Polícia

‘Quero ser bandido mesmo’, disse ao juiz um dos jovens que atacaram 4 meninas no Piauí

Por Veja

A porta de um dos cômodos na casa do comerciante Jorge Moura, de 52 anos, na pequena Castelo do Piauí, a 180 quilômetros de Teresina, não é aberta há duas semanas. Moura e a mulher não conseguem entrar no local desde que a filha Danielly Rodrigues Feitosa, de 17 anos, desapareceu na tarde de 27 de maio depois de subir com três amigas o Morro do Garrote para tirar fotos que seriam publicadas em redes sociais. No caminho, as estudantes foram rendidas por quatro adolescentes que, naquela tarde, usavam drogas na companhia de um traficante de 39 anos, fugitivo de São Paulo. O desfecho desse encontro foram duas horas de terror. As meninas foram despidas à faca, amordaçadas com as próprias roupas íntimas, amarradas a um cajueiro, torturadas e obrigadas a manter relações sexuais com os cinco menores. Depois disso, foram atiradas de um penhasco. A queda no terreno de pedregulhos pontiagudos provocou ferimentos severos. Elas ainda ficaram cravejadas de espinhos pelo corpo. Como sobreviveram, dois menores desceram o morro e tentaram liquidá-las a pedradas. Danielly morreu no último domingo e uma das vítimas permanece internada em estado grave. A atrocidade foi cometida no momento em que o Congresso Nacional parece ter decidido fazer avançar mudanças na maioridade penal no Brasil. Quem conheceu as quatro meninas da minúscula cidade do Piauí, estado recordista em indicadores negativos no país, só quer resposta para uma pergunta: menores que cometem crimes brutais como esse vão ficar impunes?

“Nunca vou me conformar com uma brutalidade dessas. Que Deus os mande bem para longe, para onde merecerem”, disse o pai de Danielly ao site de VEJA.

As buscas pelas garotas começaram na noite de 27 de maio. Policiais civis encontraram as duas motos Honda Bros de 150cc, pilotadas por elas, no pé do morro. As motos foram reconhecidas por vizinhos e familiares, o que fez com que os policias retornassem às pressas para o local, acompanhados por dezenas de populares. As meninas foram avistadas empilhadas nas rochas de cor acobreada. Só uma não estava desacordada, mas agonizava e se apavorou ao escutar as vozes. A Polícia Civil não teve dúvida: os primeiros suspeitos eram os garotos que há tempos aterrorizavam a cidade – nos últimos dois meses, I.V.I, de 15 anos, teve oito acusações registradas por furto de residência e roubo de motos.

A barbárie chegou rápido aos ouvidos da população de Castelo do Piauí. Uma barricada de pneus em chamas à porta da delegacia e centenas de pessoas clamando por Justiça tomaram as ruas. Os menores foram levados para quatro pontos diferentes da cidade para evitar um linchamento. Foram depois transferidos para a delegacia de Campo Maior, onde foram ouvidos, confessaram o crime e apontaram o traficante Adão José Silva Souza como mentor. Ele fornecia crack e maconha para os meninos.

No caminho do crime – A história de vida dos menores infratores não surpreende: são notórios garotos-problema na cidade. Criados em famílias pobres e desestruturadas, eram usuários de crack e maconha e semanalmente costumavam ser detidos por furtos e roubos.

Nos últimos anos, a culpa por quase todos os pequenos furtos que ocorrem no município recaem sobre os garotos, agora jurados de morte pela população. Na quinta-feira, a primeira audiência deles na Justiça precisou ser transferida para Teresina por falta de segurança. A faixa negra no portal de entrada de Castelo do Piauí reflete o clima de tensão e vingança.

