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FOTOS: Brasileiro se muda para a Califórnia para plantar maconha, ganha dez copas de melhor haxixe e vira ídolo

HAROLD WINSTON, O BAMF, DEIXOU O BRASIL AOS 18 ANOS PARA VIAGEM DE UMA SEMANA EM AMSTERDÃ E NÃO VOLTOU MAIS (FOTO: MALACHI BANALES/ DIVULGAÇÃO)

Proibido no Brasil e seis vezes mais caro que o ouro. O cristal de poucos centímetros, levemente amarelado, quase transparente, é exposto em lojas especializadas em maconha da Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos, como uma joia.

Cada grama do extrato ultraconcentrado de maconha produzido pelo brasileiro Harold Winston, mais conhecido como Bamf, de 34 anos, pode custar até US$ 250 — o equivalente a cerca de R$ 1.000. A porção é suficiente para fazer dois cigarros — misturando com tabaco ou ervas – ou usar até cinco vezes num bong — purificador, geralmente feito de vidro, utilizado para fumar maconha.

Harold deixou o Brasil em 2003, há 16 anos, atraído pelo desejo de trabalhar com cannabis. Antes de deixar o país, ele tinha plantado 400 pés de maconha no quintal da casa onde vivia com a família em Belo Horizonte. A mãe dele descobriu, destruiu o plantio e pagou ao filho uma viagem para ele passar uma semana em Amsterdã, na Holanda. Ele nem chegou a pegar o voo de volta e, desde então, só visitou a terra natal em festas de fim de ano.

Nesse período, Harold viveu cinco anos na Holanda, ganhou 10 prêmios em competições de maconha nos Estados Unidos e se tornou uma das maiores referências do mundo canábico.

No Brasil, o plantio, a venda ou a doação de maconha são considerados tráfico de drogas, crime punido com penas de 5 a 15 anos de prisão, além de multas. Usar a erva é considerada apenas uma contravenção. Nesses casos, o usuário deve prestar serviços à comunidade e fazer um curso sobre os danos causados pelo uso de drogas.

O advogado Ricardo Nemer, da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas (Reforma) diz que muitas vezes a distinção entre usuário e traficante, feita principalmente pela Polícia Civil, é incerta e pode resultar em punições injustas.

“Depende do ‘achismo’ do delegado. Não há regra do que é pequena ou grande quantidade. Isso causa uma grande insegurança jurídica e enquadra diversos usuários como traficantes. Um exemplo são as pessoas que cultivam maconha para fazer extratos (como os produzidos por Bamf) e precisam de muitas plantas”, explica o advogado.

Mas o que há de tão especial na maconha concentrada?

“Você dá uma simples puxada e é como se você tivesse fumado uns dez baseados inteiros”, diz Fernando Badaui, de 43 anos, vocalista da banda CPM22. “Não tem nenhuma impureza. É como degustar um bom vinho. Quando você fuma uma maconha comum, tem o papel, folhas, galhos e tudo mais junto, fora a sujeira. Aquilo que o Bamf faz é o puro extrato de THC, o princípio ativo que causa a brisa. Eu já experimentei maconha em diversos países que visitei e digo que essa está entre as melhores do mundo.”

FERNANDO BADAUI (À ESQ.), VOCALISTA DA BANDA CPM22, VISITOU DIVERSAS VEZES O BRASILEIRO HAROLD WINSTON, NA CALIFÓRNIA (FOTO: FERNANDO BADAUI/ ARQUIVO PESSOAL)

Badaui é conhecido por ser um combativo ativista nas redes sociais pela liberação da maconha. No Instagram, por exemplo, ele faz constantes publicações para defender a descriminalização do uso e a regulamentação do plantio da erva no Brasil. Ele conta ter conversado com o skatista Bob Burnquist, outro assíduo defensor da cannabis.

“Falei pro Bob que a gente está junto nessa. A imagem dele é muito importante para mostrar que um atleta de elite pode usar maconha”, afirmou Badaui em entrevista à BBC News Brasil.

O brasileiro Harold diz que Badaui o visita duas vezes por ano na Califórnia e que já experimentou vários de seus produtos. “A gente virou amigo. Ele é um ativista que representa muito nossa luta e eu acho lindo todos esses caras de peso desmistificando o uso da maconha. Eles demonstram que podem fumar e serem grandes profissionais. A manifestação pública dessas pessoas é um dos caminhos para a legalização no Brasil”, afirmou.

