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FOTOS: Brasileiro se muda para a Califórnia para plantar maconha, ganha dez copas de melhor haxixe e vira ídolo

HAROLD WINSTON, O BAMF, DEIXOU O BRASIL AOS 18 ANOS PARA VIAGEM DE UMA SEMANA EM AMSTERDÃ E NÃO VOLTOU MAIS (FOTO: MALACHI BANALES/ DIVULGAÇÃO)

Proibido no Brasil e seis vezes mais caro que o ouro. O cristal de poucos centímetros, levemente amarelado, quase transparente, é exposto em lojas especializadas em maconha da Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos, como uma joia.

Cada grama do extrato ultraconcentrado de maconha produzido pelo brasileiro Harold Winston, mais conhecido como Bamf, de 34 anos, pode custar até US$ 250 — o equivalente a cerca de R$ 1.000. A porção é suficiente para fazer dois cigarros — misturando com tabaco ou ervas – ou usar até cinco vezes num bong — purificador, geralmente feito de vidro, utilizado para fumar maconha.

Harold deixou o Brasil em 2003, há 16 anos, atraído pelo desejo de trabalhar com cannabis. Antes de deixar o país, ele tinha plantado 400 pés de maconha no quintal da casa onde vivia com a família em Belo Horizonte. A mãe dele descobriu, destruiu o plantio e pagou ao filho uma viagem para ele passar uma semana em Amsterdã, na Holanda. Ele nem chegou a pegar o voo de volta e, desde então, só visitou a terra natal em festas de fim de ano.

Nesse período, Harold viveu cinco anos na Holanda, ganhou 10 prêmios em competições de maconha nos Estados Unidos e se tornou uma das maiores referências do mundo canábico.

No Brasil, o plantio, a venda ou a doação de maconha são considerados tráfico de drogas, crime punido com penas de 5 a 15 anos de prisão, além de multas. Usar a erva é considerada apenas uma contravenção. Nesses casos, o usuário deve prestar serviços à comunidade e fazer um curso sobre os danos causados pelo uso de drogas.

O advogado Ricardo Nemer, da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas (Reforma) diz que muitas vezes a distinção entre usuário e traficante, feita principalmente pela Polícia Civil, é incerta e pode resultar em punições injustas.

“Depende do ‘achismo’ do delegado. Não há regra do que é pequena ou grande quantidade. Isso causa uma grande insegurança jurídica e enquadra diversos usuários como traficantes. Um exemplo são as pessoas que cultivam maconha para fazer extratos (como os produzidos por Bamf) e precisam de muitas plantas”, explica o advogado.

Mas o que há de tão especial na maconha concentrada?

“Você dá uma simples puxada e é como se você tivesse fumado uns dez baseados inteiros”, diz Fernando Badaui, de 43 anos, vocalista da banda CPM22. “Não tem nenhuma impureza. É como degustar um bom vinho. Quando você fuma uma maconha comum, tem o papel, folhas, galhos e tudo mais junto, fora a sujeira. Aquilo que o Bamf faz é o puro extrato de THC, o princípio ativo que causa a brisa. Eu já experimentei maconha em diversos países que visitei e digo que essa está entre as melhores do mundo.”

FERNANDO BADAUI (À ESQ.), VOCALISTA DA BANDA CPM22, VISITOU DIVERSAS VEZES O BRASILEIRO HAROLD WINSTON, NA CALIFÓRNIA (FOTO: FERNANDO BADAUI/ ARQUIVO PESSOAL)

Badaui é conhecido por ser um combativo ativista nas redes sociais pela liberação da maconha. No Instagram, por exemplo, ele faz constantes publicações para defender a descriminalização do uso e a regulamentação do plantio da erva no Brasil. Ele conta ter conversado com o skatista Bob Burnquist, outro assíduo defensor da cannabis.

“Falei pro Bob que a gente está junto nessa. A imagem dele é muito importante para mostrar que um atleta de elite pode usar maconha”, afirmou Badaui em entrevista à BBC News Brasil.

