por Dinarte Assunção

Ao escavar o solo em direção ao Rio Potengi, a Queiroz Galvão se deparou com o risco real de desabamento quando chegou sob o solo do Bom Pastor. A areia fina do local não dava consistência suficiente para prosseguir a obra, sem assumir o risco de uma tragédia. Foi quando se pensou o ‘jet grouting’, que adicionou mais R$ 21 milhões à obra.
A técnica consiste em concretar o solo, basicamente, e perfurar o túnel através do concreto. O vai-e-vem da obra paralisou o jet grouting. De modo que, hoje, sob o Bom Pastor, existem galerias que estão cheias de água e lacradas. Tomaz Neto garante de forma definitiva que não há risco no local. “Todas as galerias cavadas estão, sim, com água, mas estão lacradas e não há vazamento”.
Para a obra do jet grounting prosseguir, será preciso reabrir as galerias submersas, secá-las e verificar o estado em que se encontram.
Finalização
Nesta semana, Natal aguarda parecer do Ministério da Cidades opinando pela continuidade da obra, para a qual estão ainda reservados R$ 50 milhões.
O secretário de Obras da cidade afirma que, uma vez que as intervenções sejam retomadas, o que dependeria apenas da liberação do Idema, as obras seriam concluídas em 8 meses.
Dos 4,7 quilômetros de extensão, faltam escavar 800 metros. Dos 33 poços espalhados ao longo da obra, faltam cavar cinco. Eles têm entre 30 e 32 metros de profundidade.
Desde que essa obra foi iniciada, diversos prazos têm sido anunciados. São a falta de cumprimento que tem levado Natal a ver repetidamente os alagamentos que se espalham pela cidade ao menor sinal de garoa.
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O secretário disse que não há risco de desabamento. Bem, se eu morasse perto desses túneis já estava de mudança pronta…
Há risco sim. O vingativo Tomaz Neto descumpriu o acordo firmado com a comunidade local no Bom Pastor, sob a arbitragem do MPE, que previa ajustes no projeto para proteger a nascente do Riacho Bom Pastor e realizar um conjunto de pequenas obras que estruturasse o bairro com equipamentos de esporte, cultura e lazer, além de remanejar para local salubre e digno os moradores da favela do Cambuim, Nada foi feito e a obra tende a continuar interditada. Os bairros estuarinos da Zona Oeste só são vistos pelo poder público até o momento como meros locais para descarga de esgotos, fezes, restos de construções, aguas contaminadas e relocação de favelados. Sem qualquer compensação significante.