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FOTOS: Brasileiro se muda para a Califórnia para plantar maconha, ganha dez copas de melhor haxixe e vira ídolo

HAROLD WINSTON, O BAMF, DEIXOU O BRASIL AOS 18 ANOS PARA VIAGEM DE UMA SEMANA EM AMSTERDÃ E NÃO VOLTOU MAIS (FOTO: MALACHI BANALES/ DIVULGAÇÃO)

Proibido no Brasil e seis vezes mais caro que o ouro. O cristal de poucos centímetros, levemente amarelado, quase transparente, é exposto em lojas especializadas em maconha da Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos, como uma joia.

Cada grama do extrato ultraconcentrado de maconha produzido pelo brasileiro Harold Winston, mais conhecido como Bamf, de 34 anos, pode custar até US$ 250 — o equivalente a cerca de R$ 1.000. A porção é suficiente para fazer dois cigarros — misturando com tabaco ou ervas – ou usar até cinco vezes num bong — purificador, geralmente feito de vidro, utilizado para fumar maconha.

Harold deixou o Brasil em 2003, há 16 anos, atraído pelo desejo de trabalhar com cannabis. Antes de deixar o país, ele tinha plantado 400 pés de maconha no quintal da casa onde vivia com a família em Belo Horizonte. A mãe dele descobriu, destruiu o plantio e pagou ao filho uma viagem para ele passar uma semana em Amsterdã, na Holanda. Ele nem chegou a pegar o voo de volta e, desde então, só visitou a terra natal em festas de fim de ano.

Nesse período, Harold viveu cinco anos na Holanda, ganhou 10 prêmios em competições de maconha nos Estados Unidos e se tornou uma das maiores referências do mundo canábico.

No Brasil, o plantio, a venda ou a doação de maconha são considerados tráfico de drogas, crime punido com penas de 5 a 15 anos de prisão, além de multas. Usar a erva é considerada apenas uma contravenção. Nesses casos, o usuário deve prestar serviços à comunidade e fazer um curso sobre os danos causados pelo uso de drogas.

O advogado Ricardo Nemer, da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas (Reforma) diz que muitas vezes a distinção entre usuário e traficante, feita principalmente pela Polícia Civil, é incerta e pode resultar em punições injustas.

“Depende do ‘achismo’ do delegado. Não há regra do que é pequena ou grande quantidade. Isso causa uma grande insegurança jurídica e enquadra diversos usuários como traficantes. Um exemplo são as pessoas que cultivam maconha para fazer extratos (como os produzidos por Bamf) e precisam de muitas plantas”, explica o advogado.

Mas o que há de tão especial na maconha concentrada?

“Você dá uma simples puxada e é como se você tivesse fumado uns dez baseados inteiros”, diz Fernando Badaui, de 43 anos, vocalista da banda CPM22. “Não tem nenhuma impureza. É como degustar um bom vinho. Quando você fuma uma maconha comum, tem o papel, folhas, galhos e tudo mais junto, fora a sujeira. Aquilo que o Bamf faz é o puro extrato de THC, o princípio ativo que causa a brisa. Eu já experimentei maconha em diversos países que visitei e digo que essa está entre as melhores do mundo.”

FERNANDO BADAUI (À ESQ.), VOCALISTA DA BANDA CPM22, VISITOU DIVERSAS VEZES O BRASILEIRO HAROLD WINSTON, NA CALIFÓRNIA (FOTO: FERNANDO BADAUI/ ARQUIVO PESSOAL)

Badaui é conhecido por ser um combativo ativista nas redes sociais pela liberação da maconha. No Instagram, por exemplo, ele faz constantes publicações para defender a descriminalização do uso e a regulamentação do plantio da erva no Brasil. Ele conta ter conversado com o skatista Bob Burnquist, outro assíduo defensor da cannabis.

“Falei pro Bob que a gente está junto nessa. A imagem dele é muito importante para mostrar que um atleta de elite pode usar maconha”, afirmou Badaui em entrevista à BBC News Brasil.

