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FOTOS: Brasileiro se muda para a Califórnia para plantar maconha, ganha dez copas de melhor haxixe e vira ídolo

HAROLD WINSTON, O BAMF, DEIXOU O BRASIL AOS 18 ANOS PARA VIAGEM DE UMA SEMANA EM AMSTERDÃ E NÃO VOLTOU MAIS (FOTO: MALACHI BANALES/ DIVULGAÇÃO)

Proibido no Brasil e seis vezes mais caro que o ouro. O cristal de poucos centímetros, levemente amarelado, quase transparente, é exposto em lojas especializadas em maconha da Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos, como uma joia.

Cada grama do extrato ultraconcentrado de maconha produzido pelo brasileiro Harold Winston, mais conhecido como Bamf, de 34 anos, pode custar até US$ 250 — o equivalente a cerca de R$ 1.000. A porção é suficiente para fazer dois cigarros — misturando com tabaco ou ervas – ou usar até cinco vezes num bong — purificador, geralmente feito de vidro, utilizado para fumar maconha.

Harold deixou o Brasil em 2003, há 16 anos, atraído pelo desejo de trabalhar com cannabis. Antes de deixar o país, ele tinha plantado 400 pés de maconha no quintal da casa onde vivia com a família em Belo Horizonte. A mãe dele descobriu, destruiu o plantio e pagou ao filho uma viagem para ele passar uma semana em Amsterdã, na Holanda. Ele nem chegou a pegar o voo de volta e, desde então, só visitou a terra natal em festas de fim de ano.

Nesse período, Harold viveu cinco anos na Holanda, ganhou 10 prêmios em competições de maconha nos Estados Unidos e se tornou uma das maiores referências do mundo canábico.

No Brasil, o plantio, a venda ou a doação de maconha são considerados tráfico de drogas, crime punido com penas de 5 a 15 anos de prisão, além de multas. Usar a erva é considerada apenas uma contravenção. Nesses casos, o usuário deve prestar serviços à comunidade e fazer um curso sobre os danos causados pelo uso de drogas.

O advogado Ricardo Nemer, da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas (Reforma) diz que muitas vezes a distinção entre usuário e traficante, feita principalmente pela Polícia Civil, é incerta e pode resultar em punições injustas.

“Depende do ‘achismo’ do delegado. Não há regra do que é pequena ou grande quantidade. Isso causa uma grande insegurança jurídica e enquadra diversos usuários como traficantes. Um exemplo são as pessoas que cultivam maconha para fazer extratos (como os produzidos por Bamf) e precisam de muitas plantas”, explica o advogado.

Mas o que há de tão especial na maconha concentrada?

“Você dá uma simples puxada e é como se você tivesse fumado uns dez baseados inteiros”, diz Fernando Badaui, de 43 anos, vocalista da banda CPM22. “Não tem nenhuma impureza. É como degustar um bom vinho. Quando você fuma uma maconha comum, tem o papel, folhas, galhos e tudo mais junto, fora a sujeira. Aquilo que o Bamf faz é o puro extrato de THC, o princípio ativo que causa a brisa. Eu já experimentei maconha em diversos países que visitei e digo que essa está entre as melhores do mundo.”

FERNANDO BADAUI (À ESQ.), VOCALISTA DA BANDA CPM22, VISITOU DIVERSAS VEZES O BRASILEIRO HAROLD WINSTON, NA CALIFÓRNIA (FOTO: FERNANDO BADAUI/ ARQUIVO PESSOAL)

Badaui é conhecido por ser um combativo ativista nas redes sociais pela liberação da maconha. No Instagram, por exemplo, ele faz constantes publicações para defender a descriminalização do uso e a regulamentação do plantio da erva no Brasil. Ele conta ter conversado com o skatista Bob Burnquist, outro assíduo defensor da cannabis.

“Falei pro Bob que a gente está junto nessa. A imagem dele é muito importante para mostrar que um atleta de elite pode usar maconha”, afirmou Badaui em entrevista à BBC News Brasil.

O brasileiro Harold diz que Badaui o visita duas vezes por ano na Califórnia e que já experimentou vários de seus produtos. “A gente virou amigo. Ele é um ativista que representa muito nossa luta e eu acho lindo todos esses caras de peso desmistificando o uso da maconha. Eles demonstram que podem fumar e serem grandes profissionais. A manifestação pública dessas pessoas é um dos caminhos para a legalização no Brasil”, afirmou.

‘Amor’ pela erva

Harold nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, mas seus pais avaliaram que não teriam condições de criá-lo. Aos três meses de idade, o bebê foi adotado por americanos que viviam em Belo Horizonte e o batizaram com o nome do avô americano.

“Eu sempre fui um moleque doido, talvez pelo fato de ser adotado. Fui expulso de todas as escolas por onde passei em Belo Horizonte”, conta o brasileiro. Ele diz que ter se tornado uma referência na produção de maconha na Califórnia é a realização de seu maior sonho.

