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FOTOS: Brasileiro se muda para a Califórnia para plantar maconha, ganha dez copas de melhor haxixe e vira ídolo

HAROLD WINSTON, O BAMF, DEIXOU O BRASIL AOS 18 ANOS PARA VIAGEM DE UMA SEMANA EM AMSTERDÃ E NÃO VOLTOU MAIS (FOTO: MALACHI BANALES/ DIVULGAÇÃO)

Proibido no Brasil e seis vezes mais caro que o ouro. O cristal de poucos centímetros, levemente amarelado, quase transparente, é exposto em lojas especializadas em maconha da Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos, como uma joia.

Cada grama do extrato ultraconcentrado de maconha produzido pelo brasileiro Harold Winston, mais conhecido como Bamf, de 34 anos, pode custar até US$ 250 — o equivalente a cerca de R$ 1.000. A porção é suficiente para fazer dois cigarros — misturando com tabaco ou ervas – ou usar até cinco vezes num bong — purificador, geralmente feito de vidro, utilizado para fumar maconha.

Harold deixou o Brasil em 2003, há 16 anos, atraído pelo desejo de trabalhar com cannabis. Antes de deixar o país, ele tinha plantado 400 pés de maconha no quintal da casa onde vivia com a família em Belo Horizonte. A mãe dele descobriu, destruiu o plantio e pagou ao filho uma viagem para ele passar uma semana em Amsterdã, na Holanda. Ele nem chegou a pegar o voo de volta e, desde então, só visitou a terra natal em festas de fim de ano.

Nesse período, Harold viveu cinco anos na Holanda, ganhou 10 prêmios em competições de maconha nos Estados Unidos e se tornou uma das maiores referências do mundo canábico.

No Brasil, o plantio, a venda ou a doação de maconha são considerados tráfico de drogas, crime punido com penas de 5 a 15 anos de prisão, além de multas. Usar a erva é considerada apenas uma contravenção. Nesses casos, o usuário deve prestar serviços à comunidade e fazer um curso sobre os danos causados pelo uso de drogas.

O advogado Ricardo Nemer, da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas (Reforma) diz que muitas vezes a distinção entre usuário e traficante, feita principalmente pela Polícia Civil, é incerta e pode resultar em punições injustas.

“Depende do ‘achismo’ do delegado. Não há regra do que é pequena ou grande quantidade. Isso causa uma grande insegurança jurídica e enquadra diversos usuários como traficantes. Um exemplo são as pessoas que cultivam maconha para fazer extratos (como os produzidos por Bamf) e precisam de muitas plantas”, explica o advogado.

Mas o que há de tão especial na maconha concentrada?

“Você dá uma simples puxada e é como se você tivesse fumado uns dez baseados inteiros”, diz Fernando Badaui, de 43 anos, vocalista da banda CPM22. “Não tem nenhuma impureza. É como degustar um bom vinho. Quando você fuma uma maconha comum, tem o papel, folhas, galhos e tudo mais junto, fora a sujeira. Aquilo que o Bamf faz é o puro extrato de THC, o princípio ativo que causa a brisa. Eu já experimentei maconha em diversos países que visitei e digo que essa está entre as melhores do mundo.”

FERNANDO BADAUI (À ESQ.), VOCALISTA DA BANDA CPM22, VISITOU DIVERSAS VEZES O BRASILEIRO HAROLD WINSTON, NA CALIFÓRNIA (FOTO: FERNANDO BADAUI/ ARQUIVO PESSOAL)

Badaui é conhecido por ser um combativo ativista nas redes sociais pela liberação da maconha. No Instagram, por exemplo, ele faz constantes publicações para defender a descriminalização do uso e a regulamentação do plantio da erva no Brasil. Ele conta ter conversado com o skatista Bob Burnquist, outro assíduo defensor da cannabis.

“Falei pro Bob que a gente está junto nessa. A imagem dele é muito importante para mostrar que um atleta de elite pode usar maconha”, afirmou Badaui em entrevista à BBC News Brasil.

O brasileiro Harold diz que Badaui o visita duas vezes por ano na Califórnia e que já experimentou vários de seus produtos. “A gente virou amigo. Ele é um ativista que representa muito nossa luta e eu acho lindo todos esses caras de peso desmistificando o uso da maconha. Eles demonstram que podem fumar e serem grandes profissionais. A manifestação pública dessas pessoas é um dos caminhos para a legalização no Brasil”, afirmou.

‘Amor’ pela erva

Harold nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, mas seus pais avaliaram que não teriam condições de criá-lo. Aos três meses de idade, o bebê foi adotado por americanos que viviam em Belo Horizonte e o batizaram com o nome do avô americano.