O brasileiro Harold diz que Badaui o visita duas vezes por ano na Califórnia e que já experimentou vários de seus produtos. “A gente virou amigo. Ele é um ativista que representa muito nossa luta e eu acho lindo todos esses caras de peso desmistificando o uso da maconha. Eles demonstram que podem fumar e serem grandes profissionais. A manifestação pública dessas pessoas é um dos caminhos para a legalização no Brasil”, afirmou.

‘Amor’ pela erva

Harold nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, mas seus pais avaliaram que não teriam condições de criá-lo. Aos três meses de idade, o bebê foi adotado por americanos que viviam em Belo Horizonte e o batizaram com o nome do avô americano.

“Eu sempre fui um moleque doido, talvez pelo fato de ser adotado. Fui expulso de todas as escolas por onde passei em Belo Horizonte”, conta o brasileiro. Ele diz que ter se tornado uma referência na produção de maconha na Califórnia é a realização de seu maior sonho.

Todo esse amor pela maconha, conta Bamf, começou assim que experimentou a erva pela primeira vez, aos 16 anos.

“O problema foi que eu gostei demais, irmão. Um dia depois de sentir aquela sensação, comprei 25 gramas (suficiente para produzir até cerca de 50 baseados). Foi doido. A partir daquele dia, eu queria ver coisas sobre maconha o dia todo, queria experimentar a melhor maconha do mundo e fiquei na caça daquilo. Naquele mesmo ano, descobri o haxixe e pirei de vez”, conta o brasileiro aos risos.

Na época, ele passou a ter acesso e consumir grandes quantidades de haxixe trazido do Paraguai. Mas ele conta que sentia desgosto por consumir algo sujo e de procedência desconhecida. Seu sonho passou a ser produzir seu próprio concentrado, de alta pureza.

400 plantas no quintal

Sem se importar com as leis brasileiras, o adolescente passou a plantar maconha no quintal de casa, em 2002. E num volume capaz de atrair muita atenção.

 

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“Eu meti 400 plantas lá. Falei para a minha mãe que era ayahuasca porque era legal. Mas depois de certo tempo, uma amiga dela foi lá em casa e viu o cultivo. Eu estava na esperança de que não acontecesse nada, mas essa mulher colocou algumas folhas no bolso antes de ir embora. Dois dias depois, minha mãe descobriu que era maconha, ficou puta comigo e destruiu todas as plantas”, diz Harold.

Além de sustentar seu consumo diário da erva, o cultivo fornecia material para que fizesse seus primeiros testes. Na época, ele conta que passava o dia cuidando das plantas, estudando e discutindo novas técnicas para aumentar sua produção e fazer extratos de qualidade. Sua fonte era o site brasileiro Growroom, o maior fórum online sobre maconha da América Latina, com mais de 120 mil inscritos.

“O Growroom para mim era um portal da coisa mais secreta do mundo. Passava o dia ali como um louco, como se o fórum fosse um livro aberto na minha frente. Ali, foi com certeza minha primeira escola, a base de tudo que aprendi até hoje”, relata.

Depois de duas semanas sem falar com o filho por conta da plantação em seu quintal, sua mãe, Nilza Cozac, o chamou para dar uma bronca e ter uma conversa franca. Cozac, conta Harold, foi a primeira mulher a se formar em direito em Minas Gerais e tinha um profundo conhecimento sobre a legislação.

“Minha mãe já tinha mais de 60 anos, mas era muito cabeça aberta. Ela me alertou que uma plantação daquele tamanho era motivo para o governo querer tomar nossa casa, um dos poucos assuntos que despertavam atenção do governo e policiais. E disse que me presentearia com uma viagem de uma semana para Amsterdã, na Holanda, quando completasse 18 anos. Ela queria que eu conhecesse um lugar onde pudesse fumar maconha sem problemas”, conta.

Viagem para Amsterdã

A mãe cumpriu a promessa. E ele nunca mais voltou para o Brasil.

“Eu fiquei muito louco quando cheguei lá (em 2003). Parecia uma criança em loja de brinquedo. Fiquei matutando como eu poderia ficar na Holanda e passar a vender maconha por um preço 100 vezes melhor do que as pessoas no Brasil. Minha mãe ficou desesperada quando soube”.

Harold conta que morou durante um ano em um apartamento para refugiados africanos em Amsterdã, que alugava por 300 euros. Durante esse tempo, ele fez contatos e aprimorou seus conhecimentos sobre a erva.