Todo esse amor pela maconha, conta Bamf, começou assim que experimentou a erva pela primeira vez, aos 16 anos.

“O problema foi que eu gostei demais, irmão. Um dia depois de sentir aquela sensação, comprei 25 gramas (suficiente para produzir até cerca de 50 baseados). Foi doido. A partir daquele dia, eu queria ver coisas sobre maconha o dia todo, queria experimentar a melhor maconha do mundo e fiquei na caça daquilo. Naquele mesmo ano, descobri o haxixe e pirei de vez”, conta o brasileiro aos risos.

Na época, ele passou a ter acesso e consumir grandes quantidades de haxixe trazido do Paraguai. Mas ele conta que sentia desgosto por consumir algo sujo e de procedência desconhecida. Seu sonho passou a ser produzir seu próprio concentrado, de alta pureza.

400 plantas no quintal

Sem se importar com as leis brasileiras, o adolescente passou a plantar maconha no quintal de casa, em 2002. E num volume capaz de atrair muita atenção.

 

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“Eu meti 400 plantas lá. Falei para a minha mãe que era ayahuasca porque era legal. Mas depois de certo tempo, uma amiga dela foi lá em casa e viu o cultivo. Eu estava na esperança de que não acontecesse nada, mas essa mulher colocou algumas folhas no bolso antes de ir embora. Dois dias depois, minha mãe descobriu que era maconha, ficou puta comigo e destruiu todas as plantas”, diz Harold.

Além de sustentar seu consumo diário da erva, o cultivo fornecia material para que fizesse seus primeiros testes. Na época, ele conta que passava o dia cuidando das plantas, estudando e discutindo novas técnicas para aumentar sua produção e fazer extratos de qualidade. Sua fonte era o site brasileiro Growroom, o maior fórum online sobre maconha da América Latina, com mais de 120 mil inscritos.

“O Growroom para mim era um portal da coisa mais secreta do mundo. Passava o dia ali como um louco, como se o fórum fosse um livro aberto na minha frente. Ali, foi com certeza minha primeira escola, a base de tudo que aprendi até hoje”, relata.

Depois de duas semanas sem falar com o filho por conta da plantação em seu quintal, sua mãe, Nilza Cozac, o chamou para dar uma bronca e ter uma conversa franca. Cozac, conta Harold, foi a primeira mulher a se formar em direito em Minas Gerais e tinha um profundo conhecimento sobre a legislação.

“Minha mãe já tinha mais de 60 anos, mas era muito cabeça aberta. Ela me alertou que uma plantação daquele tamanho era motivo para o governo querer tomar nossa casa, um dos poucos assuntos que despertavam atenção do governo e policiais. E disse que me presentearia com uma viagem de uma semana para Amsterdã, na Holanda, quando completasse 18 anos. Ela queria que eu conhecesse um lugar onde pudesse fumar maconha sem problemas”, conta.

Viagem para Amsterdã

A mãe cumpriu a promessa. E ele nunca mais voltou para o Brasil.

“Eu fiquei muito louco quando cheguei lá (em 2003). Parecia uma criança em loja de brinquedo. Fiquei matutando como eu poderia ficar na Holanda e passar a vender maconha por um preço 100 vezes melhor do que as pessoas no Brasil. Minha mãe ficou desesperada quando soube”.

Harold conta que morou durante um ano em um apartamento para refugiados africanos em Amsterdã, que alugava por 300 euros. Durante esse tempo, ele fez contatos e aprimorou seus conhecimentos sobre a erva.

“Eu me envolvi com pessoas que achava que tinham maconha e haxixe bom. Na Holanda, a maconha é apenas tolerada. Durante os cinco anos que fiquei no país, vi muita gente sendo presa, inclusive conhecidos. Logo começaram a me dizer que eu estava no lugar errado, que eu deveria ir para a Califórnia”, diz.

Depois de fazer uma série de pesquisas e assistir a vídeos no YouTube, ele decidiu se mudar para os Estados Unidos.

Primeiro, ele foi para Nova York, mas depois de um ano vivendo “num frio dos infernos” e presenciando uma forte repressão policial contra usuários de maconha, ele resolveu se mudar, em 2009, para Los Angeles, na Califórnia, onde vive até hoje.

“Eu mal cheguei e enlouqueci. Eu fiquei gritando na rua, literalmente, porque a cada esquina tinha loja para você comprar equipamentos. Você fica louco mesmo. Entrei na primeira que eu vi e fiquei conversando com o dono durante horas sem parar”, lembra Bamf com euforia.

Três dias depois de chegar à “meca” da maconha, Harold comprou uma luz especial – ideal para seis plantas – e começou a plantar a própria erva dentro de casa. Seis meses depois, tinha dez lâmpadas. Um ano depois, tinha 15.

Depois da longa experiência em Amsterdã, o jovem avaliou que o mercado na Califórnia tinha bons equipamentos, uma legislação muito favorável, mas ainda era pouco desenvolvido. Sua maior surpresa, porém, foi quando assistiu à uma edição da Cannabis Cup, a maior competição de maconha dos EUA, promovida pela revista High Times.