O brasileiro Harold diz que Badaui o visita duas vezes por ano na Califórnia e que já experimentou vários de seus produtos. “A gente virou amigo. Ele é um ativista que representa muito nossa luta e eu acho lindo todos esses caras de peso desmistificando o uso da maconha. Eles demonstram que podem fumar e serem grandes profissionais. A manifestação pública dessas pessoas é um dos caminhos para a legalização no Brasil”, afirmou.

‘Amor’ pela erva

Harold nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, mas seus pais avaliaram que não teriam condições de criá-lo. Aos três meses de idade, o bebê foi adotado por americanos que viviam em Belo Horizonte e o batizaram com o nome do avô americano.

“Eu sempre fui um moleque doido, talvez pelo fato de ser adotado. Fui expulso de todas as escolas por onde passei em Belo Horizonte”, conta o brasileiro. Ele diz que ter se tornado uma referência na produção de maconha na Califórnia é a realização de seu maior sonho.

Todo esse amor pela maconha, conta Bamf, começou assim que experimentou a erva pela primeira vez, aos 16 anos.

“O problema foi que eu gostei demais, irmão. Um dia depois de sentir aquela sensação, comprei 25 gramas (suficiente para produzir até cerca de 50 baseados). Foi doido. A partir daquele dia, eu queria ver coisas sobre maconha o dia todo, queria experimentar a melhor maconha do mundo e fiquei na caça daquilo. Naquele mesmo ano, descobri o haxixe e pirei de vez”, conta o brasileiro aos risos.

Na época, ele passou a ter acesso e consumir grandes quantidades de haxixe trazido do Paraguai. Mas ele conta que sentia desgosto por consumir algo sujo e de procedência desconhecida. Seu sonho passou a ser produzir seu próprio concentrado, de alta pureza.

400 plantas no quintal

Sem se importar com as leis brasileiras, o adolescente passou a plantar maconha no quintal de casa, em 2002. E num volume capaz de atrair muita atenção.

 

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“Eu meti 400 plantas lá. Falei para a minha mãe que era ayahuasca porque era legal. Mas depois de certo tempo, uma amiga dela foi lá em casa e viu o cultivo. Eu estava na esperança de que não acontecesse nada, mas essa mulher colocou algumas folhas no bolso antes de ir embora. Dois dias depois, minha mãe descobriu que era maconha, ficou puta comigo e destruiu todas as plantas”, diz Harold.

Além de sustentar seu consumo diário da erva, o cultivo fornecia material para que fizesse seus primeiros testes. Na época, ele conta que passava o dia cuidando das plantas, estudando e discutindo novas técnicas para aumentar sua produção e fazer extratos de qualidade. Sua fonte era o site brasileiro Growroom, o maior fórum online sobre maconha da América Latina, com mais de 120 mil inscritos.

“O Growroom para mim era um portal da coisa mais secreta do mundo. Passava o dia ali como um louco, como se o fórum fosse um livro aberto na minha frente. Ali, foi com certeza minha primeira escola, a base de tudo que aprendi até hoje”, relata.

Depois de duas semanas sem falar com o filho por conta da plantação em seu quintal, sua mãe, Nilza Cozac, o chamou para dar uma bronca e ter uma conversa franca. Cozac, conta Harold, foi a primeira mulher a se formar em direito em Minas Gerais e tinha um profundo conhecimento sobre a legislação.

“Minha mãe já tinha mais de 60 anos, mas era muito cabeça aberta. Ela me alertou que uma plantação daquele tamanho era motivo para o governo querer tomar nossa casa, um dos poucos assuntos que despertavam atenção do governo e policiais. E disse que me presentearia com uma viagem de uma semana para Amsterdã, na Holanda, quando completasse 18 anos. Ela queria que eu conhecesse um lugar onde pudesse fumar maconha sem problemas”, conta.

Viagem para Amsterdã

A mãe cumpriu a promessa. E ele nunca mais voltou para o Brasil.