“Eu me envolvi com pessoas que achava que tinham maconha e haxixe bom. Na Holanda, a maconha é apenas tolerada. Durante os cinco anos que fiquei no país, vi muita gente sendo presa, inclusive conhecidos. Logo começaram a me dizer que eu estava no lugar errado, que eu deveria ir para a Califórnia”, diz.

Depois de fazer uma série de pesquisas e assistir a vídeos no YouTube, ele decidiu se mudar para os Estados Unidos.

Primeiro, ele foi para Nova York, mas depois de um ano vivendo “num frio dos infernos” e presenciando uma forte repressão policial contra usuários de maconha, ele resolveu se mudar, em 2009, para Los Angeles, na Califórnia, onde vive até hoje.

“Eu mal cheguei e enlouqueci. Eu fiquei gritando na rua, literalmente, porque a cada esquina tinha loja para você comprar equipamentos. Você fica louco mesmo. Entrei na primeira que eu vi e fiquei conversando com o dono durante horas sem parar”, lembra Bamf com euforia.

Três dias depois de chegar à “meca” da maconha, Harold comprou uma luz especial – ideal para seis plantas – e começou a plantar a própria erva dentro de casa. Seis meses depois, tinha dez lâmpadas. Um ano depois, tinha 15.

Depois da longa experiência em Amsterdã, o jovem avaliou que o mercado na Califórnia tinha bons equipamentos, uma legislação muito favorável, mas ainda era pouco desenvolvido. Sua maior surpresa, porém, foi quando assistiu à uma edição da Cannabis Cup, a maior competição de maconha dos EUA, promovida pela revista High Times.

“Eu não acreditei que os caras vacilavam tanto. Num país de primeiro mundo, com ótimos equipamentos e maconha boa, eles poderiam fazer muito mais”, relata o brasileiro. Aquele era o incentivo que faltava para ele começar sua própria produção e buscar seu espaço no mercado.

Riscos para a saúde

O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador, há 30 anos, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da universidade, Dartiu Xavier, condena o uso de maconha por adolescentes, como fez Harold.

“Eu acho que ninguém deveria fumar antes dos 18. Alguns autores dizem a partir dos 21. O ponto mais preocupante é que a maconha pode desencadear uma psicose, quando o usuário sai da realidade. Caso ele tenha uma predisposição para isso, a maconha pode funcionar como um gatilho”, explicou.

Por outro lado, o médico afirma que no seu ponto de vista a regulamentação do uso da maconha diminuiria o consumo da erva no país e seria um avanço na área da saúde.

“Nos lugares onde existem políticas mais tolerantes ou legalização, como a Holanda ou Estados Unidos, as pessoas não fogem das informações. Há inclusive uma grande política de redução de riscos. No clima de proibicionismo como há aqui, ninguém tem informação. A Holanda, inclusive, é um dos poucos países onde o consumo de maconha vem caindo. Uma prova cabal de que a proibição do uso aumenta o consumo”, afirmou Xavier.

Entretanto, o coordenador do Projeto Antitabágico do Hospital Universitário da USP, João Paulo Lotufo, diz que qualquer relaxamento em relação ao consumo de maconha seria um erro.

“Nos Estados Unidos e no Uruguai, onde o uso é permitido, dobrou o número de dependentes. Se hoje há um surto psicótico a cada 100 pessoas, se libera, você dobra para 2. Vai subir o número de acidentes automobilísticos causados pelo uso da droga, sem contar que as lesões causadas pela maconha no cérebro são irreversíveis”, disse o médico.

BAMF GANHOU DEZ PRÊMIOS – OITO CONSECUTIVOS – DE MELHOR EXTRAÇÃO DE MACONHA PELA REVISTA MAIS IMPORTANTE SOBRE O ASSUNTO NOS EUA (FOTO: BBC)

Lotufo diz ainda que a maconha é mais cancerígena que o tabaco (com base em estudo publicado na revista European Respiratory Journal em 2008) e que os custos arrecadados com impostos em caso de regulamentação não seriam suficientes nem mesmo para bancar o aumento dos gastos com saúde.

