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FOTOS: Brasileiro se muda para a Califórnia para plantar maconha, ganha dez copas de melhor haxixe e vira ídolo

HAROLD WINSTON, O BAMF, DEIXOU O BRASIL AOS 18 ANOS PARA VIAGEM DE UMA SEMANA EM AMSTERDÃ E NÃO VOLTOU MAIS (FOTO: MALACHI BANALES/ DIVULGAÇÃO)

Proibido no Brasil e seis vezes mais caro que o ouro. O cristal de poucos centímetros, levemente amarelado, quase transparente, é exposto em lojas especializadas em maconha da Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos, como uma joia.

Cada grama do extrato ultraconcentrado de maconha produzido pelo brasileiro Harold Winston, mais conhecido como Bamf, de 34 anos, pode custar até US$ 250 — o equivalente a cerca de R$ 1.000. A porção é suficiente para fazer dois cigarros — misturando com tabaco ou ervas – ou usar até cinco vezes num bong — purificador, geralmente feito de vidro, utilizado para fumar maconha.

Harold deixou o Brasil em 2003, há 16 anos, atraído pelo desejo de trabalhar com cannabis. Antes de deixar o país, ele tinha plantado 400 pés de maconha no quintal da casa onde vivia com a família em Belo Horizonte. A mãe dele descobriu, destruiu o plantio e pagou ao filho uma viagem para ele passar uma semana em Amsterdã, na Holanda. Ele nem chegou a pegar o voo de volta e, desde então, só visitou a terra natal em festas de fim de ano.

Nesse período, Harold viveu cinco anos na Holanda, ganhou 10 prêmios em competições de maconha nos Estados Unidos e se tornou uma das maiores referências do mundo canábico.

No Brasil, o plantio, a venda ou a doação de maconha são considerados tráfico de drogas, crime punido com penas de 5 a 15 anos de prisão, além de multas. Usar a erva é considerada apenas uma contravenção. Nesses casos, o usuário deve prestar serviços à comunidade e fazer um curso sobre os danos causados pelo uso de drogas.

O advogado Ricardo Nemer, da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas (Reforma) diz que muitas vezes a distinção entre usuário e traficante, feita principalmente pela Polícia Civil, é incerta e pode resultar em punições injustas.

“Depende do ‘achismo’ do delegado. Não há regra do que é pequena ou grande quantidade. Isso causa uma grande insegurança jurídica e enquadra diversos usuários como traficantes. Um exemplo são as pessoas que cultivam maconha para fazer extratos (como os produzidos por Bamf) e precisam de muitas plantas”, explica o advogado.

Mas o que há de tão especial na maconha concentrada?

“Você dá uma simples puxada e é como se você tivesse fumado uns dez baseados inteiros”, diz Fernando Badaui, de 43 anos, vocalista da banda CPM22. “Não tem nenhuma impureza. É como degustar um bom vinho. Quando você fuma uma maconha comum, tem o papel, folhas, galhos e tudo mais junto, fora a sujeira. Aquilo que o Bamf faz é o puro extrato de THC, o princípio ativo que causa a brisa. Eu já experimentei maconha em diversos países que visitei e digo que essa está entre as melhores do mundo.”

FERNANDO BADAUI (À ESQ.), VOCALISTA DA BANDA CPM22, VISITOU DIVERSAS VEZES O BRASILEIRO HAROLD WINSTON, NA CALIFÓRNIA (FOTO: FERNANDO BADAUI/ ARQUIVO PESSOAL)

Badaui é conhecido por ser um combativo ativista nas redes sociais pela liberação da maconha. No Instagram, por exemplo, ele faz constantes publicações para defender a descriminalização do uso e a regulamentação do plantio da erva no Brasil. Ele conta ter conversado com o skatista Bob Burnquist, outro assíduo defensor da cannabis.

“Falei pro Bob que a gente está junto nessa. A imagem dele é muito importante para mostrar que um atleta de elite pode usar maconha”, afirmou Badaui em entrevista à BBC News Brasil.

O brasileiro Harold diz que Badaui o visita duas vezes por ano na Califórnia e que já experimentou vários de seus produtos. “A gente virou amigo. Ele é um ativista que representa muito nossa luta e eu acho lindo todos esses caras de peso desmistificando o uso da maconha. Eles demonstram que podem fumar e serem grandes profissionais. A manifestação pública dessas pessoas é um dos caminhos para a legalização no Brasil”, afirmou.