“Eu sempre fui um moleque doido, talvez pelo fato de ser adotado. Fui expulso de todas as escolas por onde passei em Belo Horizonte”, conta o brasileiro. Ele diz que ter se tornado uma referência na produção de maconha na Califórnia é a realização de seu maior sonho.

Todo esse amor pela maconha, conta Bamf, começou assim que experimentou a erva pela primeira vez, aos 16 anos.

“O problema foi que eu gostei demais, irmão. Um dia depois de sentir aquela sensação, comprei 25 gramas (suficiente para produzir até cerca de 50 baseados). Foi doido. A partir daquele dia, eu queria ver coisas sobre maconha o dia todo, queria experimentar a melhor maconha do mundo e fiquei na caça daquilo. Naquele mesmo ano, descobri o haxixe e pirei de vez”, conta o brasileiro aos risos.

Na época, ele passou a ter acesso e consumir grandes quantidades de haxixe trazido do Paraguai. Mas ele conta que sentia desgosto por consumir algo sujo e de procedência desconhecida. Seu sonho passou a ser produzir seu próprio concentrado, de alta pureza.

400 plantas no quintal

Sem se importar com as leis brasileiras, o adolescente passou a plantar maconha no quintal de casa, em 2002. E num volume capaz de atrair muita atenção.

 

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“Eu meti 400 plantas lá. Falei para a minha mãe que era ayahuasca porque era legal. Mas depois de certo tempo, uma amiga dela foi lá em casa e viu o cultivo. Eu estava na esperança de que não acontecesse nada, mas essa mulher colocou algumas folhas no bolso antes de ir embora. Dois dias depois, minha mãe descobriu que era maconha, ficou puta comigo e destruiu todas as plantas”, diz Harold.

Além de sustentar seu consumo diário da erva, o cultivo fornecia material para que fizesse seus primeiros testes. Na época, ele conta que passava o dia cuidando das plantas, estudando e discutindo novas técnicas para aumentar sua produção e fazer extratos de qualidade. Sua fonte era o site brasileiro Growroom, o maior fórum online sobre maconha da América Latina, com mais de 120 mil inscritos.

“O Growroom para mim era um portal da coisa mais secreta do mundo. Passava o dia ali como um louco, como se o fórum fosse um livro aberto na minha frente. Ali, foi com certeza minha primeira escola, a base de tudo que aprendi até hoje”, relata.

Depois de duas semanas sem falar com o filho por conta da plantação em seu quintal, sua mãe, Nilza Cozac, o chamou para dar uma bronca e ter uma conversa franca. Cozac, conta Harold, foi a primeira mulher a se formar em direito em Minas Gerais e tinha um profundo conhecimento sobre a legislação.

“Minha mãe já tinha mais de 60 anos, mas era muito cabeça aberta. Ela me alertou que uma plantação daquele tamanho era motivo para o governo querer tomar nossa casa, um dos poucos assuntos que despertavam atenção do governo e policiais. E disse que me presentearia com uma viagem de uma semana para Amsterdã, na Holanda, quando completasse 18 anos. Ela queria que eu conhecesse um lugar onde pudesse fumar maconha sem problemas”, conta.

Viagem para Amsterdã

A mãe cumpriu a promessa. E ele nunca mais voltou para o Brasil.

“Eu fiquei muito louco quando cheguei lá (em 2003). Parecia uma criança em loja de brinquedo. Fiquei matutando como eu poderia ficar na Holanda e passar a vender maconha por um preço 100 vezes melhor do que as pessoas no Brasil. Minha mãe ficou desesperada quando soube”.

Harold conta que morou durante um ano em um apartamento para refugiados africanos em Amsterdã, que alugava por 300 euros. Durante esse tempo, ele fez contatos e aprimorou seus conhecimentos sobre a erva.

“Eu me envolvi com pessoas que achava que tinham maconha e haxixe bom. Na Holanda, a maconha é apenas tolerada. Durante os cinco anos que fiquei no país, vi muita gente sendo presa, inclusive conhecidos. Logo começaram a me dizer que eu estava no lugar errado, que eu deveria ir para a Califórnia”, diz.

Depois de fazer uma série de pesquisas e assistir a vídeos no YouTube, ele decidiu se mudar para os Estados Unidos.

Primeiro, ele foi para Nova York, mas depois de um ano vivendo “num frio dos infernos” e presenciando uma forte repressão policial contra usuários de maconha, ele resolveu se mudar, em 2009, para Los Angeles, na Califórnia, onde vive até hoje.

“Eu mal cheguei e enlouqueci. Eu fiquei gritando na rua, literalmente, porque a cada esquina tinha loja para você comprar equipamentos. Você fica louco mesmo. Entrei na primeira que eu vi e fiquei conversando com o dono durante horas sem parar”, lembra Bamf com euforia.