“O imposto arrecadado com a venda de cigarros também não cobre a lesão que o tabaco provoca no sistema de saúde. Liberar o uso no Brasil seria um absurdo. Alguns falam na internet que a maconha é medicinal, mas não tem nada disso. O canabidiol (CBD) sim é medicinal, mas trata-se de um extrato que nada tem a ver com o uso recreativo”, afirmou o médico da USP.

Para ele, a pressão para a regulamentação do uso recreativo ocorre por uma forte pressão financeira, que ignora os riscos à saúde.

Técnica secreta

O primeiro passo de Harold Winston para entrar no mercado canábico foi convencer Nikka T, produtor do que muitos consideram o melhor haxixe vendido nos EUA na época, a ensiná-lo a fazer o produto. Haxixe é uma pasta densa feita da resina de maconha, fumada em bong, narguilé ou em cigarro- misturado com tabaco ou maconha.

“Fiquei enchendo o saco dele igual um fã durante seis meses, até que um dia ele resolveu me ensinar. Ele me convidou e eu fui até o Colorado para aprender a técnica e, na semana seguinte, eu já era o melhor hashmaker (produtor de haxixe) da Califórnia. Isso foi há nove anos, na mesma época que minha mãe morreu de câncer”, relata ele.

Ao contrário do haxixe vendido no Brasil, feito com restos de maconha de baixa qualidade, muitas vezes feito das sobras de resina que grudam na mão das pessoas que colhem a planta no Paraguai, o produto de Bamf passa por um complexo processo.

Assim que ele fez o primeiro haxixe usando uma técnica de extração à base de água, sem solventes, ele teve a certeza de que tinha condições de era algo inédito e quis colocar seu produto à prova num campeonato. Mas, para isso, era necessário ser dono de um dispensário. Apenas a loja Buds and Roses aceitou o pedido.

O produto de Bamf chamou a atenção logo no momento da inscrição por conta de sua cor clara – sinal de pureza – e por ser o único feito com água. A maioria dos concentrados, conta Harold, é feita com gás butano – o mesmo usado em isqueiros.

 

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Em meio a 40 competidores, o brasileiro ganhou seu primeiro seu primeiro troféu. No dia seguinte, ele viu sua popularidade disparar e seu produto se tornar uma referência num dos mercados mais exigentes do mundo. A demanda foi tão grande que ele conta ter ficado sete dias sem dormir fazendo haxixe sozinho em sua casa para dar conta de alguns pedidos.

Uma das encomendas foi feita pelo grupo americano de rap Cypress Hill. “Eles encostaram na minha casa com um caminhão cheio de maconha para eu fazer haxixe para eles. Perguntei se estavam loucos porque eu demoraria um ano para terminar aquilo sozinho. Uma semana após terminar o serviço, eles levaram outro caminhão cheio”, conta.

Pouco tempo depois, Harold fundou sua própria empresa, a Bamf, que aos poucos virou o nome com o que Harold passaria a ser conhecido no mercado canábico. O nome significa Badass Motherf***er e foi inspirado em uma cena do filme Pulp Fiction.

A Bamf começou a se tornar uma referência de qualidade na Califórnia. Ganhou oito Cannabis Cups consecutivas de melhor haxixe e passou a ser cultuado por usuários de maconha não só na Califórnia, mas ao redor do mundo.

“O campeonato não dá dinheiro, mas no momento que você sai do palco com o troféu, aparecem mais de 50 donos de lojas querendo comprar tudo o que você tem. Gente tirando maços de dinheiro e do bolso. Eu pensava que era até policial querendo me pegar”, conta.

A marca começou a virar moda. A Bamf passou a vender camisetas, souvenirs e sementes. No Instagram, a marca é elogiada por diversos consumidores – alguns, famosos – americanos e brasileiros. Mas o crescimento trouxe alguns problemas para Harold e ele sente medo dessa expansão.

“A Bamf me deixou muito satisfeito e ciumento. Hoje, tenho 35 funcionários, mas sinto medo de ampliar demais, crescer, e precisar entregar meu segredo para mais pessoas. Eu criei um monstro. Imagine criar um gorila dentro de um quarto. Uma hora você vai tomar um soco. Aconteceu isso comigo. Teve gente que veio, aprendeu e hoje criaram as coisas deles. Mas como eu comecei primeiro que todo mundo, ainda estou alguns passos à frente”, afirmou.