“Eu fiquei muito louco quando cheguei lá (em 2003). Parecia uma criança em loja de brinquedo. Fiquei matutando como eu poderia ficar na Holanda e passar a vender maconha por um preço 100 vezes melhor do que as pessoas no Brasil. Minha mãe ficou desesperada quando soube”.

Harold conta que morou durante um ano em um apartamento para refugiados africanos em Amsterdã, que alugava por 300 euros. Durante esse tempo, ele fez contatos e aprimorou seus conhecimentos sobre a erva.

“Eu me envolvi com pessoas que achava que tinham maconha e haxixe bom. Na Holanda, a maconha é apenas tolerada. Durante os cinco anos que fiquei no país, vi muita gente sendo presa, inclusive conhecidos. Logo começaram a me dizer que eu estava no lugar errado, que eu deveria ir para a Califórnia”, diz.

Depois de fazer uma série de pesquisas e assistir a vídeos no YouTube, ele decidiu se mudar para os Estados Unidos.

Primeiro, ele foi para Nova York, mas depois de um ano vivendo “num frio dos infernos” e presenciando uma forte repressão policial contra usuários de maconha, ele resolveu se mudar, em 2009, para Los Angeles, na Califórnia, onde vive até hoje.

“Eu mal cheguei e enlouqueci. Eu fiquei gritando na rua, literalmente, porque a cada esquina tinha loja para você comprar equipamentos. Você fica louco mesmo. Entrei na primeira que eu vi e fiquei conversando com o dono durante horas sem parar”, lembra Bamf com euforia.

Três dias depois de chegar à “meca” da maconha, Harold comprou uma luz especial – ideal para seis plantas – e começou a plantar a própria erva dentro de casa. Seis meses depois, tinha dez lâmpadas. Um ano depois, tinha 15.

Depois da longa experiência em Amsterdã, o jovem avaliou que o mercado na Califórnia tinha bons equipamentos, uma legislação muito favorável, mas ainda era pouco desenvolvido. Sua maior surpresa, porém, foi quando assistiu à uma edição da Cannabis Cup, a maior competição de maconha dos EUA, promovida pela revista High Times.

“Eu não acreditei que os caras vacilavam tanto. Num país de primeiro mundo, com ótimos equipamentos e maconha boa, eles poderiam fazer muito mais”, relata o brasileiro. Aquele era o incentivo que faltava para ele começar sua própria produção e buscar seu espaço no mercado.

Riscos para a saúde

O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador, há 30 anos, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da universidade, Dartiu Xavier, condena o uso de maconha por adolescentes, como fez Harold.

“Eu acho que ninguém deveria fumar antes dos 18. Alguns autores dizem a partir dos 21. O ponto mais preocupante é que a maconha pode desencadear uma psicose, quando o usuário sai da realidade. Caso ele tenha uma predisposição para isso, a maconha pode funcionar como um gatilho”, explicou.

Por outro lado, o médico afirma que no seu ponto de vista a regulamentação do uso da maconha diminuiria o consumo da erva no país e seria um avanço na área da saúde.

“Nos lugares onde existem políticas mais tolerantes ou legalização, como a Holanda ou Estados Unidos, as pessoas não fogem das informações. Há inclusive uma grande política de redução de riscos. No clima de proibicionismo como há aqui, ninguém tem informação. A Holanda, inclusive, é um dos poucos países onde o consumo de maconha vem caindo. Uma prova cabal de que a proibição do uso aumenta o consumo”, afirmou Xavier.

Entretanto, o coordenador do Projeto Antitabágico do Hospital Universitário da USP, João Paulo Lotufo, diz que qualquer relaxamento em relação ao consumo de maconha seria um erro.

“Nos Estados Unidos e no Uruguai, onde o uso é permitido, dobrou o número de dependentes. Se hoje há um surto psicótico a cada 100 pessoas, se libera, você dobra para 2. Vai subir o número de acidentes automobilísticos causados pelo uso da droga, sem contar que as lesões causadas pela maconha no cérebro são irreversíveis”, disse o médico.

