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FOTOS: Brasileiro se muda para a Califórnia para plantar maconha, ganha dez copas de melhor haxixe e vira ídolo

HAROLD WINSTON, O BAMF, DEIXOU O BRASIL AOS 18 ANOS PARA VIAGEM DE UMA SEMANA EM AMSTERDÃ E NÃO VOLTOU MAIS (FOTO: MALACHI BANALES/ DIVULGAÇÃO)

Proibido no Brasil e seis vezes mais caro que o ouro. O cristal de poucos centímetros, levemente amarelado, quase transparente, é exposto em lojas especializadas em maconha da Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos, como uma joia.

Cada grama do extrato ultraconcentrado de maconha produzido pelo brasileiro Harold Winston, mais conhecido como Bamf, de 34 anos, pode custar até US$ 250 — o equivalente a cerca de R$ 1.000. A porção é suficiente para fazer dois cigarros — misturando com tabaco ou ervas – ou usar até cinco vezes num bong — purificador, geralmente feito de vidro, utilizado para fumar maconha.

Harold deixou o Brasil em 2003, há 16 anos, atraído pelo desejo de trabalhar com cannabis. Antes de deixar o país, ele tinha plantado 400 pés de maconha no quintal da casa onde vivia com a família em Belo Horizonte. A mãe dele descobriu, destruiu o plantio e pagou ao filho uma viagem para ele passar uma semana em Amsterdã, na Holanda. Ele nem chegou a pegar o voo de volta e, desde então, só visitou a terra natal em festas de fim de ano.

Nesse período, Harold viveu cinco anos na Holanda, ganhou 10 prêmios em competições de maconha nos Estados Unidos e se tornou uma das maiores referências do mundo canábico.

No Brasil, o plantio, a venda ou a doação de maconha são considerados tráfico de drogas, crime punido com penas de 5 a 15 anos de prisão, além de multas. Usar a erva é considerada apenas uma contravenção. Nesses casos, o usuário deve prestar serviços à comunidade e fazer um curso sobre os danos causados pelo uso de drogas.

O advogado Ricardo Nemer, da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas (Reforma) diz que muitas vezes a distinção entre usuário e traficante, feita principalmente pela Polícia Civil, é incerta e pode resultar em punições injustas.

“Depende do ‘achismo’ do delegado. Não há regra do que é pequena ou grande quantidade. Isso causa uma grande insegurança jurídica e enquadra diversos usuários como traficantes. Um exemplo são as pessoas que cultivam maconha para fazer extratos (como os produzidos por Bamf) e precisam de muitas plantas”, explica o advogado.

Mas o que há de tão especial na maconha concentrada?

“Você dá uma simples puxada e é como se você tivesse fumado uns dez baseados inteiros”, diz Fernando Badaui, de 43 anos, vocalista da banda CPM22. “Não tem nenhuma impureza. É como degustar um bom vinho. Quando você fuma uma maconha comum, tem o papel, folhas, galhos e tudo mais junto, fora a sujeira. Aquilo que o Bamf faz é o puro extrato de THC, o princípio ativo que causa a brisa. Eu já experimentei maconha em diversos países que visitei e digo que essa está entre as melhores do mundo.”

FERNANDO BADAUI (À ESQ.), VOCALISTA DA BANDA CPM22, VISITOU DIVERSAS VEZES O BRASILEIRO HAROLD WINSTON, NA CALIFÓRNIA (FOTO: FERNANDO BADAUI/ ARQUIVO PESSOAL)

Badaui é conhecido por ser um combativo ativista nas redes sociais pela liberação da maconha. No Instagram, por exemplo, ele faz constantes publicações para defender a descriminalização do uso e a regulamentação do plantio da erva no Brasil. Ele conta ter conversado com o skatista Bob Burnquist, outro assíduo defensor da cannabis.

“Falei pro Bob que a gente está junto nessa. A imagem dele é muito importante para mostrar que um atleta de elite pode usar maconha”, afirmou Badaui em entrevista à BBC News Brasil.

O brasileiro Harold diz que Badaui o visita duas vezes por ano na Califórnia e que já experimentou vários de seus produtos. “A gente virou amigo. Ele é um ativista que representa muito nossa luta e eu acho lindo todos esses caras de peso desmistificando o uso da maconha. Eles demonstram que podem fumar e serem grandes profissionais. A manifestação pública dessas pessoas é um dos caminhos para a legalização no Brasil”, afirmou.

‘Amor’ pela erva

Harold nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, mas seus pais avaliaram que não teriam condições de criá-lo. Aos três meses de idade, o bebê foi adotado por americanos que viviam em Belo Horizonte e o batizaram com o nome do avô americano.

“Eu sempre fui um moleque doido, talvez pelo fato de ser adotado. Fui expulso de todas as escolas por onde passei em Belo Horizonte”, conta o brasileiro. Ele diz que ter se tornado uma referência na produção de maconha na Califórnia é a realização de seu maior sonho.

Todo esse amor pela maconha, conta Bamf, começou assim que experimentou a erva pela primeira vez, aos 16 anos.

“O problema foi que eu gostei demais, irmão. Um dia depois de sentir aquela sensação, comprei 25 gramas (suficiente para produzir até cerca de 50 baseados). Foi doido. A partir daquele dia, eu queria ver coisas sobre maconha o dia todo, queria experimentar a melhor maconha do mundo e fiquei na caça daquilo. Naquele mesmo ano, descobri o haxixe e pirei de vez”, conta o brasileiro aos risos.

