casa, a instalar a comissão de inquérito, mas o ministro Cristiano Zanin, que relatou o caso, rejeitou a demanda.

Procurado por VEJA, Motta, por meio de sua assessoria, explicou que o regimento interno estabelece o limite de cinco CPIs em funcionamento simultâneo e que sua instalação segue a ordem dos pedidos de criação — a do Master foi, portanto, para o fim da fila. “Adicionalmente, as diferentes instâncias, Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal e Ministério Público, estão atuando com autonomia e diligência nas investigações. O papel do Congresso é acompanhar e garantir que as investigações avancem com isenção”, ressaltou o parlamentar. Davi Alcolumbre também foi procurado por VEJA, mas não quis se pronunciar.

A falta de energia da cúpula do Congresso para investigar o Master se alia ao constrangimento que o caso gerou ao próprio Supremo Tribunal e às decisões consideradas controversas tomadas pelos ministros da Corte. A CPI do Crime Organizado, em funcionamento no Senado desde novembro, tentou driblar os obstáculos e puxar para a comissão a apuração de um dos fios soltos do escândalo.

Os parlamentares quebraram o sigilo de um fundo de investimento ligado ao Master que comprou cotas de um resort que pertencia a uma empresa da família do ministro do STF Dias Toffoli, ex-relator do inquérito que apura as operações ilegais do banco. O ministro Gilmar Mendes, porém, anulou o ato da CPI, justificando que quebras de sigilo precisam ser fundamentadas e individualizadas.

O mesmo entendimento já havia sido aplicado pelo ministro Flávio Dino, quando anulou a quebra do sigilo bancário do filho do presidente Lula, aprovada pela CPMI do INSS. Essas duas últimas decisões — corretas, ressalte-se — explicam em parte o fracasso das últimas investigações parlamentares. Mas só em parte.

SUPORTE - Plenário do STF: decisões utilizadas para inviabilizar investidas das comissõesSUPORTE – Plenário do STF: decisões utilizadas para inviabilizar investidas das comissões (Luiz Silveira/STF)

As comissões de inquérito já tiveram um papel decisivo na história política brasileira. Em 1993, a CPI do Orçamento desvendou um esquema que funcionava dentro do Congresso, manipulando verbas que acabaram no bolso de deputados e senadores. Estes tiveram os mandatos cassados. A CPMI dos Correios, em 2005, desnudou uma organização criminosa que usava dinheiro público para subornar políticos e comprar partidos — o chamado mensalão.

A descoberta levou para a cadeia auxiliares do então presidente Lula, parlamentares e empresários. Desde então, as investigações congressuais foram perdendo tração e credibilidade. A CPMI do INSS é o exemplo acabado.

O plenário da comissão foi transformado num ringue de disputa política entre governo e oposição. Durante seis meses, quem se aventurou a acompanhar o trabalho dos deputados e senadores ouviu gritarias e xingamentos e testemunhou cenas lamentáveis de baixaria explícita.

Dar uma satisfação mínima aos idosos que ficaram sem um pedaço de suas aposentadorias, ao que parece, era a última das prioridades.

Veja

Opinião dos leitores

  1. Até quando vamos tolerar isso ? Vergonha de ser Brasileiro, povo fraco que troca show por saúde e segurança… até quando vamos continuar engolindo isso, achar que a corrupção é normal!

    1. Até quando o povo tiver bandido de estimação e ficar votando em petista e bolsonarista, que mente pros eleitores e depois fala que foi um engano, quando na verdade estão cumprindo acordos de bastidores. Políticos são funcionários, não ídolos.

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