De 2014 para cá, foram doze boletins de ocorrência contra o menor I.V.I. – nem todos com autoria comprovada – e mais seis atos infracionais confirmados, num total de dezoito casos de polícia. Dezenas de vítimas relatam crimes com o mesmo modus operandi do menino (invasões pela janela ou pelo telhado), mas temem acusá-lo. Após se notabilizar por furtos em residência, ela agora andava roubando motos. “São muitos atos infracionais praticados por eles, principalmente o I.V.I., que é detido com frequência. Desde os dez anos de idade essa criança está fazendo coisa errada e os atos infracionais atribuídos talvez cheguem a quase cem”, diz o coordenador de Polícia Civil de Castelo do Piauí, Edílson Lima.

O site de VEJA consultou dados da delegacia de Castelo do Piauí, que não possui delegado fixo, está em condições precárias de funcionamento e só tem registros recentes em seu arquivo. Sobre os adolescentes envolvidos no estupro coletivo, além das acusações atribuídas a I.V.I., há dez registros diferentes desde 2013 de atos infracionais confirmados por furto, roubo, ameaça, resistência e associação criminosa. Em algumas ações, eles usaram peixeiras para ameaçar as vítimas. Há ainda registros de três pedidos de internação referentes a membros do grupo: um para G.V.S e dois para I.V.I. O último deles, motivado pelo furto de um notebook, foi assinado pelo delegado Laércio Evangelista vinte dias antes do estupro.

G.V.S.: “Quero ser bandido” – G.V.S é o menor que aparece em vídeo obtido pelo site de VEJA. Nele, acusa o traficante Adão José Silva Souza de ter forçado as quatro vítimas a manter relações sexuais com ele e com todos os meninos com uma arma à mão – a versão também consta dos depoimentos dos demais menores, embora a polícia não tenha encontrado o revólver 38 na cena do crime, nem um revólver 32, que também aparece em um dos depoimentos. O vídeo foi gravado por policiais civis após a captura dos menores na manhã seguinte ao crime – os celulares das vítimas ainda estavam jogados no local.

G.V.S foi reconhecido por fotos durante o depoimento de duas das adolescentes que conseguiram falar à polícia: J.L.S., de 15 anos, que recebeu alta nesta semana, e I.C.M.F., de 16 anos, que sofreu traumatismo craniano. Segundo elas, foi ele quem as abordou primeiro com uma faca, e não Adão. A terceira sobrevivente, R.N.S.R, de 17 anos, ainda não teve alta no Hospital de Urgências de Teresina (HUT).

“Esse menor de 17 anos é frio e calculista, não consigo acreditar que um ser humano faça tamanha crueldade”. Ela lembra que ele veio primeiro colocou uma faca no pescoço da Danielly. Elas tentaram correr, mas ele ameaçou matá-la. “Minha sobrinha disse ‘tia, nós paramos porque eu não ia suportar carregar essa culpa comigo'”, diz a professora e historiadora Márcia Mineiro, que acompanhou a sobrinha I.C.M.F. na ambulância durante o transporte para Teresina. Durante a transferência, a jovem não largou a mão da tia. “Ela cravou a unha na minha mão e apertava quando alguém encostava nela. Ela sabe o que aconteceu, não lembra muito, mas quando eu perguntei sobre a violência sexual, só chorou.”

A mãe do infrator G.V. S afirma que ele começou a se envolver com o crime logo aos 10 anos de idade. Estudou apenas até a 5ª série e abandonou a escola. O primeiro roubo foi um CD. Depois partiu para celulares e câmeras. No ano passado, já havia sido internado por 45 dias no Centro de Internação Provisória (CEIP) por furtos repetidos. Quando saiu, o menor disse: “Nunca mais vou pisar nesse lugar”.

G. V. S. mora em um pequeno casebre em uma rua de terra batida a menos de um quilômetro do local onde participou do estupro. Vive com o padrasto e a mãe, que está gravida do oitavo filho. G.V.S. têm duas irmãs gêmeas de seis anos, uma de 9 anos, uma de 12 anos e outra de 15 anos, além de um irmão de 19 anos, que sofre de distúrbios mentais. O filho mais velho é a fonte da renda principal da família: recebe um salário mínimo do governo. A mãe recebe 260 reais do programa federal Bolsa Família. Ela não trabalha e o padrasto do adolescente vive de bicos. .