“Eu não acreditei que os caras vacilavam tanto. Num país de primeiro mundo, com ótimos equipamentos e maconha boa, eles poderiam fazer muito mais”, relata o brasileiro. Aquele era o incentivo que faltava para ele começar sua própria produção e buscar seu espaço no mercado.

Riscos para a saúde

O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador, há 30 anos, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da universidade, Dartiu Xavier, condena o uso de maconha por adolescentes, como fez Harold.

“Eu acho que ninguém deveria fumar antes dos 18. Alguns autores dizem a partir dos 21. O ponto mais preocupante é que a maconha pode desencadear uma psicose, quando o usuário sai da realidade. Caso ele tenha uma predisposição para isso, a maconha pode funcionar como um gatilho”, explicou.

Por outro lado, o médico afirma que no seu ponto de vista a regulamentação do uso da maconha diminuiria o consumo da erva no país e seria um avanço na área da saúde.

“Nos lugares onde existem políticas mais tolerantes ou legalização, como a Holanda ou Estados Unidos, as pessoas não fogem das informações. Há inclusive uma grande política de redução de riscos. No clima de proibicionismo como há aqui, ninguém tem informação. A Holanda, inclusive, é um dos poucos países onde o consumo de maconha vem caindo. Uma prova cabal de que a proibição do uso aumenta o consumo”, afirmou Xavier.

Entretanto, o coordenador do Projeto Antitabágico do Hospital Universitário da USP, João Paulo Lotufo, diz que qualquer relaxamento em relação ao consumo de maconha seria um erro.

“Nos Estados Unidos e no Uruguai, onde o uso é permitido, dobrou o número de dependentes. Se hoje há um surto psicótico a cada 100 pessoas, se libera, você dobra para 2. Vai subir o número de acidentes automobilísticos causados pelo uso da droga, sem contar que as lesões causadas pela maconha no cérebro são irreversíveis”, disse o médico.

BAMF GANHOU DEZ PRÊMIOS – OITO CONSECUTIVOS – DE MELHOR EXTRAÇÃO DE MACONHA PELA REVISTA MAIS IMPORTANTE SOBRE O ASSUNTO NOS EUA (FOTO: BBC)

Lotufo diz ainda que a maconha é mais cancerígena que o tabaco (com base em estudo publicado na revista European Respiratory Journal em 2008) e que os custos arrecadados com impostos em caso de regulamentação não seriam suficientes nem mesmo para bancar o aumento dos gastos com saúde.

“O imposto arrecadado com a venda de cigarros também não cobre a lesão que o tabaco provoca no sistema de saúde. Liberar o uso no Brasil seria um absurdo. Alguns falam na internet que a maconha é medicinal, mas não tem nada disso. O canabidiol (CBD) sim é medicinal, mas trata-se de um extrato que nada tem a ver com o uso recreativo”, afirmou o médico da USP.

Para ele, a pressão para a regulamentação do uso recreativo ocorre por uma forte pressão financeira, que ignora os riscos à saúde.

Técnica secreta

O primeiro passo de Harold Winston para entrar no mercado canábico foi convencer Nikka T, produtor do que muitos consideram o melhor haxixe vendido nos EUA na época, a ensiná-lo a fazer o produto. Haxixe é uma pasta densa feita da resina de maconha, fumada em bong, narguilé ou em cigarro- misturado com tabaco ou maconha.

“Fiquei enchendo o saco dele igual um fã durante seis meses, até que um dia ele resolveu me ensinar. Ele me convidou e eu fui até o Colorado para aprender a técnica e, na semana seguinte, eu já era o melhor hashmaker (produtor de haxixe) da Califórnia. Isso foi há nove anos, na mesma época que minha mãe morreu de câncer”, relata ele.

Ao contrário do haxixe vendido no Brasil, feito com restos de maconha de baixa qualidade, muitas vezes feito das sobras de resina que grudam na mão das pessoas que colhem a planta no Paraguai, o produto de Bamf passa por um complexo processo.

Assim que ele fez o primeiro haxixe usando uma técnica de extração à base de água, sem solventes, ele teve a certeza de que tinha condições de era algo inédito e quis colocar seu produto à prova num campeonato. Mas, para isso, era necessário ser dono de um dispensário. Apenas a loja Buds and Roses aceitou o pedido.

O produto de Bamf chamou a atenção logo no momento da inscrição por conta de sua cor clara – sinal de pureza – e por ser o único feito com água. A maioria dos concentrados, conta Harold, é feita com gás butano – o mesmo usado em isqueiros.

 

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Em meio a 40 competidores, o brasileiro ganhou seu primeiro seu primeiro troféu. No dia seguinte, ele viu sua popularidade disparar e seu produto se tornar uma referência num dos mercados mais exigentes do mundo. A demanda foi tão grande que ele conta ter ficado sete dias sem dormir fazendo haxixe sozinho em sua casa para dar conta de alguns pedidos.

