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FOTOS: Brasileiro se muda para a Califórnia para plantar maconha, ganha dez copas de melhor haxixe e vira ídolo

HAROLD WINSTON, O BAMF, DEIXOU O BRASIL AOS 18 ANOS PARA VIAGEM DE UMA SEMANA EM AMSTERDÃ E NÃO VOLTOU MAIS (FOTO: MALACHI BANALES/ DIVULGAÇÃO)

Proibido no Brasil e seis vezes mais caro que o ouro. O cristal de poucos centímetros, levemente amarelado, quase transparente, é exposto em lojas especializadas em maconha da Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos, como uma joia.

Cada grama do extrato ultraconcentrado de maconha produzido pelo brasileiro Harold Winston, mais conhecido como Bamf, de 34 anos, pode custar até US$ 250 — o equivalente a cerca de R$ 1.000. A porção é suficiente para fazer dois cigarros — misturando com tabaco ou ervas – ou usar até cinco vezes num bong — purificador, geralmente feito de vidro, utilizado para fumar maconha.

Harold deixou o Brasil em 2003, há 16 anos, atraído pelo desejo de trabalhar com cannabis. Antes de deixar o país, ele tinha plantado 400 pés de maconha no quintal da casa onde vivia com a família em Belo Horizonte. A mãe dele descobriu, destruiu o plantio e pagou ao filho uma viagem para ele passar uma semana em Amsterdã, na Holanda. Ele nem chegou a pegar o voo de volta e, desde então, só visitou a terra natal em festas de fim de ano.

Nesse período, Harold viveu cinco anos na Holanda, ganhou 10 prêmios em competições de maconha nos Estados Unidos e se tornou uma das maiores referências do mundo canábico.

No Brasil, o plantio, a venda ou a doação de maconha são considerados tráfico de drogas, crime punido com penas de 5 a 15 anos de prisão, além de multas. Usar a erva é considerada apenas uma contravenção. Nesses casos, o usuário deve prestar serviços à comunidade e fazer um curso sobre os danos causados pelo uso de drogas.

O advogado Ricardo Nemer, da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas (Reforma) diz que muitas vezes a distinção entre usuário e traficante, feita principalmente pela Polícia Civil, é incerta e pode resultar em punições injustas.

“Depende do ‘achismo’ do delegado. Não há regra do que é pequena ou grande quantidade. Isso causa uma grande insegurança jurídica e enquadra diversos usuários como traficantes. Um exemplo são as pessoas que cultivam maconha para fazer extratos (como os produzidos por Bamf) e precisam de muitas plantas”, explica o advogado.

Mas o que há de tão especial na maconha concentrada?

“Você dá uma simples puxada e é como se você tivesse fumado uns dez baseados inteiros”, diz Fernando Badaui, de 43 anos, vocalista da banda CPM22. “Não tem nenhuma impureza. É como degustar um bom vinho. Quando você fuma uma maconha comum, tem o papel, folhas, galhos e tudo mais junto, fora a sujeira. Aquilo que o Bamf faz é o puro extrato de THC, o princípio ativo que causa a brisa. Eu já experimentei maconha em diversos países que visitei e digo que essa está entre as melhores do mundo.”

FERNANDO BADAUI (À ESQ.), VOCALISTA DA BANDA CPM22, VISITOU DIVERSAS VEZES O BRASILEIRO HAROLD WINSTON, NA CALIFÓRNIA (FOTO: FERNANDO BADAUI/ ARQUIVO PESSOAL)

Badaui é conhecido por ser um combativo ativista nas redes sociais pela liberação da maconha. No Instagram, por exemplo, ele faz constantes publicações para defender a descriminalização do uso e a regulamentação do plantio da erva no Brasil. Ele conta ter conversado com o skatista Bob Burnquist, outro assíduo defensor da cannabis.

“Falei pro Bob que a gente está junto nessa. A imagem dele é muito importante para mostrar que um atleta de elite pode usar maconha”, afirmou Badaui em entrevista à BBC News Brasil.

O brasileiro Harold diz que Badaui o visita duas vezes por ano na Califórnia e que já experimentou vários de seus produtos. “A gente virou amigo. Ele é um ativista que representa muito nossa luta e eu acho lindo todos esses caras de peso desmistificando o uso da maconha. Eles demonstram que podem fumar e serem grandes profissionais. A manifestação pública dessas pessoas é um dos caminhos para a legalização no Brasil”, afirmou.