Três dias depois de chegar à “meca” da maconha, Harold comprou uma luz especial – ideal para seis plantas – e começou a plantar a própria erva dentro de casa. Seis meses depois, tinha dez lâmpadas. Um ano depois, tinha 15.

Depois da longa experiência em Amsterdã, o jovem avaliou que o mercado na Califórnia tinha bons equipamentos, uma legislação muito favorável, mas ainda era pouco desenvolvido. Sua maior surpresa, porém, foi quando assistiu à uma edição da Cannabis Cup, a maior competição de maconha dos EUA, promovida pela revista High Times.

“Eu não acreditei que os caras vacilavam tanto. Num país de primeiro mundo, com ótimos equipamentos e maconha boa, eles poderiam fazer muito mais”, relata o brasileiro. Aquele era o incentivo que faltava para ele começar sua própria produção e buscar seu espaço no mercado.

Riscos para a saúde

O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador, há 30 anos, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da universidade, Dartiu Xavier, condena o uso de maconha por adolescentes, como fez Harold.

“Eu acho que ninguém deveria fumar antes dos 18. Alguns autores dizem a partir dos 21. O ponto mais preocupante é que a maconha pode desencadear uma psicose, quando o usuário sai da realidade. Caso ele tenha uma predisposição para isso, a maconha pode funcionar como um gatilho”, explicou.

Por outro lado, o médico afirma que no seu ponto de vista a regulamentação do uso da maconha diminuiria o consumo da erva no país e seria um avanço na área da saúde.

“Nos lugares onde existem políticas mais tolerantes ou legalização, como a Holanda ou Estados Unidos, as pessoas não fogem das informações. Há inclusive uma grande política de redução de riscos. No clima de proibicionismo como há aqui, ninguém tem informação. A Holanda, inclusive, é um dos poucos países onde o consumo de maconha vem caindo. Uma prova cabal de que a proibição do uso aumenta o consumo”, afirmou Xavier.

Entretanto, o coordenador do Projeto Antitabágico do Hospital Universitário da USP, João Paulo Lotufo, diz que qualquer relaxamento em relação ao consumo de maconha seria um erro.

“Nos Estados Unidos e no Uruguai, onde o uso é permitido, dobrou o número de dependentes. Se hoje há um surto psicótico a cada 100 pessoas, se libera, você dobra para 2. Vai subir o número de acidentes automobilísticos causados pelo uso da droga, sem contar que as lesões causadas pela maconha no cérebro são irreversíveis”, disse o médico.

BAMF GANHOU DEZ PRÊMIOS – OITO CONSECUTIVOS – DE MELHOR EXTRAÇÃO DE MACONHA PELA REVISTA MAIS IMPORTANTE SOBRE O ASSUNTO NOS EUA (FOTO: BBC)

Lotufo diz ainda que a maconha é mais cancerígena que o tabaco (com base em estudo publicado na revista European Respiratory Journal em 2008) e que os custos arrecadados com impostos em caso de regulamentação não seriam suficientes nem mesmo para bancar o aumento dos gastos com saúde.

“O imposto arrecadado com a venda de cigarros também não cobre a lesão que o tabaco provoca no sistema de saúde. Liberar o uso no Brasil seria um absurdo. Alguns falam na internet que a maconha é medicinal, mas não tem nada disso. O canabidiol (CBD) sim é medicinal, mas trata-se de um extrato que nada tem a ver com o uso recreativo”, afirmou o médico da USP.

Para ele, a pressão para a regulamentação do uso recreativo ocorre por uma forte pressão financeira, que ignora os riscos à saúde.

Técnica secreta

O primeiro passo de Harold Winston para entrar no mercado canábico foi convencer Nikka T, produtor do que muitos consideram o melhor haxixe vendido nos EUA na época, a ensiná-lo a fazer o produto. Haxixe é uma pasta densa feita da resina de maconha, fumada em bong, narguilé ou em cigarro- misturado com tabaco ou maconha.

“Fiquei enchendo o saco dele igual um fã durante seis meses, até que um dia ele resolveu me ensinar. Ele me convidou e eu fui até o Colorado para aprender a técnica e, na semana seguinte, eu já era o melhor hashmaker (produtor de haxixe) da Califórnia. Isso foi há nove anos, na mesma época que minha mãe morreu de câncer”, relata ele.

Ao contrário do haxixe vendido no Brasil, feito com restos de maconha de baixa qualidade, muitas vezes feito das sobras de resina que grudam na mão das pessoas que colhem a planta no Paraguai, o produto de Bamf passa por um complexo processo.

Assim que ele fez o primeiro haxixe usando uma técnica de extração à base de água, sem solventes, ele teve a certeza de que tinha condições de era algo inédito e quis colocar seu produto à prova num campeonato. Mas, para isso, era necessário ser dono de um dispensário. Apenas a loja Buds and Roses aceitou o pedido.