Uma das encomendas foi feita pelo grupo americano de rap Cypress Hill. “Eles encostaram na minha casa com um caminhão cheio de maconha para eu fazer haxixe para eles. Perguntei se estavam loucos porque eu demoraria um ano para terminar aquilo sozinho. Uma semana após terminar o serviço, eles levaram outro caminhão cheio”, conta.

Pouco tempo depois, Harold fundou sua própria empresa, a Bamf, que aos poucos virou o nome com o que Harold passaria a ser conhecido no mercado canábico. O nome significa Badass Motherf***er e foi inspirado em uma cena do filme Pulp Fiction.

A Bamf começou a se tornar uma referência de qualidade na Califórnia. Ganhou oito Cannabis Cups consecutivas de melhor haxixe e passou a ser cultuado por usuários de maconha não só na Califórnia, mas ao redor do mundo.

“O campeonato não dá dinheiro, mas no momento que você sai do palco com o troféu, aparecem mais de 50 donos de lojas querendo comprar tudo o que você tem. Gente tirando maços de dinheiro e do bolso. Eu pensava que era até policial querendo me pegar”, conta.

A marca começou a virar moda. A Bamf passou a vender camisetas, souvenirs e sementes. No Instagram, a marca é elogiada por diversos consumidores – alguns, famosos – americanos e brasileiros. Mas o crescimento trouxe alguns problemas para Harold e ele sente medo dessa expansão.

“A Bamf me deixou muito satisfeito e ciumento. Hoje, tenho 35 funcionários, mas sinto medo de ampliar demais, crescer, e precisar entregar meu segredo para mais pessoas. Eu criei um monstro. Imagine criar um gorila dentro de um quarto. Uma hora você vai tomar um soco. Aconteceu isso comigo. Teve gente que veio, aprendeu e hoje criaram as coisas deles. Mas como eu comecei primeiro que todo mundo, ainda estou alguns passos à frente”, afirmou.

Mesmo assim, ele revelou à BBC News Brasil alguns “segredos” da estratégia para se obter um produto de alta pureza.

“O segredo maior é olhar para as flores da maconha como se ela fosse uma vaca. No momento em que você abate a vaca, ela deve estar em ambiente refrigerado para não degenerar. Quando você corta a maconha é a mesma coisa porque ela começa a morrer. Se você não mantiver ela refrigerada em uma hora para manter ela viva, a planta começa a secar e perde óleo”, afirmou.

Harold não deu mais detalhes, mas afirmou que mantém a planta congelada até o momento da extração, e que “o solvente e o produto devem ser mantidos em temperaturas negativas”.

Maconha no Brasil

Harold diz que sua empresa está em plena expansão e conta que acabou de comprar uma área de 2 hectares – equivalente a mais de dois campos de futebol – no Estado de Oregon apenas para plantar maconha rica em CBD, usado principalmente para a produção de remédio.

Essa cepa não tem THC, o princípio ativo da planta, que causa o “barato”. Ele diz que fará isso porque se sente na obrigação de se colocar em todos os setores do mundo canábico.

Harold se diz triste com a lei de drogas brasileira. Para ele, a legalização do cultivo, comércio e consumo da erva poderiam ser de grande ajuda à combalida economia do país.

“A salvação do Brasil é a maconha. É a única coisa que pode gerar milhares de empregos e trilhões de reais no mercado econômico de maneira imediata e o povo precisa entender isso. O país está perto da linha do Equador, tem um clima perfeito e terra abundante, emprego. Sem falar que a maconha é matéria-prima de 35 mil produtos diferentes, num ciclo de dois meses. Para quê cortar árvore? Eu amo o Brasil e estou doido para e poder trabalhar com o que eu gosto no meu país”, afirmou.

Ele pondera, por outro lado, que até mesmo o mercado americano ainda não é tão claro sobre o que pode ser feito.

“Eu mesmo fui preso há três anos. Aqui é legal, mas ao mesmo tempo não é. Fui parado por um policial e tinha 20 kg de maconha no carro. Eu tinha uma licença e disse que mostraria ao policial, mas ele disse que rasgaria o documento caso eu mostrasse. A sorte é que nos EUA você não é condenado até esgotar o processo. Depois de dois anos e meio, fui absolvido”, afirmou.

Na Califórnia, a venda da maconha recreativa é legal. Por outro lado, a erva continua classificada como um narcótico ilegal sob a lei federal americana.

“Há um conflito de leis federais e estaduais que cria uma zona cinzenta nos Estados Unidos. Há a legalização, mas por outro lado há uma grande dificuldade para conseguir as licenças e isso causa uma grande insegurança jurídica”, diz o advogado Ricardo Nemer.

Já no Brasil, ativistas dizem que o caminho mais provável para descriminalizar o uso da maconha e dar o primeiro passo rumo à legalização é o julgamento no STF de um processo que pode revogar o artigo 28 da Lei Antidrogas. Isso permitiria a posse de pequenas quantias e plantio da erva para consumo próprio.

