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FOTOS: Brasileiro se muda para a Califórnia para plantar maconha, ganha dez copas de melhor haxixe e vira ídolo

HAROLD WINSTON, O BAMF, DEIXOU O BRASIL AOS 18 ANOS PARA VIAGEM DE UMA SEMANA EM AMSTERDÃ E NÃO VOLTOU MAIS (FOTO: MALACHI BANALES/ DIVULGAÇÃO)

Proibido no Brasil e seis vezes mais caro que o ouro. O cristal de poucos centímetros, levemente amarelado, quase transparente, é exposto em lojas especializadas em maconha da Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos, como uma joia.

Cada grama do extrato ultraconcentrado de maconha produzido pelo brasileiro Harold Winston, mais conhecido como Bamf, de 34 anos, pode custar até US$ 250 — o equivalente a cerca de R$ 1.000. A porção é suficiente para fazer dois cigarros — misturando com tabaco ou ervas – ou usar até cinco vezes num bong — purificador, geralmente feito de vidro, utilizado para fumar maconha.

Harold deixou o Brasil em 2003, há 16 anos, atraído pelo desejo de trabalhar com cannabis. Antes de deixar o país, ele tinha plantado 400 pés de maconha no quintal da casa onde vivia com a família em Belo Horizonte. A mãe dele descobriu, destruiu o plantio e pagou ao filho uma viagem para ele passar uma semana em Amsterdã, na Holanda. Ele nem chegou a pegar o voo de volta e, desde então, só visitou a terra natal em festas de fim de ano.

Nesse período, Harold viveu cinco anos na Holanda, ganhou 10 prêmios em competições de maconha nos Estados Unidos e se tornou uma das maiores referências do mundo canábico.

No Brasil, o plantio, a venda ou a doação de maconha são considerados tráfico de drogas, crime punido com penas de 5 a 15 anos de prisão, além de multas. Usar a erva é considerada apenas uma contravenção. Nesses casos, o usuário deve prestar serviços à comunidade e fazer um curso sobre os danos causados pelo uso de drogas.

O advogado Ricardo Nemer, da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas (Reforma) diz que muitas vezes a distinção entre usuário e traficante, feita principalmente pela Polícia Civil, é incerta e pode resultar em punições injustas.

“Depende do ‘achismo’ do delegado. Não há regra do que é pequena ou grande quantidade. Isso causa uma grande insegurança jurídica e enquadra diversos usuários como traficantes. Um exemplo são as pessoas que cultivam maconha para fazer extratos (como os produzidos por Bamf) e precisam de muitas plantas”, explica o advogado.

Mas o que há de tão especial na maconha concentrada?

“Você dá uma simples puxada e é como se você tivesse fumado uns dez baseados inteiros”, diz Fernando Badaui, de 43 anos, vocalista da banda CPM22. “Não tem nenhuma impureza. É como degustar um bom vinho. Quando você fuma uma maconha comum, tem o papel, folhas, galhos e tudo mais junto, fora a sujeira. Aquilo que o Bamf faz é o puro extrato de THC, o princípio ativo que causa a brisa. Eu já experimentei maconha em diversos países que visitei e digo que essa está entre as melhores do mundo.”

FERNANDO BADAUI (À ESQ.), VOCALISTA DA BANDA CPM22, VISITOU DIVERSAS VEZES O BRASILEIRO HAROLD WINSTON, NA CALIFÓRNIA (FOTO: FERNANDO BADAUI/ ARQUIVO PESSOAL)

Badaui é conhecido por ser um combativo ativista nas redes sociais pela liberação da maconha. No Instagram, por exemplo, ele faz constantes publicações para defender a descriminalização do uso e a regulamentação do plantio da erva no Brasil. Ele conta ter conversado com o skatista Bob Burnquist, outro assíduo defensor da cannabis.

“Falei pro Bob que a gente está junto nessa. A imagem dele é muito importante para mostrar que um atleta de elite pode usar maconha”, afirmou Badaui em entrevista à BBC News Brasil.

O brasileiro Harold diz que Badaui o visita duas vezes por ano na Califórnia e que já experimentou vários de seus produtos. “A gente virou amigo. Ele é um ativista que representa muito nossa luta e eu acho lindo todos esses caras de peso desmistificando o uso da maconha. Eles demonstram que podem fumar e serem grandes profissionais. A manifestação pública dessas pessoas é um dos caminhos para a legalização no Brasil”, afirmou.