Segundo a mãe, G.V.S tinha comportamento agressivo com as irmãs. Conta que sempre que o garoto entrava em casa, as meninas diziam: “Lá vem o ladrão!”. G.V.S ficava furioso. Para a mãe, a culpa pelo comportamento do filho é das más companhias e e das drogas. Ela diz que sempre implorou para que ele “saísse dessa vida e fosse trabalhar” e que chegou ameaçar abandoná-lo.O promotor Cezário Cavalcante Neto conta que já decidiu perdoar G.V.S. em uma audiência e solicitou que ele fosse matriculado em uma escola em vez de ser internado. O garoto reagiu: “Ele disse na minha frente e na frente do juiz ‘Quero é ser bandido mesmo’. Fiquei em choque”.

I.V.I.: Terror da cidade – Há cerca de dois meses, a família de I.V.I se mudou para um pequeno imóvel comercial de uma tia do adolescente, com medo de que ele sofresse represálias da população. Aos 15 anos, I.V.I já não respeita os pais. É autor em seis atos infracionais registrados na delegacia de Castelo do Piauí. Em dezembro de 2014, quando o delegado Laércio Evangelista pediu sua internação pela segunda vez, I.V.I havia tentado esfaquear um policial militar após ter furtado e levado para casa celulares, um relógio e uma espingarda. O delegado comunicou ao Ministério Público que I.V.I estava “ameaçando e aterrorizando” a população de Castelo do Piauí e que já haviam perseguido o menino pelas ruas tentando matá-lo. Um dia antes do estupro, em 26 de maio, I.V.I e B.F.O foram autuados por roubo.

“Quero que ele fique internado para ver se sai deste mundo em que estava vivendo. Qualquer hora chega a notícia que não quero receber nunca”, diz a desempregada Patrícia Visgueira Izaias, de 38 anos, mãe de I.V.I. “Acho que não convém ele voltar para Castelo”, diz o pai, o aposentado Manoel Izaias, de 63 anos, carpinteiro aposentado por sofrer de distúrbios mentais.

Patrícia visitou o filho no Centro de Internação Provisória no domingo.Ela disse que ele não demonstrava preocupação e que pediu que ele confessasse a ela o envolvimento no estupro coletivo. Ele disse à mãe que permaneceu na casa de um vereador na cidade, tio de uma das vítimas, onde teria trabalhado pela manhã furando um poço. “A desgraça da vida do I.V.I foram as amizades. Antes ele me ajudava com tarefas domésticas e era muito apegado aos irmãos.”

Desobediente e desinteressado, I.V.I já não era aceito nos colégios de Teresina e a família teve de apelar ao Conselho Tutelar para conseguir matriculá-lo. “Até eu me matriculei para ver se ele ia junto, mas nos dias que eu fui ele não ia, até que abandonei também”, conta a mãe.

A Assistência Social da Cidade já recomendou acompanhamento psicológico por seis meses, mas o adolescente só aceitou ir a uma consulta. I.V.I chegou a ficar internado em uma unidade da Fazenda da Paz, nas proximidades de Timon, no Maranhão, uma clínica terapêutica para dependentes de drogas, mas fugiu do lugar com menos de uma semana. “Eu deixei ele na porta e menos de uma semana depois ele apareceu na casa da minha irmã em Teresina”.

O Ministério Público já representou pela internação máxima para os quatro acusados de associação criminosa, estupro, homicídio, corrupção de menores e três tentativas de homicídio. Ainda que sejam considerados culpados pelo estupro coletivo, eles só poderão ficar até três anos internados, segundo a atual legislação, agora em debate no Congresso Nacional.

Opinião dos leitores

  1. E ainda tem gente que é contra a diminuição da idade penal, eu preferia a pena de morte, mas diminuir já é alguma coisa.