‘Amor’ pela erva

Harold nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, mas seus pais avaliaram que não teriam condições de criá-lo. Aos três meses de idade, o bebê foi adotado por americanos que viviam em Belo Horizonte e o batizaram com o nome do avô americano.

“Eu sempre fui um moleque doido, talvez pelo fato de ser adotado. Fui expulso de todas as escolas por onde passei em Belo Horizonte”, conta o brasileiro. Ele diz que ter se tornado uma referência na produção de maconha na Califórnia é a realização de seu maior sonho.

Todo esse amor pela maconha, conta Bamf, começou assim que experimentou a erva pela primeira vez, aos 16 anos.

“O problema foi que eu gostei demais, irmão. Um dia depois de sentir aquela sensação, comprei 25 gramas (suficiente para produzir até cerca de 50 baseados). Foi doido. A partir daquele dia, eu queria ver coisas sobre maconha o dia todo, queria experimentar a melhor maconha do mundo e fiquei na caça daquilo. Naquele mesmo ano, descobri o haxixe e pirei de vez”, conta o brasileiro aos risos.

Na época, ele passou a ter acesso e consumir grandes quantidades de haxixe trazido do Paraguai. Mas ele conta que sentia desgosto por consumir algo sujo e de procedência desconhecida. Seu sonho passou a ser produzir seu próprio concentrado, de alta pureza.

400 plantas no quintal

Sem se importar com as leis brasileiras, o adolescente passou a plantar maconha no quintal de casa, em 2002. E num volume capaz de atrair muita atenção.

 

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“Eu meti 400 plantas lá. Falei para a minha mãe que era ayahuasca porque era legal. Mas depois de certo tempo, uma amiga dela foi lá em casa e viu o cultivo. Eu estava na esperança de que não acontecesse nada, mas essa mulher colocou algumas folhas no bolso antes de ir embora. Dois dias depois, minha mãe descobriu que era maconha, ficou puta comigo e destruiu todas as plantas”, diz Harold.

Além de sustentar seu consumo diário da erva, o cultivo fornecia material para que fizesse seus primeiros testes. Na época, ele conta que passava o dia cuidando das plantas, estudando e discutindo novas técnicas para aumentar sua produção e fazer extratos de qualidade. Sua fonte era o site brasileiro Growroom, o maior fórum online sobre maconha da América Latina, com mais de 120 mil inscritos.

“O Growroom para mim era um portal da coisa mais secreta do mundo. Passava o dia ali como um louco, como se o fórum fosse um livro aberto na minha frente. Ali, foi com certeza minha primeira escola, a base de tudo que aprendi até hoje”, relata.

Depois de duas semanas sem falar com o filho por conta da plantação em seu quintal, sua mãe, Nilza Cozac, o chamou para dar uma bronca e ter uma conversa franca. Cozac, conta Harold, foi a primeira mulher a se formar em direito em Minas Gerais e tinha um profundo conhecimento sobre a legislação.

“Minha mãe já tinha mais de 60 anos, mas era muito cabeça aberta. Ela me alertou que uma plantação daquele tamanho era motivo para o governo querer tomar nossa casa, um dos poucos assuntos que despertavam atenção do governo e policiais. E disse que me presentearia com uma viagem de uma semana para Amsterdã, na Holanda, quando completasse 18 anos. Ela queria que eu conhecesse um lugar onde pudesse fumar maconha sem problemas”, conta.

Viagem para Amsterdã

A mãe cumpriu a promessa. E ele nunca mais voltou para o Brasil.

“Eu fiquei muito louco quando cheguei lá (em 2003). Parecia uma criança em loja de brinquedo. Fiquei matutando como eu poderia ficar na Holanda e passar a vender maconha por um preço 100 vezes melhor do que as pessoas no Brasil. Minha mãe ficou desesperada quando soube”.

Harold conta que morou durante um ano em um apartamento para refugiados africanos em Amsterdã, que alugava por 300 euros. Durante esse tempo, ele fez contatos e aprimorou seus conhecimentos sobre a erva.

“Eu me envolvi com pessoas que achava que tinham maconha e haxixe bom. Na Holanda, a maconha é apenas tolerada. Durante os cinco anos que fiquei no país, vi muita gente sendo presa, inclusive conhecidos. Logo começaram a me dizer que eu estava no lugar errado, que eu deveria ir para a Califórnia”, diz.

Depois de fazer uma série de pesquisas e assistir a vídeos no YouTube, ele decidiu se mudar para os Estados Unidos.