‘Amor’ pela erva

Harold nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, mas seus pais avaliaram que não teriam condições de criá-lo. Aos três meses de idade, o bebê foi adotado por americanos que viviam em Belo Horizonte e o batizaram com o nome do avô americano.

“Eu sempre fui um moleque doido, talvez pelo fato de ser adotado. Fui expulso de todas as escolas por onde passei em Belo Horizonte”, conta o brasileiro. Ele diz que ter se tornado uma referência na produção de maconha na Califórnia é a realização de seu maior sonho.

Todo esse amor pela maconha, conta Bamf, começou assim que experimentou a erva pela primeira vez, aos 16 anos.

“O problema foi que eu gostei demais, irmão. Um dia depois de sentir aquela sensação, comprei 25 gramas (suficiente para produzir até cerca de 50 baseados). Foi doido. A partir daquele dia, eu queria ver coisas sobre maconha o dia todo, queria experimentar a melhor maconha do mundo e fiquei na caça daquilo. Naquele mesmo ano, descobri o haxixe e pirei de vez”, conta o brasileiro aos risos.

Na época, ele passou a ter acesso e consumir grandes quantidades de haxixe trazido do Paraguai. Mas ele conta que sentia desgosto por consumir algo sujo e de procedência desconhecida. Seu sonho passou a ser produzir seu próprio concentrado, de alta pureza.

400 plantas no quintal

Sem se importar com as leis brasileiras, o adolescente passou a plantar maconha no quintal de casa, em 2002. E num volume capaz de atrair muita atenção.

 

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“Eu meti 400 plantas lá. Falei para a minha mãe que era ayahuasca porque era legal. Mas depois de certo tempo, uma amiga dela foi lá em casa e viu o cultivo. Eu estava na esperança de que não acontecesse nada, mas essa mulher colocou algumas folhas no bolso antes de ir embora. Dois dias depois, minha mãe descobriu que era maconha, ficou puta comigo e destruiu todas as plantas”, diz Harold.

Além de sustentar seu consumo diário da erva, o cultivo fornecia material para que fizesse seus primeiros testes. Na época, ele conta que passava o dia cuidando das plantas, estudando e discutindo novas técnicas para aumentar sua produção e fazer extratos de qualidade. Sua fonte era o site brasileiro Growroom, o maior fórum online sobre maconha da América Latina, com mais de 120 mil inscritos.

“O Growroom para mim era um portal da coisa mais secreta do mundo. Passava o dia ali como um louco, como se o fórum fosse um livro aberto na minha frente. Ali, foi com certeza minha primeira escola, a base de tudo que aprendi até hoje”, relata.

Depois de duas semanas sem falar com o filho por conta da plantação em seu quintal, sua mãe, Nilza Cozac, o chamou para dar uma bronca e ter uma conversa franca. Cozac, conta Harold, foi a primeira mulher a se formar em direito em Minas Gerais e tinha um profundo conhecimento sobre a legislação.

“Minha mãe já tinha mais de 60 anos, mas era muito cabeça aberta. Ela me alertou que uma plantação daquele tamanho era motivo para o governo querer tomar nossa casa, um dos poucos assuntos que despertavam atenção do governo e policiais. E disse que me presentearia com uma viagem de uma semana para Amsterdã, na Holanda, quando completasse 18 anos. Ela queria que eu conhecesse um lugar onde pudesse fumar maconha sem problemas”, conta.

Viagem para Amsterdã

A mãe cumpriu a promessa. E ele nunca mais voltou para o Brasil.

“Eu fiquei muito louco quando cheguei lá (em 2003). Parecia uma criança em loja de brinquedo. Fiquei matutando como eu poderia ficar na Holanda e passar a vender maconha por um preço 100 vezes melhor do que as pessoas no Brasil. Minha mãe ficou desesperada quando soube”.

Harold conta que morou durante um ano em um apartamento para refugiados africanos em Amsterdã, que alugava por 300 euros. Durante esse tempo, ele fez contatos e aprimorou seus conhecimentos sobre a erva.

“Eu me envolvi com pessoas que achava que tinham maconha e haxixe bom. Na Holanda, a maconha é apenas tolerada. Durante os cinco anos que fiquei no país, vi muita gente sendo presa, inclusive conhecidos. Logo começaram a me dizer que eu estava no lugar errado, que eu deveria ir para a Califórnia”, diz.