Mesmo assim, ele revelou à BBC News Brasil alguns “segredos” da estratégia para se obter um produto de alta pureza.

“O segredo maior é olhar para as flores da maconha como se ela fosse uma vaca. No momento em que você abate a vaca, ela deve estar em ambiente refrigerado para não degenerar. Quando você corta a maconha é a mesma coisa porque ela começa a morrer. Se você não mantiver ela refrigerada em uma hora para manter ela viva, a planta começa a secar e perde óleo”, afirmou.

Harold não deu mais detalhes, mas afirmou que mantém a planta congelada até o momento da extração, e que “o solvente e o produto devem ser mantidos em temperaturas negativas”.

Maconha no Brasil

Harold diz que sua empresa está em plena expansão e conta que acabou de comprar uma área de 2 hectares – equivalente a mais de dois campos de futebol – no Estado de Oregon apenas para plantar maconha rica em CBD, usado principalmente para a produção de remédio.

Essa cepa não tem THC, o princípio ativo da planta, que causa o “barato”. Ele diz que fará isso porque se sente na obrigação de se colocar em todos os setores do mundo canábico.

Harold se diz triste com a lei de drogas brasileira. Para ele, a legalização do cultivo, comércio e consumo da erva poderiam ser de grande ajuda à combalida economia do país.

“A salvação do Brasil é a maconha. É a única coisa que pode gerar milhares de empregos e trilhões de reais no mercado econômico de maneira imediata e o povo precisa entender isso. O país está perto da linha do Equador, tem um clima perfeito e terra abundante, emprego. Sem falar que a maconha é matéria-prima de 35 mil produtos diferentes, num ciclo de dois meses. Para quê cortar árvore? Eu amo o Brasil e estou doido para e poder trabalhar com o que eu gosto no meu país”, afirmou.

Ele pondera, por outro lado, que até mesmo o mercado americano ainda não é tão claro sobre o que pode ser feito.

“Eu mesmo fui preso há três anos. Aqui é legal, mas ao mesmo tempo não é. Fui parado por um policial e tinha 20 kg de maconha no carro. Eu tinha uma licença e disse que mostraria ao policial, mas ele disse que rasgaria o documento caso eu mostrasse. A sorte é que nos EUA você não é condenado até esgotar o processo. Depois de dois anos e meio, fui absolvido”, afirmou.

Na Califórnia, a venda da maconha recreativa é legal. Por outro lado, a erva continua classificada como um narcótico ilegal sob a lei federal americana.

“Há um conflito de leis federais e estaduais que cria uma zona cinzenta nos Estados Unidos. Há a legalização, mas por outro lado há uma grande dificuldade para conseguir as licenças e isso causa uma grande insegurança jurídica”, diz o advogado Ricardo Nemer.

Já no Brasil, ativistas dizem que o caminho mais provável para descriminalizar o uso da maconha e dar o primeiro passo rumo à legalização é o julgamento no STF de um processo que pode revogar o artigo 28 da Lei Antidrogas. Isso permitiria a posse de pequenas quantias e plantio da erva para consumo próprio.

Esse processo, parado desde 2015 após o ministro Teori Zavascki pedir vistas, está marcado para ser retomado no dia 5 de junho. A pausa ocorre porque, depois da morte de Zavascki, o caso foi para as mãos de Alexandre de Moraes.

No ponto de vista do músico Badaui, que diz ter visitado diversos países onde há regulamentação, tolerância ou descriminalização do uso da cannabis, diz que é apenas uma questão de tempo para que o mesmo ocorra no Brasil.

“Há dez anos, esse assunto era tratado como tabu. Hoje, todos sabem que esse consumo não vai parar e que não tem como seguir outro caminho a não ser o da legalização. Por mais conservador que seja o governo, o Brasil sempre seguiu o modelo americano. É hora de desmantelar o mercado negro e explorarmos economicamente a cannabis”, afirmou o músico.

Bamf também acha que a legalização da cannabis no Brasil não deve demorar. Ele diz que diversos setores da sociedade estão fazendo uma grande pressão no sentido de permitir o consumo e o comércio da erva, como ocorreu antes da legalização em países como Canadá e Uruguai.