BAMF GANHOU DEZ PRÊMIOS – OITO CONSECUTIVOS – DE MELHOR EXTRAÇÃO DE MACONHA PELA REVISTA MAIS IMPORTANTE SOBRE O ASSUNTO NOS EUA (FOTO: BBC)

Lotufo diz ainda que a maconha é mais cancerígena que o tabaco (com base em estudo publicado na revista European Respiratory Journal em 2008) e que os custos arrecadados com impostos em caso de regulamentação não seriam suficientes nem mesmo para bancar o aumento dos gastos com saúde.

“O imposto arrecadado com a venda de cigarros também não cobre a lesão que o tabaco provoca no sistema de saúde. Liberar o uso no Brasil seria um absurdo. Alguns falam na internet que a maconha é medicinal, mas não tem nada disso. O canabidiol (CBD) sim é medicinal, mas trata-se de um extrato que nada tem a ver com o uso recreativo”, afirmou o médico da USP.

Para ele, a pressão para a regulamentação do uso recreativo ocorre por uma forte pressão financeira, que ignora os riscos à saúde.

Técnica secreta

O primeiro passo de Harold Winston para entrar no mercado canábico foi convencer Nikka T, produtor do que muitos consideram o melhor haxixe vendido nos EUA na época, a ensiná-lo a fazer o produto. Haxixe é uma pasta densa feita da resina de maconha, fumada em bong, narguilé ou em cigarro- misturado com tabaco ou maconha.

“Fiquei enchendo o saco dele igual um fã durante seis meses, até que um dia ele resolveu me ensinar. Ele me convidou e eu fui até o Colorado para aprender a técnica e, na semana seguinte, eu já era o melhor hashmaker (produtor de haxixe) da Califórnia. Isso foi há nove anos, na mesma época que minha mãe morreu de câncer”, relata ele.

Ao contrário do haxixe vendido no Brasil, feito com restos de maconha de baixa qualidade, muitas vezes feito das sobras de resina que grudam na mão das pessoas que colhem a planta no Paraguai, o produto de Bamf passa por um complexo processo.

Assim que ele fez o primeiro haxixe usando uma técnica de extração à base de água, sem solventes, ele teve a certeza de que tinha condições de era algo inédito e quis colocar seu produto à prova num campeonato. Mas, para isso, era necessário ser dono de um dispensário. Apenas a loja Buds and Roses aceitou o pedido.

O produto de Bamf chamou a atenção logo no momento da inscrição por conta de sua cor clara – sinal de pureza – e por ser o único feito com água. A maioria dos concentrados, conta Harold, é feita com gás butano – o mesmo usado em isqueiros.

 

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Em meio a 40 competidores, o brasileiro ganhou seu primeiro seu primeiro troféu. No dia seguinte, ele viu sua popularidade disparar e seu produto se tornar uma referência num dos mercados mais exigentes do mundo. A demanda foi tão grande que ele conta ter ficado sete dias sem dormir fazendo haxixe sozinho em sua casa para dar conta de alguns pedidos.

Uma das encomendas foi feita pelo grupo americano de rap Cypress Hill. “Eles encostaram na minha casa com um caminhão cheio de maconha para eu fazer haxixe para eles. Perguntei se estavam loucos porque eu demoraria um ano para terminar aquilo sozinho. Uma semana após terminar o serviço, eles levaram outro caminhão cheio”, conta.

Pouco tempo depois, Harold fundou sua própria empresa, a Bamf, que aos poucos virou o nome com o que Harold passaria a ser conhecido no mercado canábico. O nome significa Badass Motherf***er e foi inspirado em uma cena do filme Pulp Fiction.

A Bamf começou a se tornar uma referência de qualidade na Califórnia. Ganhou oito Cannabis Cups consecutivas de melhor haxixe e passou a ser cultuado por usuários de maconha não só na Califórnia, mas ao redor do mundo.