‘Amor’ pela erva

Harold nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, mas seus pais avaliaram que não teriam condições de criá-lo. Aos três meses de idade, o bebê foi adotado por americanos que viviam em Belo Horizonte e o batizaram com o nome do avô americano.

“Eu sempre fui um moleque doido, talvez pelo fato de ser adotado. Fui expulso de todas as escolas por onde passei em Belo Horizonte”, conta o brasileiro. Ele diz que ter se tornado uma referência na produção de maconha na Califórnia é a realização de seu maior sonho.

Todo esse amor pela maconha, conta Bamf, começou assim que experimentou a erva pela primeira vez, aos 16 anos.

“O problema foi que eu gostei demais, irmão. Um dia depois de sentir aquela sensação, comprei 25 gramas (suficiente para produzir até cerca de 50 baseados). Foi doido. A partir daquele dia, eu queria ver coisas sobre maconha o dia todo, queria experimentar a melhor maconha do mundo e fiquei na caça daquilo. Naquele mesmo ano, descobri o haxixe e pirei de vez”, conta o brasileiro aos risos.

Na época, ele passou a ter acesso e consumir grandes quantidades de haxixe trazido do Paraguai. Mas ele conta que sentia desgosto por consumir algo sujo e de procedência desconhecida. Seu sonho passou a ser produzir seu próprio concentrado, de alta pureza.

400 plantas no quintal

Sem se importar com as leis brasileiras, o adolescente passou a plantar maconha no quintal de casa, em 2002. E num volume capaz de atrair muita atenção.

 

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“Eu meti 400 plantas lá. Falei para a minha mãe que era ayahuasca porque era legal. Mas depois de certo tempo, uma amiga dela foi lá em casa e viu o cultivo. Eu estava na esperança de que não acontecesse nada, mas essa mulher colocou algumas folhas no bolso antes de ir embora. Dois dias depois, minha mãe descobriu que era maconha, ficou puta comigo e destruiu todas as plantas”, diz Harold.

Além de sustentar seu consumo diário da erva, o cultivo fornecia material para que fizesse seus primeiros testes. Na época, ele conta que passava o dia cuidando das plantas, estudando e discutindo novas técnicas para aumentar sua produção e fazer extratos de qualidade. Sua fonte era o site brasileiro Growroom, o maior fórum online sobre maconha da América Latina, com mais de 120 mil inscritos.

“O Growroom para mim era um portal da coisa mais secreta do mundo. Passava o dia ali como um louco, como se o fórum fosse um livro aberto na minha frente. Ali, foi com certeza minha primeira escola, a base de tudo que aprendi até hoje”, relata.

Depois de duas semanas sem falar com o filho por conta da plantação em seu quintal, sua mãe, Nilza Cozac, o chamou para dar uma bronca e ter uma conversa franca. Cozac, conta Harold, foi a primeira mulher a se formar em direito em Minas Gerais e tinha um profundo conhecimento sobre a legislação.

“Minha mãe já tinha mais de 60 anos, mas era muito cabeça aberta. Ela me alertou que uma plantação daquele tamanho era motivo para o governo querer tomar nossa casa, um dos poucos assuntos que despertavam atenção do governo e policiais. E disse que me presentearia com uma viagem de uma semana para Amsterdã, na Holanda, quando completasse 18 anos. Ela queria que eu conhecesse um lugar onde pudesse fumar maconha sem problemas”, conta.

Viagem para Amsterdã

A mãe cumpriu a promessa. E ele nunca mais voltou para o Brasil.

“Eu fiquei muito louco quando cheguei lá (em 2003). Parecia uma criança em loja de brinquedo. Fiquei matutando como eu poderia ficar na Holanda e passar a vender maconha por um preço 100 vezes melhor do que as pessoas no Brasil. Minha mãe ficou desesperada quando soube”.

Harold conta que morou durante um ano em um apartamento para refugiados africanos em Amsterdã, que alugava por 300 euros. Durante esse tempo, ele fez contatos e aprimorou seus conhecimentos sobre a erva.

“Eu me envolvi com pessoas que achava que tinham maconha e haxixe bom. Na Holanda, a maconha é apenas tolerada. Durante os cinco anos que fiquei no país, vi muita gente sendo presa, inclusive conhecidos. Logo começaram a me dizer que eu estava no lugar errado, que eu deveria ir para a Califórnia”, diz.

Depois de fazer uma série de pesquisas e assistir a vídeos no YouTube, ele decidiu se mudar para os Estados Unidos.