  2. Por causa de um bandido mirim todas as outras crianças do Brasil devem ser criminalizadas. É o papel da Veja e do que há de mais atrasado e conservador do país. Dão destaque a isso e os tapados reverberam…… Os crimes hediondos cometidos por crianças perfazem 0,1% de todos os crimes no Brasil, mas os tapados querem q qualquer criança, roubando um tomate ou um celular, fique preso na universidade do crime, que são nossas prisões.
    Olhe que eu sou favorável que jovens entre 16 e 18 anos cometendo crimes HEDIONDOS fiquem presos em prisões diferenciadas, pois se nao for assim com 30 anos o tal bandido mirim sairá da universidade do crime em plena forma e em uma idade fantástica para aplicar o q aprendeu na universidade do crime.

    1. Onde vc viu essa estatística??? Ela não existe em nenhuma fonte confiável. O BR não tem nenhuma e nos países q tem, como a Inglaterra, é 18%. E nós q somos tapados? Pela mor!!! Pesquise antes de falar besteira…

  3. Os defensores dos "de menores" deveriam levar para casa esses "meninos de ouro", de preferência quem se habilitar deve ter filhas e deixarem sozinhas com esses anjos. Quem também é contra a diminuição da maioridade penal, estão aptos a adotar e educar esses pobres coitados, pois quem está errado são as meninas do Piauí, por não serem as filhas desses bando de filhos da puta que defendem bandidos menores de idade. Pimenta no C.. dos outros, é refresco. Se uma dessas meninas fosse milha filha já teriam morrido pai, mãe, cachorro e periquito da família desses monstros mirins, e ainda daria uma surra de lascar em quem defendesse esses marginais.

  4. "Quero ser bandidos de qualquer jeito". Isso foi dito por um menor. Tem gente que aceita a ideologia bandida de qualquer jeito tambem e nao ver problema na roubalheira! Ate aplaudem presos como guerreiros bolivarianos… Esses exemplos resultam em geracoes perdidas.

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Polícia

Homem é preso vendendo drogas em estacionamento de supermercado na zona Norte de Natal

Foto: Divulgação

Polícias militares do Comando de Policiamento da Capital (CPC), por meio da 1ª Companhia do 4º BPM, prenderam um homem de 26 anos por tráfico de drogas no estacionamento de um supermercado localizado na Avenida Doutor João Medeiros Filho, na Zona Norte de Natal, na terça-feira (28).
A equipe realizava patrulhamento quando recebeu denúncia anônima informando que um indivíduo estaria comercializando entorpecentes no local. De imediato, os policiais se deslocaram até o endereço indicado, onde visualizaram um suspeito com as características repassadas, sentado em uma motocicleta Yamaha/MT-03.
Durante a abordagem e busca pessoal, foram encontrados no interior da mochila do suspeito os seguintes materiais:
* Dois aparelhos celulares
* Um notebook
* Uma porção de substância esverdeada, análoga à maconha
* Um pacote contendo pó branco, semelhante à cocaína
* quatro envelopes tipo zip-lock com substância em cristais de coloração marrom, não identificada
* Um frasco de clonazepam (20 ml)
* Um frasco de óleo essencial
* Uma substância análoga a LSD
O suspeito informou que teria recebido o material no bairro de Mãe Luiza e que realizaria um “repasse” no local da abordagem.
Diante dos fatos, o homem e todo o material apreendido foram encaminhados à Delegacia de Plantão para os procedimentos cabíveis.

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Política

TRE-RN confirma cassação de prefeito e vice de Itaú; município terá governo interino

Foto: Reprodução

O Tribunal Regional Eleitoral do RN (TRE-RN) confirmou, nesta terça-feira (27), a cassação do prefeito de Itaú, André Júnior, e do vice, Paulinho de Enoque. Por decisão unânime, a Corte rejeitou os embargos de declaração apresentados pela defesa, mantendo a perda imediata dos mandatos por irregularidades graves na eleição.

O relator do caso, juiz Daniel Maia, apontou que houve abuso de poder e condutas proibidas durante o pleito, justificando a medida extrema. Com a decisão unânime, a sentença se torna definitiva no estado e será cumprida nos próximos dias.