Esse processo, parado desde 2015 após o ministro Teori Zavascki pedir vistas, está marcado para ser retomado no dia 5 de junho. A pausa ocorre porque, depois da morte de Zavascki, o caso foi para as mãos de Alexandre de Moraes.

No ponto de vista do músico Badaui, que diz ter visitado diversos países onde há regulamentação, tolerância ou descriminalização do uso da cannabis, diz que é apenas uma questão de tempo para que o mesmo ocorra no Brasil.

“Há dez anos, esse assunto era tratado como tabu. Hoje, todos sabem que esse consumo não vai parar e que não tem como seguir outro caminho a não ser o da legalização. Por mais conservador que seja o governo, o Brasil sempre seguiu o modelo americano. É hora de desmantelar o mercado negro e explorarmos economicamente a cannabis”, afirmou o músico.

Bamf também acha que a legalização da cannabis no Brasil não deve demorar. Ele diz que diversos setores da sociedade estão fazendo uma grande pressão no sentido de permitir o consumo e o comércio da erva, como ocorreu antes da legalização em países como Canadá e Uruguai.

“Chega uma hora em que a polícia não tem condições de ir atrás de quem planta e fuma. Os próprios policiais se questionam se eles devem ir atrás de político ladrão e grandes bandidos ou se vão ficar perdendo tempo indo atrás de usuário de maconha num país com tanto problema de verdade.”

Época Negócios, com BBC

 

 

Opinião dos leitores

  1. Isso é uma grande notícia, quando muitos chorão os seus filhos mortos pelas drogas aí vem essa grande materia ,isso sim é louvável!!!

    1. Eu ia comentar justamente isso. Mas pelo seu Nick vc deve estar sendo irônico. Já Eu, falo sério.

  2. Reportagem muito educativa, que esse doido fique por lá mesmo, aqui já temos muitas cracolândias.

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Esporte

A 8 dias da Copa, seleção espanhola é a favorita nas casas de apostas

Foto: Reprodução

A 8 dias do início da Copa do Mundo de 2026, a Espanha aparece como favorita ao título nas principais casas de apostas. As cotações apontam a seleção à frente de França e Inglaterra, enquanto o Brasil figura de forma consistente entre os 5 principais candidatos a levantar a taça.

Na Betano, a Espanha lidera com odd de 5.20. Na Superbet e na Bet365, aparece com 5.50, enquanto na Sportingbet, divide a ponta com a França, ambas com 5.50. Na Esportes da Sorte, o time espanhol tem 5.49.

A França aparece logo na sequência, com odds variando de 5.50 a 6.20, dependendo da plataforma. A Inglaterra surge como 3ª força, com cotações de 6.98 a 8.00.

O Brasil se mantém entre os principais candidatos ao título em todas as casas analisadas, com odds que variam de 9.00 a 9.50. Argentina e Portugal completam o grupo de seleções mais bem cotadas, enquanto Alemanha, Holanda e Noruega aparecem na sequência. Bélgica e Colômbia surgem em posições mais distantes, dependendo da plataforma.

A edição de 2026 será a maior da história da competição. Pela 1ª vez, a Fifa reunirá 48 seleções, com 104 partidas disputadas ao longo de 39 dias, de 11 de junho a 19 de julho. O torneio será sediado em 16 cidades distribuídas por Estados Unidos, México e Canadá.

 

Com informações do Poder 360

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Política

Fundo Eleitoral: PL tem maior fatia para Eleições 2026; PT está em 2º


Foto: Kebec Nogueira

O Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, ficará com a maior fatia do Fundo Especial de Financiamento de Campanha nas eleições de outubro.

Ao todo, dos cerca de R$ 4,9 bilhões distribuídos entre 30 partidos, o PL receberá R$ 881 milhões. Na sequência aparecem o Partido dos Trabalhadores (PT), legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com aproximadamente R$ 615,4 milhões, e o União Brasil, com cerca de R$ 526,2 milhões.

Juntos, as três legendas concentram 40% do montante distribuído pelo Fundo Eleitoral.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o fundo é destinado ao financiamento das campanhas eleitorais, e a distribuição dos recursos observa critérios definidos em lei, levando em conta a representatividade das legendas no Congresso Nacional.

Além dos três partidos citados anteriormente, completam o top 5 o Partido Social Democrático (PSD), com R$ 421 milhões, e o Progressistas (PP), com R$ 417 milhões.

Distribuição

A distribuição dos recursos segue os critérios previstos na Lei das Eleições, de 1997. Segundo o TSE, 2% do total disponível são divididos igualmente entre todos os partidos com estatuto registrado na Corte.

Outros 35% são distribuídos proporcionalmente aos votos obtidos pelas legendas na última eleição para a Câmara dos Deputados; 48% são repartidos conforme o número de deputados federais eleitos; e 15% são divididos de acordo com a representação dos partidos no Senado Federal.