Primeiro, ele foi para Nova York, mas depois de um ano vivendo “num frio dos infernos” e presenciando uma forte repressão policial contra usuários de maconha, ele resolveu se mudar, em 2009, para Los Angeles, na Califórnia, onde vive até hoje.

“Eu mal cheguei e enlouqueci. Eu fiquei gritando na rua, literalmente, porque a cada esquina tinha loja para você comprar equipamentos. Você fica louco mesmo. Entrei na primeira que eu vi e fiquei conversando com o dono durante horas sem parar”, lembra Bamf com euforia.

Três dias depois de chegar à “meca” da maconha, Harold comprou uma luz especial – ideal para seis plantas – e começou a plantar a própria erva dentro de casa. Seis meses depois, tinha dez lâmpadas. Um ano depois, tinha 15.

Depois da longa experiência em Amsterdã, o jovem avaliou que o mercado na Califórnia tinha bons equipamentos, uma legislação muito favorável, mas ainda era pouco desenvolvido. Sua maior surpresa, porém, foi quando assistiu à uma edição da Cannabis Cup, a maior competição de maconha dos EUA, promovida pela revista High Times.

“Eu não acreditei que os caras vacilavam tanto. Num país de primeiro mundo, com ótimos equipamentos e maconha boa, eles poderiam fazer muito mais”, relata o brasileiro. Aquele era o incentivo que faltava para ele começar sua própria produção e buscar seu espaço no mercado.

Riscos para a saúde

O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador, há 30 anos, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da universidade, Dartiu Xavier, condena o uso de maconha por adolescentes, como fez Harold.

“Eu acho que ninguém deveria fumar antes dos 18. Alguns autores dizem a partir dos 21. O ponto mais preocupante é que a maconha pode desencadear uma psicose, quando o usuário sai da realidade. Caso ele tenha uma predisposição para isso, a maconha pode funcionar como um gatilho”, explicou.

Por outro lado, o médico afirma que no seu ponto de vista a regulamentação do uso da maconha diminuiria o consumo da erva no país e seria um avanço na área da saúde.

“Nos lugares onde existem políticas mais tolerantes ou legalização, como a Holanda ou Estados Unidos, as pessoas não fogem das informações. Há inclusive uma grande política de redução de riscos. No clima de proibicionismo como há aqui, ninguém tem informação. A Holanda, inclusive, é um dos poucos países onde o consumo de maconha vem caindo. Uma prova cabal de que a proibição do uso aumenta o consumo”, afirmou Xavier.

Entretanto, o coordenador do Projeto Antitabágico do Hospital Universitário da USP, João Paulo Lotufo, diz que qualquer relaxamento em relação ao consumo de maconha seria um erro.

“Nos Estados Unidos e no Uruguai, onde o uso é permitido, dobrou o número de dependentes. Se hoje há um surto psicótico a cada 100 pessoas, se libera, você dobra para 2. Vai subir o número de acidentes automobilísticos causados pelo uso da droga, sem contar que as lesões causadas pela maconha no cérebro são irreversíveis”, disse o médico.

BAMF GANHOU DEZ PRÊMIOS – OITO CONSECUTIVOS – DE MELHOR EXTRAÇÃO DE MACONHA PELA REVISTA MAIS IMPORTANTE SOBRE O ASSUNTO NOS EUA (FOTO: BBC)

Lotufo diz ainda que a maconha é mais cancerígena que o tabaco (com base em estudo publicado na revista European Respiratory Journal em 2008) e que os custos arrecadados com impostos em caso de regulamentação não seriam suficientes nem mesmo para bancar o aumento dos gastos com saúde.

“O imposto arrecadado com a venda de cigarros também não cobre a lesão que o tabaco provoca no sistema de saúde. Liberar o uso no Brasil seria um absurdo. Alguns falam na internet que a maconha é medicinal, mas não tem nada disso. O canabidiol (CBD) sim é medicinal, mas trata-se de um extrato que nada tem a ver com o uso recreativo”, afirmou o médico da USP.

Para ele, a pressão para a regulamentação do uso recreativo ocorre por uma forte pressão financeira, que ignora os riscos à saúde.

Técnica secreta

O primeiro passo de Harold Winston para entrar no mercado canábico foi convencer Nikka T, produtor do que muitos consideram o melhor haxixe vendido nos EUA na época, a ensiná-lo a fazer o produto. Haxixe é uma pasta densa feita da resina de maconha, fumada em bong, narguilé ou em cigarro- misturado com tabaco ou maconha.