‘Amor’ pela erva

Harold nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, mas seus pais avaliaram que não teriam condições de criá-lo. Aos três meses de idade, o bebê foi adotado por americanos que viviam em Belo Horizonte e o batizaram com o nome do avô americano.

“Eu sempre fui um moleque doido, talvez pelo fato de ser adotado. Fui expulso de todas as escolas por onde passei em Belo Horizonte”, conta o brasileiro. Ele diz que ter se tornado uma referência na produção de maconha na Califórnia é a realização de seu maior sonho.

Todo esse amor pela maconha, conta Bamf, começou assim que experimentou a erva pela primeira vez, aos 16 anos.

“O problema foi que eu gostei demais, irmão. Um dia depois de sentir aquela sensação, comprei 25 gramas (suficiente para produzir até cerca de 50 baseados). Foi doido. A partir daquele dia, eu queria ver coisas sobre maconha o dia todo, queria experimentar a melhor maconha do mundo e fiquei na caça daquilo. Naquele mesmo ano, descobri o haxixe e pirei de vez”, conta o brasileiro aos risos.

Na época, ele passou a ter acesso e consumir grandes quantidades de haxixe trazido do Paraguai. Mas ele conta que sentia desgosto por consumir algo sujo e de procedência desconhecida. Seu sonho passou a ser produzir seu próprio concentrado, de alta pureza.

400 plantas no quintal

Sem se importar com as leis brasileiras, o adolescente passou a plantar maconha no quintal de casa, em 2002. E num volume capaz de atrair muita atenção.

 

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“Eu meti 400 plantas lá. Falei para a minha mãe que era ayahuasca porque era legal. Mas depois de certo tempo, uma amiga dela foi lá em casa e viu o cultivo. Eu estava na esperança de que não acontecesse nada, mas essa mulher colocou algumas folhas no bolso antes de ir embora. Dois dias depois, minha mãe descobriu que era maconha, ficou puta comigo e destruiu todas as plantas”, diz Harold.

Além de sustentar seu consumo diário da erva, o cultivo fornecia material para que fizesse seus primeiros testes. Na época, ele conta que passava o dia cuidando das plantas, estudando e discutindo novas técnicas para aumentar sua produção e fazer extratos de qualidade. Sua fonte era o site brasileiro Growroom, o maior fórum online sobre maconha da América Latina, com mais de 120 mil inscritos.

“O Growroom para mim era um portal da coisa mais secreta do mundo. Passava o dia ali como um louco, como se o fórum fosse um livro aberto na minha frente. Ali, foi com certeza minha primeira escola, a base de tudo que aprendi até hoje”, relata.

Depois de duas semanas sem falar com o filho por conta da plantação em seu quintal, sua mãe, Nilza Cozac, o chamou para dar uma bronca e ter uma conversa franca. Cozac, conta Harold, foi a primeira mulher a se formar em direito em Minas Gerais e tinha um profundo conhecimento sobre a legislação.

“Minha mãe já tinha mais de 60 anos, mas era muito cabeça aberta. Ela me alertou que uma plantação daquele tamanho era motivo para o governo querer tomar nossa casa, um dos poucos assuntos que despertavam atenção do governo e policiais. E disse que me presentearia com uma viagem de uma semana para Amsterdã, na Holanda, quando completasse 18 anos. Ela queria que eu conhecesse um lugar onde pudesse fumar maconha sem problemas”, conta.

Viagem para Amsterdã

A mãe cumpriu a promessa. E ele nunca mais voltou para o Brasil.

“Eu fiquei muito louco quando cheguei lá (em 2003). Parecia uma criança em loja de brinquedo. Fiquei matutando como eu poderia ficar na Holanda e passar a vender maconha por um preço 100 vezes melhor do que as pessoas no Brasil. Minha mãe ficou desesperada quando soube”.

Harold conta que morou durante um ano em um apartamento para refugiados africanos em Amsterdã, que alugava por 300 euros. Durante esse tempo, ele fez contatos e aprimorou seus conhecimentos sobre a erva.