“Chega uma hora em que a polícia não tem condições de ir atrás de quem planta e fuma. Os próprios policiais se questionam se eles devem ir atrás de político ladrão e grandes bandidos ou se vão ficar perdendo tempo indo atrás de usuário de maconha num país com tanto problema de verdade.”

Época Negócios, com BBC

 

 

Opinião dos leitores

  1. Isso é uma grande notícia, quando muitos chorão os seus filhos mortos pelas drogas aí vem essa grande materia ,isso sim é louvável!!!

    1. Eu ia comentar justamente isso. Mas pelo seu Nick vc deve estar sendo irônico. Já Eu, falo sério.

  2. Reportagem muito educativa, que esse doido fique por lá mesmo, aqui já temos muitas cracolândias.

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Geral

PESQUISA BTG/NEXUS: Lula lidera 1º turno, mas empata com Flávio e Caiado no 2º

Fotos: AFP/Agencia Senado/Câmara dos Deputados

O presidente Lula (PT) lidera a disputa pela Presidência da República no primeiro turno, mas aparece em empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) em cenários de segundo turno. Os dados são da pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (17).

No primeiro turno, Lula tem 41% das intenções de voto, contra 36% de Flávio Bolsonaro e 5% de Caiado. A diferença de cinco pontos entre Lula e Flávio está fora da margem de erro.

Em um eventual segundo turno contra Flávio, Lula aparece com 47% e o senador com 44%, configurando empate técnico. Contra Caiado, o presidente registra 45%, enquanto o ex-governador de Goiás tem 42%, também dentro da margem de erro.

Na comparação com a rodada anterior, divulgada em 10 de agosto, o cenário apresenta estabilidade. Lula tinha 40% no primeiro turno e passou para 41%, enquanto Flávio oscilou de 35% para 36%. No confronto direto entre os dois, os números permaneceram em 47% a 44%.

A pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.003 eleitores por telefone entre os dias 14 e 16 de agosto de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-03317/2026.

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Política

FORÇA EM NOVA CRUZ: Flávio de Berói, prefeito Joquinha e todo grupo político anunciam apoio a Walter Alves

Fotos: Divulgação

Em agenda em Nova Cruz na manhã desta segunda-feira (17), o candidato a deputado estadual Walter Alves (MDB) protagonizou uma grande movimentação política na cidade. Ao lado do ex-governador Garibaldi Filho, Walter recebeu o apoio do prefeito Joquinha Nogueira, do ex-prefeito Flávio de Berói e de oito vereadores do município.

A passagem de Walter por Nova Cruz nesta segunda-feira mobilizou apoiadores e reuniu diferentes lideranças políticas do município. O grupo acompanhou o candidato durante a agenda, que marcou a declaração pública de apoio à sua candidatura à Assembleia Legislativa.

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Geral

[VÍDEO] Homem é preso durante jogo do ABC na Arena das Dunas após ameaçar ex e descumprir medida protetiva

Vídeo: TV Tropical

A Polícia Civil prendeu em flagrante um homem de 33 anos suspeito de descumprir uma medida protetiva e ameaçar de morte a ex-companheira. A prisão aconteceu durante a partida entre ABC e Nacional, na Arena das Dunas, em Natal, neste domingo (16).

Segundo a Polícia Civil, a Justiça havia concedido recentemente uma medida protetiva à vítima e o suspeito já tinha sido informado da decisão. Mesmo assim, ele teria voltado a procurar a ex-companheira e feito ameaças de morte.

As investigações apontam que as ameaças ocorreram de forma reiterada desde as primeiras horas do domingo, por diferentes redes sociais e aplicativos de mensagens.

Durante as diligências, os policiais descobriram que o suspeito estava na Arena das Dunas. Com apoio do Centro de Controle Operacional (CCO) e do sistema de reconhecimento facial do estádio, o homem foi localizado no interior da Arena e preso em flagrante.

Ele foi levado à delegacia para os procedimentos legais e ficou à disposição da Justiça.