 

As informações são do Metrópoles

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Geral

Flávio José desiste de cantar no São João da Bahia após redução de cachê determinada pelo MP

Foto: Divulgação/ Arnaldo Felix

Uma das atrações de forró mais tradicionais do Brasil, o cantor Flávio José disse que não vai se apresentar na Bahia durante o São João deste ano. O comunicado foi feito pelo perfil oficial do artista no Instagram. Segundo o cantor, a razão para a suspensão de shows no estado seria a redução dos cachês por determinação do Ministério Público da Bahia (MP-BA).

Flávio José lamentou a situação e disse que priorizou o estado ao longo de sua carreira. “Este ano a Bahia ficará sem minha presença, às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste eu recebo a notícia que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê! Enquanto outros artistas que nada tem haver [sic] com forró ganham rios de dinheiro. É de um desrespeito sem tamanho”, escreveu.

O cantor reafirmou, nos comentários da página São João na Bahia, que a redução dos cachês vai inviabilizar as apresentações no estado. Shows já haviam sido marcados em cidades como Senhor do Bonfim, Conceição de Feira e Dias D’Ávila. “Por esse motivo não irei à Bahia este ano. Lamentável, deixei de vender minhas datas para estados que realmente me valorizam. Priorizei a Bahia durante toda minha carreira e hoje recebo essa informação como gratidão que o estado me devolve”, acrescentou.

De acordo com dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos nos Municípios da Bahia, iniciativa do Ministério Público do Estado, o artista foi contratado por R$ 350 mil para o show em Dias D’Ávila em 27 de junho. Este é o único show do artista que aparece no levantamento, que reúne informações de 83 municípios do total de 417 cidades baianas. Mais prefeituras podem declarar gastos com as contratações para o São João até o início das festas.

 

Com informações do Correio 24h

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Política

Governo Lula vê dificuldade em reverter decisão dos EUA sobre PCC e CV

Foto: Kebec Nogueira

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que será difícil, ao menos no curto prazo, reverter a decisão dos Estados Unidos de classificar as duas maiores facções criminosas brasileiras, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas estrangeiras.

Segundo informações do Metrópoles, a percepção no Planalto é de que a medida tem forte componente político, o que reduz as chances de revisão imediata. Integrantes da gestão Lula também consideram improvável que o governo de Donald Trump adote ações relevantes relacionadas à classificação.

Interlocutores do presidente afirmam que não há perspectiva de efeitos imediatos diretos, como uma eventual intervenção militar dos EUA no Brasil.

A principal preocupação, no entanto, está nos impactos econômicos. Na avaliação do governo, a medida pode prejudicar a imagem do país perante investidores estrangeiros e gerar riscos sistêmicos, especialmente no sistema bancário e em mecanismos como o Pix.

O anúncio, feito pelo Departamento de Estado na última quinta-feira (28/5), prevê que PCC e CV serão incluídos, a partir desta sexta-feira (5/6), na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês) e também na categoria de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT).

Na prática, a decisão amplia o alcance jurídico das sanções norte-americanas e equipara as facções brasileiras a cartéis mexicanos, gangues centro-americanas e outros grupos armados internacionais.

Como mostrou o Metrópoles, fontes do Departamento de Estado informaram que qualquer pessoa ou empresa — dentro ou fora dos Estados Unidos — que mantenha relações financeiras ou materiais com integrantes dessas organizações poderá sofrer sanções, responder criminalmente e até ser deportada do território norte-americano.

Ainda de acordo com a diplomacia dos EUA, indivíduos e empresas que fornecerem “apoio material ou recursos” às facções estarão sujeitos a acusações criminais e restrições migratórias.

 

 

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Geral

Delação de Vorcaro revelou novo contrato milionário com Viviane Barci

 

Foto: Divulgação

A Polícia Federal (PF) rejeitou, no último dia 20 de maio, a primeira proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, do Banco Master. O documento trazia informações sobre um contrato recente do banqueiro com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A informação é da colunista Malu Gaspar, do O Globo. A reportagem teve acesso a um contrato de uma empresa ligada a Vorcaro com o escritório de Viviane. O contrato foi elaborado semanas antes da liquidação do Master e da prisão do banqueiro.

O documento previa o pagamento de R$ 50 milhões ao escritório Barci de Moraes, mas não teria sido assinado, segundo O Globo. O Metrópoles não conseguiu contato com o escritório para se manifestar sobre o assunto.

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entregou uma nova proposta de delação premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), como publicado pelo Metrópoles, na coluna Igor Gadelha.

O material foi entregue pelos advogados de Vorcaro durante uma reunião com a PF e a PGR na segunda-feira (1º/6) e traz nomes de novos personagens que não constavam na primeira versão.

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Geral

STF derruba idade mínima para aposentadoria especial por insalubridade

Foto: Rosinei Coutinho/STF

O STF (Supremo Tribunal Federal) derrubou nesta quarta-feira (3), por 6 votos a 5, a exigência de idade mínima para a concessão da aposentadoria especial a trabalhadores expostos a agentes nocivos à saúde, prevista na Reforma da Previdência de 2019.