Primeiro, ele foi para Nova York, mas depois de um ano vivendo “num frio dos infernos” e presenciando uma forte repressão policial contra usuários de maconha, ele resolveu se mudar, em 2009, para Los Angeles, na Califórnia, onde vive até hoje.

“Eu mal cheguei e enlouqueci. Eu fiquei gritando na rua, literalmente, porque a cada esquina tinha loja para você comprar equipamentos. Você fica louco mesmo. Entrei na primeira que eu vi e fiquei conversando com o dono durante horas sem parar”, lembra Bamf com euforia.

Três dias depois de chegar à “meca” da maconha, Harold comprou uma luz especial – ideal para seis plantas – e começou a plantar a própria erva dentro de casa. Seis meses depois, tinha dez lâmpadas. Um ano depois, tinha 15.

Depois da longa experiência em Amsterdã, o jovem avaliou que o mercado na Califórnia tinha bons equipamentos, uma legislação muito favorável, mas ainda era pouco desenvolvido. Sua maior surpresa, porém, foi quando assistiu à uma edição da Cannabis Cup, a maior competição de maconha dos EUA, promovida pela revista High Times.

“Eu não acreditei que os caras vacilavam tanto. Num país de primeiro mundo, com ótimos equipamentos e maconha boa, eles poderiam fazer muito mais”, relata o brasileiro. Aquele era o incentivo que faltava para ele começar sua própria produção e buscar seu espaço no mercado.

Riscos para a saúde

O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador, há 30 anos, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da universidade, Dartiu Xavier, condena o uso de maconha por adolescentes, como fez Harold.

“Eu acho que ninguém deveria fumar antes dos 18. Alguns autores dizem a partir dos 21. O ponto mais preocupante é que a maconha pode desencadear uma psicose, quando o usuário sai da realidade. Caso ele tenha uma predisposição para isso, a maconha pode funcionar como um gatilho”, explicou.

Por outro lado, o médico afirma que no seu ponto de vista a regulamentação do uso da maconha diminuiria o consumo da erva no país e seria um avanço na área da saúde.

“Nos lugares onde existem políticas mais tolerantes ou legalização, como a Holanda ou Estados Unidos, as pessoas não fogem das informações. Há inclusive uma grande política de redução de riscos. No clima de proibicionismo como há aqui, ninguém tem informação. A Holanda, inclusive, é um dos poucos países onde o consumo de maconha vem caindo. Uma prova cabal de que a proibição do uso aumenta o consumo”, afirmou Xavier.

Entretanto, o coordenador do Projeto Antitabágico do Hospital Universitário da USP, João Paulo Lotufo, diz que qualquer relaxamento em relação ao consumo de maconha seria um erro.

“Nos Estados Unidos e no Uruguai, onde o uso é permitido, dobrou o número de dependentes. Se hoje há um surto psicótico a cada 100 pessoas, se libera, você dobra para 2. Vai subir o número de acidentes automobilísticos causados pelo uso da droga, sem contar que as lesões causadas pela maconha no cérebro são irreversíveis”, disse o médico.

BAMF GANHOU DEZ PRÊMIOS – OITO CONSECUTIVOS – DE MELHOR EXTRAÇÃO DE MACONHA PELA REVISTA MAIS IMPORTANTE SOBRE O ASSUNTO NOS EUA (FOTO: BBC)

Lotufo diz ainda que a maconha é mais cancerígena que o tabaco (com base em estudo publicado na revista European Respiratory Journal em 2008) e que os custos arrecadados com impostos em caso de regulamentação não seriam suficientes nem mesmo para bancar o aumento dos gastos com saúde.

“O imposto arrecadado com a venda de cigarros também não cobre a lesão que o tabaco provoca no sistema de saúde. Liberar o uso no Brasil seria um absurdo. Alguns falam na internet que a maconha é medicinal, mas não tem nada disso. O canabidiol (CBD) sim é medicinal, mas trata-se de um extrato que nada tem a ver com o uso recreativo”, afirmou o médico da USP.

Para ele, a pressão para a regulamentação do uso recreativo ocorre por uma forte pressão financeira, que ignora os riscos à saúde.

Técnica secreta

O primeiro passo de Harold Winston para entrar no mercado canábico foi convencer Nikka T, produtor do que muitos consideram o melhor haxixe vendido nos EUA na época, a ensiná-lo a fazer o produto. Haxixe é uma pasta densa feita da resina de maconha, fumada em bong, narguilé ou em cigarro- misturado com tabaco ou maconha.