“Fiquei enchendo o saco dele igual um fã durante seis meses, até que um dia ele resolveu me ensinar. Ele me convidou e eu fui até o Colorado para aprender a técnica e, na semana seguinte, eu já era o melhor hashmaker (produtor de haxixe) da Califórnia. Isso foi há nove anos, na mesma época que minha mãe morreu de câncer”, relata ele.

Ao contrário do haxixe vendido no Brasil, feito com restos de maconha de baixa qualidade, muitas vezes feito das sobras de resina que grudam na mão das pessoas que colhem a planta no Paraguai, o produto de Bamf passa por um complexo processo.

Assim que ele fez o primeiro haxixe usando uma técnica de extração à base de água, sem solventes, ele teve a certeza de que tinha condições de era algo inédito e quis colocar seu produto à prova num campeonato. Mas, para isso, era necessário ser dono de um dispensário. Apenas a loja Buds and Roses aceitou o pedido.

O produto de Bamf chamou a atenção logo no momento da inscrição por conta de sua cor clara – sinal de pureza – e por ser o único feito com água. A maioria dos concentrados, conta Harold, é feita com gás butano – o mesmo usado em isqueiros.

 

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Em meio a 40 competidores, o brasileiro ganhou seu primeiro seu primeiro troféu. No dia seguinte, ele viu sua popularidade disparar e seu produto se tornar uma referência num dos mercados mais exigentes do mundo. A demanda foi tão grande que ele conta ter ficado sete dias sem dormir fazendo haxixe sozinho em sua casa para dar conta de alguns pedidos.

Uma das encomendas foi feita pelo grupo americano de rap Cypress Hill. “Eles encostaram na minha casa com um caminhão cheio de maconha para eu fazer haxixe para eles. Perguntei se estavam loucos porque eu demoraria um ano para terminar aquilo sozinho. Uma semana após terminar o serviço, eles levaram outro caminhão cheio”, conta.

Pouco tempo depois, Harold fundou sua própria empresa, a Bamf, que aos poucos virou o nome com o que Harold passaria a ser conhecido no mercado canábico. O nome significa Badass Motherf***er e foi inspirado em uma cena do filme Pulp Fiction.

A Bamf começou a se tornar uma referência de qualidade na Califórnia. Ganhou oito Cannabis Cups consecutivas de melhor haxixe e passou a ser cultuado por usuários de maconha não só na Califórnia, mas ao redor do mundo.

“O campeonato não dá dinheiro, mas no momento que você sai do palco com o troféu, aparecem mais de 50 donos de lojas querendo comprar tudo o que você tem. Gente tirando maços de dinheiro e do bolso. Eu pensava que era até policial querendo me pegar”, conta.

A marca começou a virar moda. A Bamf passou a vender camisetas, souvenirs e sementes. No Instagram, a marca é elogiada por diversos consumidores – alguns, famosos – americanos e brasileiros. Mas o crescimento trouxe alguns problemas para Harold e ele sente medo dessa expansão.

“A Bamf me deixou muito satisfeito e ciumento. Hoje, tenho 35 funcionários, mas sinto medo de ampliar demais, crescer, e precisar entregar meu segredo para mais pessoas. Eu criei um monstro. Imagine criar um gorila dentro de um quarto. Uma hora você vai tomar um soco. Aconteceu isso comigo. Teve gente que veio, aprendeu e hoje criaram as coisas deles. Mas como eu comecei primeiro que todo mundo, ainda estou alguns passos à frente”, afirmou.

Mesmo assim, ele revelou à BBC News Brasil alguns “segredos” da estratégia para se obter um produto de alta pureza.

“O segredo maior é olhar para as flores da maconha como se ela fosse uma vaca. No momento em que você abate a vaca, ela deve estar em ambiente refrigerado para não degenerar. Quando você corta a maconha é a mesma coisa porque ela começa a morrer. Se você não mantiver ela refrigerada em uma hora para manter ela viva, a planta começa a secar e perde óleo”, afirmou.

Harold não deu mais detalhes, mas afirmou que mantém a planta congelada até o momento da extração, e que “o solvente e o produto devem ser mantidos em temperaturas negativas”.

Maconha no Brasil

Harold diz que sua empresa está em plena expansão e conta que acabou de comprar uma área de 2 hectares – equivalente a mais de dois campos de futebol – no Estado de Oregon apenas para plantar maconha rica em CBD, usado principalmente para a produção de remédio.