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Geral

DISPUTA PT X PL NO RN: Cadu Xavier se isola à esquerda, enquanto Álvaro Dias amplia alianças com a centro-direita

Fotos: Reprodução/Redes Sociais

A disputa pelo governo do Rio Grande do Norte escancara o isolamento da esquerda e o fortalecimento do campo conservador. Enquanto o PT não conseguiu atrair para a sua aliança partidos de outros espectros ideológicos, a direita e as legendas de centro se organizaram em frentes competitivas, que prometem dificultar o projeto petista de manter o poder no estado após o fim do mandato da governadora Fátima Bezerra.

Nacionalmente e no RN, a Federação PT/PCdoB/PV conseguiu atrair apenas o PSB e o PDT. O MDB se aliou predominantemente ao PT na maioria dos estados, mas aqui, com o rompimento do vice-governador Walter Alves com a governadora Fátima Bezerra, a legenda ficou fora do palanque de Cadu Xavier.

Já o PL de Álvaro Dias conseguiu construir uma frente de direita mais robusta, atraindo para a sua coligação partidos como o PSDB do presidente da Assembleia Legislativa Ezequiel Ferreira de Souza e o Podemos do senador Styvenson Valentim, além do Novo, Cidadania e Mobiliza.

Paralelamente, Allyson Bezerra (União Brasil) também formou uma coligação com partidos de centro-direita, como o MDB, PP, PSD, Republicanos, Avante e a Federação Renovação Solidária (PRD/Solidariedade).

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Geral

[VÍDEO] Thabatta: “Não abro mão desse voto do Senado ser de Zenaide Maia com muito orgulho”

A candidata a deputada federal Thabatta Pimenta (PSol) reafirmou seu apoio à reeleição da Dra. Zenaide Maia (PSD) para o Senado.

“Para o Senado, eu estou com as mulheres. A gratidão que eu tenho a essa mulher, ninguém tira. Ela me viu lá em Carnaúba dos Dantas e disse: ‘Essa mulher tem um futuro brilhante’. É por isso que eu não abro mão desse voto do Senado ser de Zenaide Maia com muito orgulho”, declarou Thabatta.

“Thabatta Pimenta, essa mulher que saiu do interior, desafiou todos os preconceitos e está aqui”, disse a senadora, reforçando a aliança com a candidata do PSol.

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Geral

DISTOPIA: Filme potiguar imagina futuro em que respirar oxigênio vira ameaça

Foto: Divulgação

Um filme produzido no Rio Grande do Norte aposta na ficção científica para imaginar um futuro em que o ar que hoje sustenta a vida humana se transforma em uma ameaça. O elenco reúne nomes do audiovisual potiguar, entre eles a saudosa Titina Medeiros, que morreu em janeiro de 2026.

“Era do Metano” apresenta uma sociedade distópica na qual o metano passa a ocupar papel central no ambiente, enquanto o oxigênio deixa de ser indispensável e passa a representar um risco. A produção utiliza essa inversão para discutir questões ambientais e os impactos das mudanças provocadas pela ação humana.

“Era do Metano” mistura distopia, suspense, comédia, drama e estética cyberpunk. A história atravessa seis décadas, entre 2021 e 2081, mostrando uma Natal diferente da imagem tradicional da “cidade do sol”. Todo o filme foi gravado no Rio Grande do Norte. Natal aparece como principal cenário, enquanto Pirangi também recebeu filmagens. Até as cenas ambientadas em Cabo Verde foram gravadas em território potiguar.

O longa-metragem potiguar terá pré-estreia gratuita nesta terça-feira (18), às 19h, no Cinemark do Midway Mall, em Natal, com 60 ingressos disponibilizados a partir das 18h. O projeto foi desenvolvido por realizadores potiguares.

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Geral

IMPROBIDADE: Projeto prevê punição para políticos que usarem o cargo para cometer assédio

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Projeto apresentado no Senado quer enquadrar como ato de improbidade administrativa o uso intencional de cargo, mandato ou função pública para praticar, facilitar ou impor violência, assédio, constrangimento ou discriminação grave.

A proposta, de autoria do senador Lucas Barreto (PSD-AP), prevê que a vantagem indevida buscada pelo agente público não precisa envolver dinheiro. O benefício poderá ser pessoal, político, funcional ou sexual.