O produto de Bamf chamou a atenção logo no momento da inscrição por conta de sua cor clara – sinal de pureza – e por ser o único feito com água. A maioria dos concentrados, conta Harold, é feita com gás butano – o mesmo usado em isqueiros.

 

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Em meio a 40 competidores, o brasileiro ganhou seu primeiro seu primeiro troféu. No dia seguinte, ele viu sua popularidade disparar e seu produto se tornar uma referência num dos mercados mais exigentes do mundo. A demanda foi tão grande que ele conta ter ficado sete dias sem dormir fazendo haxixe sozinho em sua casa para dar conta de alguns pedidos.

Uma das encomendas foi feita pelo grupo americano de rap Cypress Hill. “Eles encostaram na minha casa com um caminhão cheio de maconha para eu fazer haxixe para eles. Perguntei se estavam loucos porque eu demoraria um ano para terminar aquilo sozinho. Uma semana após terminar o serviço, eles levaram outro caminhão cheio”, conta.

Pouco tempo depois, Harold fundou sua própria empresa, a Bamf, que aos poucos virou o nome com o que Harold passaria a ser conhecido no mercado canábico. O nome significa Badass Motherf***er e foi inspirado em uma cena do filme Pulp Fiction.

A Bamf começou a se tornar uma referência de qualidade na Califórnia. Ganhou oito Cannabis Cups consecutivas de melhor haxixe e passou a ser cultuado por usuários de maconha não só na Califórnia, mas ao redor do mundo.

“O campeonato não dá dinheiro, mas no momento que você sai do palco com o troféu, aparecem mais de 50 donos de lojas querendo comprar tudo o que você tem. Gente tirando maços de dinheiro e do bolso. Eu pensava que era até policial querendo me pegar”, conta.

A marca começou a virar moda. A Bamf passou a vender camisetas, souvenirs e sementes. No Instagram, a marca é elogiada por diversos consumidores – alguns, famosos – americanos e brasileiros. Mas o crescimento trouxe alguns problemas para Harold e ele sente medo dessa expansão.

“A Bamf me deixou muito satisfeito e ciumento. Hoje, tenho 35 funcionários, mas sinto medo de ampliar demais, crescer, e precisar entregar meu segredo para mais pessoas. Eu criei um monstro. Imagine criar um gorila dentro de um quarto. Uma hora você vai tomar um soco. Aconteceu isso comigo. Teve gente que veio, aprendeu e hoje criaram as coisas deles. Mas como eu comecei primeiro que todo mundo, ainda estou alguns passos à frente”, afirmou.

Mesmo assim, ele revelou à BBC News Brasil alguns “segredos” da estratégia para se obter um produto de alta pureza.

“O segredo maior é olhar para as flores da maconha como se ela fosse uma vaca. No momento em que você abate a vaca, ela deve estar em ambiente refrigerado para não degenerar. Quando você corta a maconha é a mesma coisa porque ela começa a morrer. Se você não mantiver ela refrigerada em uma hora para manter ela viva, a planta começa a secar e perde óleo”, afirmou.

Harold não deu mais detalhes, mas afirmou que mantém a planta congelada até o momento da extração, e que “o solvente e o produto devem ser mantidos em temperaturas negativas”.

Maconha no Brasil

Harold diz que sua empresa está em plena expansão e conta que acabou de comprar uma área de 2 hectares – equivalente a mais de dois campos de futebol – no Estado de Oregon apenas para plantar maconha rica em CBD, usado principalmente para a produção de remédio.

Essa cepa não tem THC, o princípio ativo da planta, que causa o “barato”. Ele diz que fará isso porque se sente na obrigação de se colocar em todos os setores do mundo canábico.

Harold se diz triste com a lei de drogas brasileira. Para ele, a legalização do cultivo, comércio e consumo da erva poderiam ser de grande ajuda à combalida economia do país.

“A salvação do Brasil é a maconha. É a única coisa que pode gerar milhares de empregos e trilhões de reais no mercado econômico de maneira imediata e o povo precisa entender isso. O país está perto da linha do Equador, tem um clima perfeito e terra abundante, emprego. Sem falar que a maconha é matéria-prima de 35 mil produtos diferentes, num ciclo de dois meses. Para quê cortar árvore? Eu amo o Brasil e estou doido para e poder trabalhar com o que eu gosto no meu país”, afirmou.

Ele pondera, por outro lado, que até mesmo o mercado americano ainda não é tão claro sobre o que pode ser feito.