“Eu me envolvi com pessoas que achava que tinham maconha e haxixe bom. Na Holanda, a maconha é apenas tolerada. Durante os cinco anos que fiquei no país, vi muita gente sendo presa, inclusive conhecidos. Logo começaram a me dizer que eu estava no lugar errado, que eu deveria ir para a Califórnia”, diz.

Depois de fazer uma série de pesquisas e assistir a vídeos no YouTube, ele decidiu se mudar para os Estados Unidos.

Primeiro, ele foi para Nova York, mas depois de um ano vivendo “num frio dos infernos” e presenciando uma forte repressão policial contra usuários de maconha, ele resolveu se mudar, em 2009, para Los Angeles, na Califórnia, onde vive até hoje.

“Eu mal cheguei e enlouqueci. Eu fiquei gritando na rua, literalmente, porque a cada esquina tinha loja para você comprar equipamentos. Você fica louco mesmo. Entrei na primeira que eu vi e fiquei conversando com o dono durante horas sem parar”, lembra Bamf com euforia.

Três dias depois de chegar à “meca” da maconha, Harold comprou uma luz especial – ideal para seis plantas – e começou a plantar a própria erva dentro de casa. Seis meses depois, tinha dez lâmpadas. Um ano depois, tinha 15.

Depois da longa experiência em Amsterdã, o jovem avaliou que o mercado na Califórnia tinha bons equipamentos, uma legislação muito favorável, mas ainda era pouco desenvolvido. Sua maior surpresa, porém, foi quando assistiu à uma edição da Cannabis Cup, a maior competição de maconha dos EUA, promovida pela revista High Times.

“Eu não acreditei que os caras vacilavam tanto. Num país de primeiro mundo, com ótimos equipamentos e maconha boa, eles poderiam fazer muito mais”, relata o brasileiro. Aquele era o incentivo que faltava para ele começar sua própria produção e buscar seu espaço no mercado.

Riscos para a saúde

O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador, há 30 anos, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da universidade, Dartiu Xavier, condena o uso de maconha por adolescentes, como fez Harold.

“Eu acho que ninguém deveria fumar antes dos 18. Alguns autores dizem a partir dos 21. O ponto mais preocupante é que a maconha pode desencadear uma psicose, quando o usuário sai da realidade. Caso ele tenha uma predisposição para isso, a maconha pode funcionar como um gatilho”, explicou.

Por outro lado, o médico afirma que no seu ponto de vista a regulamentação do uso da maconha diminuiria o consumo da erva no país e seria um avanço na área da saúde.

“Nos lugares onde existem políticas mais tolerantes ou legalização, como a Holanda ou Estados Unidos, as pessoas não fogem das informações. Há inclusive uma grande política de redução de riscos. No clima de proibicionismo como há aqui, ninguém tem informação. A Holanda, inclusive, é um dos poucos países onde o consumo de maconha vem caindo. Uma prova cabal de que a proibição do uso aumenta o consumo”, afirmou Xavier.

Entretanto, o coordenador do Projeto Antitabágico do Hospital Universitário da USP, João Paulo Lotufo, diz que qualquer relaxamento em relação ao consumo de maconha seria um erro.

“Nos Estados Unidos e no Uruguai, onde o uso é permitido, dobrou o número de dependentes. Se hoje há um surto psicótico a cada 100 pessoas, se libera, você dobra para 2. Vai subir o número de acidentes automobilísticos causados pelo uso da droga, sem contar que as lesões causadas pela maconha no cérebro são irreversíveis”, disse o médico.

BAMF GANHOU DEZ PRÊMIOS – OITO CONSECUTIVOS – DE MELHOR EXTRAÇÃO DE MACONHA PELA REVISTA MAIS IMPORTANTE SOBRE O ASSUNTO NOS EUA (FOTO: BBC)

Lotufo diz ainda que a maconha é mais cancerígena que o tabaco (com base em estudo publicado na revista European Respiratory Journal em 2008) e que os custos arrecadados com impostos em caso de regulamentação não seriam suficientes nem mesmo para bancar o aumento dos gastos com saúde.

“O imposto arrecadado com a venda de cigarros também não cobre a lesão que o tabaco provoca no sistema de saúde. Liberar o uso no Brasil seria um absurdo. Alguns falam na internet que a maconha é medicinal, mas não tem nada disso. O canabidiol (CBD) sim é medicinal, mas trata-se de um extrato que nada tem a ver com o uso recreativo”, afirmou o médico da USP.