Na época, ele passou a ter acesso e consumir grandes quantidades de haxixe trazido do Paraguai. Mas ele conta que sentia desgosto por consumir algo sujo e de procedência desconhecida. Seu sonho passou a ser produzir seu próprio concentrado, de alta pureza.

400 plantas no quintal

Sem se importar com as leis brasileiras, o adolescente passou a plantar maconha no quintal de casa, em 2002. E num volume capaz de atrair muita atenção.

 

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“Eu meti 400 plantas lá. Falei para a minha mãe que era ayahuasca porque era legal. Mas depois de certo tempo, uma amiga dela foi lá em casa e viu o cultivo. Eu estava na esperança de que não acontecesse nada, mas essa mulher colocou algumas folhas no bolso antes de ir embora. Dois dias depois, minha mãe descobriu que era maconha, ficou puta comigo e destruiu todas as plantas”, diz Harold.

Além de sustentar seu consumo diário da erva, o cultivo fornecia material para que fizesse seus primeiros testes. Na época, ele conta que passava o dia cuidando das plantas, estudando e discutindo novas técnicas para aumentar sua produção e fazer extratos de qualidade. Sua fonte era o site brasileiro Growroom, o maior fórum online sobre maconha da América Latina, com mais de 120 mil inscritos.

“O Growroom para mim era um portal da coisa mais secreta do mundo. Passava o dia ali como um louco, como se o fórum fosse um livro aberto na minha frente. Ali, foi com certeza minha primeira escola, a base de tudo que aprendi até hoje”, relata.

Depois de duas semanas sem falar com o filho por conta da plantação em seu quintal, sua mãe, Nilza Cozac, o chamou para dar uma bronca e ter uma conversa franca. Cozac, conta Harold, foi a primeira mulher a se formar em direito em Minas Gerais e tinha um profundo conhecimento sobre a legislação.

“Minha mãe já tinha mais de 60 anos, mas era muito cabeça aberta. Ela me alertou que uma plantação daquele tamanho era motivo para o governo querer tomar nossa casa, um dos poucos assuntos que despertavam atenção do governo e policiais. E disse que me presentearia com uma viagem de uma semana para Amsterdã, na Holanda, quando completasse 18 anos. Ela queria que eu conhecesse um lugar onde pudesse fumar maconha sem problemas”, conta.

Viagem para Amsterdã

A mãe cumpriu a promessa. E ele nunca mais voltou para o Brasil.

“Eu fiquei muito louco quando cheguei lá (em 2003). Parecia uma criança em loja de brinquedo. Fiquei matutando como eu poderia ficar na Holanda e passar a vender maconha por um preço 100 vezes melhor do que as pessoas no Brasil. Minha mãe ficou desesperada quando soube”.

Harold conta que morou durante um ano em um apartamento para refugiados africanos em Amsterdã, que alugava por 300 euros. Durante esse tempo, ele fez contatos e aprimorou seus conhecimentos sobre a erva.

“Eu me envolvi com pessoas que achava que tinham maconha e haxixe bom. Na Holanda, a maconha é apenas tolerada. Durante os cinco anos que fiquei no país, vi muita gente sendo presa, inclusive conhecidos. Logo começaram a me dizer que eu estava no lugar errado, que eu deveria ir para a Califórnia”, diz.

Depois de fazer uma série de pesquisas e assistir a vídeos no YouTube, ele decidiu se mudar para os Estados Unidos.

Primeiro, ele foi para Nova York, mas depois de um ano vivendo “num frio dos infernos” e presenciando uma forte repressão policial contra usuários de maconha, ele resolveu se mudar, em 2009, para Los Angeles, na Califórnia, onde vive até hoje.

“Eu mal cheguei e enlouqueci. Eu fiquei gritando na rua, literalmente, porque a cada esquina tinha loja para você comprar equipamentos. Você fica louco mesmo. Entrei na primeira que eu vi e fiquei conversando com o dono durante horas sem parar”, lembra Bamf com euforia.

Três dias depois de chegar à “meca” da maconha, Harold comprou uma luz especial – ideal para seis plantas – e começou a plantar a própria erva dentro de casa. Seis meses depois, tinha dez lâmpadas. Um ano depois, tinha 15.

Depois da longa experiência em Amsterdã, o jovem avaliou que o mercado na Califórnia tinha bons equipamentos, uma legislação muito favorável, mas ainda era pouco desenvolvido. Sua maior surpresa, porém, foi quando assistiu à uma edição da Cannabis Cup, a maior competição de maconha dos EUA, promovida pela revista High Times.

“Eu não acreditei que os caras vacilavam tanto. Num país de primeiro mundo, com ótimos equipamentos e maconha boa, eles poderiam fazer muito mais”, relata o brasileiro. Aquele era o incentivo que faltava para ele começar sua própria produção e buscar seu espaço no mercado.

Riscos para a saúde

O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador, há 30 anos, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da universidade, Dartiu Xavier, condena o uso de maconha por adolescentes, como fez Harold.

“Eu acho que ninguém deveria fumar antes dos 18. Alguns autores dizem a partir dos 21. O ponto mais preocupante é que a maconha pode desencadear uma psicose, quando o usuário sai da realidade. Caso ele tenha uma predisposição para isso, a maconha pode funcionar como um gatilho”, explicou.

Por outro lado, o médico afirma que no seu ponto de vista a regulamentação do uso da maconha diminuiria o consumo da erva no país e seria um avanço na área da saúde.