Essa cepa não tem THC, o princípio ativo da planta, que causa o “barato”. Ele diz que fará isso porque se sente na obrigação de se colocar em todos os setores do mundo canábico.

Harold se diz triste com a lei de drogas brasileira. Para ele, a legalização do cultivo, comércio e consumo da erva poderiam ser de grande ajuda à combalida economia do país.

“A salvação do Brasil é a maconha. É a única coisa que pode gerar milhares de empregos e trilhões de reais no mercado econômico de maneira imediata e o povo precisa entender isso. O país está perto da linha do Equador, tem um clima perfeito e terra abundante, emprego. Sem falar que a maconha é matéria-prima de 35 mil produtos diferentes, num ciclo de dois meses. Para quê cortar árvore? Eu amo o Brasil e estou doido para e poder trabalhar com o que eu gosto no meu país”, afirmou.

Ele pondera, por outro lado, que até mesmo o mercado americano ainda não é tão claro sobre o que pode ser feito.

“Eu mesmo fui preso há três anos. Aqui é legal, mas ao mesmo tempo não é. Fui parado por um policial e tinha 20 kg de maconha no carro. Eu tinha uma licença e disse que mostraria ao policial, mas ele disse que rasgaria o documento caso eu mostrasse. A sorte é que nos EUA você não é condenado até esgotar o processo. Depois de dois anos e meio, fui absolvido”, afirmou.

Na Califórnia, a venda da maconha recreativa é legal. Por outro lado, a erva continua classificada como um narcótico ilegal sob a lei federal americana.

“Há um conflito de leis federais e estaduais que cria uma zona cinzenta nos Estados Unidos. Há a legalização, mas por outro lado há uma grande dificuldade para conseguir as licenças e isso causa uma grande insegurança jurídica”, diz o advogado Ricardo Nemer.

Já no Brasil, ativistas dizem que o caminho mais provável para descriminalizar o uso da maconha e dar o primeiro passo rumo à legalização é o julgamento no STF de um processo que pode revogar o artigo 28 da Lei Antidrogas. Isso permitiria a posse de pequenas quantias e plantio da erva para consumo próprio.

Esse processo, parado desde 2015 após o ministro Teori Zavascki pedir vistas, está marcado para ser retomado no dia 5 de junho. A pausa ocorre porque, depois da morte de Zavascki, o caso foi para as mãos de Alexandre de Moraes.

No ponto de vista do músico Badaui, que diz ter visitado diversos países onde há regulamentação, tolerância ou descriminalização do uso da cannabis, diz que é apenas uma questão de tempo para que o mesmo ocorra no Brasil.

“Há dez anos, esse assunto era tratado como tabu. Hoje, todos sabem que esse consumo não vai parar e que não tem como seguir outro caminho a não ser o da legalização. Por mais conservador que seja o governo, o Brasil sempre seguiu o modelo americano. É hora de desmantelar o mercado negro e explorarmos economicamente a cannabis”, afirmou o músico.

Bamf também acha que a legalização da cannabis no Brasil não deve demorar. Ele diz que diversos setores da sociedade estão fazendo uma grande pressão no sentido de permitir o consumo e o comércio da erva, como ocorreu antes da legalização em países como Canadá e Uruguai.

“Chega uma hora em que a polícia não tem condições de ir atrás de quem planta e fuma. Os próprios policiais se questionam se eles devem ir atrás de político ladrão e grandes bandidos ou se vão ficar perdendo tempo indo atrás de usuário de maconha num país com tanto problema de verdade.”

Época Negócios, com BBC

 

 

Opinião dos leitores

  1. Isso é uma grande notícia, quando muitos chorão os seus filhos mortos pelas drogas aí vem essa grande materia ,isso sim é louvável!!!

    1. Eu ia comentar justamente isso. Mas pelo seu Nick vc deve estar sendo irônico. Já Eu, falo sério.

  2. Reportagem muito educativa, que esse doido fique por lá mesmo, aqui já temos muitas cracolândias.

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Polícia

Homem que confessou matar e enterrar menina de 7 anos em Natal tem prisão decretada

Foto: Reprodução

A Justiça decretou a prisão preventiva de José Alves Teixeira Sobrinho, suspeito de matar a menina Pétala Yonah Silva Nunes, de 7 anos, em Natal. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada nesta terça-feira (21), após a prisão em flagrante.