Depois de fazer uma série de pesquisas e assistir a vídeos no YouTube, ele decidiu se mudar para os Estados Unidos.

Primeiro, ele foi para Nova York, mas depois de um ano vivendo “num frio dos infernos” e presenciando uma forte repressão policial contra usuários de maconha, ele resolveu se mudar, em 2009, para Los Angeles, na Califórnia, onde vive até hoje.

“Eu mal cheguei e enlouqueci. Eu fiquei gritando na rua, literalmente, porque a cada esquina tinha loja para você comprar equipamentos. Você fica louco mesmo. Entrei na primeira que eu vi e fiquei conversando com o dono durante horas sem parar”, lembra Bamf com euforia.

Três dias depois de chegar à “meca” da maconha, Harold comprou uma luz especial – ideal para seis plantas – e começou a plantar a própria erva dentro de casa. Seis meses depois, tinha dez lâmpadas. Um ano depois, tinha 15.

Depois da longa experiência em Amsterdã, o jovem avaliou que o mercado na Califórnia tinha bons equipamentos, uma legislação muito favorável, mas ainda era pouco desenvolvido. Sua maior surpresa, porém, foi quando assistiu à uma edição da Cannabis Cup, a maior competição de maconha dos EUA, promovida pela revista High Times.

“Eu não acreditei que os caras vacilavam tanto. Num país de primeiro mundo, com ótimos equipamentos e maconha boa, eles poderiam fazer muito mais”, relata o brasileiro. Aquele era o incentivo que faltava para ele começar sua própria produção e buscar seu espaço no mercado.

Riscos para a saúde

O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador, há 30 anos, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da universidade, Dartiu Xavier, condena o uso de maconha por adolescentes, como fez Harold.

“Eu acho que ninguém deveria fumar antes dos 18. Alguns autores dizem a partir dos 21. O ponto mais preocupante é que a maconha pode desencadear uma psicose, quando o usuário sai da realidade. Caso ele tenha uma predisposição para isso, a maconha pode funcionar como um gatilho”, explicou.

Por outro lado, o médico afirma que no seu ponto de vista a regulamentação do uso da maconha diminuiria o consumo da erva no país e seria um avanço na área da saúde.

“Nos lugares onde existem políticas mais tolerantes ou legalização, como a Holanda ou Estados Unidos, as pessoas não fogem das informações. Há inclusive uma grande política de redução de riscos. No clima de proibicionismo como há aqui, ninguém tem informação. A Holanda, inclusive, é um dos poucos países onde o consumo de maconha vem caindo. Uma prova cabal de que a proibição do uso aumenta o consumo”, afirmou Xavier.

Entretanto, o coordenador do Projeto Antitabágico do Hospital Universitário da USP, João Paulo Lotufo, diz que qualquer relaxamento em relação ao consumo de maconha seria um erro.

“Nos Estados Unidos e no Uruguai, onde o uso é permitido, dobrou o número de dependentes. Se hoje há um surto psicótico a cada 100 pessoas, se libera, você dobra para 2. Vai subir o número de acidentes automobilísticos causados pelo uso da droga, sem contar que as lesões causadas pela maconha no cérebro são irreversíveis”, disse o médico.

BAMF GANHOU DEZ PRÊMIOS – OITO CONSECUTIVOS – DE MELHOR EXTRAÇÃO DE MACONHA PELA REVISTA MAIS IMPORTANTE SOBRE O ASSUNTO NOS EUA (FOTO: BBC)

Lotufo diz ainda que a maconha é mais cancerígena que o tabaco (com base em estudo publicado na revista European Respiratory Journal em 2008) e que os custos arrecadados com impostos em caso de regulamentação não seriam suficientes nem mesmo para bancar o aumento dos gastos com saúde.

“O imposto arrecadado com a venda de cigarros também não cobre a lesão que o tabaco provoca no sistema de saúde. Liberar o uso no Brasil seria um absurdo. Alguns falam na internet que a maconha é medicinal, mas não tem nada disso. O canabidiol (CBD) sim é medicinal, mas trata-se de um extrato que nada tem a ver com o uso recreativo”, afirmou o médico da USP.

Para ele, a pressão para a regulamentação do uso recreativo ocorre por uma forte pressão financeira, que ignora os riscos à saúde.