“Nos lugares onde existem políticas mais tolerantes ou legalização, como a Holanda ou Estados Unidos, as pessoas não fogem das informações. Há inclusive uma grande política de redução de riscos. No clima de proibicionismo como há aqui, ninguém tem informação. A Holanda, inclusive, é um dos poucos países onde o consumo de maconha vem caindo. Uma prova cabal de que a proibição do uso aumenta o consumo”, afirmou Xavier.

Entretanto, o coordenador do Projeto Antitabágico do Hospital Universitário da USP, João Paulo Lotufo, diz que qualquer relaxamento em relação ao consumo de maconha seria um erro.

“Nos Estados Unidos e no Uruguai, onde o uso é permitido, dobrou o número de dependentes. Se hoje há um surto psicótico a cada 100 pessoas, se libera, você dobra para 2. Vai subir o número de acidentes automobilísticos causados pelo uso da droga, sem contar que as lesões causadas pela maconha no cérebro são irreversíveis”, disse o médico.

BAMF GANHOU DEZ PRÊMIOS – OITO CONSECUTIVOS – DE MELHOR EXTRAÇÃO DE MACONHA PELA REVISTA MAIS IMPORTANTE SOBRE O ASSUNTO NOS EUA (FOTO: BBC)

Lotufo diz ainda que a maconha é mais cancerígena que o tabaco (com base em estudo publicado na revista European Respiratory Journal em 2008) e que os custos arrecadados com impostos em caso de regulamentação não seriam suficientes nem mesmo para bancar o aumento dos gastos com saúde.

“O imposto arrecadado com a venda de cigarros também não cobre a lesão que o tabaco provoca no sistema de saúde. Liberar o uso no Brasil seria um absurdo. Alguns falam na internet que a maconha é medicinal, mas não tem nada disso. O canabidiol (CBD) sim é medicinal, mas trata-se de um extrato que nada tem a ver com o uso recreativo”, afirmou o médico da USP.

Para ele, a pressão para a regulamentação do uso recreativo ocorre por uma forte pressão financeira, que ignora os riscos à saúde.

Técnica secreta

O primeiro passo de Harold Winston para entrar no mercado canábico foi convencer Nikka T, produtor do que muitos consideram o melhor haxixe vendido nos EUA na época, a ensiná-lo a fazer o produto. Haxixe é uma pasta densa feita da resina de maconha, fumada em bong, narguilé ou em cigarro- misturado com tabaco ou maconha.

“Fiquei enchendo o saco dele igual um fã durante seis meses, até que um dia ele resolveu me ensinar. Ele me convidou e eu fui até o Colorado para aprender a técnica e, na semana seguinte, eu já era o melhor hashmaker (produtor de haxixe) da Califórnia. Isso foi há nove anos, na mesma época que minha mãe morreu de câncer”, relata ele.

Ao contrário do haxixe vendido no Brasil, feito com restos de maconha de baixa qualidade, muitas vezes feito das sobras de resina que grudam na mão das pessoas que colhem a planta no Paraguai, o produto de Bamf passa por um complexo processo.

Assim que ele fez o primeiro haxixe usando uma técnica de extração à base de água, sem solventes, ele teve a certeza de que tinha condições de era algo inédito e quis colocar seu produto à prova num campeonato. Mas, para isso, era necessário ser dono de um dispensário. Apenas a loja Buds and Roses aceitou o pedido.

O produto de Bamf chamou a atenção logo no momento da inscrição por conta de sua cor clara – sinal de pureza – e por ser o único feito com água. A maioria dos concentrados, conta Harold, é feita com gás butano – o mesmo usado em isqueiros.

 

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Em meio a 40 competidores, o brasileiro ganhou seu primeiro seu primeiro troféu. No dia seguinte, ele viu sua popularidade disparar e seu produto se tornar uma referência num dos mercados mais exigentes do mundo. A demanda foi tão grande que ele conta ter ficado sete dias sem dormir fazendo haxixe sozinho em sua casa para dar conta de alguns pedidos.

Uma das encomendas foi feita pelo grupo americano de rap Cypress Hill. “Eles encostaram na minha casa com um caminhão cheio de maconha para eu fazer haxixe para eles. Perguntei se estavam loucos porque eu demoraria um ano para terminar aquilo sozinho. Uma semana após terminar o serviço, eles levaram outro caminhão cheio”, conta.

Pouco tempo depois, Harold fundou sua própria empresa, a Bamf, que aos poucos virou o nome com o que Harold passaria a ser conhecido no mercado canábico. O nome significa Badass Motherf***er e foi inspirado em uma cena do filme Pulp Fiction.

A Bamf começou a se tornar uma referência de qualidade na Califórnia. Ganhou oito Cannabis Cups consecutivas de melhor haxixe e passou a ser cultuado por usuários de maconha não só na Califórnia, mas ao redor do mundo.

“O campeonato não dá dinheiro, mas no momento que você sai do palco com o troféu, aparecem mais de 50 donos de lojas querendo comprar tudo o que você tem. Gente tirando maços de dinheiro e do bolso. Eu pensava que era até policial querendo me pegar”, conta.

A marca começou a virar moda. A Bamf passou a vender camisetas, souvenirs e sementes. No Instagram, a marca é elogiada por diversos consumidores – alguns, famosos – americanos e brasileiros. Mas o crescimento trouxe alguns problemas para Harold e ele sente medo dessa expansão.

“A Bamf me deixou muito satisfeito e ciumento. Hoje, tenho 35 funcionários, mas sinto medo de ampliar demais, crescer, e precisar entregar meu segredo para mais pessoas. Eu criei um monstro. Imagine criar um gorila dentro de um quarto. Uma hora você vai tomar um soco. Aconteceu isso comigo. Teve gente que veio, aprendeu e hoje criaram as coisas deles. Mas como eu comecei primeiro que todo mundo, ainda estou alguns passos à frente”, afirmou.