“Fiquei enchendo o saco dele igual um fã durante seis meses, até que um dia ele resolveu me ensinar. Ele me convidou e eu fui até o Colorado para aprender a técnica e, na semana seguinte, eu já era o melhor hashmaker (produtor de haxixe) da Califórnia. Isso foi há nove anos, na mesma época que minha mãe morreu de câncer”, relata ele.

Ao contrário do haxixe vendido no Brasil, feito com restos de maconha de baixa qualidade, muitas vezes feito das sobras de resina que grudam na mão das pessoas que colhem a planta no Paraguai, o produto de Bamf passa por um complexo processo.

Assim que ele fez o primeiro haxixe usando uma técnica de extração à base de água, sem solventes, ele teve a certeza de que tinha condições de era algo inédito e quis colocar seu produto à prova num campeonato. Mas, para isso, era necessário ser dono de um dispensário. Apenas a loja Buds and Roses aceitou o pedido.

O produto de Bamf chamou a atenção logo no momento da inscrição por conta de sua cor clara – sinal de pureza – e por ser o único feito com água. A maioria dos concentrados, conta Harold, é feita com gás butano – o mesmo usado em isqueiros.

 

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Em meio a 40 competidores, o brasileiro ganhou seu primeiro seu primeiro troféu. No dia seguinte, ele viu sua popularidade disparar e seu produto se tornar uma referência num dos mercados mais exigentes do mundo. A demanda foi tão grande que ele conta ter ficado sete dias sem dormir fazendo haxixe sozinho em sua casa para dar conta de alguns pedidos.

Uma das encomendas foi feita pelo grupo americano de rap Cypress Hill. “Eles encostaram na minha casa com um caminhão cheio de maconha para eu fazer haxixe para eles. Perguntei se estavam loucos porque eu demoraria um ano para terminar aquilo sozinho. Uma semana após terminar o serviço, eles levaram outro caminhão cheio”, conta.

Pouco tempo depois, Harold fundou sua própria empresa, a Bamf, que aos poucos virou o nome com o que Harold passaria a ser conhecido no mercado canábico. O nome significa Badass Motherf***er e foi inspirado em uma cena do filme Pulp Fiction.

A Bamf começou a se tornar uma referência de qualidade na Califórnia. Ganhou oito Cannabis Cups consecutivas de melhor haxixe e passou a ser cultuado por usuários de maconha não só na Califórnia, mas ao redor do mundo.

“O campeonato não dá dinheiro, mas no momento que você sai do palco com o troféu, aparecem mais de 50 donos de lojas querendo comprar tudo o que você tem. Gente tirando maços de dinheiro e do bolso. Eu pensava que era até policial querendo me pegar”, conta.

A marca começou a virar moda. A Bamf passou a vender camisetas, souvenirs e sementes. No Instagram, a marca é elogiada por diversos consumidores – alguns, famosos – americanos e brasileiros. Mas o crescimento trouxe alguns problemas para Harold e ele sente medo dessa expansão.

“A Bamf me deixou muito satisfeito e ciumento. Hoje, tenho 35 funcionários, mas sinto medo de ampliar demais, crescer, e precisar entregar meu segredo para mais pessoas. Eu criei um monstro. Imagine criar um gorila dentro de um quarto. Uma hora você vai tomar um soco. Aconteceu isso comigo. Teve gente que veio, aprendeu e hoje criaram as coisas deles. Mas como eu comecei primeiro que todo mundo, ainda estou alguns passos à frente”, afirmou.

Mesmo assim, ele revelou à BBC News Brasil alguns “segredos” da estratégia para se obter um produto de alta pureza.

“O segredo maior é olhar para as flores da maconha como se ela fosse uma vaca. No momento em que você abate a vaca, ela deve estar em ambiente refrigerado para não degenerar. Quando você corta a maconha é a mesma coisa porque ela começa a morrer. Se você não mantiver ela refrigerada em uma hora para manter ela viva, a planta começa a secar e perde óleo”, afirmou.

Harold não deu mais detalhes, mas afirmou que mantém a planta congelada até o momento da extração, e que “o solvente e o produto devem ser mantidos em temperaturas negativas”.

Maconha no Brasil

Harold diz que sua empresa está em plena expansão e conta que acabou de comprar uma área de 2 hectares – equivalente a mais de dois campos de futebol – no Estado de Oregon apenas para plantar maconha rica em CBD, usado principalmente para a produção de remédio.