Segundo informou a CNN, prevaleceu o entendimento de que os segurados poderão se aposentar após cumprir o tempo mínimo de exposição a condições prejudiciais à saúde, de 15, 20 ou 25 anos, conforme a atividade exercida, sem necessidade de atingir uma idade mínima.

A posição majoritária foi aberta pelo ministro André Mendonça. Para ele, a exigência de idade mínima desvirtua a finalidade da aposentadoria especial, criada para proteger trabalhadores submetidos a atividades que oferecem riscos à saúde ou à integridade física.

Ao mesmo tempo, o ministro considerou constitucionais outros pontos introduzidos pela reforma previdenciária. Com isso, foram mantidas as regras de cálculo do benefício estabelecidas pela Emenda Constitucional 103 de 2019 e a vedação à conversão de tempo especial em tempo comum para períodos trabalhados após a reforma.

“A reforma, no que diz respeito ao tempo de contribuição e à forma de cálculo das aposentadorias, trouxe, a meu ver, um equilíbrio atuarial mais adequado, de forma proporcional e legítima. Por outro lado, ao acrescentar a exigência de idade mínima, a nova sistemática passou a obrigar o trabalhador que permaneceu exposto a agentes nocivos por períodos de até 25 anos a continuar exercendo suas atividades, ainda que submetido às mesmas condições prejudiciais à saúde”, afirmou Mendonça.

Quando era ministro da Corte, o relator Luís Roberto Barroso havia votado pela manutenção integral das mudanças promovidas pela reforma. A posição foi acompanhada pelos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Luiz Fux.

Já os ministros Edson Fachin e Rosa Weber defenderam a invalidação tanto da idade mínima quanto das novas regras de cálculo do benefício.

Com o resultado, a aposentadoria especial volta a depender apenas do tempo de exposição a agentes nocivos.

Permanecem válidas, porém, as alterações da reforma relacionadas ao cálculo do benefício e à impossibilidade de conversão do tempo especial em comum para períodos posteriores à emenda constitucional.

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Política

Prefeita Darkinha, vice-prefeito e grupo político de Triunfo Potiguar fecham apoio a Álvaro Dias

Foto: Divulgação

O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias, recebeu um importante reforço político na tarde desta quarta-feira durante visita ao município de Triunfo Potiguar, no Médio Oeste potiguar. A prefeita Darkinha, o vice-prefeito Abimael Fonseca e um amplo grupo de lideranças locais declararam apoio ao projeto político de Álvaro para as eleições de 2026, fortalecendo sua presença na região.

Além da prefeita e do vice-prefeito, o apoio conta com a adesão do presidente da Câmara Municipal, Juirliton Estevam, e dos vereadores Dadão do Boqueirão, Liomar, Agenor Ribeiro, Ceição de Creuza, Lidione Atanásio e Lúcia de Nero. Também passam a integrar o grupo político de apoio os ex-vereadores Cição da Saúde, Necas Estevam e Jonas Estevam, além dos ex-vice-prefeitos Neto Apolinário e Gildenor Fonseca.

Durante o encontro, Álvaro apresentou sua trajetória na vida pública, destacando ações realizadas ao longo de seus mandatos e os resultados alcançados durante sua gestão à frente da Prefeitura de Natal. O pré-candidato defendeu uma administração municipalista e reafirmou o compromisso de manter uma parceria permanente com os municípios potiguares.

Entre as propostas apresentadas, Álvaro destacou o projeto de regionalização e ampliação do atendimento médico nos hospitais regionais do Rio Grande do Norte, com o objetivo de aproximar os serviços de saúde da população e reduzir a necessidade de deslocamentos para os grandes centros urbanos.

“Queremos fortalecer os hospitais regionais, ampliar os atendimentos especializados e garantir que a população tenha acesso à saúde de qualidade mais perto de casa. O Rio Grande do Norte precisa voltar a investir nas regiões e dar condições para que os municípios possam crescer e se desenvolver”, afirmou.

A adesão do grupo liderado pela prefeita Darkinha amplia a presença de Álvaro Dias no Médio Oeste potiguar e reforça o crescimento de sua pré-candidatura em diversas regiões do estado.

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Política

Flávio já usa colete à prova de balas, e deve reforçar segurança após ameaça de Lula

Foto: Reprodução/Frame Youtube

Flavio Bolsonaro (PL), que já usa colete à prova de bala quando sai às ruas no Brasil, foi aconselhado a reforçar sua segurança após Lula (PT) indicar que deseja sua morte ao mencionar o enforcamento como opção. Declarações de ódio de líderes políticos, ao longo da História, tem estimulado assassinatos e tentativas de homicídio como a facada que quase tirou a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2018. Tem sido recorrente na América Latina o assassinato de políticos de direita. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.