Para ele, a pressão para a regulamentação do uso recreativo ocorre por uma forte pressão financeira, que ignora os riscos à saúde.

Técnica secreta

O primeiro passo de Harold Winston para entrar no mercado canábico foi convencer Nikka T, produtor do que muitos consideram o melhor haxixe vendido nos EUA na época, a ensiná-lo a fazer o produto. Haxixe é uma pasta densa feita da resina de maconha, fumada em bong, narguilé ou em cigarro- misturado com tabaco ou maconha.

“Fiquei enchendo o saco dele igual um fã durante seis meses, até que um dia ele resolveu me ensinar. Ele me convidou e eu fui até o Colorado para aprender a técnica e, na semana seguinte, eu já era o melhor hashmaker (produtor de haxixe) da Califórnia. Isso foi há nove anos, na mesma época que minha mãe morreu de câncer”, relata ele.

Ao contrário do haxixe vendido no Brasil, feito com restos de maconha de baixa qualidade, muitas vezes feito das sobras de resina que grudam na mão das pessoas que colhem a planta no Paraguai, o produto de Bamf passa por um complexo processo.

Assim que ele fez o primeiro haxixe usando uma técnica de extração à base de água, sem solventes, ele teve a certeza de que tinha condições de era algo inédito e quis colocar seu produto à prova num campeonato. Mas, para isso, era necessário ser dono de um dispensário. Apenas a loja Buds and Roses aceitou o pedido.

O produto de Bamf chamou a atenção logo no momento da inscrição por conta de sua cor clara – sinal de pureza – e por ser o único feito com água. A maioria dos concentrados, conta Harold, é feita com gás butano – o mesmo usado em isqueiros.

 

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Em meio a 40 competidores, o brasileiro ganhou seu primeiro seu primeiro troféu. No dia seguinte, ele viu sua popularidade disparar e seu produto se tornar uma referência num dos mercados mais exigentes do mundo. A demanda foi tão grande que ele conta ter ficado sete dias sem dormir fazendo haxixe sozinho em sua casa para dar conta de alguns pedidos.

Uma das encomendas foi feita pelo grupo americano de rap Cypress Hill. “Eles encostaram na minha casa com um caminhão cheio de maconha para eu fazer haxixe para eles. Perguntei se estavam loucos porque eu demoraria um ano para terminar aquilo sozinho. Uma semana após terminar o serviço, eles levaram outro caminhão cheio”, conta.

Pouco tempo depois, Harold fundou sua própria empresa, a Bamf, que aos poucos virou o nome com o que Harold passaria a ser conhecido no mercado canábico. O nome significa Badass Motherf***er e foi inspirado em uma cena do filme Pulp Fiction.

A Bamf começou a se tornar uma referência de qualidade na Califórnia. Ganhou oito Cannabis Cups consecutivas de melhor haxixe e passou a ser cultuado por usuários de maconha não só na Califórnia, mas ao redor do mundo.

“O campeonato não dá dinheiro, mas no momento que você sai do palco com o troféu, aparecem mais de 50 donos de lojas querendo comprar tudo o que você tem. Gente tirando maços de dinheiro e do bolso. Eu pensava que era até policial querendo me pegar”, conta.

A marca começou a virar moda. A Bamf passou a vender camisetas, souvenirs e sementes. No Instagram, a marca é elogiada por diversos consumidores – alguns, famosos – americanos e brasileiros. Mas o crescimento trouxe alguns problemas para Harold e ele sente medo dessa expansão.

“A Bamf me deixou muito satisfeito e ciumento. Hoje, tenho 35 funcionários, mas sinto medo de ampliar demais, crescer, e precisar entregar meu segredo para mais pessoas. Eu criei um monstro. Imagine criar um gorila dentro de um quarto. Uma hora você vai tomar um soco. Aconteceu isso comigo. Teve gente que veio, aprendeu e hoje criaram as coisas deles. Mas como eu comecei primeiro que todo mundo, ainda estou alguns passos à frente”, afirmou.

Mesmo assim, ele revelou à BBC News Brasil alguns “segredos” da estratégia para se obter um produto de alta pureza.