Essa cepa não tem THC, o princípio ativo da planta, que causa o “barato”. Ele diz que fará isso porque se sente na obrigação de se colocar em todos os setores do mundo canábico.

Harold se diz triste com a lei de drogas brasileira. Para ele, a legalização do cultivo, comércio e consumo da erva poderiam ser de grande ajuda à combalida economia do país.

“A salvação do Brasil é a maconha. É a única coisa que pode gerar milhares de empregos e trilhões de reais no mercado econômico de maneira imediata e o povo precisa entender isso. O país está perto da linha do Equador, tem um clima perfeito e terra abundante, emprego. Sem falar que a maconha é matéria-prima de 35 mil produtos diferentes, num ciclo de dois meses. Para quê cortar árvore? Eu amo o Brasil e estou doido para e poder trabalhar com o que eu gosto no meu país”, afirmou.

Ele pondera, por outro lado, que até mesmo o mercado americano ainda não é tão claro sobre o que pode ser feito.

“Eu mesmo fui preso há três anos. Aqui é legal, mas ao mesmo tempo não é. Fui parado por um policial e tinha 20 kg de maconha no carro. Eu tinha uma licença e disse que mostraria ao policial, mas ele disse que rasgaria o documento caso eu mostrasse. A sorte é que nos EUA você não é condenado até esgotar o processo. Depois de dois anos e meio, fui absolvido”, afirmou.

Na Califórnia, a venda da maconha recreativa é legal. Por outro lado, a erva continua classificada como um narcótico ilegal sob a lei federal americana.

“Há um conflito de leis federais e estaduais que cria uma zona cinzenta nos Estados Unidos. Há a legalização, mas por outro lado há uma grande dificuldade para conseguir as licenças e isso causa uma grande insegurança jurídica”, diz o advogado Ricardo Nemer.

Já no Brasil, ativistas dizem que o caminho mais provável para descriminalizar o uso da maconha e dar o primeiro passo rumo à legalização é o julgamento no STF de um processo que pode revogar o artigo 28 da Lei Antidrogas. Isso permitiria a posse de pequenas quantias e plantio da erva para consumo próprio.

Esse processo, parado desde 2015 após o ministro Teori Zavascki pedir vistas, está marcado para ser retomado no dia 5 de junho. A pausa ocorre porque, depois da morte de Zavascki, o caso foi para as mãos de Alexandre de Moraes.

No ponto de vista do músico Badaui, que diz ter visitado diversos países onde há regulamentação, tolerância ou descriminalização do uso da cannabis, diz que é apenas uma questão de tempo para que o mesmo ocorra no Brasil.

“Há dez anos, esse assunto era tratado como tabu. Hoje, todos sabem que esse consumo não vai parar e que não tem como seguir outro caminho a não ser o da legalização. Por mais conservador que seja o governo, o Brasil sempre seguiu o modelo americano. É hora de desmantelar o mercado negro e explorarmos economicamente a cannabis”, afirmou o músico.

Bamf também acha que a legalização da cannabis no Brasil não deve demorar. Ele diz que diversos setores da sociedade estão fazendo uma grande pressão no sentido de permitir o consumo e o comércio da erva, como ocorreu antes da legalização em países como Canadá e Uruguai.

“Chega uma hora em que a polícia não tem condições de ir atrás de quem planta e fuma. Os próprios policiais se questionam se eles devem ir atrás de político ladrão e grandes bandidos ou se vão ficar perdendo tempo indo atrás de usuário de maconha num país com tanto problema de verdade.”

Época Negócios, com BBC

 

 

Opinião dos leitores

  1. Isso é uma grande notícia, quando muitos chorão os seus filhos mortos pelas drogas aí vem essa grande materia ,isso sim é louvável!!!

    1. Eu ia comentar justamente isso. Mas pelo seu Nick vc deve estar sendo irônico. Já Eu, falo sério.

  2. Reportagem muito educativa, que esse doido fique por lá mesmo, aqui já temos muitas cracolândias.

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Geral

[VÍDEO] TARIFAÇO: Lula confirma aplicação da Lei de Reciprocidade contra os EUA e diz que é para mostrar que o Brasil “não é pouca coisa”

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta sexta-feira (14) que o Brasil vai aplicar a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos, em razão do ‘Tarifaço’, para mostrar que o país “não é pouca coisa”.

“Nós ontem entramos com a lei de reciprocidade para a gente mostrar que a gente também não é pouca coisa. Nós nos respeitamos”, afirmou.

A declaração foi dada durante entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs. Segundo Lula, os EUA estariam divulgando “inverdades contra o Brasil”.