“O campeonato não dá dinheiro, mas no momento que você sai do palco com o troféu, aparecem mais de 50 donos de lojas querendo comprar tudo o que você tem. Gente tirando maços de dinheiro e do bolso. Eu pensava que era até policial querendo me pegar”, conta.

A marca começou a virar moda. A Bamf passou a vender camisetas, souvenirs e sementes. No Instagram, a marca é elogiada por diversos consumidores – alguns, famosos – americanos e brasileiros. Mas o crescimento trouxe alguns problemas para Harold e ele sente medo dessa expansão.

“A Bamf me deixou muito satisfeito e ciumento. Hoje, tenho 35 funcionários, mas sinto medo de ampliar demais, crescer, e precisar entregar meu segredo para mais pessoas. Eu criei um monstro. Imagine criar um gorila dentro de um quarto. Uma hora você vai tomar um soco. Aconteceu isso comigo. Teve gente que veio, aprendeu e hoje criaram as coisas deles. Mas como eu comecei primeiro que todo mundo, ainda estou alguns passos à frente”, afirmou.

Mesmo assim, ele revelou à BBC News Brasil alguns “segredos” da estratégia para se obter um produto de alta pureza.

“O segredo maior é olhar para as flores da maconha como se ela fosse uma vaca. No momento em que você abate a vaca, ela deve estar em ambiente refrigerado para não degenerar. Quando você corta a maconha é a mesma coisa porque ela começa a morrer. Se você não mantiver ela refrigerada em uma hora para manter ela viva, a planta começa a secar e perde óleo”, afirmou.

Harold não deu mais detalhes, mas afirmou que mantém a planta congelada até o momento da extração, e que “o solvente e o produto devem ser mantidos em temperaturas negativas”.

Maconha no Brasil

Harold diz que sua empresa está em plena expansão e conta que acabou de comprar uma área de 2 hectares – equivalente a mais de dois campos de futebol – no Estado de Oregon apenas para plantar maconha rica em CBD, usado principalmente para a produção de remédio.

Essa cepa não tem THC, o princípio ativo da planta, que causa o “barato”. Ele diz que fará isso porque se sente na obrigação de se colocar em todos os setores do mundo canábico.

Harold se diz triste com a lei de drogas brasileira. Para ele, a legalização do cultivo, comércio e consumo da erva poderiam ser de grande ajuda à combalida economia do país.

“A salvação do Brasil é a maconha. É a única coisa que pode gerar milhares de empregos e trilhões de reais no mercado econômico de maneira imediata e o povo precisa entender isso. O país está perto da linha do Equador, tem um clima perfeito e terra abundante, emprego. Sem falar que a maconha é matéria-prima de 35 mil produtos diferentes, num ciclo de dois meses. Para quê cortar árvore? Eu amo o Brasil e estou doido para e poder trabalhar com o que eu gosto no meu país”, afirmou.

Ele pondera, por outro lado, que até mesmo o mercado americano ainda não é tão claro sobre o que pode ser feito.

“Eu mesmo fui preso há três anos. Aqui é legal, mas ao mesmo tempo não é. Fui parado por um policial e tinha 20 kg de maconha no carro. Eu tinha uma licença e disse que mostraria ao policial, mas ele disse que rasgaria o documento caso eu mostrasse. A sorte é que nos EUA você não é condenado até esgotar o processo. Depois de dois anos e meio, fui absolvido”, afirmou.

Na Califórnia, a venda da maconha recreativa é legal. Por outro lado, a erva continua classificada como um narcótico ilegal sob a lei federal americana.

“Há um conflito de leis federais e estaduais que cria uma zona cinzenta nos Estados Unidos. Há a legalização, mas por outro lado há uma grande dificuldade para conseguir as licenças e isso causa uma grande insegurança jurídica”, diz o advogado Ricardo Nemer.