Mesmo assim, ele revelou à BBC News Brasil alguns “segredos” da estratégia para se obter um produto de alta pureza.

“O segredo maior é olhar para as flores da maconha como se ela fosse uma vaca. No momento em que você abate a vaca, ela deve estar em ambiente refrigerado para não degenerar. Quando você corta a maconha é a mesma coisa porque ela começa a morrer. Se você não mantiver ela refrigerada em uma hora para manter ela viva, a planta começa a secar e perde óleo”, afirmou.

Harold não deu mais detalhes, mas afirmou que mantém a planta congelada até o momento da extração, e que “o solvente e o produto devem ser mantidos em temperaturas negativas”.

Maconha no Brasil

Harold diz que sua empresa está em plena expansão e conta que acabou de comprar uma área de 2 hectares – equivalente a mais de dois campos de futebol – no Estado de Oregon apenas para plantar maconha rica em CBD, usado principalmente para a produção de remédio.

Essa cepa não tem THC, o princípio ativo da planta, que causa o “barato”. Ele diz que fará isso porque se sente na obrigação de se colocar em todos os setores do mundo canábico.

Harold se diz triste com a lei de drogas brasileira. Para ele, a legalização do cultivo, comércio e consumo da erva poderiam ser de grande ajuda à combalida economia do país.

“A salvação do Brasil é a maconha. É a única coisa que pode gerar milhares de empregos e trilhões de reais no mercado econômico de maneira imediata e o povo precisa entender isso. O país está perto da linha do Equador, tem um clima perfeito e terra abundante, emprego. Sem falar que a maconha é matéria-prima de 35 mil produtos diferentes, num ciclo de dois meses. Para quê cortar árvore? Eu amo o Brasil e estou doido para e poder trabalhar com o que eu gosto no meu país”, afirmou.

Ele pondera, por outro lado, que até mesmo o mercado americano ainda não é tão claro sobre o que pode ser feito.

“Eu mesmo fui preso há três anos. Aqui é legal, mas ao mesmo tempo não é. Fui parado por um policial e tinha 20 kg de maconha no carro. Eu tinha uma licença e disse que mostraria ao policial, mas ele disse que rasgaria o documento caso eu mostrasse. A sorte é que nos EUA você não é condenado até esgotar o processo. Depois de dois anos e meio, fui absolvido”, afirmou.

Na Califórnia, a venda da maconha recreativa é legal. Por outro lado, a erva continua classificada como um narcótico ilegal sob a lei federal americana.

“Há um conflito de leis federais e estaduais que cria uma zona cinzenta nos Estados Unidos. Há a legalização, mas por outro lado há uma grande dificuldade para conseguir as licenças e isso causa uma grande insegurança jurídica”, diz o advogado Ricardo Nemer.

Já no Brasil, ativistas dizem que o caminho mais provável para descriminalizar o uso da maconha e dar o primeiro passo rumo à legalização é o julgamento no STF de um processo que pode revogar o artigo 28 da Lei Antidrogas. Isso permitiria a posse de pequenas quantias e plantio da erva para consumo próprio.

Esse processo, parado desde 2015 após o ministro Teori Zavascki pedir vistas, está marcado para ser retomado no dia 5 de junho. A pausa ocorre porque, depois da morte de Zavascki, o caso foi para as mãos de Alexandre de Moraes.

No ponto de vista do músico Badaui, que diz ter visitado diversos países onde há regulamentação, tolerância ou descriminalização do uso da cannabis, diz que é apenas uma questão de tempo para que o mesmo ocorra no Brasil.

“Há dez anos, esse assunto era tratado como tabu. Hoje, todos sabem que esse consumo não vai parar e que não tem como seguir outro caminho a não ser o da legalização. Por mais conservador que seja o governo, o Brasil sempre seguiu o modelo americano. É hora de desmantelar o mercado negro e explorarmos economicamente a cannabis”, afirmou o músico.

Bamf também acha que a legalização da cannabis no Brasil não deve demorar. Ele diz que diversos setores da sociedade estão fazendo uma grande pressão no sentido de permitir o consumo e o comércio da erva, como ocorreu antes da legalização em países como Canadá e Uruguai.

“Chega uma hora em que a polícia não tem condições de ir atrás de quem planta e fuma. Os próprios policiais se questionam se eles devem ir atrás de político ladrão e grandes bandidos ou se vão ficar perdendo tempo indo atrás de usuário de maconha num país com tanto problema de verdade.”

Época Negócios, com BBC

 

 

Opinião dos leitores

  1. Isso é uma grande notícia, quando muitos chorão os seus filhos mortos pelas drogas aí vem essa grande materia ,isso sim é louvável!!!

    1. Eu ia comentar justamente isso. Mas pelo seu Nick vc deve estar sendo irônico. Já Eu, falo sério.

  2. Reportagem muito educativa, que esse doido fique por lá mesmo, aqui já temos muitas cracolândias.

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Geral

OPERAÇÃO FECHAMENTO: Denunciado como líder de esquema de sonegação fiscal no RN é preso preventivamente

Foto: divulgação

Um empresario denunciado como líder de uma associação criminosa especializada em sonegação fiscal e lavagem de dinheiro foi preso preventivamente nesta sexta-feira (23). O pedido foi feito pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN). Ele é um dos oito denunciados no desdobramento da Operação Fechamento. A prisão foi cumprida pela Delegacia Especializada em Crimes Contra a Ordem Tributária (Deicot), com base, entre outros fatores, no risco de fuga.