Técnica secreta

O primeiro passo de Harold Winston para entrar no mercado canábico foi convencer Nikka T, produtor do que muitos consideram o melhor haxixe vendido nos EUA na época, a ensiná-lo a fazer o produto. Haxixe é uma pasta densa feita da resina de maconha, fumada em bong, narguilé ou em cigarro- misturado com tabaco ou maconha.

“Fiquei enchendo o saco dele igual um fã durante seis meses, até que um dia ele resolveu me ensinar. Ele me convidou e eu fui até o Colorado para aprender a técnica e, na semana seguinte, eu já era o melhor hashmaker (produtor de haxixe) da Califórnia. Isso foi há nove anos, na mesma época que minha mãe morreu de câncer”, relata ele.

Ao contrário do haxixe vendido no Brasil, feito com restos de maconha de baixa qualidade, muitas vezes feito das sobras de resina que grudam na mão das pessoas que colhem a planta no Paraguai, o produto de Bamf passa por um complexo processo.

Assim que ele fez o primeiro haxixe usando uma técnica de extração à base de água, sem solventes, ele teve a certeza de que tinha condições de era algo inédito e quis colocar seu produto à prova num campeonato. Mas, para isso, era necessário ser dono de um dispensário. Apenas a loja Buds and Roses aceitou o pedido.

O produto de Bamf chamou a atenção logo no momento da inscrição por conta de sua cor clara – sinal de pureza – e por ser o único feito com água. A maioria dos concentrados, conta Harold, é feita com gás butano – o mesmo usado em isqueiros.

 

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Em meio a 40 competidores, o brasileiro ganhou seu primeiro seu primeiro troféu. No dia seguinte, ele viu sua popularidade disparar e seu produto se tornar uma referência num dos mercados mais exigentes do mundo. A demanda foi tão grande que ele conta ter ficado sete dias sem dormir fazendo haxixe sozinho em sua casa para dar conta de alguns pedidos.

Uma das encomendas foi feita pelo grupo americano de rap Cypress Hill. “Eles encostaram na minha casa com um caminhão cheio de maconha para eu fazer haxixe para eles. Perguntei se estavam loucos porque eu demoraria um ano para terminar aquilo sozinho. Uma semana após terminar o serviço, eles levaram outro caminhão cheio”, conta.

Pouco tempo depois, Harold fundou sua própria empresa, a Bamf, que aos poucos virou o nome com o que Harold passaria a ser conhecido no mercado canábico. O nome significa Badass Motherf***er e foi inspirado em uma cena do filme Pulp Fiction.

A Bamf começou a se tornar uma referência de qualidade na Califórnia. Ganhou oito Cannabis Cups consecutivas de melhor haxixe e passou a ser cultuado por usuários de maconha não só na Califórnia, mas ao redor do mundo.

“O campeonato não dá dinheiro, mas no momento que você sai do palco com o troféu, aparecem mais de 50 donos de lojas querendo comprar tudo o que você tem. Gente tirando maços de dinheiro e do bolso. Eu pensava que era até policial querendo me pegar”, conta.

A marca começou a virar moda. A Bamf passou a vender camisetas, souvenirs e sementes. No Instagram, a marca é elogiada por diversos consumidores – alguns, famosos – americanos e brasileiros. Mas o crescimento trouxe alguns problemas para Harold e ele sente medo dessa expansão.

“A Bamf me deixou muito satisfeito e ciumento. Hoje, tenho 35 funcionários, mas sinto medo de ampliar demais, crescer, e precisar entregar meu segredo para mais pessoas. Eu criei um monstro. Imagine criar um gorila dentro de um quarto. Uma hora você vai tomar um soco. Aconteceu isso comigo. Teve gente que veio, aprendeu e hoje criaram as coisas deles. Mas como eu comecei primeiro que todo mundo, ainda estou alguns passos à frente”, afirmou.

Mesmo assim, ele revelou à BBC News Brasil alguns “segredos” da estratégia para se obter um produto de alta pureza.

“O segredo maior é olhar para as flores da maconha como se ela fosse uma vaca. No momento em que você abate a vaca, ela deve estar em ambiente refrigerado para não degenerar. Quando você corta a maconha é a mesma coisa porque ela começa a morrer. Se você não mantiver ela refrigerada em uma hora para manter ela viva, a planta começa a secar e perde óleo”, afirmou.