“O segredo maior é olhar para as flores da maconha como se ela fosse uma vaca. No momento em que você abate a vaca, ela deve estar em ambiente refrigerado para não degenerar. Quando você corta a maconha é a mesma coisa porque ela começa a morrer. Se você não mantiver ela refrigerada em uma hora para manter ela viva, a planta começa a secar e perde óleo”, afirmou.

Harold não deu mais detalhes, mas afirmou que mantém a planta congelada até o momento da extração, e que “o solvente e o produto devem ser mantidos em temperaturas negativas”.

Maconha no Brasil

Harold diz que sua empresa está em plena expansão e conta que acabou de comprar uma área de 2 hectares – equivalente a mais de dois campos de futebol – no Estado de Oregon apenas para plantar maconha rica em CBD, usado principalmente para a produção de remédio.

Essa cepa não tem THC, o princípio ativo da planta, que causa o “barato”. Ele diz que fará isso porque se sente na obrigação de se colocar em todos os setores do mundo canábico.

Harold se diz triste com a lei de drogas brasileira. Para ele, a legalização do cultivo, comércio e consumo da erva poderiam ser de grande ajuda à combalida economia do país.

“A salvação do Brasil é a maconha. É a única coisa que pode gerar milhares de empregos e trilhões de reais no mercado econômico de maneira imediata e o povo precisa entender isso. O país está perto da linha do Equador, tem um clima perfeito e terra abundante, emprego. Sem falar que a maconha é matéria-prima de 35 mil produtos diferentes, num ciclo de dois meses. Para quê cortar árvore? Eu amo o Brasil e estou doido para e poder trabalhar com o que eu gosto no meu país”, afirmou.

Ele pondera, por outro lado, que até mesmo o mercado americano ainda não é tão claro sobre o que pode ser feito.

“Eu mesmo fui preso há três anos. Aqui é legal, mas ao mesmo tempo não é. Fui parado por um policial e tinha 20 kg de maconha no carro. Eu tinha uma licença e disse que mostraria ao policial, mas ele disse que rasgaria o documento caso eu mostrasse. A sorte é que nos EUA você não é condenado até esgotar o processo. Depois de dois anos e meio, fui absolvido”, afirmou.

Na Califórnia, a venda da maconha recreativa é legal. Por outro lado, a erva continua classificada como um narcótico ilegal sob a lei federal americana.

“Há um conflito de leis federais e estaduais que cria uma zona cinzenta nos Estados Unidos. Há a legalização, mas por outro lado há uma grande dificuldade para conseguir as licenças e isso causa uma grande insegurança jurídica”, diz o advogado Ricardo Nemer.

Já no Brasil, ativistas dizem que o caminho mais provável para descriminalizar o uso da maconha e dar o primeiro passo rumo à legalização é o julgamento no STF de um processo que pode revogar o artigo 28 da Lei Antidrogas. Isso permitiria a posse de pequenas quantias e plantio da erva para consumo próprio.

Esse processo, parado desde 2015 após o ministro Teori Zavascki pedir vistas, está marcado para ser retomado no dia 5 de junho. A pausa ocorre porque, depois da morte de Zavascki, o caso foi para as mãos de Alexandre de Moraes.

No ponto de vista do músico Badaui, que diz ter visitado diversos países onde há regulamentação, tolerância ou descriminalização do uso da cannabis, diz que é apenas uma questão de tempo para que o mesmo ocorra no Brasil.

“Há dez anos, esse assunto era tratado como tabu. Hoje, todos sabem que esse consumo não vai parar e que não tem como seguir outro caminho a não ser o da legalização. Por mais conservador que seja o governo, o Brasil sempre seguiu o modelo americano. É hora de desmantelar o mercado negro e explorarmos economicamente a cannabis”, afirmou o músico.

Bamf também acha que a legalização da cannabis no Brasil não deve demorar. Ele diz que diversos setores da sociedade estão fazendo uma grande pressão no sentido de permitir o consumo e o comércio da erva, como ocorreu antes da legalização em países como Canadá e Uruguai.

“Chega uma hora em que a polícia não tem condições de ir atrás de quem planta e fuma. Os próprios policiais se questionam se eles devem ir atrás de político ladrão e grandes bandidos ou se vão ficar perdendo tempo indo atrás de usuário de maconha num país com tanto problema de verdade.”

Época Negócios, com BBC

 

 

Opinião dos leitores

  1. Isso é uma grande notícia, quando muitos chorão os seus filhos mortos pelas drogas aí vem essa grande materia ,isso sim é louvável!!!