Durante entrevista na manhã desta quarta-feira (3) ao Jornal Gente, programa da Bandeirantes, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do pré-candidato

Na Colômbia, senador Miguel Uribe, forte candidato a presidente, foi morto a tiros em 2025. Era opositor de Gustavo Petro, amigo de Lula.

Em 2023, o candidato de direita à presidência do Equador, Fernando Villavicencio, foi assassinado em Quito, logo após um comício.

Daniel Noboa, de direita, acabaria eleito presidente do Equador, mas ele teve o carro metralhado por facções terroristas. Escapou ileso.

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Mundo

1ª vez no mundo: médicos realizam transplante de córnea 3D e devolvem visão a paciente cego

Foto: Reprodução/Pexels

Médicos da Unidade de Córnea do Instituto de Oftalmologia do Centro Médico Rambam, em Haifa, Israel, realizaram o primeiro transplante de córnea impressa no mundo. O procedimento histórico foi feito em um paciente que sofria com perda grave de visão e terminou de forma bem-sucedida.

O material inovador, que devolve a visão para pessoas com cegueira, foi totalmente fabricado por impressão 3D através de tecnologia regenerativa focada em tecidos bioimpressos. A tecnologia cirúrgica inovadora utiliza o transplante de córnea impressa para transformar de forma profunda a oftalmologia mundial. As informações são do portal NDMais.

O transplante de córnea impressa, batizado tecnicamente como implante PB-001, foi direcionado a um paciente que sofria com perda grave de visão no final de outubro de 2025. A cirurgia integra a fase 1 dos testes clínicos desenvolvidos na unidade médica de Israel.

A pesquisa médica em andamento projeta envolver de 10 a 15 pacientes diagnosticados com edema corneano decorrente de disfunção endotelial. Os cientistas estimam que os resultados preliminares do estudo clínico oficial sejam divulgados no segundo semestre de 2026.

As córneas humanas funcionam como estruturas transparentes em formato de cúpula localizadas na parte frontal dos olhos. Elas desempenham papel essencial para a visão humana ao desviar a luz externa e concentrá-la na retina. Desse ponto, o estímulo visual segue direto para o cérebro, onde é interpretado como imagem.

O método revolucionário multiplica a capacidade de atendimento a partir de células vivas. Uma única córnea saudável de doador falecido foi cultivada em laboratório e gerou insumos para criar e realizar a impressão de outras 300 córneas em 3D.

Atualmente, os procedimentos cirúrgicos tradicionais dependem apenas de doadores humanos falecidos, gerando uma fila de espera global que afeta mais de 13 milhões de pessoas.

O design médico planejado pela Precise Bio busca oferecer melhores resultados visuais aos pacientes, menores taxas de complicações cirúrgicas e qualidade linear nos tecidos desenvolvidos.

O avanço também permite a criopreservação de longo prazo dos implantes criados em laboratório, o que simplifica a logística internacional de distribuição e consolida uma solução sustentável para a saúde global.

O médico e diretor da unidade que liderou a equipe cirúrgica em Haifa, Michael Mimouni, destacou o impacto do transplante de córnea impressa na medicina global. “Pela primeira vez na história, testemunhamos uma córnea criada em laboratório, a partir de células humanas vivas, devolver a visão a um ser humano”, afirmou Mimouni.

O cofundador e diretor-executivo da empresa Precise Bio, Aryeh Batt, explicou que o marco histórico reflete mais de uma década de inovação multidisciplinar combinando biologia celular, biomateriais e bioimpressão 3D.

“Imagine um mundo em que uma única córnea doadora possa dar origem a centenas de implantes cultivados em laboratório, transformando a escassez em abundância”, declarou Batt. O executivo confirmou que a plataforma torna o transplante escalável e acessível mundialmente e projeta avançar com a avaliação clínica do ensaio em andamento.

 

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Geral

Flávio Bolsonaro diz esperar união com Zema e Caiado no 2º turno para ‘derrotar o PT’

Foto: Wilton Junior/Estadão

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta quarta-feira (3) que defendeu a união da oposição durante encontro com os também presidenciáveis Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), realizado em Minas Gerais.

Segundo Flávio, a conversa foi “amistosa” e teve como foco a necessidade de construir uma frente contra o PT nas eleições de 2026.

“O Zema, o Caiado e eu, nós três, temos uma grande responsabilidade de estarmos unidos contra o PT”, afirmou.

O senador disse ainda que pediu a Zema para deixar divergências para trás e concentrar esforços no que considera ser o principal desafio eleitoral.

Apesar da defesa da unidade, Flávio voltou a afirmar que o governador mineiro se precipitou ao divulgar críticas relacionadas às suas conversas com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Flávio afirmou que não sabe se haverá uma composição já no primeiro turno, mas defendeu que os grupos estejam juntos em uma eventual segunda etapa da disputa presidencial.

Sobre Minas Gerais, o senador sinalizou dificuldades para uma aliança com o governador Mateus Simões (PSD), citando diferenças partidárias e a ligação do político aos projetos presidenciais de Caiado e Zema.

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