Com a confirmação da cassação, André Júnior e Paulinho de Enoque devem se afastar imediatamente da prefeitura. A Câmara Municipal de Itaú será oficialmente notificada pelo TRE-RN e assumirá o comando do município de forma provisória, garantindo a continuidade dos serviços básicos da cidade.

Governo interino

O presidente da Câmara terá a responsabilidade de conduzir a administração municipal até a realização de uma eleição suplementar, que será convocada pela Justiça Eleitoral para escolher os novos representantes.

Defesa pode recorrer ao TSE

A defesa do prefeito e do vice deve recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, buscando uma liminar para suspender o afastamento. O objetivo é permitir que os dois retornem temporariamente aos cargos enquanto o caso é analisado na instância máxima, embora especialistas alertem que liminares em situações como essa são raras.

O TRE-RN reforça que a decisão sobre a cassação é definitiva no estado e deve ser cumprida integralmente até que o TSE se pronuncie. O processo reforça a atuação da Justiça Eleitoral na fiscalização das eleições e na punição de irregularidades que comprometam a lisura do pleito.

A população de Itaú agora se prepara para participar de uma nova eleição, definindo quem assumirá o comando da cidade e encerrando o período de instabilidade política.

Novo Notícias 

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Brasil

Lula se aconselha com Alexandre de Moraes sobre segurança pública

Foto: Joedson Alves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consultou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), sobre políticas de segurança pública para a atual gestão.

Os dois almoçaram há duas semanas, a pedido de Lula, em meio à preocupação do petista de viabilizar uma bandeira eleitoral sobre o assunto.

Antes de ter sido indicado para a Suprema Corte, Moraes foi ministro da Justiça e secretário estadual da Segurança Pública de São Paulo.

Segundo relatos feitos à CNN por assessores do governo, o presidente queria saber a opinião do ministro sobre a recriação do Ministério da Justiça e Segurança Pública, no rastro da PEC da Segurança Pública.

Além disso, Lula procurava a sugestão de nomes que poderiam conduzir a pasta com postura técnica, mas com discurso firme.

Em reunião nesta terça-feira (27), a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, destacou a PEC da Segurança e o PL Antifacção como prioridades no retorno do processo legislativo.

CNN

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Geral

Brasil tem média de 66 crianças e adolescentes desaparecidos por dia em 2025; RN registra 775 casos

Foto: Reprodução/TV Globo/Fantástico

O Brasil contabilizou 23.919 registros de desaparecimento de crianças e adolescentes ao longo de 2025, o que representa uma média alarmante de 66 casos por dia. Os dados, enviados pelos estados e pelo Distrito Federal ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), apontam crescimento de 8% em relação a 2024, quando a média diária era de 60 desaparecimentos de menores de 18 anos.

Do total de ocorrências no país, cerca de 61% envolvem meninas e adolescentes do sexo feminino, enquanto 38% são do sexo masculino. Especialistas destacam que, apesar do recorte por gênero ajudar no diagnóstico do problema, ainda há dificuldade em identificar causas e motivações dos desaparecimentos, já que muitos casos não têm o desfecho claramente registrado pelas autoridades.

No Rio Grande do Norte, foram contabilizados 775 desaparecimentos de crianças e adolescentes em 2025, com taxa de 22,43 casos a cada 100 mil habitantes. Embora o estado não figure entre os maiores índices proporcionais do país, os números acendem um alerta para a necessidade de fortalecimento das políticas de prevenção, busca e localização, especialmente em áreas mais vulneráveis.

Entre as principais ferramentas utilizadas está o protocolo Amber Alert, acionado em situações consideradas de alto risco. O sistema divulga informações e imagens de crianças desaparecidas em redes sociais como Facebook e Instagram, ampliando o alcance das buscas. Segundo o Ministério da Justiça, a iniciativa tem sido fundamental para agilizar localizações, mas autoridades reconhecem que a política nacional ainda precisa avançar na integração com estados e na análise das diferenças regionais.