As investigações identificaram um esquema de sucessão empresarial fraudulenta no comércio de calçados e acessórios em Natal e Parnamirim, que gerou prejuízo superior a R$ 1,5 milhão em ICMS não recolhido ao Estado.

Segundo o MPRN, entre 2008 e maio de 2025, o grupo abriu sucessivos CNPJs em nome de “laranjas” para ocultar os verdadeiros gestores, abandonar empresas endividadas e manter as atividades sem pagar tributos.

No pedido de prisão, o Ministério Público apontou que, mesmo em liberdade provisória, o empresário continuou praticando crimes, oferecendo bens já penhorados como garantia judicial para reabrir lojas. Interceptações telefônicas indicam que ele firmava parcelamentos milionários sem intenção de pagamento, apenas para “ganhar tempo”.

A investigação também comprovou um plano de fuga. Conversas extraídas do celular do acusado mostram que ele considerava suas dívidas “impagáveis” e planejava vender o restante do patrimônio para se mudar definitivamente para a Europa. A perícia encontrou documentos portugueses emitidos em seu nome, como Bilhete de Identidade e Cartão de Empresário Individual, além de mensagens nas quais ele afirma que, em Portugal, conseguiria “fugir das dívidas”.

Durante a deflagração da Operação Fechamento, em maio de 2025, a Secretaria Estadual da Fazenda flagrou o uso de máquinas de cartão não integradas à escrituração fiscal, além de chaves Pix em nome de terceiros para ocultar faturamento. Também foram encontrados estoques sem nota fiscal avaliados em mais de R$ 146 mil em um único estabelecimento.

A denúncia aponta a atuação organizada do grupo, com núcleo de liderança, familiares e funcionários como sócios de fachada e apoio de um núcleo contábil responsável por estruturar as fraudes e driblar bloqueios judiciais. Os réus respondem por associação criminosa, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Um deles também foi denunciado por posse de munição de uso restrito.

A operação é resultado da atuação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal (Gaesf), que reúne órgãos de segurança do Estado. O MPRN participa por meio do GAECO e atua na identificação de fraudes complexas e na recuperação de recursos desviados dos cofres públicos.

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Geral

Adaptação escolar deve respeitar o tempo de cada criança e fortalecer vínculos, orienta coordenadora pedagógica

O início do ano letivo é um período marcado por expectativas, mudanças de rotina e novos desafios para crianças e famílias. Para que esse processo aconteça de forma saudável, o acolhimento escolar precisa ir além do conteúdo pedagógico e considerar, sobretudo, o aspecto emocional dos estudantes.

De acordo com a coordenadora pedagógica da Escola Luminova Natal, Mirela Visiane, os primeiros dias de aula são planejados para promover segurança, bem-estar e integração. A escola aposta em atividades interativas e momentos de convivência que ajudam os alunos, novatos e veteranos, a se sentirem parte do ambiente escolar, favorecendo a criação de vínculos com colegas e professores.

“O acolhimento é fundamental para que a criança se sinta pertencente à comunidade escolar. Quando ela se sente segura, confiante e respeitada em suas emoções, o processo de aprendizagem acontece de forma mais natural”, explica Mirela.

Durante a fase inicial, a equipe pedagógica observa atentamente o comportamento dos alunos, respeitando o tempo e as emoções de cada um. A adaptação não segue um ritmo único, já que cada criança reage de maneira diferente às mudanças. Por isso, o acompanhamento próximo e o diálogo constante são estratégias essenciais adotadas pela escola.

De acordo com a coordenadora, a previsibilidade das atividades ajuda a reduzir a ansiedade e contribui para o desenvolvimento da autonomia. “Quando a criança compreende a organização do dia, ela se sente mais segura, aprende a respeitar horários, regras e passa a assumir pequenas responsabilidades, fortalecendo a autoconfiança”, afirma.

Outro aspecto destacado é a convivência diária com colegas e professores, que favorece a construção de valores como respeito, empatia e cooperação. O ambiente escolar se torna um espaço de aprendizado social, onde os alunos aprendem a ouvir, dialogar, lidar com diferenças e resolver conflitos de forma respeitosa.

A participação da família também é considerada essencial para uma adaptação tranquila. Mirela orienta que os responsáveis mantenham diálogo aberto com as crianças, incentivem a autonomia e estabeleçam uma rotina que favoreça a frequência e o bem-estar na instituição.

“A escola precisa ser um espaço onde a criança se sinta acolhida, desafiada e motivada. Quando adaptação e aprendizagem caminham juntas, os resultados aparecem não só no desempenho acadêmico, mas também no desenvolvimento humano”, conclui.

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Geral

Lula menciona caso Master e diz que ‘por falta de vergonha na cara’ muita gente defende Vorcaro

Foto: reprodução

Sem citar nominalmente Daniel Vorcaro, dono do banco Master, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (23) que tem muita gente que “por falta de vergonha na cara” o defende.

“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado, enquanto um cidadão, como esse do Banco Master, que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar? São os bancos. É o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica Federal, é o Itaú. Um cidadão que deu um desfalque de quase R$ 40 bilhões nesse país”, afirmou.

“Então, companheiros, e tem gente que defende porque também está cheio de gente que falta um pouco de vergonha na cara nesse país”, completou.

A declaração foi dada durante evento em Maceió, no estado de Alagoas, durante a entrega de 1,3 mil casas do programa “Minha Casa, Minha Vida”.