Harold não deu mais detalhes, mas afirmou que mantém a planta congelada até o momento da extração, e que “o solvente e o produto devem ser mantidos em temperaturas negativas”.

Maconha no Brasil

Harold diz que sua empresa está em plena expansão e conta que acabou de comprar uma área de 2 hectares – equivalente a mais de dois campos de futebol – no Estado de Oregon apenas para plantar maconha rica em CBD, usado principalmente para a produção de remédio.

Essa cepa não tem THC, o princípio ativo da planta, que causa o “barato”. Ele diz que fará isso porque se sente na obrigação de se colocar em todos os setores do mundo canábico.

Harold se diz triste com a lei de drogas brasileira. Para ele, a legalização do cultivo, comércio e consumo da erva poderiam ser de grande ajuda à combalida economia do país.

“A salvação do Brasil é a maconha. É a única coisa que pode gerar milhares de empregos e trilhões de reais no mercado econômico de maneira imediata e o povo precisa entender isso. O país está perto da linha do Equador, tem um clima perfeito e terra abundante, emprego. Sem falar que a maconha é matéria-prima de 35 mil produtos diferentes, num ciclo de dois meses. Para quê cortar árvore? Eu amo o Brasil e estou doido para e poder trabalhar com o que eu gosto no meu país”, afirmou.

Ele pondera, por outro lado, que até mesmo o mercado americano ainda não é tão claro sobre o que pode ser feito.

“Eu mesmo fui preso há três anos. Aqui é legal, mas ao mesmo tempo não é. Fui parado por um policial e tinha 20 kg de maconha no carro. Eu tinha uma licença e disse que mostraria ao policial, mas ele disse que rasgaria o documento caso eu mostrasse. A sorte é que nos EUA você não é condenado até esgotar o processo. Depois de dois anos e meio, fui absolvido”, afirmou.

Na Califórnia, a venda da maconha recreativa é legal. Por outro lado, a erva continua classificada como um narcótico ilegal sob a lei federal americana.

“Há um conflito de leis federais e estaduais que cria uma zona cinzenta nos Estados Unidos. Há a legalização, mas por outro lado há uma grande dificuldade para conseguir as licenças e isso causa uma grande insegurança jurídica”, diz o advogado Ricardo Nemer.

Já no Brasil, ativistas dizem que o caminho mais provável para descriminalizar o uso da maconha e dar o primeiro passo rumo à legalização é o julgamento no STF de um processo que pode revogar o artigo 28 da Lei Antidrogas. Isso permitiria a posse de pequenas quantias e plantio da erva para consumo próprio.

Esse processo, parado desde 2015 após o ministro Teori Zavascki pedir vistas, está marcado para ser retomado no dia 5 de junho. A pausa ocorre porque, depois da morte de Zavascki, o caso foi para as mãos de Alexandre de Moraes.

No ponto de vista do músico Badaui, que diz ter visitado diversos países onde há regulamentação, tolerância ou descriminalização do uso da cannabis, diz que é apenas uma questão de tempo para que o mesmo ocorra no Brasil.

“Há dez anos, esse assunto era tratado como tabu. Hoje, todos sabem que esse consumo não vai parar e que não tem como seguir outro caminho a não ser o da legalização. Por mais conservador que seja o governo, o Brasil sempre seguiu o modelo americano. É hora de desmantelar o mercado negro e explorarmos economicamente a cannabis”, afirmou o músico.

Bamf também acha que a legalização da cannabis no Brasil não deve demorar. Ele diz que diversos setores da sociedade estão fazendo uma grande pressão no sentido de permitir o consumo e o comércio da erva, como ocorreu antes da legalização em países como Canadá e Uruguai.

“Chega uma hora em que a polícia não tem condições de ir atrás de quem planta e fuma. Os próprios policiais se questionam se eles devem ir atrás de político ladrão e grandes bandidos ou se vão ficar perdendo tempo indo atrás de usuário de maconha num país com tanto problema de verdade.”

Época Negócios, com BBC

 

 

Opinião dos leitores

  1. Isso é uma grande notícia, quando muitos chorão os seus filhos mortos pelas drogas aí vem essa grande materia ,isso sim é louvável!!!