    1. Eu ia comentar justamente isso. Mas pelo seu Nick vc deve estar sendo irônico. Já Eu, falo sério.

  2. Reportagem muito educativa, que esse doido fique por lá mesmo, aqui já temos muitas cracolândias.

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Geral

ABC perde para o Uberlândia no primeiro jogo da semifinal da Série D

Foto: Guilherme Drovas/ABC F.C.

O ABC perdeu por 1 a 0 para o Uberlândia neste sábado (22), no Parque do Sabiá, em Minas Gerais, pelo jogo de ida da semifinal da Série D. Marcos Calazans, ex-jogador do Mais Querido, marcou o gol da vitória mineira.

Já garantido na Série C de 2027, o ABC agora precisa vencer por pelo menos dois gols de diferença no jogo de volta para avançar à final. Uma vitória Alvinegra por um gol leva a decisão para os pênaltis.

ABC e Uberlândia voltam a se enfrentar no domingo (30), às 17h, na Arena das Dunas, em Natal.

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Geral

[VÍDEO] Zema divulga jingle que em que promete ‘acabar com PT’ e mostra Lula e ministros do STF atrás das grades

 

O candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, divulgou neste sábado (22) um jingle de campanha que promete “acabar com o PT” e mostra o presidente Lula e os ministros do STF Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes vestidos de presidiários atrás das grades.

Produzido com inteligência artificial, o vídeo usa uma paródia de “O nome dela é Jenifer” e também critica o chamado “jogo do tigrinho”, a influenciadora Virgínia Fonseca, as fraudes nos descontos do INSS e o aumento dos preços dos alimentos. A peça retoma ainda o discurso de Zema contra os chamados “intocáveis”, expressão usada pelo candidato para criticar integrantes do STF.

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Em sete dias de campanha, Pardal registra 71 denúncias eleitorais em 15 municípios no RN; Natal e Mossoró concentram maioria

Foto: Reprodução

O Rio Grande do Norte já soma 71 denúncias de possíveis irregularidades na propaganda eleitoral das Eleições 2026, segundo dados do painel do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrados até as 18h, deste sábado (22), consultados pelo BLOGDOBG.

Natal lidera, com 32 registros, seguida por Mossoró, com 18. Juntas, as duas cidades concentram 50 das 71 denúncias. São Gonçalo do Amarante aparece com 4 denúncias e Parnamirim com 3 ocorrências.

As denúncias foram registradas em 15 municípios. O uso irregular de carro de som, minitrio ou trio elétrico é a ocorrência mais frequente.

Candidaturas a deputado estadual concentram a maioria das denúncias, 35 no total. Partidos, coligações e federações receberam 11 denúncias.

Os registros não significam que as irregularidades tenham sido comprovadas. A análise e eventual aplicação de medidas cabem à Justiça Eleitoral.

O aplicativo Pardal começou a receber denúncias em 16 de agosto, início da propaganda eleitoral. O eleitor pode enviar fotos, vídeos, áudios e links pelo aplicativo, utilizando o e-Título ou uma conta Gov.br.

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[VÍDEO] Flávio pede votos para candidatos do PL ao Senado para “aprovar a anistia ampla, geral e irrestrita” e “libertar Jair Messias Bolsonaro”

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro pediu neste sábado (22) votos para candidaturas do PL ao Senado para que seja possível aprovar uma “anistia ampla, geral e irrestrita” e “libertar Jair Messias Bolsonaro”. Durante evento no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, Flávio citou especificamente os nomes de Carlos Jordy e Carlos Portinho, afirmando que os dois serão necessários no Congresso

“Eu vou precisar do Jordy e do Portinho para aprovar a anistia ampla, geral e irrestrita aos perseguidos do 8 de janeiro. Eu vou precisar do Jordy e do Portinho para libertar Jair Messias Bolsonaro”, afirmou Flávio.

No evento, que marcou o lançamento da candidatura de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio, Flávio também defendeu a classificação de facções como PCC e Comando Vermelho e milícias como grupos narcoterroristas.

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STTU divulga lista de veículos autuados por infrações de trânsito em Natal; saiba como consultar

Foto: Divulgação/STTU

A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana de Natal (STTU) publicou, neste sábado (22), no Diário Oficial, editais com notificações de autuações de trânsito. Os documentos trazem placa, número da autuação, data e código da infração.