Na ocasião, Lula mencionava a situação da população pobre do país e a comparou com o que chamou de “desfalque” envolvendo o banco Master.

A fala de Lula sobre os bancos tem relação com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). No caso do Master, ele é o responsável por ressarcir os credores que compraram CDBs da instituição.

O FGC não conta com recursos do governo nem com aportes diretos dos clientes, atua como um mecanismo de segurança.

O fundo é capitalizado também por dois bancos públicos. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, só a Caixa responde por um terço da capitalização do FGC.

Com informações de g1

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Geral

Nota de Fachin sobre caso Master decepciona ministros e racha STF

Foto: Ton Molina/Foto Arena/Estadão Conteúdo

O Supremo Tribunal Federal se dividiu em torno da primeira manifestação pública do presidente da Corte, Edson Fachin, sobre o desgaste provocado por decisões do ministro Dias Toffoli no caso Banco Master.

Fachin interrompeu as férias, antecipou o retorno a Brasília e iniciou conversas com colegas para conter a crise. A avaliação do presidente do STF foi de que o “momento exige” sua presença, o que resultou na nota divulgada na noite de quinta-feira (22).

O texto foi discutido previamente com alguns ministros, entre eles o vice-presidente Alexandre de Moraes, que integra o grupo que defende a atuação de Toffoli no inquérito. O ministro Gilmar Mendes, o mais antigo em atividade na Corte, também faz parte dessa ala.

Outros ministros, porém, afirmaram à CNN que só tiveram conhecimento da nota no momento em que ela foi divulgada pela Secretaria de Comunicação do STF.

O posicionamento de Fachin dividiu o tribunal. Um grupo avaliou a manifestação como “equilibrada” e uma defesa institucional de Toffoli, relator do caso. Outra ala considerou que a nota “pouco esclarece” e que, ao fazer acenos ao Banco Central, à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República e aos próprios ministros críticos da atuação de Toffoli, o presidente da Corte acabou adotando uma postura ambígua.

A manifestação ocorreu após ministros apontarem a necessidade de uma defesa institucional do Judiciário diante das reportagens críticas a Toffoli. Segundo relatos, o ministro se queixou internamente das críticas recebidas nos últimos dias, o que motivou a reação de Fachin.

A avaliação interna é que, mesmo sem agradar a todos, o momento exigia proteger a instituição, deixando eventuais correções de postura para depois.

Ainda assim, a nota decepcionou ministros e assessores que defendem maior rigor ético no STF. Para esse grupo, faltou autocrítica e reconhecimento da necessidade de mudanças de comportamento para dar exemplo à sociedade.

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Geral

Jatinho usado por Toffoli na final da Libertadores também esteve na região de resort frequentado por ministro do STF com seguranças

Foto: Gustavo Moreno/STF

O mesmo jatinho que transportou o ministro Dias Toffoli (STF) para a final da Libertadores de 2025, em Lima, também esteve, no ano passado, na região do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), empreendimento que teve parentes do magistrado como sócios. As datas dos voos coincidem com pagamentos de diárias a seguranças que atendiam ao Supremo.

Registros analisados pelo jornal ‘O Globo‘ mostram que o avião, pertencente a uma empresa do empresário Luiz Osvaldo Pastore, realizou voos entre Ourinhos (SP) e Brasília em março e agosto. Nos mesmos períodos, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) pagou diárias a seguranças para acompanhar um ministro do STF em Ribeirão Claro, a cerca de 40 km de Ourinhos, onde fica o aeroporto mais próximo.

Em nota, o STF afirmou que a segurança dos ministros visa garantir autonomia e imparcialidade, diante de ameaças recorrentes. Pastore não se manifestou.

O resort Tayayá está no centro da controvérsia envolvendo Toffoli, relator das investigações sobre o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. O caso atinge Daniel Vorcaro, dono do banco. Reportagens da Folha de S.Paulo e do Estado de S.Paulo apontam que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, comprou em 2021, por meio de um fundo, parte da participação de dois irmãos de Toffoli no resort, avaliada em R$ 6,6 milhões à época. Um dos irmãos administrava o empreendimento.

Dados indicam que seguranças do Judiciário estiveram em Ribeirão Claro por 128 dias desde 2022. Em março de 2025, o avião voou de Ourinhos para Brasília enquanto havia seguranças na cidade entre os dias 2 e 6. Em agosto, o trajeto foi inverso, coincidindo com diárias pagas entre os dias 1º e 4.

Em dezembro, o colunista Lauro Jardim revelou que Toffoli esteve na aeronave de Pastore em voo para Lima, ao lado do advogado Augusto de Arruda Botelho, ligado a investigados do caso Banco Master. O mesmo colunista informou que o ministro também retornou de um evento em Roma, em novembro de 2025, no jatinho do empresário. À época, Toffoli afirmou não haver conflito de interesses e disse que as despesas do evento foram custeadas pelos organizadores.

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Geral

Adolscente “Chefinho”, apontado como líder de facção, é apreendido na zona Oeste de Natal

Foto: Divulgação PMRN

Uma operação do Comando de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE) resultou na apreensão de um adolescente de 17 anos com mandado de busca e apreensão em aberto por ato infracional análogo a roubo.

Segundo a polícia, o adolescente é apontado como liderança de uma facção criminosa que atua na região. Conhecido como “Chefinho”, ele estava foragido desde outubro de 2025 e foi apreendido na noite de quinta-feira (22).