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Geral

PROPAGANDA ELEITORAL EM 2026: o que pode e o que é proibido nas redes sociais

Foto: Getty Images

As redes sociais terão regras específicas para a propaganda eleitoral nas eleições de 2026. As normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelecem limites para candidatos, partidos e usuários e também disciplinam o uso de inteligência artificial durante a campanha.

A propaganda eleitoral na internet será permitida a partir de 16 de agosto e poderá ser publicada em redes sociais, blogs, sites e aplicativos de mensagens. As páginas oficiais de candidatos, partidos, federações e coligações deverão ser informadas previamente à Justiça Eleitoral.

A Justiça Eleitoral também poderá determinar a retirada de conteúdos que contenham ataques ou agressões contra candidatos, quando houver solicitação do indivíduo ofendido.

O que é permitido

Candidatos e partidos poderão divulgar propostas e conteúdos de campanha nas redes sociais. O impulsionamento de publicações também será permitido, desde que siga as regras eleitorais.

Eleitores também podem manifestar opiniões políticas na internet. A liberdade de expressão só poderá ser limitada em casos de ofensa à honra ou imagem de candidatos e partidos ou de divulgação de fatos comprovadamente falsos.

O que é proibido

A legislação proíbe propaganda eleitoral paga na internet, com exceção do impulsionamento autorizado. Também não é permitido utilizar publicidade para criar artificialmente estados emocionais ou passionais na opinião pública.

Outro ponto importante envolve a inteligência artificial. Conteúdos produzidos ou alterados por IA, como vídeos, imagens, áudios e textos, deverão ser identificados de maneira clara, informando que foram gerados ou manipulados pela tecnologia.

O uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidatos será proibido, mesmo com autorização das pessoas envolvidas.

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Geral

[VÍDEO] “Walter Alves teve coragem de não assumir a bomba que Fátima ia deixar para ele no Governo do Estado”, comenta BG

No programa “Meio Dia RN” desta sexta-feira (14), BG elogiou a decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir a gestão estadual em razão do caos financeiro deixado pela governadora Fátima Bezerra (PT). Ele fez o comentário ao repercutir uma entrevista da petista a uma rádio da capital potiguar, acusando-a de mentir sobre o pagamento dos salários dos servidores.

“Olha, cada dia eu admiro mais a coragem do vice-governador Walter Alves de ter apertado aquele botão assim: ‘Fátima, você não vai me lascar, não. Toma que o filho é teu’. Nunca na minha vida eu acreditaria que um vice-governador abdicaria do sonho de governar o estado que ele nasceu, que o pai foi governador, para simplesmente não cortar com a sua cabeça, não entrar na guilhotina. Foi isso que fez Walter Alves, teve coragem de não assumir essa bomba. Fátima Bezerra foi ontem numa FM aqui em Natal, dizer que os salários estão em dia. Fátima, você tá atrasando o salário todo mês, não repassa o dinheiro dos consignados dos servidores para o Banco do Branco e não paga os fornecedores, que estão há mais de cinco meses sem receber”, comentou BG.

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Eleições 2026

Flávio Bolsonaro no Maracanãzinho e Lula em Bangu: candidatos fazem atos no mesmo dia no Rio de Janeiro

Fotos: Reuters e EPA/Shutterstock via BBC

A disputa presidencial de 2026 terá um duelo de peso no Rio de Janeiro. Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) escolheram a capital fluminense para cumprir agendas políticas no mesmo dia, neste domingo (16), data que marca o início oficial da campanha eleitoral.

Flávio participará de um ato no Maracanãzinho, espaço que já foi palco da convenção que lançou a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência em 2022. A escolha reforça a estratégia do senador de se apresentar como herdeiro político do pai e mobilizar a base bolsonarista no estado.

Lula, por sua vez, estará em Bangu, na Zona Oeste do Rio, em agenda voltada à sua campanha pela reeleição. O petista busca ampliar sua presença em áreas populares e fortalecer a mobilização de sua base no estado.

Os dois atos, realizados praticamente lado a lado no calendário, dão o tom de uma eleição marcada pela polarização entre os dois principais campos políticos do país. A campanha presidencial começa oficialmente neste domingo, quando os candidatos passam a poder realizar comícios, passeatas e pedir votos de forma explícita.