“Eu mesmo fui preso há três anos. Aqui é legal, mas ao mesmo tempo não é. Fui parado por um policial e tinha 20 kg de maconha no carro. Eu tinha uma licença e disse que mostraria ao policial, mas ele disse que rasgaria o documento caso eu mostrasse. A sorte é que nos EUA você não é condenado até esgotar o processo. Depois de dois anos e meio, fui absolvido”, afirmou.

Na Califórnia, a venda da maconha recreativa é legal. Por outro lado, a erva continua classificada como um narcótico ilegal sob a lei federal americana.

“Há um conflito de leis federais e estaduais que cria uma zona cinzenta nos Estados Unidos. Há a legalização, mas por outro lado há uma grande dificuldade para conseguir as licenças e isso causa uma grande insegurança jurídica”, diz o advogado Ricardo Nemer.

Já no Brasil, ativistas dizem que o caminho mais provável para descriminalizar o uso da maconha e dar o primeiro passo rumo à legalização é o julgamento no STF de um processo que pode revogar o artigo 28 da Lei Antidrogas. Isso permitiria a posse de pequenas quantias e plantio da erva para consumo próprio.

Esse processo, parado desde 2015 após o ministro Teori Zavascki pedir vistas, está marcado para ser retomado no dia 5 de junho. A pausa ocorre porque, depois da morte de Zavascki, o caso foi para as mãos de Alexandre de Moraes.

No ponto de vista do músico Badaui, que diz ter visitado diversos países onde há regulamentação, tolerância ou descriminalização do uso da cannabis, diz que é apenas uma questão de tempo para que o mesmo ocorra no Brasil.

“Há dez anos, esse assunto era tratado como tabu. Hoje, todos sabem que esse consumo não vai parar e que não tem como seguir outro caminho a não ser o da legalização. Por mais conservador que seja o governo, o Brasil sempre seguiu o modelo americano. É hora de desmantelar o mercado negro e explorarmos economicamente a cannabis”, afirmou o músico.

Bamf também acha que a legalização da cannabis no Brasil não deve demorar. Ele diz que diversos setores da sociedade estão fazendo uma grande pressão no sentido de permitir o consumo e o comércio da erva, como ocorreu antes da legalização em países como Canadá e Uruguai.

“Chega uma hora em que a polícia não tem condições de ir atrás de quem planta e fuma. Os próprios policiais se questionam se eles devem ir atrás de político ladrão e grandes bandidos ou se vão ficar perdendo tempo indo atrás de usuário de maconha num país com tanto problema de verdade.”

Época Negócios, com BBC

 

 

Opinião dos leitores

  1. Isso é uma grande notícia, quando muitos chorão os seus filhos mortos pelas drogas aí vem essa grande materia ,isso sim é louvável!!!

    1. Eu ia comentar justamente isso. Mas pelo seu Nick vc deve estar sendo irônico. Já Eu, falo sério.

  2. Reportagem muito educativa, que esse doido fique por lá mesmo, aqui já temos muitas cracolândias.

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Política

Eriko Jácome renuncia à presidência da FECAM em razão de sua pré-candidatura a deputado estadual

Foto: Divulgação

O presidente da Federação das Câmaras Municipais do Rio Grande do Norte (FECAM/RN), Eriko Jácome, formalizou sua renúncia ao cargo nesta quarta-feira (25). A decisão ocorre em razão do ano eleitoral e da necessidade de desincompatibilização para disputar as eleições deste ano.

À frente da entidade por pouco mais de um ano, Eriko Jácome comunicou a saída durante solenidade que reuniu presidentes de Câmaras Municipais de diversas regiões do Estado. Segundo ele, a medida foi tomada com responsabilidade institucional e respeito às normas eleitorais, garantindo a continuidade administrativa da Federação sem prejuízos às atividades em andamento.

Em pronunciamento, o agora ex-presidente destacou que a decisão foi construída com diálogo e planejamento, visando preservar a estabilidade da instituição. “A FECAM é maior que qualquer gestão. Cumpro essa etapa com a consciência tranquila de quem trabalhou pelo fortalecimento do Legislativo municipal e respeito às regras do processo democrático”, afirmou.

Durante sua gestão, a Federação ampliou a oferta de capacitações para Câmaras do interior, fortaleceu a consultoria legislativa e jurídica às Casas filiadas e promoveu seminários regionais voltados ao aprimoramento da atividade parlamentar. A entidade também consolidou parcerias institucionais voltadas a ações sociais e de qualificação técnica.

Com a renúncia, a condução da FECAM/RN passa a seguir o que determina o estatuto da instituição, assegurando a continuidade das ações administrativas e dos projetos em andamento.

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Saúde

No RN, histórias como a de Sara Andrade e Tony Gomes começam no DNA Fértil

Foto: Divulgação

Há quase 30 anos, a clínica é referência em reprodução assistida em Natal (RN), unindo ciência, ética médica e cuidado individualizado para transformar sonhos em famílias reais.