A publicação não representa a aplicação definitiva da multa. Os proprietários têm até 30 dias para apresentar defesa ou indicar o condutor responsável.

Como a lista é bastante extensa, para verificar se determinado veículo consta nela, basta abrir o arquivo PDF dos editais e pesquisar pela placa. No computador, use Ctrl + F; no celular, utilize a opção “Pesquisar” ou o ícone de lupa, e então digite a placa do veículo.

A defesa ou indicação do condutor pode ser feita preferencialmente de forma eletrônica pelo Portal de Serviços da STTU. Também há opção de atendimento presencial, mediante agendamento, ou envio pelos Correios.

Clique aqui e consulte os editais publicados pela STTU

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Deputado Estadual Taveira Júnior mobiliza apoiadores em adesivaço e reforça força política em Parnamirim

Fotos: Yannick Pinheiro

Taveira Júnior (PSDB), o deputado estadual de Parnamirim, candidato à reeleição, participou neste sábado (22) de um grande adesivaço no município. A mobilização reuniu apoiadores e lideranças políticas e levou às ruas o clima de animação da campanha.

Ao lado do candidato ao Governo do Estado, Álvaro Dias (PL), Taveira Júnior acompanhou de perto a participação da população, reforçando seu compromisso de estar sempre junto do povo. Estiveram presentes também o ex-prefeito de Parnamirim Taveira, pai do deputado, o candidato ao Senado Coronel Hélio (PL) e candidata a deputada federal Nina de Souza (PL).

Para Taveira Júnior, estar nas ruas de Parnamirim representa também a oportunidade de reencontrar pessoas, fortalecer sua relação com a população e prestar contas do seu mandato.

“É muito bom ver tanta gente chegando junto, levando nossa mensagem para as ruas e demonstrando confiança no nosso trabalho. Parnamirim conhece a nossa história, sabe do nosso compromisso com a cidade e vamos continuar trabalhando para fazer ainda mais pela nossa população”, afirmou Taveira Júnior.

O deputado chega à campanha de reeleição tendo Parnamirim como sua principal base política. No atual mandato, Taveira Júnior destinou mais de R$ 4 milhões em recursos para o município, contemplando áreas como saúde, infraestrutura, segurança, causa animal, moradia, esporte e assistência social.

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‘EXTREMA GRAVIDADE’: Hospital Walfredo Gurgel enfrenta falta de itens essenciais; 25% dos insumos têm estoque zerado e 11% estão em nível crítico, aponta documento interno

Foto: Adriano Abreu

Um documento interno da Divisão de Farmácia Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel enviado à Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte (Sesap) aponta que 189 itens estão em falta. Na lista constam desde medicamentos a outros itens essenciais ao funcionamento da unidade hospitalar.

Dos materiais utilizados no hospital, 25% estão com estoque zerado e outros 11% em nível crítico, com quantidade suficiente para menos de um mês, diz o documento ao qual reportagem do jornal Tribuna do Norte teve acesso.

O documento classifica o cenário como de “extrema gravidade e vulnerabilidade assistencial”.

Entre os produtos em falta estão luvas, seringas, agulhas, soro fisiológico, antibióticos, morfina e noradrenalina, além de materiais utilizados em cirurgias e procedimentos de emergência, como tubos para intubação, drenos, bisturis e fios cirúrgicos.

O documento aponta como principais problemas a demora em processos de aquisição, falta de orçamento para empenhos, atrasos de fornecedores e entraves em licitações. Ainda segundo o documento, a situação tem levado o setor a atuar no “manejo diário de crises” e no contingenciamento de insumos básicos.

A Sesap nega que haja risco imediato aos pacientes. A secretária adjunta Leidiane Queiroz afirmou à Tribuna do Norte que os problemas estão relacionados principalmente a atrasos de fornecedores e que o Estado tem feito remanejamentos entre hospitais, negociações com empresas e empréstimos de insumos para evitar a interrupção do atendimento.

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[VÍDEO] ULTIMATO: Flávio dá prazo para marginais, narcoterroristas deixarem o Brasil e diz que eles têm “até dezembro para meter o pé”

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, reafirmou neste sábado (22) que, caso seja eleito, pretende classificar facções como Comando Vermelho e PCC como grupos narcoterroristas e intensificar o combate às organizações criminosas a partir de 2027.