Veja o ranking por estado:

  • São Paulo: 20.546 casos (taxa por 100 mil habitantes: 44,59 desaparecidos)
  • Minas Gerais: 9.139 casos (taxa: 42,72 desaparecidos)
  • Rio Grande do Sul: 7.611 casos (taxa: 67,75 desaparecidos)
  • Paraná: 6.455 casos (taxa: 54,29 desaparecidos)
  • Rio de Janeiro: 6.331 casos (taxa: 36,76 desaparecidos)
  • Santa Catarina: 4.317 casos (taxa: 52,73 desaparecidos)
  • Bahia: 3,929 casos (taxa: 26,42 desaparecidos)
  • Goiás: 3.631 casos (taxa: 48,91 desaparecidos)
  • Pernambuco: 2.745 casos (taxa: 28,71 desaparecidos)
  • Ceará: 2.578 casos (taxa: 27,81 desaparecidos)
  • Espírito Santo: 2.421 casos (taxa: 58,66 desaparecidos)
  • Distrito Federal: 2.235 casos (taxa: 74,58 desaparecidos)
  • Mato Grosso: 2.112 casos (taxa: 54,24 desaparecidos)
  • Pará: 1.238 casos (taxa: 14,21 desaparecidos)
  • Maranhão: 1.182 casos (taxa: 16,84 desaparecidos)
  • Rondônia: 1.018 casos (taxa: 58,11 desaparecidos)
  • Amazonas: 982 casos (taxa: 22,72 desaparecidos)
  • Paraíba: 929 casos (taxa: 22,31 desaparecidos)
  • Rio Grande do Norte: 775 casos (taxa: 22,43 desaparecidos)
  • Piauí: 744 casos (taxa: 21,98 desaparecidos)
  • Alagoas: 729 casos (taxa: 22,63 desaparecidos)
  • Sergipe: 728 casos (taxa: 31,66 desaparecidos)
  • Tocantins: 609 casos (taxa: 38,38 desaparecidos)
  • Roraima: 577 casos (taxa: 78,1 desaparecidos)
  • Acre: 413 casos (taxa: 46,7 desaparecidos)
  • Amapá: 408 casos (taxa: 50,59 desaparecidos)
  • Mato Grosso do Sul: 378 casos (taxa: 12,92 desaparecidos)

Com informações do G1

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Política

VÍDEO: Contrato com Banco Master teria antecipado saída de Lewandowski do Ministério da Justiça

 

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Vídeo: Reprodução/CNN

Integrantes do governo avaliam que a existência de um contrato entre o escritório da família de Ricardo Lewandowski e o Banco Master contribuiu para acelerar a saída do ex-ministro do Ministério da Justiça, ocorrida em 10 de janeiro. A percepção no Planalto é de que a permanência do vínculo comercial, mesmo após a posse de Lewandowski na pasta, aumentaria o desgaste do governo diante da crise envolvendo a instituição financeira.

Segundo apuração da CNN Brasil, o escritório em que Lewandowski atuava seguiu funcionando sob a coordenação de sua esposa, Yara, e de seu filho, Enrique, mantendo a relação contratual com o Banco Master. Em nota, o ex-ministro confirmou que prestou serviços à instituição, mas afirmou que, ao assumir o ministério, se desligou do escritório e suspendeu seu registro na OAB.

No Palácio do Planalto, já se sabia que Lewandowski demonstrava intenção de deixar o governo, motivado por divergências internas e dificuldades para avançar com a PEC da Segurança no Congresso. Ainda assim, a decisão repentina no início do ano causou surpresa entre aliados, que agora apontam o caso Master como fator determinante para antecipar o pedido de demissão e evitar um desgaste maior ao presidente Lula.

A avaliação de auxiliares é que, caso o ex-ministro permanecesse no cargo, o governo poderia ser forçado a demiti-lo em meio ao avanço das investigações sobre o banco. A assessoria de Lewandowski, no entanto, sustenta que a saída ocorreu por razões pessoais e acadêmicas, reiterando que ele se afastou de qualquer atividade privada para evitar conflito de interesses.