Segundo a Polícia Civil, o homem foi localizado na manhã de segunda-feira (20), conduzido para interrogatório e confessou o crime. O corpo da criança foi encontrado enterrado no quintal de um imóvel no bairro Planalto, na Zona Oeste da capital.

De acordo com as investigações, o caso é tratado como de extrema gravidade, o que levou o Ministério Público a pedir a conversão da prisão em flagrante para preventiva.

Na audiência, o MP apontou risco à sociedade e aos familiares da vítima, além de destacar a violência do crime. A Justiça acatou o pedido e manteve o suspeito preso. O órgão também citou elementos das investigações e outros registros que ainda devem ser analisados, reforçando a necessidade da prisão.

A Defensoria Pública informou, durante a audiência, que não apresentaria pedido de liberdade provisória naquele momento. Ao final da sessão, o suspeito fez um pedido ao juiz, que foi negado por não se tratar do momento processual adequado.

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Cidades

Feriado de Tiradentes tem 12 resgates e termina com morte por afogamento no litoral do RN

Foto: Divulgação 

O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte (CBMRN) encerrou a operação do feriado de Tiradentes com o registo de 12 resgates de banhistas em situação de afogamento. As intervenções ocorreram em pontos estratégicos do litoral potiguar, especificamente nas praias do Amor, Redinha, Santa Rita, Ponta Negra e Miami.

Apesar da pronta resposta das equipas de guarda-vidas, que evitou que a maioria das ocorrências terminasse em tragédia, o balanço do período foi marcado por uma fatalidade na Praia de Ponta Negra. Dois turistas da mesma família, pai e filho, foram vítimas de afogamento; o pai faleceu no local e o filho, embora socorrido e encaminhado ao hospital, não resistiu.

*Reforço na Prevenção*
Segundo o tenente Vidal, oficial de operações do CBMRN, durante todo o feriado prolongado, a corporação reforçou o efetivo nas praias de maior fluxo turístico, ampliando o monitoramento de áreas de risco e o trabalho de orientação direta aos banhistas. “O nosso foco é a prevenção, mas as nossas equipas estão preparadas para uma resposta imediata em caso de perigo. Infelizmente, em situações de mar adverso ou descumprimento de normas de segurança, tragédias podem ocorrer”, afirma o tenente.

*Orientações de Segurança*
Para garantir um lazer seguro, o CBMRN reitera as seguintes recomendações:
• Sinalização: Respeite rigorosamente as bandeiras e placas de aviso.
• Álcool: Evite entrar no mar após o consumo de bebidas alcoólicas, que reduzem os reflexos e a percepção de perigo.
• Supervisão: Procure sempre tomar banho de mar em áreas guarnecidas por postos de guarda-vidas.
• Correntes de Retorno: Caso seja apanhado por uma corrente, mantenha a calma e nade lateralmente (paralelo à praia), nunca contra a corrente.
Em caso de emergência, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado imediatamente através do número 193.

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Mundo

VÍDEO: Irã manda Trump “calar a boca” em vídeo de IA ironizando presidente dos EUA

A FARS, agência de notícias do Irã, publicou um vídeo gerado por IA satirizando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nas imagens, o líder americano espera uma resposta de Teerã sobre o cessar-fogo, e recebe um papel escrito “Trump, cale a boca”.

Por fim, no vídeo, o republicano declara que estenderá o prazo da trégua a pedido do Paquistão.

Na terça-feira (21), o presidente americano anunciou que estendeu novamente o prazo do cessar-fogo com o Irã até que o país apresente uma proposta para encerrar o conflito.

Veja:

Em publicação na plataforma Truth Social, o republicano anunciou que a medida foi um pedido do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e do Marechal Asim Munir.

Apesar da extensão do prazo, Donald Trump afirmou que ordenou que as Forças dos EUA a continuassem o bloqueio naval no Estreito de Ormuz e que “permanecessem prontas e aptas”.

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Geral

Torre de telecomunicações cai sobre casas em Extremoz e interdita imóveis

Foto: Reprodução

Uma torre de telecomunicações caiu sobre imóveis no bairro Moinho dos Ventos, em Extremoz, no final da manhã de terça-feira 21. Segundo a Defesa Civil do município, cinco casas foram interditadas.

De acordo com relato de um morador nas redes sociais, ele quase foi atingido pelos destroços do próprio imóvel após a queda da estrutura.

Ainda segundo o relato, o equipamento havia sido instalado recentemente em uma das casas da vizinhança.

A Brisanet confirmou, em nota, que o incidente ocorreu durante a etapa de montagem da torre.