    1. Eu ia comentar justamente isso. Mas pelo seu Nick vc deve estar sendo irônico. Já Eu, falo sério.

  2. Reportagem muito educativa, que esse doido fique por lá mesmo, aqui já temos muitas cracolândias.

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Geral

Festival de Quadrilhas de Ceará-Mirim começa nesta quinta-feira e reúne mais de 40 grupos de todo o Rio Grande do Norte

Foto: Divulgação

A Prefeitura de Ceará-Mirim, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Eventos, abre nesta quinta-feira (2) mais uma edição do Festival de Quadrilhas de Ceará-Mirim, um dos maiores e mais tradicionais eventos juninos do Rio Grande do Norte. Durante quatro dias de programação, o Ginásio de Esportes Aderson Eloy receberá mais de 40 quadrilhas juninas de diversas regiões do estado, em uma grande celebração da cultura popular nordestina.

A programação terá início com uma noite especial dedicada às quadrilhas de Ceará-Mirim, valorizando os grupos locais e reconhecendo o talento dos artistas que mantêm viva a tradição junina no município. A partir da sexta-feira (3), começam as disputas do Festival Regional, que seguem até o domingo (5), reunindo quadrilhas das categorias Tradicional e Estilizada em apresentações marcadas pela criatividade, beleza, emoção e alto nível técnico.

Com uma premiação total de R$ 46 mil, uma das maiores do estado, o festival reafirma o compromisso da gestão municipal com o fortalecimento da cultura, o incentivo aos grupos juninos e a preservação das tradições que fazem parte da identidade do povo nordestino.

Além do espetáculo cultural, o evento também representa um importante impulso para a economia local, aquecendo o comércio, a gastronomia, a rede de serviços e o turismo, com a chegada de participantes e visitantes de diversas cidades potiguares.

“O Festival de Quadrilhas é motivo de orgulho para Ceará-Mirim. Mais do que uma competição, é um momento de celebrar a nossa cultura, preservar as tradições e gerar oportunidades para o nosso município. Receber mais de 40 grupos de todo o Rio Grande do Norte fortalece o turismo, movimenta a economia e consolida Ceará-Mirim como um dos principais destinos do calendário junino do estado. Seguiremos investindo na cultura porque ela valoriza a nossa identidade e transforma a vida das pessoas”, destacou o prefeito Antônio Henrique.

A expectativa é de ginásio lotado durante os quatro dias de evento, consolidando mais uma edição do Festival de Quadrilhas de Ceará-Mirim como uma das maiores vitrines da cultura popular potiguar.

 

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Geral

Emoção e humanização: Idosa de 86 anos internada há quase 80 dias realiza desejo de visitar o Parque das Dunas

Foto: Divulgação

Em uma emocionante ação de assistência humanizada, uma paciente idosa de 86 anos, que está internada há quase 80 dias em cuidados paliativos no Hospital Rio Grande, realizou o desejo de ter contato com o meio ambiente e com o mundo externo. Uma força-tarefa multidisciplinar, composta por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, foi montada para levá-la para um passeio especial no Parque das Dunas.

A tarde foi marcada por momentos de profunda emoção. Durante a visita, ela teve a oportunidade de tocar nas plantas, sentir o perfume da natureza e desfrutar do ambiente ao ar livre. O momento também trouxe à tona lembranças felizes, e a paciente aproveitou o cenário para recordar passagens de livros que já havia lido ao longo da vida.

Para garantir a total segurança e o suporte assistencial necessário durante todo o percurso, a estrutura médica do hospital acompanhou a paciente no local. A ação reforça o compromisso da equipe de saúde com os cuidados paliativos, mostrando que a assistência vai muito além do tratamento clínico, focando na dignidade, no bem-estar e na realização de momentos significativos para os pacientes.

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Coronel Trigueiro, o famoso “Capitão Rodrigo”, recebe homenagem na Câmara Municipal de Natal

Foto: Verônica Macedo

O coronel da Polícia Militar, Rodrigo Trigueiro, foi um dos homenageados na Câmara Municipal de Natal nesta terça-feira (30), na sessão solene em homenagem aos 192 anos da Polícia Militar do Rio Grande do Norte. A homenagem foi indicada pelo vereador Leo Souza (PSDB) e a solenidade, proposta pelo vereador Subtenente Eliabe (PL).

Conhecido nacionalmente como “Capitão Rodrigo”, no reality show No Limite, da Globo, Coronel Trigueiro é referência em segurança pública pela atuação firme e combate a criminalidade. Esteve à frente de unidades de elite e batalhões importantes, como o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), a Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (ROCAM) e o Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque).