Pelo texto, não basta que o autor da conduta seja servidor, parlamentar ou outro agente público. Para configurar improbidade, será necessário comprovar que ele utilizou deliberadamente os poderes ou recursos do cargo como instrumento para a prática.

Na justificativa, Lucas Barreto cita como exemplo o assédio sexual, em que a vantagem pretendida pode ser de natureza pessoal e não patrimonial. O senador afirma ainda que a redação busca evitar que conflitos interpessoais ou irregularidades de menor gravidade sejam tratados como improbidade.

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[VÍDEO] Álvaro critica Allyson e afirma: “Nunca acordei com a Polícia Federal na minha porta”

Em vídeo de inserção eleitoral publicado nas redes sociais, nesta segunda-feira (18), Álvaro Dias (PL) questiona o discurso de “renovação” de Allyson Bezerra (União Brasil) lembrando que ele, apesar de jovem, já é investigado em um suposto esquema de corrupção, numa referência ao caso do Operação Mederi, que investiga desvios de recursos da Saúde na Prefeitura de Mossoró.

“Eu já fui deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa, deputado federal, vice-prefeito e,por duas vezes, prefeito de Natal. Nestes 38 de vida pública, diferente de alguns, eu nunca acordei com a Polícia Federal na minha porta”, diz o candidato do PL.

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NOVOS TEMPOS: Avanço de carros elétricos transforma carregadores em ponto de disputa em condomínios; frota desse tipo de veículos passa de 6 mil no RN

Foto: Divulgação

O avanço dos carros elétricos no Brasil começa a mudar não apenas as ruas, mas também a rotina dentro dos condomínios. A instalação de pontos de recarga passou a gerar discussões entre moradores sobre vagas, consumo de energia, custos de instalação e responsabilidade pela infraestrutura.

A questão foi tema de reportagem exibida pelo Fantástico, que mostrou como carregadores de veículos elétricos estão no centro de disputas em condomínios residenciais. A chegada de um carro elétrico à garagem pode exigir adaptações na rede elétrica e a definição de quem paga pela instalação e pelo consumo da energia.

No Rio Grande do Norte, o tema já deixou de ser uma preocupação distante. Dados do Detran-RN apontam que o estado tinha 6.089 carros 100% elétricos em circulação em junho deste ano. Desse total, 5.390 utilizam fonte externa de recarga, ou seja, dependem de tomadas ou eletropostos. O RN também contabilizava outros 5.301 veículos híbridos.

A expansão da frota aumenta a pressão por uma infraestrutura de recarga compatível. Em Natal, inclusive, o novo Código de Obras já determina que novos empreendimentos residenciais multifamiliares e grandes edificações não residenciais prevejam soluções para recarga de veículos elétricos.

Na Assembleia Legislativa do RN, também tramita proposta para garantir aos proprietários o direito de instalar estações individuais de recarga em condomínios residenciais e comerciais.

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Geral

OPORTUNIDADE: Uern abre 405 vagas em cursos gratuitos para pessoas com 60 anos ou mais no RN

Foto: Wilson Moreno/UERN

A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) abriu 405 vagas gratuitas em cursos destinados a pessoas com 60 anos ou mais. As oportunidades fazem parte do programa Uern 60+ e estão distribuídas entre Mossoró, Caicó, Pau dos Ferros, Natal e Patu.

As inscrições seguem até o dia 25 de agosto. Os cursos têm carga horária de 40 ou 60 horas e serão realizados entre agosto e dezembro deste ano.

Em Mossoró, são 80 vagas para cursos de cidadania, qualidade de vida, arte e educação. Caicó também oferece 80 vagas, com atividades nas áreas de tecnologia, memória, inclusão, autocuidado e saúde.

Pau dos Ferros concentra 85 oportunidades, incluindo atividades sobre envelhecimento ativo e música, com turmas de percussão, violão e coral. Em Natal, são 80 vagas para cursos de audiovisual, memória e atividades do programa 60+. Patu terá outras 40 vagas voltadas a memórias, saberes e vivências.

As inscrições seguem até o dia 25 de agosto de 2026 e podem ser feitas de forma online pelo Portal da Uern ou pelos formulários eletrônicos divulgados no perfil oficial @uernoficial, no Instagram.

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