“A Brisanet informa que, durante a etapa de montagem da estrutura de uma torre, ocorreu um incidente na cidade de Extremoz, no Rio Grande do Norte, na manhã desta terça-feira 21. A empresa já iniciou uma investigação interna para apurar as causas do ocorrido.”

“A companhia reitera que não houve feridos e está prestando total apoio e assistência aos moradores dos imóveis atingidos. No momento, as equipes trabalham na remoção da estrutura para garantir a segurança da área, seguindo as orientações da Defesa Civil.”

As equipes seguem atuando no local para retirada da estrutura e avaliação dos danos.

Agora RN

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Política

TENSÃO: Sabatina de indicado de Lula ao STF é adiada às pressas e votação fica por 1 voto; entenda

Foto: Agência Brasil

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado remarcou para a próxima semana a sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o STF. A votação ocorre em meio a um cenário apertado: o indicado tem 13 votos favoráveis e 8 contrários — faltando apenas um voto para alcançar a maioria na comissão.

A sabatina estava inicialmente prevista para o dia 29 de abril, mas foi antecipada após pedido do relator, o senador Weverton Rocha, diante do risco de falta de quórum na semana do feriado do Dia do Trabalho.

Segundo informações do Senado, a votação na CCJ é considerada decisiva, já que Messias precisa de maioria simples no colegiado para avançar. Caso seja aprovado, o nome segue no mesmo dia para o plenário.

No plenário, a votação é secreta e exige maioria absoluta — pelo menos 41 votos favoráveis — para confirmação da indicação ao STF.

Após eventual aprovação, o presidente do Senado comunica o resultado ao presidente da República, que formaliza a nomeação. A posse é então marcada pelo Supremo.

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Política

Governo Lula gasta R$ 350 milhões com navios na COP30; veja para onde foi o dinheiro

Foto: Reprodução

O governo do presidente Lula (PT) gastou pelo menos R$ 350,2 milhões para alugar navios usados como hospedagem durante a COP30, realizada em novembro de 2025, em Belém (PA). O valor consta em documento da Casa Civil enviado ao Congresso e obtido pela coluna.

De acordo com o documento, a contratação foi feita por meio da Embratur, que subcontratou a empresa Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda para operar os cruzeiros. A empresa, por sua vez, firmou contratos com as operadoras Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros.

Segundo a Casa Civil, o uso de navios foi adotado para suprir o déficit de leitos em Belém durante o evento internacional. O documento afirma que a medida buscou garantir a capacidade de hospedagem necessária para as delegações da conferência.

Como já revelado anteriormente pelo Metrópoles, a empresa contratada pertence ao empresário Marcelo Cohen, apontado como sócio do banqueiro Daniel Vorcaro em um hotel de luxo. Segundo informações da Folha de S. Paulo, há registros de movimentações financeiras entre empresas ligadas aos dois.

Em nota, a Embratur afirmou que a contratação ocorreu por chamamento público e seguiu critérios legais. A agência destacou que o processo foi auditado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que considerou o modelo regular e economicamente mais vantajoso. As empresas envolvidas também negam qualquer irregularidade.

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Política

[VÍDEO] Governo Lula aluga navios para COP30 via empresa ligada a sócio de Vorcaro

Imagens: Reprodução/Instagram/Metrópoles

O governo do presidente Lula (PT) contratou navios para hospedar delegações durante a COP30 por meio de uma empresa cujo dono é apontado como sócio do banqueiro Daniel Vorcaro em um hotel de luxo. A informação consta em documento da Casa Civil ao qual a coluna teve acesso e envolve a intermediação da Embratur na contratação, conforme o Metrópoles.

De acordo com o documento, a União contratou a Embratur, que subcontratou a empresa Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda para operar a hospedagem em cruzeiros durante o evento. A empresa, por sua vez, firmou contratos com armadoras como Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros.

Segundo informações, a Qualitours pertence ao empresário Marcelo Cohen, apontado como sócio de Vorcaro no hotel de luxo Botanique, em Campos do Jordão. A ligação empresarial também envolveria a holding BeFly, criada a partir de investimentos ligados ao Banco Master.

Ainda de acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, um relatório de inteligência financeira (RIF) indicou uma transação em espécie de R$ 6 milhões entre o banco de Vorcaro e empresa ligada a Cohen, em novembro de 2024.