“A solenidade proposta pelo Subtenente Eliabe é uma forma de reconhecer e homenagear a Polícia Militar e, claro, esses grandes nomes da corporação, que contribuiram muito para fazer a PM ser grande. E o Coronel Trigueiro é um exemplo disso. É uma referência para os policiais e para a sociedade”, destacou Leo Souza.

 

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Geral

[VÍDEO] Ramal do Apodi: Governo Lula usa contêiner improvisado para garantir passagem de água no RN

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca no Rio Grande do Norte nesta quinta-feira (2). No estado, a agenda prevê a inauguração do túnel Major Sales, uma das estruturas que fazem parte do Ramal do Apodi, obra iniciada durante o governo Jair Bolsonaro, pelo então ministro Rogério Marinho, mas que ainda não foi concluída.

O Ramal do Apodi possui 115,5 km de extensão, enquanto o túnel a ser “inaugurado” tem 6,35 km. A obra beneficiará 54 municípios (sendo 34 no RN) e uma população estimada em 1,7 milhão de pessoas (510 mil potiguares). Mas o Ramal do Apodi ainda não está concluído, e a inauguração ocorre em meio a intervenções improvisadas, como a substituição de passagens molhadas por contêineres temporários.

Veja no vídeo o contêiner, localizado no município de José da Penha:

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Geral

Cinco pesquisas, o mesmo resultado: Dra. Zenaide aparece reeleita para o Senado

Pesquisa DataCapital, divulgada pela Mundial FM e pelo Portal SPN, nesta quarta-feira (1º), também confirma a senadora Dra. Zenaide Maia como reeleita para o Senado Federal. É o quinto levantamento em apenas um mês a apontar esse cenário.

No cenário do primeiro voto estimulado, Styvenson Valentim, com 34% das intenções de voto, e Zenaide, com 23%, aparecem dentro da faixa dos candidatos que hoje conquistariam uma das duas vagas. E com folga. Já que o terceiro colocado, Rafael Motta, tem 11%.

O levantamento também mostra a força da candidatura da senadora quando analisado o segundo voto para o Senado. Zenaide lidera esse cenário com 22% das intenções de voto, à frente de todos os demais concorrentes, demonstrando potencial de crescimento e capacidade de ampliar sua votação. Styvenson tem 18% e Rafael soma 15%.

A pesquisa ouviu 1.900 eleitores em 70 municípios de todas as regiões do Rio Grande do Norte de 17 a 20 de junho. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número RN-07195/2026, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

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Economia

Dólar avança 1% após EUA anunciarem sanções contra brasileiros por suposto vínculo com o PCC

Foto: iStock/Galeanu Mihai

O dólar ganhou força frente ao real nesta quarta-feira (1º) após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciar sanções contra dois brasileiros, três empresas no Brasil e uma companhia em Portugal por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Com a notícia, a moeda chegou a subir 1,04%, alcançando R$ 5,2167. No início da tarde, a alta perdeu força e o dólar era negociado a R$ 5,1977, com avanço de 0,67%.

Segundo o governo norte-americano, o PCC utilizava o sistema financeiro dos EUA para lavar dinheiro do tráfico de drogas. Entre os sancionados estão Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como operador da facção, e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.

As sanções também atingem as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Pixwave Soluções de Pagamentos, Wave Construções Inteligentes e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal. A medida bloqueia bens sob jurisdição dos EUA e proíbe cidadãos e empresas americanas de realizarem transações com os envolvidos.

De acordo com o Tesouro dos EUA, a Victory Trading também aparece nas investigações do caso VaideBet, que apura um suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro relacionado ao contrato de patrocínio da casa de apostas com o Corinthians.

Com informações do Estadão Conteúdo

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Geral

Maduro é processado nos EUA por execuções sumárias na Venezuela

Foto: XNY/Star Max/GC Images

As famílias de cinco jovens mortos na Venezuela processaram o ex-ditador Nicolás Maduro em um tribunal dos Estados Unidos, acusando-o de ordenar execuções sumárias entre 2017 e 2020.

A ação, protocolada na terça-feira (30) em um tribunal federal do Brooklyn, afirma que os assassinatos foram praticados por agentes das extintas Forças de Ação Especial (Faes) e fazem parte de um padrão de repressão e violência estatal durante o governo Maduro.