Com informações do jornal O Globo

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Geral

DINHEIRO INDO PELO RALO: famílias brasileiras perdem R$ 62,5 bilhões com bets em 2025

Imagem: ilustrativa/Gerada por IA

As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões com bets em 2025, segundo estimativa do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados( baseada em dados do Banco Central.

O levantamento aponta que R$ 350,97 bilhões foram transferidos por pessoas físicas para plataformas de apostas ao longo do ano. Considerando o valor líquido — o que foi pago menos o que voltou aos apostadores —, a perda chegou aos R$ 62,5 bilhões.

O valor equivale a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias e representa quase 40% de tudo o que foi pago pelo Bolsa Família em 2025. O estudo estima ainda que 25,3 milhões de brasileiros apostaram no período. O avanço das bets ocorre justamente em meio ao aumento do endividamento das famílias. Dados do Banco Central indicam que as dívidas já representam praticamente metade do que os brasileiros recebem, com sucessivos recordes, considerando valor atual das dívidas das famílias com o Sistema Financeiro Nacional e a renda das famílias acumulada nos últimos doze meses.

Os valores dispararam a partir de janeiro de 2025, justamente quando a regulamentação entrou em vigor, mas tiveram uma leve queda em outubro, quando os benefícios do Bolsa Família foram proibidos de apostar. De janeiro a dezembro de 2025, 25,3 milhões de pessoas apostaram em plataformas de apostas esportivas no Brasil. O governo federal calculou 100,8 milhões de contas ativas em bets (um mesmo CPF pode ter mais de uma conta). Mais de dois terços dos apostadores são homens. Mulheres representam 31,7% das contas que fizeram apostas.

Com informações do Estadão

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Geral

Ex-prefeito de Nova Cruz, Flávio de Berói desiste de candidatura a deputado estadual pelo PSDB

O jornalista Tácio Cavalcanti noticiou em sua coluna no portal da rádio 98 FM Natal que o ex-prefeito de Nova Cruz, Flávio de Berói, confirmou nesta sexta-feira (14) a retirada de sua candidatura a deputado estadual pelo PSDB, que é presidido no Rio Grande do Norte pelo deputado estadual Ezequiel Ferreira.

A desistência representa uma baixa importante para a nominata tucana na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa. Flávio tem atuação política consolidada no Agreste, vinha pontuando bem nas pesquisas eleitorais e era considerado um nome com potencial para conquistar uma votação expressiva.

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Geral

Lobista investigada no caso Lulinha visitou gabinete de Padilha e Liderança do Governo na Câmara

Reprodução / Redes Sociais

Registros oficiais da Câmara dos Deputados mostram que a lobista e empresária Roberta Luchsinger esteve em seis gabinetes da Casa entre dezembro de 2022 e setembro de 2025. Entre os destinos estão o gabinete de Alexandre Padilha (PT-SP), hoje ministro da Saúde, além da própria Liderança do Governo na Câmara, já durante o governo Lula.

De acordo com levantamento do Metrópoles, obtido por meio da Lei de Acesso à Informação, Luchsinger esteve no gabinete de Padilha em 7 de dezembro de 2022, quando ele ainda era deputado. O ministro confirmou a visita e afirmou que seus gabinetes recebem atores políticos, especialmente de seus estados de origem.

Pouco mais de um mês depois, em 24 de janeiro de 2023, já no início do governo Lula, Luchsinger registrou entrada com destino à Liderança do Governo na Câmara, então ocupada pelo deputado José Guimarães (PT-CE). A empresária também aparece em registros de visitas aos gabinetes dos deputados Florentino Neto (PT-PI) e Fábio Macedo (Podemos-MA), além da Liderança do Podemos. Em setembro de 2025, esteve no gabinete do então deputado Otto Alencar Filho (PSD-BA).

Roberta Luchsinger é investigada no Supremo Tribunal Federal em um inquérito que apura possível tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Ela também já foi citada no contexto das investigações sobre o escândalo do INSS, por sua atuação ao lado do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Com informações do Metrópoles 

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Geral

Após Flávio no Missão, suspeitos tentaram filiar Renan ao PCdoB


Divulgação / Missão

Após o episódio da filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro (PL) ao Missão, na quinta-feira (13/8), o presidenciável da própria sigla, Renan Santos, teve seu nome usado em uma tentativa de filiação sem autorização ao PCdoB.

Segundo Renan, por volta das 2h30 da sexta-feira (14/8), integrantes de sua campanha receberam, no e-mail institucional, um aviso de que o nome do candidato havia sido inserido em um processo de filiação ao partido comunista.