O mandado foi expedido pela 3ª Vara da Infância e Juventude de Natal. A apreensão do jovem foi feita por equipes do Tático Operacional Rodoviário do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRv) durante patrulhamento com abordagens na comunidade Novo Horizonte, na zona Oeste da capital, área antes conhecida como Japão.

Após a captura, o jovem foi encaminhado e colocado à disposição da Justiça para as medidas legais cabíveis.

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Geral

Crise do caso Master tem efeito dominó, atinge estados e gera alerta com risco de rombo de R$ 30 bilhões

Foto: divulgação

As fraudes envolvendo a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília) acenderam um alerta para um possível efeito-dominó ainda pouco percebido pelo mercado, com risco de um rombo estimado em até R$ 30 bilhões nos cofres públicos do Distrito Federal e de quatro estados.

O problema tem origem em uma operação considerada estratégica pelo BRB: o chamado “pix judicial”, sistema que agiliza a liberação de depósitos judiciais ao integrar o sistema do Judiciário ao de pagamentos instantâneos do Banco Central. Após o sucesso no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), o banco venceu licitações e passou a administrar depósitos judiciais também na Bahia, Maranhão, Alagoas e Paraíba.

Com isso, o BRB passou a gerenciar cerca de R$ 30 bilhões em recursos judiciais, valores depositados como garantia em processos para assegurar pagamentos ao final das ações. O risco surgiu após as fraudes relacionadas à compra de carteiras de crédito do Banco Master — compostas por títulos considerados “podres” — que podem ultrapassar R$ 10 bilhões e chegar a até R$ 16 bilhões, segundo apurações. O caso é investigado pela Polícia Federal.

Caso o BRB não consiga honrar os compromissos assumidos com os tribunais e liberar os valores judiciais sob sua responsabilidade, os governos estaduais teriam de cobrir o prejuízo para garantir o funcionamento do Judiciário. Sem um aporte financeiro relevante, a avaliação nos bastidores é que o banco estatal não teria condições de sustentar a operação.

Já se fala, inclusive, em um pedido de socorro à União. A leitura é que o Distrito Federal não teria capacidade de capitalizar sozinho o BRB, enquanto os quatro estados do Nordeste também enfrentam dificuldades fiscais. O fato de esses governos serem comandados pelo PT ou por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumenta a pressão política por ajuda federal.

Em nota, o BRB afirmou que as operações com o Banco Master estão sendo analisadas em investigação independente conduzida pelo escritório Machado Meyer, com apoio da Kroll. O banco declarou manter compromisso com a transparência e afirmou que segue “sólido, seguro e operando normalmente”.

Alguns tribunais reagiram. O Tribunal de Justiça da Paraíba informou ter aberto processo administrativo para verificar a capacidade econômico-financeira do BRB e afirmou não haver indícios de comprometimento contratual. Já o Tribunal de Justiça do Maranhão disse estar ciente das apurações e ressaltou que o contrato prevê a migração dos depósitos para outra instituição, se necessário, conforme regras do Banco Central.

Os demais tribunais citados não se manifestaram.

Opinião dos leitores

  1. Se fizer uma auditoria nessas contas judiciais (depósitos judiciais), o judiciário naufraga literalmente.

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Política

Único nome da esquerda está para se aposentar, diz Romeu Zema

Foto: Reprodução

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), defendeu nesta sexta-feira (23) a candidatura de diferentes representantes do campo da direita na disputa presidencial. Sem citar o presidente Luiz lnácio Lula da Silva (PT), ele declarou à CNN Brasil que o “nome da esquerda” está perto de se aposentar.

“Fico muito satisfeito de nós termos bons nomes pela direita. Hoje, a esquerda, como há 40 anos, só tem um nome e graças a Deus está aí para aposentar já. E a direita tem diversos nomes e pessoas bem mais novas, às vezes até na casa dos 40 anos”, disse Zema.

O governador reafirmou sua intenção de disputar a corrida presidencial e declarou que levará sua pré-candidatura à Presidência “até o final”. Segundo Zema, a pluralidade de candidatos é positiva e “fortalece a direita”.

“A medida que você tem mais candidato, você tem mais voto. Mais candidato pela direita significa mais votos para a direita. E esses votos serão transferidos para o candidato que passar para o segundo turno”, declarou.

Zema afirmou que dará “total apoio” ao nome da direita que chegar ao segundo turno. Em 2022, o governador mineiro apoiou Jair Bolsonaro (PL) na disputa contra Lula na segunda etapa das eleições.

Neste ano, o ex-presidente indicou o seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como herdeiro do seu espólio eleitoral. Além de Zema, os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), e do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), também anunciaram a intenção de se candidatarem.

Opinião dos leitores

    1. Vai no se lombo também. Já está sendo e vc vai implorar por mais….

    2. Vc ja ouviu o Lular em suas falas defender o cidadão de bem? Grande coisa enaltecer um presidente que so defende bandidos.

    3. O comunismo é uma seita.
      É coisa ruim mas tem gente que defende.
      E usa palavras estranhas.
      Comunismo é doença.

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Saúde

Espanhol com suspeita de superfungo mora em Pipa e passou 15 dias em unidade de saúde de Tibau do Sul

Foto: Reprodução

O paciente de 58 anos com suspeita de estar com o superfungo Candida auris, no Rio Grande do Norte, é um espanhol que mora na praia da Pipa e que passou 15 dias internado em uma unidade de saúde de Tibau do Sul, no litoral potiguar, antes de ser transferido para Natal.

Ele segue em um leito de isolamento no Hospital da Polícia Militar, enquanto as autoridades de saúde do estado aguardam o resultado do teste que poderá confirmar a presença do fungo.