Segundo o processo, os agentes retiravam as vítimas de suas casas durante a madrugada, executavam os jovens e depois alegavam que eles haviam “resistido à autoridade”. As famílias buscam indenização com base na Lei de Proteção às Vítimas de Tortura dos Estados Unidos.

De acordo com a ação, Maduro utilizou as Faes como instrumento para reprimir opositores e controlar comunidades. A unidade foi extinta em 2021 após denúncias de violações de direitos humanos, inclusive por parte da ONU.

Preso em Nova York, Maduro aguarda julgamento por acusações de tráfico de drogas e já declarou inocência no processo criminal. Segundo o The New York Times, a defesa deve alegar imunidade por ele exercer o cargo de chefe de Estado.

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Geral

Presidente da Petrobras diz que é cedo para falar em redução no preço da gasolina

Foto: Washington Alves/Reuters

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quarta-feira (1º) que ainda é cedo para falar sobre uma possível redução no preço da gasolina, apesar da queda das cotações internacionais do petróleo.

“Nós olhamos isso o tempo todo e vamos acompanhar o que vai acontecer com os preços internacionais, com certeza. Mas a essa pergunta [sobre corte de preço] eu não vou responder porque ela é prematura”, disse.

Na terça-feira (30), a Petrobras reduziu em R$ 0,35 por litro o preço do diesel nas refinarias. No entanto, como o governo encerrou um subsídio de mesmo valor, o preço final do combustível permaneceu em R$ 3,30 por litro.

Magda afirmou ainda que a política de preços da estatal busca acompanhar a tendência do mercado internacional sem repassar toda a volatilidade ao consumidor. Segundo ela, a gasolina foi o último combustível a sofrer impacto da alta provocada pelas tensões no Oriente Médio.

 

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Geral

Jaques Wagner discursa ao lado de Lula na Bahia após ser alvo da PF e deixar liderança do governo no Senado

Foto: reprodução

O senador Jaques Wagner (PT-BA) voltou a aparecer ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira (1º), durante um evento na Bahia, dias após ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal e deixar a liderança do governo no Senado.

É a primeira aparição pública de Jaques Wagner ao lado de Lula após ter sido alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga as fraudes do Banco Master. Os investigadores apontam que ele teria recebido um apartamento de R$ 2,5 milhões e propina de R$ 3,5 milhões para beneficiar o Master no Parlamento. Ele nega. Após a ação e a pressão da base aliada, Wagner deixou a liderança de governo, que agora é ocupada por Teresa Leitão.

Wagner discursou no evento brevemente e disse que o povo baiano tem “gratidão” por Lula. “Meu abraço carinhoso, estamos aqui firmes defendendo o seu nome, o seu projeto e vamos para cima porque esse ano é festa da democracia”, afirmou ao abraçar o presidente ao fim de seu discurso.

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FIM DA ESCALA 6×1: No Senado, setor produtivo aponta aumento de custos e defende que debate não seja contaminado por eleições

Sessão de Debates – Fim da escala 6×1 no Brasil. — Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O Senado realizou nesta quarta-feira (1º) uma sessão de debates sobre a PEC que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

Representantes do setor produtivo alertaram para o aumento dos custos de produção e defenderam que a discussão ocorra sem influência das eleições.

O presidente da Fecomercio-SP e diretor da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Ivo Dall’Acqua Júnior, afirmou que mudanças na jornada de trabalho afetam toda a economia e precisam considerar fatores como produtividade, geração de empregos, competitividade e impacto nas contas públicas.

Já o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, defendeu mais flexibilidade nas relações de trabalho e criticou a possibilidade de o tema ser influenciado pelas eleições. “É um debate profundo e de grande responsabilidade. Não pode ter contaminações eleitorais”, afirmou.

O presidente da CNC, Ricardo Albano, também disse que o desafio é definir uma forma adequada de implementar as mudanças e defendeu uma transição gradual.

Integrantes do governo e representantes de centrais sindicais manifestaram apoio à proposta. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que a redução da jornada vai além da questão econômica e pode melhorar a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores.

A PEC ainda não começou a tramitar formalmente no Senado. O texto prevê a redução da jornada semanal para 40 horas e a garantia de, no mínimo, duas folgas por semana, com implementação gradual em até 14 meses após a promulgação.

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