Com informações da CNN

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Geral

Lula participou de inauguração de fábrica ligada a Vorcaro antes de encontro no Planalto

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Antes do encontro fora da agenda com o banqueiro Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da inauguração da fábrica de insulina da Biomm, em Nova Lima (MG), em abril do mesmo ano. O Banco Master, então comandado por Vorcaro, é o principal acionista da empresa por meio do Fundo Cartago, detendo 25,86% do controle da farmacêutica.

Apesar da relevância do Master na estrutura societária da Biomm, Vorcaro não esteve presente no evento. Lula participou da cerimônia ao lado de outros acionistas, como Walfrido dos Mares Guia e Lucas Kallas, empresário do setor de mineração. Meses depois, já com o banco enfrentando dificuldades de liquidez, Vorcaro se reuniu com o presidente em um encontro reservado no Planalto, que contou ainda com ministros, o então futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, contratado pelo Master.

No encontro de dezembro, Vorcaro relatou pressões para vender o banco e questionou Lula sobre a possibilidade de seguir à frente da instituição. O presidente criticou a condução do Banco Central à época e recomendou que o banqueiro não vendesse o Master, rejeitando a ideia de negociação com o BTG. Publicamente, porém, Lula passou a tratar o escândalo envolvendo o banco como um episódio recente e chegou a criticar duramente defensores de Vorcaro.

Outro personagem central nesse contexto é Lucas Kallas, acionista da Biomm e elogiado por Lula em eventos públicos recentes. Kallas já foi citado em diferentes investigações da Polícia Federal relacionadas ao setor de mineração, embora negue irregularidades. Tanto ele quanto Vorcaro têm inquéritos sob relatoria do ministro Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal, o que ampliou a atenção política e institucional em torno do caso Master.

Com informações do Poder360

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Geral

Médico potiguar lidera mentoria que virou referência nacional em aprovação em residência médica

Foto: Reprodução

USP, Unicamp, Einstein, além de três anos consecutivos conquistando as primeiras colocações em Anestesiologia no Rio Grande do Norte e no Brasil. Esses resultados colocaram a @clevermed.com.br entre as principais preparadoras para residência médica do país — com destaque para sua mentoria estratégica, que vai muito além de aulas.

À frente desse projeto está o médico potiguar Max Alves, que transformou experiência prática, análise de provas e acompanhamento individual em um modelo de preparação altamente eficaz. A mentoria Clevermed não entrega apenas conteúdo: entrega direcionamento, método e cobrança, exatamente o que diferencia quem passa de quem fica pelo caminho.

A Clevermed aposta em um acompanhamento próximo, com análise contínua de desempenho, correção de rota, estratégia de escolha de prova e construção de um plano realista — adaptado à rotina do médico.

“Conteúdo existe aos montes. O que falta é alguém que acompanhe, cobre, ajuste a estratégia e diga exatamente onde o aluno está errando”, destaca Max Alves.

E o diferencial não está só no método, mas também no custo-benefício. Enquanto muitos cursos cobram cerca de R$ 1.000 por mês apenas por acesso a aulas, a mentoria individual e diária com Max Alves oferece um valor acessível e inclui um curso preparatório completo, com aulas estruturadas, material didático, questões comentadas e uma plataforma exclusiva — tudo isso com resultados comprovados em aprovações de alto nível.

Com base em resultados concretos e consistentes, a mentoria Clevermed se consolidou como uma das mais respeitadas do Brasil, mostrando que organização, método e acompanhamento diário fazem toda a diferença na corrida pela residência médica.

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Geral

BOMBA: Prefeito de Ielmo Marinho é preso sob acusação de liderar facção criminosa

Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte deflagrou, na manhã desta quarta-feira (28), a Operação Securitas, que resultou na prisão em flagrante do prefeito Fernando Batista Damasceno, de Ielmo Marinho, município da Grande Natal. A ação investiga a atuação de uma organização criminosa com ramificações políticas e envolvimento de integrantes das forças de segurança, com diligências realizadas em Ielmo Marinho, São Gonçalo do Amarante, Natal e Parnamirim.