“Eu não vou baixar a cabeça para bandido. Já tô avisando: marginais, narcoterroristas, vocês têm até dezembro desse ano para meter o pé do Brasil, porque, a partir de janeiro do ano que vem, nós vamos declarar guerra aos narcoterroristas”, disse durante o lançamento da candidatura de Douglas Ruas ao governo do Rio de Janeiro, no Maracanãzinho.

A proposta de classificar facções criminosas como organizações narcoterroristas consta no plano de governo de Flávio registrado no TSE.

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Onda 22 mobiliza Parnamirim: Álvaro Dias participa de grande adesivaço na Cohabinal com lideranças

O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias, participou na manhã deste sábado de um grande adesivaço no bairro da Cohabinal, em Parnamirim. Álvaro foi recebido por lideranças políticas que representam o povo de Parnamirim e pelo carinho da população, em uma mobilização que marcou a presença da Onda 22 no município.

Participaram da agenda o deputado estadual Coronel Azevedo, a vice-prefeita Kátia Pires, o ex-prefeito Taveira, o comunicador Salatiel de Souza, a vereadora Carol Pires, o deputado Taveira Júnior, além dos candidatos a deputado federal Cabo Deyvison, Jorge do Rosário e Pedro Filho. Também estiveram presentes o ex-deputado estadual Marciano Júnior, o pré-candidato ao Senado Coronel Hélio, Daniela Pardo, a pastora Joice, Gabriela Fagundes e o General Girão.

Durante o adesivaço, Álvaro destacou a importância de Parnamirim para o projeto político e defendeu a escolha de um governador com experiência e compromisso com o Estado.

“Precisamos escolher um governador sério, correto, com experiência. Eu fui o prefeito, em toda a história de Natal, que mais entregou obras para a população. Vamos todos juntos, de mãos dadas, lutar pelo futuro do nosso Rio Grande do Norte”, afirmou.

Ainda em Parnamirim, Álvaro Dias participou da inauguração do comitê de Gabriel César, candidato a deputado estadual. O evento também contou com a presença do deputado federal Sargento Gonçalves e reuniu apoiadores e lideranças políticas.

A agenda reforçou a mobilização da Onda 22 em Parnamirim e o diálogo de Álvaro Dias com lideranças que representam diferentes setores da população do município.

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[VÍDEO] Lula pede voto para candidato ao Senado no RJ que foi acusado de agredir ex-mulher e teve vídeo íntimo vazado

Em comício neste sábado (22) no Estádio Moça Bonita, no bairro de Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro (RJ), o presidente Lula (PT) pediu para o deputado federal Pedro Paulo (PSD), que é candidato ao Senado, ao lado da petista Benedita da Silva, na chapa majoritária que tem como candidato a governador o ex-prefeito da capital fluminense Eduardo Paes (PSD). “Pedro Paulo merece toda a minha confiança”, disse o petista.

Em 2015, Alexandra Marcondes, ex-companheira de Pedro Paulo, registrou boletim de ocorrência acusando o candidato de tê-la agredido com “socos no corpo e no rosto” durante uma discussão dentro do carro em 2008. A agressão teria acontecido diante da filha do casal, que à época tinha dois anos de idade. Ela relatou que sofreu uma segunda agressão em 2010. O laudo, segundo reportagem do UOL, registrou que a vítima “levou socos, foi agarrada pelo pescoço, jogada contra a parede e no chão, além de ser machucada com chutes”. Após esse segundo episódio de violência, o casal se separou.

Em novembro de 2015, durante uma entrevista coletiva ao lado da ex-esposa, Pedro Paulo confessou que havia agredido Alessandra Marcondes, mas ela defendeu o ex-marido dizendo que ele “nunca havia sido uma pessoa agressiva”. Ele chegou a ser alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o caso foi arquivado.

Em 2024, Pedro Paulo desistiu de ser candidato a vice-prefeito do Rio de Janeiro na chapa de Eduardo Paes, que terminou sendo reeleito naquele ano, após a imprensa noticiar o vazamento de um suposto vídeo íntimo do deputado federal. Ele justificou a desistência alegando que tinha medo que o episódio fosse “explorado politicamente” pelos adversários.

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