Segundo a prefeitura de Tibau do Sul, cidade onde fica o distrito de Pipa, o paciente tem doença cardíaca crônica e deu entrada na Unidade Mista de Saúde de Tibau do Sul no dia 1º de janeiro, inicialmente para tratamento de problemas cardíacos.

Ele permaneceu internado por 15 dias na unidade e foi transferido no dia 16 de janeiro para o Hospital da Polícia Militar, em Natal.

Após apresentar um quadro de febre, exames laboratoriais foram realizados e, no dia 20 de janeiro, o Laboratório Central do Rio Grande do Norte (Lacen) apontou a possível presença do Candida auris, um fungo considerado ultrarresistente a medicamentos e que exige protocolos rigorosos de controle hospitalar.

Em nota, a Prefeitura de Tibau do Sul informou que, durante o período de internação do paciente na Unidade Mista, não houve identificação da presença do fungo, nem detecção do microrganismo no ambiente hospitalar ou em outros pacientes.

Ainda segundo o município, de forma preventiva, todos os profissionais de saúde que tiveram contato com o paciente estão sendo monitorados, seguindo protocolos técnicos e sanitários, até que novas orientações sejam emitidas pelos órgãos competentes de vigilância em saúde.

A nota também destaca que, até o momento, não é possível determinar a origem da contaminação pelo fungo, nem estabelecer o local ou as circunstâncias em que o paciente teve contato com o fungo.

No Hospital da Polícia Militar, apenas equipes de saúde mantêm contato direto com o paciente, já que ele não tem parentes morando no estado. Todos os profissionais seguem protocolos de segurança e utilizam equipamentos de proteção individual.

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) informou que realiza o rastreamento do caso para identificar onde e quando o paciente pode ter sido contaminado.

As amostras foram enviadas para um laboratório de referência em São Paulo, conforme protocolo do Ministério da Saúde, mas ainda não há previsão para a divulgação dos resultados.

O fungo gera preocupação das autoridades de saúde por ser resistente aos medicamentos usados neste tipo de tratamento. Ele se instala principalmente em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido no ambiente hospitalar.

Segundo o médico infectologista Eduardo Teodoro, que atua no Hospital da PM, o paciente não apresenta infecção causada pelo fungo, mas uma colonização.

“A infecção acontece quando o micro-organismo está causando doença no paciente. Já a colonização ocorre quando o fungo está presente na pele ou em algum local do corpo, mas sem provocar doença”, explicou.
“Quando há infecção, fazemos o tratamento antifúngico. Quando é colonização, a principal medida é a prevenção, para evitar a disseminação dentro do ambiente hospitalar. É exatamente o que está sendo feito”, afirmou.

G1RN

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Judiciário

Governo do RN é condenado a pagar aluguéis e IPTU pendentes de prédio do Itep na Ribeira

Foto: Alex Régis

A Justiça do Rio Grande do Norte determinou que o Estado quite aluguéis e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) pendentes de um imóvel localizado na Avenida Duque de Caxias, no bairro da Ribeira, em Natal, utilizado para funcionamento de setores do Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep). A decisão é da 4ª Vara da Fazenda Pública de Natal e foi proferida em ação de cobrança movida pelo proprietário do prédio.

Conforme a sentença, o Estado deverá pagar os aluguéis referentes aos meses de agosto, setembro e outubro de 2025, além do IPTU do exercício de 2025. O imóvel é utilizado para instalações administrativas e operacionais do Instituto Técnico-Científico de Perícia e está sob contrato de locação firmado inicialmente em 2013, com sucessivas prorrogações ao longo dos anos.

No processo, o locador alegou atrasos no pagamento dos aluguéis e a existência de débitos tributários relativos ao imóvel. Segundo os autos, havia pendências de IPTU e taxas de lixo referentes aos exercícios de 2016, 2017, 2019, 2020, 2021, 2022, 2023 e 2024, que somavam R$ 148.797,22. A consulta aos débitos teria sido realizada junto ao sistema da Secretaria Municipal de Tributação.

Durante a tramitação da ação, entretanto, o Estado efetuou o pagamento das dívidas que haviam sido inicialmente discutidas, incluindo aluguéis de 2023 e janeiro de 2024, além de IPTUs dos exercícios anteriores. Documentos anexados ao processo indicaram o desembolso de mais de R$ 110 mil para a quitação desses débitos.

Ao analisar o caso, o magistrado registrou que “aluguéis dos meses de julho a dezembro de 2023 e janeiro de 2024, juros de 2%, ao mês, e IPTUs e taxas de lixo dos anos de 2016, 2017, 2019, 2020, 2021, 2022, 2023 e 2024, restaram totalmente adimplidas pela parte ré, estando pendentes de pagamento apenas os aluguéis relativos aos meses de agosto, setembro e outubro de 2025, além do IPTU do exercício de 2025″.

Com base no entendimento de que o contrato de locação estava vigente no período e de que o imóvel continuou sendo utilizado para a prestação de serviços públicos essenciais, a Justiça reconheceu a obrigação do Estado de arcar com os valores em atraso. A sentença determinou que o cálculo dos aluguéis em atraso seja feito com base no valor mensal previsto no 10º Termo Aditivo do contrato, fixado em R$ 10.288,72, com atualização pela taxa Selic.

A decisão também autorizou a dedução de eventuais valores que já tenham sido pagos de forma administrativa e condenou o Estado ao pagamento de honorários advocatícios, fixados em 10% sobre o valor total da condenação.

Tribuna do Norte

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