Já no Brasil, ativistas dizem que o caminho mais provável para descriminalizar o uso da maconha e dar o primeiro passo rumo à legalização é o julgamento no STF de um processo que pode revogar o artigo 28 da Lei Antidrogas. Isso permitiria a posse de pequenas quantias e plantio da erva para consumo próprio.

Esse processo, parado desde 2015 após o ministro Teori Zavascki pedir vistas, está marcado para ser retomado no dia 5 de junho. A pausa ocorre porque, depois da morte de Zavascki, o caso foi para as mãos de Alexandre de Moraes.

No ponto de vista do músico Badaui, que diz ter visitado diversos países onde há regulamentação, tolerância ou descriminalização do uso da cannabis, diz que é apenas uma questão de tempo para que o mesmo ocorra no Brasil.

“Há dez anos, esse assunto era tratado como tabu. Hoje, todos sabem que esse consumo não vai parar e que não tem como seguir outro caminho a não ser o da legalização. Por mais conservador que seja o governo, o Brasil sempre seguiu o modelo americano. É hora de desmantelar o mercado negro e explorarmos economicamente a cannabis”, afirmou o músico.

Bamf também acha que a legalização da cannabis no Brasil não deve demorar. Ele diz que diversos setores da sociedade estão fazendo uma grande pressão no sentido de permitir o consumo e o comércio da erva, como ocorreu antes da legalização em países como Canadá e Uruguai.

“Chega uma hora em que a polícia não tem condições de ir atrás de quem planta e fuma. Os próprios policiais se questionam se eles devem ir atrás de político ladrão e grandes bandidos ou se vão ficar perdendo tempo indo atrás de usuário de maconha num país com tanto problema de verdade.”

Época Negócios, com BBC

 

 

Opinião dos leitores

  1. Isso é uma grande notícia, quando muitos chorão os seus filhos mortos pelas drogas aí vem essa grande materia ,isso sim é louvável!!!

    1. Eu ia comentar justamente isso. Mas pelo seu Nick vc deve estar sendo irônico. Já Eu, falo sério.

  2. Reportagem muito educativa, que esse doido fique por lá mesmo, aqui já temos muitas cracolândias.

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Geral

Primeiro Simulado do Projeto Se Liga Enem reúne estudantes em Parnamirim

Iniciativa, que há 10 anos prepara estudantes para o Exame Nacional do Ensino Médio, realizou neste domingo o primeiro dia de simulado em parceria com a Escola da Assembleia do RN.

Na manhã deste domingo (13), a partir das 8h, estudantes participaram do primeiro dia de simulado do Projeto Se Liga Enem, realizado na Câmara Municipal de Parnamirim. A atividade faz parte da preparação dos alunos para os desafios do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Coordenado pelo professor Ítalo, o Se Liga Enem desenvolve um trabalho de preparação e acompanhamento dos estudantes, oferecendo aulas todos os sábados pela manhã e atividades voltadas aos conteúdos cobrados no exame.

O simulado é fruto de uma parceria entre a Escola da Assembleia do Rio Grande do Norte e o Projeto Se Liga Enem. Para a atividade, foram abertas 50 vagas, proporcionando aos participantes a oportunidade de vivenciar uma experiência semelhante à do Enem, testar seus conhecimentos, administrar melhor o tempo de prova e se familiarizar com a dinâmica do exame.

Uma década contribuindo com a educação

O Projeto Se Liga Enem já acontece há 10 anos em Parnamirim e, ao longo dessa trajetória, já atendeu mais de 5 mil alunos. A iniciativa conta com uma grande equipe de professores e mantém uma programação de aulas todos os sábados pela manhã, reforçando conteúdos e auxiliando os estudantes na preparação para o Enem.

A realização do primeiro simulado representa mais uma importante etapa dessa preparação e reforça o compromisso do projeto em ampliar as oportunidades para os estudantes de Parnamirim que sonham com o ingresso no ensino superior.

Legenda da foto: Estudantes participam do primeiro dia de simulado do Projeto Se Liga Enem, neste domingo (13), na Câmara Municipal de Parnamirim.