Em nota oficial, a Embratur afirmou que a contratação ocorreu por meio de chamamento público e seguiu critérios legais. A agência destacou que o processo foi auditado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que considerou a contratação regular e mais vantajosa economicamente. As empresas envolvidas também afirmaram que não houve irregularidades.

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Política

URGENTE: com apoio de Hugo Motta, CCJ vota nesta quarta (22) fim da escala 6×1 e governo corre para acelerar proposta

Foto: Kayo Magalhães/Câmarados Deputados

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados vota nesta quarta-feira (22) o relatório da PEC que prevê o fim da escala 6×1. Com apoio do presidente da Casa, Hugo Motta, a proposta ganha força no Congresso, enquanto o governo também tenta acelerar um projeto alternativo para reduzir a jornada de trabalho. A medida pode impactar milhões de trabalhadores em todo o país.

De acordo com informações da Câmara, o relator Paulo Azi (União-BA) apresentou parecer favorável à admissibilidade da PEC 8/2025, que propõe a redução da jornada sem corte salarial. A votação havia sido adiada após pedido de vista e agora volta à pauta com expectativa de aprovação.

O texto reúne propostas que vão desde a jornada de 4 dias de trabalho por semana até um modelo intermediário. Segundo o relator, há indicação para que a discussão avance para uma escala de 5×2, com carga semanal de 40 horas, considerada mais viável politicamente.

Nos bastidores, segundo fontes, há uma disputa entre o Congresso e o governo sobre o formato ideal. Enquanto parlamentares articulam a aprovação da PEC, o Executivo enviou um projeto de lei com proposta semelhante, tentando acelerar a tramitação e manter protagonismo sobre o tema.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, tem pressionado para votar a proposta ainda em maio. A pauta ganhou força por seu apelo popular e pode ter impacto direto no cenário político, especialmente em um ano pré-eleitoral.

 

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Política

Flávio Bolsonaro chama cúpula da PF de “gestapo” e denuncia perseguição internacional

Foto: Reprodução

O pré-candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou a cúpula da Polícia Federal de agir como uma “gestapo”, em referência à polícia secreta da Alemanha nazista. Segundo ele, agentes estariam atuando “nas sombras” para perseguir opositores do governo até mesmo no exterior. A declaração ocorre em meio a um caso envolvendo um delegado brasileiro nos Estados Unidos, que elevou a tensão política.

A crítica foi publicada nas redes sociais do senador, onde ele afirma que integrantes da Polícia Federal estariam agindo de forma ilegal em países como Estados Unidos e Itália. Na postagem, ele cita perseguição política e diz que a corporação precisa ser “libertada”, segundo suas palavras.

A declaração ocorre após a repercussão de um caso envolvendo o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atua como oficial de ligação com autoridades americanas em Miami. De acordo com informações divulgadas, ele teria sido alvo de uma medida de expulsão por parte dos Estados Unidos.

Foto: Reprodução/X/Flávio BOlsonaro

Segundo aliados do deputado cassado Alexandre Ramagem, Carvalho teria tentado contornar um pedido de extradição relacionado ao ex-chefe da Abin. As informações são contestadas e ainda geram forte debate político.

Em nota divulgada por autoridades americanas, o governo dos Estados Unidos afirmou que nenhum estrangeiro pode usar o sistema de imigração para interferir em processos legais ou promover perseguições políticas em seu território, o que aumentou ainda mais a tensão envolvendo o caso.

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Saúde

URGENTE: Bolsonaro pede autorização ao STF para cirurgia após dores e limitação no ombro; decisão fica com Moraes

Foto: Reprodução

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou ao STF autorização para a realização de uma cirurgia no ombro direito após diagnóstico de lesões que provocam dor e limitação funcional. O pedido foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes nesta terça-feira (21), responsável pela decisão.

Segundo os advogados, o procedimento precisa ser realizado com urgência, podendo ocorrer já na próxima sexta-feira (24) ou sábado (25), com o objetivo de preservar a integridade física e a dignidade do ex-presidente.

De acordo com a defesa, Bolsonaro também deve passar por exames preparatórios e por todo o processo de reabilitação após a cirurgia. A autorização judicial é necessária devido às condições impostas pela decisão anterior do STF.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde o último dia 27, em Brasília, após decisão de Moraes que considerou problemas de saúde, incluindo um quadro de broncopneumonia bilateral.

Relatórios médicos enviados à Corte indicam melhora gradual no estado clínico, mas apontam que o ex-presidente ainda enfrenta dores, fadiga e limitações durante a recuperação.

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