Com tratamentos como Fertilização in Vitro (FIV), inseminação artificial e congelamento de óvulos e embriões, o DNA Fértil já ajudou a trazer ao mundo mais de 1.000 bebês, sempre com acompanhamento humanizado e protocolos personalizados para cada paciente.

E é assim que a história de um casal tão especial ganha novos capítulos. Um sonho cultivado em silêncio, fortalecido pela esperança e sustentado pela confiança na medicina. O sonho da maternidade deixa de ser apenas um desejo distante e passa a ser conduzido com responsabilidade, acolhimento e compromisso genuíno com a vida.

Porque cada família tem seu tempo, sua trajetória e sua própria forma de começar.

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Política

Flávio Bolsonaro vem ao RN para lançar chapa de Álvaro Dias ao Governo do Estado

Foto: Reprodução

O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) estará no RN no fim de março para participar do ato que marcará o lançamento da chapa do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) ao Governo do Estado.

O nome escolhido para vice é o presidente da Federação dos Municípios do RN, Babá Pereira (PL). A informação foi antecipada pelo comentarista Saulo Spinelly, da 98 FM Natal, nesta quarta-feira (25).

O presidente do PL no RN, senador Rogério Marinho, que coordena a campanha eleitoral de Flávio à Presidência da República a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro, atua também na articulação política em torno da pré-candidatura de Álvaro. A expectativa é que o ato marque também a filiação de Álvaro ao PL, partido de Flávio e Babá.

Nas redes sociais, Álvaro destacou encontros com prefeitos e presidentes de Câmaras Municipais de municípios. Ao lado de Babá, ele afirmou que o foco tem sido o diálogo, os desafios das prefeituras e a construção de caminhos para fortalecer o RN, sinalizando que a disputa de 2026 já está em curso.

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Geral

Em menos de dois meses em 2026, RN já registrou 128 prisões por embriaguez ao volante; 24% do total de 2025

Foto: divulgação/CPRE

A fiscalização nas vias de Natal e da Região Metropolitana já resultou em 128 prisões por embriaguez ao volante nos primeiros meses de 2026. Os dados são do Comando de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE).

As prisões foram registradas no âmbito da Operação Zero Álcool, conduzida pelo Batalhão Rodoviário, e equivalem a 24% de todas as autuações criminais realizadas ao longo de 2025, ano que marcou o maior número de prisões da última década no Rio Grande do Norte.

O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (25) pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte, mostra que o volume já alcançado ainda em fevereiro evidencia a continuidade das ações ostensivas e o rigor na aplicação da lei.

O crime de embriaguez ao volante prevê pena de seis meses a três anos de detenção, além de multa e suspensão do direito de dirigir. As autoridades alertam que a condução sob efeito de álcool representa risco grave para todos os usuários das vias.

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Geral

QFC SAF realiza visita técnica ao Flamengo para intercâmbio de gestão e excelência no Ninho do Urubu

Comitiva potiguar reuniu-se com lideranças das áreas de scout, mercado e categorias de base do clube carioca para fortalecer processos internos e buscar referências de alto rendimento | Foto: Divulgação/QFC

A diretoria do QFC SAF cumpriu uma agenda estratégica no Rio de Janeiro com uma visita técnica detalhada às instalações do Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo. O encontro ocorreu nesta quarta-feira (25) e teve como objetivo a troca de experiências sobre modelos de gestão esportiva, infraestrutura e metodologias de formação de atletas. Representando o QFC, participaram o presidente Mayfran Ribeiro, o diretor de relações institucionais João Bastos e o gerente da base Márcio Tavares, que foram recebidos por nomes-chave da estrutura rubro-negra: Ricardo Perlingero (gerente de scout), Leonam Kasali (gerente de mercado) e Alfredo Almeida (Diretor da base).

Para o presidente do QFC SAF, a imersão em um dos centros de excelência mais modernos do continente é um passo fundamental para a consolidação do projeto do clube potiguar. “Nossa intenção com essa visita ao Flamengo é absorver o que há de melhor em processos de scout e formação. Estamos construindo um QFC como um clube sólido e moderno, e entender de perto como uma referência mundial opera sua captação e o desenvolvimento de talentos nos dá diretrizes valiosas para aplicarmos em nossa realidade, sempre com o foco na profissionalização máxima do nosso futebol”, afirmou Mayfran Ferreira.

O intercâmbio técnico permitiu uma análise profunda sobre o funcionamento dos departamentos de inteligência e mercado, pilares onde o Flamengo detém protagonismo internacional. Durante a agenda, João Bastos e Márcio Tavares puderam discutir fluxos de trabalho e integração entre a base e o profissional, estabelecendo pontes institucionais importantes. A iniciativa reforça o compromisso do QFC SAF em investir em conhecimento e em parcerias estratégicas para elevar o patamar competitivo do clube potiguar no cenário nacional.