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TRE nega pedido de Allyson para retirar propaganda de Álvaro sobre operação Mederi dos desvios de medicamentos e cita busca da PF e propina de 15%

Decisão afirma que fatos relacionados à operação têm base pública e permite que inserção continue sendo veiculada

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) negou, neste sábado (12), o pedido de Allyson Bezerra (União Brasil) para retirar do ar uma propaganda eleitoral da campanha de Álvaro Dias que aborda a Operação Mederi, a busca da Polícia Federal e a referência a um percentual de 15% presente nos elementos da investigação.

Ao indeferir a liminar, o desembargador eleitoral Fábio Luiz de Oliveira Bezerra destacou que a própria ação apresentada por Allyson reconhece a existência de fatos públicos relacionados à operação.

“A própria narrativa constante da inicial reconhece a existência de fatos públicos relacionados à Operação Mederi, inclusive o cumprimento de mandado de busca e apreensão pela Polícia Federal na residência e no gabinete do então prefeito de Mossoró.”

A decisão também menciona expressamente o percentual abordado pela propaganda:

“Também se afirma que há referência, nos elementos investigativos, a percentual de ‘15%’.”

Para o magistrado, portanto, não se está diante, ao menos nesta análise preliminar, de “fato inexistente, artificialmente criado ou descolado de qualquer base fática que já é pública”.

Allyson alegou que a propaganda ultrapassou os limites da crítica política e sustentou que não existe condenação contra ele no âmbito da Operação Mederi. A decisão, entretanto, ressaltou que a ausência de condenação não impede o debate eleitoral sobre investigações em andamento:

“A inexistência de condenação não torna, por si só, sabidamente inverídica toda referência eleitoral a investigação em curso.”

Com a liminar negada, a propaganda de Álvaro segue no ar. O pedido de Allyson para impedir também a veiculação de outras inserções que reproduzissem o mesmo conteúdo não foi concedido.

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FOTOS: Vejam como ficou o avião de Rey Vaqueiro após acidente em Parelhas-RN

Confira imagens de como ficou o avião do cantor Rey Vaqueiro após acidente ocorrido na madrugada deste domingo (13) no aeroporto de Parelhas, na região Seridó do Rio Grande do Norte.

A aeronave pegou fogo após apresentar problemas de frenagem ao aterrissar. Havia 8 pessoas a bordo do avião, sendo 6 passageiros (incluindo o cantor) e 2 tripulantes. Todas foram encaminhadas ao hospital para passar por avaliação médica.

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STF confirma transmissão ao vivo de sessão extraordinária que decidirá se abre inquérito contra Moraes por suspeitas no caso Master

Foto: STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou que transmitirá ao vivo, na próxima terça-feira (15), a sessão que vai analisar o relatório da Polícia Federal sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Os ministros vão decidir se abrem um inquérito para apurar suspeitas apontadas pela PF.

A sessão extraordinária começa às 10h e terá o caso como único item da pauta. A transmissão será feita pela TV Justiça, Rádio Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube. Jornalistas não poderão acompanhar a reunião dentro do plenário.

O relatório da Polícia Federal cita mensagens de Vorcaro a Moraes e também aponta alterações em uma minuta de contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. As mensgens foram reveladas após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de documentos do caso.

Moraes e ministros próximos a ele questionaram a divulgação do material e pediram mais tempo para análise, além de julgamento conjunto de uma investigação sobre Mendonça. O presidente do STF, Edson Fachin, rejeitou os pedidos e manteve a sessão marcada para o dia 15. A apuração envolvendo Mendonça será analisada separadamente em 23 de setembro.

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[VÍDEO] Produtora afirma à CNN que dinheiro para filme sobre Bolsonaro veio de fundo dos EUA e não de Vorcaro


Vídeo: Reprodução / CNN

A produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pelo filme Dark Horse, negou em entrevista exclusiva à CNN Brasil qualquer vínculo direto com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ou com empresas ligadas a ele. Segundo a executiva, os recursos repassados à produção vieram do fundo Havengate Development, sediado no Texas, contratado para viabilizar o longa-metragem.