Para concluir a filiação, Renan Santos teria de acessar um link fornecido no e-mail para confirmar o processo. Dessa forma, o sistema do PCdoB enviaria o processo de filiação do presidenciável ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Entretanto, após a repercussão do episódio envolvendo Flávio Bolsonaro, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, determinou, na noite da quinta-feira, a retirada do sistema “Filia” do ar, impedindo eventuais trocas de partido.

Além de Flávio e Renan, o presidente Lula também teve seu nome envolvido em uma tentativa de fraude de troca partidária. Tentaram filiar o petista ao Missão e ao Democracia Cristã, o que foi impedido antes de chegar ao TSE, como noticiou o jornal O Globo.

Igor Gadelha / Metrópoles

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Geral

Em um mês, pelo menos 10 pesquisas apontam Zenaide como reeleita para o Senado


Foto: Divulgação

Pelo menos 10 pesquisas eleitorais realizadas ou divulgadas ao longo dos últimos 30 dias colocaram a senadora Zenaide Maia (PSD) entre os dois nomes que seriam eleitos para o Senado Federal pelo Rio Grande do Norte caso a eleição fosse realizada no momento de cada levantamento. Os resultados, produzidos por diferentes institutos e veículos, mostram a senadora presente de forma recorrente no grupo que ocupa as duas vagas em disputa.

Os últimos levantamentos foram desta sexta-feira (14). Na pesquisa Consult/Tribuna do Norte, ela aparece com 12,18% na soma do primeiro e do segundo voto, à frente de todos os demais candidatos que disputam a segunda vaga. Já a DataVero/Diário do RN aponta Zenaide com 13% no resultado unificado, também entre os eleitos.

A sequência de levantamentos positivos começa com a pesquisa DataVero/Diario do RN, divulgada em 14 de julho, que apresentou Zenaide com 14,6% das intenções de voto, e reeleita para o Senado.

Desde então, pelo menos mais nove levantamentos mantiveram Zenaide entre os dois primeiros nomes, dentro da faixa de eleição.

Confira os levantamentos:

* DataVero/Diário do RN — 14 de julho: Zenaide registrou 14,6% na soma do primeiro e segundo votos.
* Data Census/Mega Portal RN — 20 de julho: Zenaide apareceu entre os dois nomes que ocupariam as vagas, com 29% no cenário de votos válidos.
* Exatus/Agora RN — 21 de julho: Zenaide registrou 34,34% na soma das duas escolhas e ficou em segundo lugar.
* TSDois/TCM — 28 de julho: Zenaide apareceu em segundo lugar no consolidado, com 20,7%.
* Perfil/Blog do BG – 29 de julho: Zenaide alcançou 12,06%, pontuação que a colocava como reeleita.
* Data Capital – 5 de agosto: Zenaide liderou o cenário com 50% das intenções de voto.
* Metadata/98FM — 10 de agosto: Zenaide cresceu para 13,6%, 1,4 ponto percentual acima do levantamento anterior do mesmo instituto, e apareceu novamente entre os eleitos.
* Seta — 12 de agosto: Zenaide manteve a segunda colocação, com 20% na média consolidada.
* Consult/Tribuna do Norte – 14 de agosto: Zenaide reeleita com 12,18% na soma das intenções de voto.
* DataVero/Diário do RN – 14 de agosto: Zenaide também reeleita com 13%.

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Geral

PESQUISA CONSULT/TN AVALIAÇÃO: No RN, quase 50% desaprovam gestão Lula; Fátima tem 66,47% de desaprovação

Foto: Reprodução / Internet

A pesquisa Consult/Tribuna do Norte, divulgada nesta sexta-feira (14), revela um cenário desfavorável para os governos do presidente Lula e da governadora Fátima Bezerra no Rio Grande do Norte. Apesar de Lula liderar as intenções de voto para entre os potiguares, a maioria dos entrevistados desaprova sua gestão.

De acordo com o levantamento, 49,59% desaprovam o governo Lula, enquanto 45,65% aprovam. Outros 4,76% não souberam responder. O cenário é ainda mais negativo para Fátima Bezerra. A gestão estadual é desaprovada por 66,47% dos eleitores, contra apenas 25,29% que aprovam. Outros 8,24% não souberam responder.

A pesquisa Consult ouviu 1.700 eleitores entre os dias 8 e 10 de agosto, em 64 municípios do Rio Grande do Norte. A margem de erro é de 2,37 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob os números BR-09418/2026 e RN-08509/2026.

Com informações da Tribuna do Norte

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