 

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Geral

Justiça do RN aplica Lei Maria da Penha e concede medida protetiva a homem agredido pelo companheiro

Foto: Freepik

Um homem vítima de agressões do então companheiro conseguiu na Justiça uma medida protetiva com base na Lei Maria da Penha, mesmo se tratando de uma relação homoafetiva. A decisão foi tomada pela 2ª Vara da Comarca de Assú.

De acordo com o processo, o casal mantinha um relacionamento de cerca de quatro anos e vivia sob o mesmo teto. Em março do ano passado, a vítima registrou boletim de ocorrência relatando agressões físicas, incluindo socos no rosto e na cabeça. Segundo o relato, mesmo após cair no chão, continuou sendo atacada até que populares intervieram. O exame de corpo de delito confirmou trauma na região do nariz e lesão superficial na mão.

O pedido de proteção foi apresentado pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte, que defendeu a aplicação da lei ao caso. O magistrado destacou que a norma abrange situações de violência em relações íntimas de afeto, independentemente do gênero das partes envolvidas.

A decisão também citou entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual a Lei Maria da Penha pode ser aplicada em relações homoafetivas quando houver comprovação de vulnerabilidade.

Para o juiz, as provas apontam agressão física reiterada e desequilíbrio de força entre as partes, o que justifica a concessão da medida protetiva e o processamento do caso na Vara competente.

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Geral

[VÍDEO] IMAGENS FORTES: Vereadora na Grande SP atropela namorado após ser espancada por ele

Vereadora denuncia agressão — Foto: ReproduçãoImagem: reprodução

A vereadora Aline Santos (MDB), de 36 anos, relatou ter sido agredida com socos e chutes pelo namorado, Bruno Marcelo Araujo de Souza, na manhã do dia 25 de dezembro do ano passado, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. Depois da agressão, a parlamentar atropelou o homem com seu carro.

Assista:

De acordo com o boletim de ocorrência, o caso ocorreu por volta das 5h, na Estrada de Itapecerica Campo Limpo. Aline contou que o casal saiu para andar de moto, mas, em determinado momento, Bruno parou o veículo e a deixou sozinha na via pública.

Ao retornar, ele teria iniciado as agressões após ser questionado pela vereadora sobre o motivo de tê-la deixado no local. Segundo o BO, a vítima sofreu lesões no nariz e na face, além de escoriações nos braços e nas pernas.

Após as agressões, Aline disse que entrou em seu veículo para deixar o local e que, nesse momento, Bruno teria parado a motocicleta em frente ao carro, momento em que ela teria arrancado em direção ao homem.

  • A gravação mostra que o motociclista vinha em um sentido, em velocidade constante;
  • Segundos depois, é possível ver o carro de Aline na direção contrária;
  • Nesse momento, o veículo é jogado em direção ao homem, que rola no capô e cai no asfalto;
  • Em seguida, a vereadora passa com o carro por cima da moto, que estava sobre ele.

Ainda segundo o depoimento de Aline à Polícia Civil, Bruno teria fugido levando o celular da parlamentar e, de posse do aparelho, teria passado a enviar mensagens para a assessoria da vereadora, afirmando que mataria Aline “caso ela registre ocorrência contra ela”.

Na gravação, é possível ver que, depois do atropelamento, o homem fica jogado no chão sem conseguir levantar. O caso foi registrado na Delegacia de Embu das Artes como lesão corporal, ameaça e violência doméstica, com base na Lei Maria da Penha.

Com informações de g1 e Metrópoles

Opinião dos leitores

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Geral

Gestão Nilda convoca professores temporários e acelera avanços na educação em Parnamirim

As salas de aula da rede pública municipal de Parnamirim estão ganhando reforço. Nesta quarta-feira (25), a gestão Nilda anunciou a convocação de 50 professores temporários que atuarão nas unidades de ensino municipais, ministrando aulas para turmas de ensino infantil e fundamental. A lista completa com os selecionados pode ser conferida na edição de hoje do Diário Oficial: https://diariooficial.parnamirim.rn.gov.br/#/ .

Para a chefe do poder executivo municipal, fortalecer o quadro de professores é garantir qualidade dentro da sala de aula e mais oportunidades para os estudantes: “Nossa prioridade é cuidar das pessoas e isso começa pela educação. Estamos investindo em estrutura, em profissionais e em condições reais de aprendizagem, porque acreditamos que é a educação que transforma vidas e move Parnamirim para frente”, destacou Nilda.