De acordo com as investigações, iniciadas em 2023, o grupo seria estruturado para intimidar adversários políticos e cometer outros crimes, contando com um núcleo armado e influência político-administrativa. O prefeito é apontado como líder da organização, que também teria entre seus integrantes ocupantes de mandato legislativo e um policial militar.

O caso ganhou força após uma ocorrência registrada na Câmara Municipal de Ielmo Marinho, onde homens armados estariam atuando como segurança privada de um parlamentar, supostamente para intimidar opositores. Na ocasião, a polícia apreendeu armas, munições — inclusive de calibres restritos — e outros materiais, reforçando a suspeita de atuação criminosa organizada.

Durante o cumprimento dos mandados judiciais, o prefeito foi preso em flagrante por embaraço à investigação, após tentar ocultar provas ao arremessar dinheiro e um aparelho celular para fora de sua residência. A operação contou com a atuação conjunta do Ministério Público do RN e o apoio da Polícia Militar, e tem como foco aprofundar a apuração de crimes como porte ilegal de arma, milícia privada e organização criminosa.

Opinião dos leitores

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Geral

VÍDEO: Escândalo do Banco Master expõe desgaste institucional e patrimonialismo, afirma Waack

 

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Vídeo: Reprodução/CNN Brasil

Para o jornalista William Waack, o caso envolvendo o Banco Master revela que a crise política e institucional no país ainda está longe do fim. Segundo ele, desde que o presidente Lula tentou assumir publicamente o controle do escândalo, a situação se agravou, ampliando os danos políticos e colocando diferentes instituições sob pressão.

Waack destaca que o Supremo Tribunal Federal passou a reagir à repercussão pública do caso, sendo obrigado a divulgar notas e esclarecimentos diante do comportamento de ministros como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Na avaliação do jornalista, figuras que antes simbolizavam combates emblemáticos — à Lava Jato e ao bolsonarismo — agora acabam contribuindo para o desgaste da imagem da própria Corte.

O Planalto, que inicialmente observava o cenário com certa distância, passou a ser diretamente atingido à medida que o escândalo avançou e envolveu lideranças do partido do governo no Senado e o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski. Para Waack, os impactos do caso vão além da disputa eleitoral e das narrativas políticas, alcançando um problema estrutural mais profundo.

O jornalista aponta que o escândalo escancara o patrimonialismo ainda presente no Estado brasileiro, onde interesses privados se confundem com o poder público e se apropriam de recursos e estruturas estatais. Embora esse fenômeno não seja novo, Waack avalia que o episódio gera a sensação de que o país ainda consegue se surpreender negativamente, mesmo após sucessivos escândalos de corrupção e crises institucionais.

Com informações da CNN

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Política

Fachin sinaliza que inquérito do Banco Master deve sair do STF

Foto: Antonio Augusto/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta terça-feira (27) que o inquérito que investiga irregularidades no Banco Master tende a deixar a Corte. A declaração foi dada em entrevista ao blog da jornalista Ana Flor, do G1, ao comentar o avanço das investigações e a competência do tribunal para manter o caso.

Segundo Fachin, a avaliação preliminar indica que, após a coleta de depoimentos e a análise de documentos, pode ficar claro que não há justificativa para o processo permanecer no STF. Para o ministro, o andamento da instrução deverá definir se o caso se enquadra ou não na competência da Corte, mas a tendência atual é de deslocamento para outra instância.

O inquérito está sob relatoria do ministro Dias Toffoli, que tem sido alvo de críticas e acusações de possível favorecimento ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco liquidado pelo Banco Central. Toffoli, no entanto, nega qualquer impedimento e sustenta que sua atuação não compromete a imparcialidade do processo, argumento que já recebeu respaldo de colegas como o decano Gilmar Mendes.

A condução do caso também tem gerado desconforto político. De acordo com apurações da imprensa, o presidente Lula acompanha de perto a investigação e passou a sinalizar que não pretende sair em defesa pública do relator, diante da pressão e das críticas que cercam o escândalo envolvendo o Banco Master.

Com informações do InfoMoney

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