Os profissionais chamados precisam comparecer à Secretaria Municipal de Educação (Av. João XXIII, 704, Cohabinal, térreo) no dia 26/02/2026, das 8h às 15h, e no dia 27/02/2026, das 8h às 11h, para entrega da documentação obrigatória e encaminhamento às escolas. A apresentação dos documentos originais e uma cópia de cada item é indispensável para a efetivação.

A convocação integra um conjunto mais amplo de ações que colocam a educação no centro das prioridades políticas da atual gestão. Além do reforço no quadro de professores, a gestão Nilda vem investindo fortemente em infraestrutura escolar: seis unidades de ensino já foram reformadas e entregues, enquanto outras vinte passam por serviços de manutenção, melhorando o ambiente de aprendizagem para alunos e profissionais.

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Geral

Desembargador que absolveu homem de 35 anos por estupro de menina de 12 anos volta atrás e decide por condenação

Foto: Divulgação/Juarez Rodrigues/TJMG

O desembargador Magid Nauef Láuar, da 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, restabeleceu nesta quarta-feira (25) a condenação de um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos, em Indianópolis.

A decisão acolheu recurso do Ministério Público de Minas Gerais e restaurou a sentença de primeira instância, que havia condenado o réu em novembro de 2025. O homem foi preso em flagrante em abril de 2024 e admitiu manter relações sexuais com a vítima, que havia abandonado a escola e morava com ele.

Na nova decisão, tomada de forma monocrática, o magistrado determinou a expedição imediata de mandado de prisão contra o acusado e também contra a mãe da menina, apontada como responsável por autorizar o relacionamento.

A retomada da condenação ocorre após forte repercussão negativa da decisão anterior, na qual o desembargador havia absolvido o réu sob o argumento de existir “vínculo afetivo consensual” entre ele e a menor.

Acusações de abuso sexual contra o desembargador

Paralelamente, Magid Nauef Láuar passou a ser investigado pela Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça após denúncias de abuso sexual. Duas pessoas foram ouvidas pelo CNJ, incluindo um servidor público que afirma ter sido vítima do magistrado na adolescência. Outra mulher também relatou abuso e prestou depoimento.

O TJMG informou que instaurou procedimento administrativo para apurar eventual falta funcional do desembargador.

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Geral

STF condena por unanimidade irmãos Brazão como mandantes do assassinato de Marielle

Foto: Alerj

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, votou para condenar os irmãos Brazão por mandar matar a vereadora e seu motorista. Os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino acompanharam o voto do relator na íntegra.

Além de Domingos e Chiquinho Brazão, outros três réus respondem no processo:

  • Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio;
  • Ronald Paulo de Alves Pereira, major da PM;
  • Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos no TCE-RJ.

Na análise de Moraes, Ronald Pereira também deve ser condenado pelos homicídios. Já Robson Fonseca, por participação na organização criminosa, e Rivaldo Barbosa, por obstrução à Justiça e corrupção passiva.

Em sua fala, Moraes frisou a relação dos assassinatos com a questão das milícias no estado do Rio de Janeiro e apresentou argumentos para comprovar a relação dos irmãos Brazão com os criminosos da região desde o início dos anos 2000.

“A instrução processual, ao meu ver, comprovou a real interação da família Brazão com os chamados grupos milicianos notadamente das regiões de Jacuarepaguá, Largo do Tanque, Gardênia Azul, Oswaldo Cruz e arredores. Domingos Brazão, originário de Jacarepaguá inclusive fez dessa região, e depois seu irmão também, seu principal reduto eleitoral”, disse Moraes.

O ministro apresentou, inclusive, uma imagem de Domingos Brazão acompanhado do miliciano condenado Fininho, na região de Rio das Pedras, durante campanha eleitoral.

Mortes na democracia

Durante o julgamento, Moraes relacionou a morte da vereadora, em 2018, à infiltração criminosa nos parlamentos.

“A questão das mortes na democracia vem sendo muito estudada. Em recente estudo, de janeiro de 2026, é citado o número de crimes políticos com a infiltração do crime organizado nos parlamentos. Um desses casos é o caso de Marielle Franco. As democracias enfrentam desafios crescentes, ascensão da direita e infiltração do crime organizado”, afirmou.

De acordo com Moraes, durante seu voto, as ações de Marielle, na época, estavam “peitando” os interesses de milicianos e o crime evidencia “um episódio de violência política de gênero” para “interromper a atuação de uma mulher”.

“É uma mulher pobre e preta que ousou. E ela foi de encontro aos interesses de milicianos homens e brancos”, defendeu Moraes.

O segundo e último dia do julgamento sobre o assassinato da ex-vereadora do Rio de Janeiro e de seu motorista, em março de começou nesta manhã. Durante a terça-feira (24), foi feita a acusação da PGR (Procuradoria-Geral da República) e a sustentação de defesa dos acusados.

R7

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