A conexão entre os investimentos na obra e o ex-dono do Banco Master é investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração avançou após a homologação da delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, que relatou ter realizado sete remessas totalizando US$ 12,333 milhões para o fundo texano entre janeiro e setembro de 2025. O delator afirma que as operações foram ordenadas por Vorcaro a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), embora a delação ainda passe por averiguação de provas.

“O Vorcaro não deu nenhum centavo para a produtora”, declarou Karina, enfatizando a ausência de transações financeiras diretas entre sua empresa e o banqueiro. Ela confirmou, contudo, que os aportes transitaram pelo fundo estrangeiro. Questionada sobre a identidade dos investidores, a produtora argumentou que os acordos comerciais são acobertados por cláusulas de sigilo e confidencialidade, ressalvando que a documentação completa está aberta e à disposição exclusiva das autoridades competentes.

Com informações da CNN Brasil

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DARK HORSE: Inquérito da PF aponta que ator Jim Caviezel receberia R$ 20 milhões para interpretar Jair Bolsonaro


Divulgação / Dark Horse

O inquérito da Polícia Federal sobre o filme Dark Horse revelou novos detalhes do orçamento da produção que recebeu aportes financeiros do banqueiro Daniel Vorcaro. Os documentos foram tornados públicos após determinação do presidente do STF, Edson Fachin, atendendo a um pedido da PGR.

A planilha de custos prevê o pagamento de US$ 4 milhões (cerca de R$ 20,48 milhões) para o protagonista da obra, identificado nos registros como “talento principal” em duas parcelas de US$ 2 milhões. Embora o nome não conste explicitamente nos trechos citados, a quantia refere-se ao ator americano Jim Caviezel, escalado para interpretar o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar de a planilha registrar apenas as previsões orçamentárias, dados do Coaf indicam que pelo menos US$ 12,3 milhões (R$ 63 milhões) dos US$ 24 milhões solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Vorcaro foram efetivamente repassados. A assessoria de Flávio orientou que questionamentos sejam direcionados à produtora Go Up Entertainment, que não respondeu aos contatos da reportagem, assim como os representantes de Caviezel.

A PF aponta um descompasso considerável entre os custos do projeto e os padrões do mercado audiovisual nacional, exigindo maior aprofundamento sobre a destinação dos recursos. O diretor do filme, Cyrus Nowrasteh, argumentou nas redes sociais que a imprensa comete erros ao comparar os valores por não incluir despesas de marketing, comuns nos Estados Unidos. Contudo, os investigadores ressaltam que a planilha entregue a Vorcaro não discrimina despesas de distribuição, etapa que habitualmente consome ao menos 30% do orçamento total de uma obra cinematográfica.

Com informações do G1

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Mossoró: multidão toma as ruas em carreata da Caravana 22 com Álvaro, Cabo Deyvison e Jorge do Rosário


Divulgação / Campanha

A Caravana 22 voltou a movimentar Mossoró neste sábado e levou uma multidão às ruas do bairro Planalto em apoio à candidatura de Álvaro Dias ao Governo do Rio Grande do Norte. Ao lado do candidato a deputado federal Cabo Deyvison (PL) e do candidato a deputado estadual Jorge do Rosário (PL), Álvaro percorreu as ruas e recebeu manifestações de apoio, abraços e palavras de incentivo dos moradores, que ocuparam as calçadas para acompanhar a mobilização.

A passagem pelo Planalto foi um dos principais momentos políticos da agenda deste sábado. Moradores, apoiadores e lideranças acompanharam a Caravana 22, fazendo o 22 com as mãos e demonstrando apoio à candidatura de Álvaro na segunda maior cidade do Estado.

Mossoró marcou o encerramento da agenda deste sábado da Caravana 22. Neste domingo (13), Álvaro volta às ruas para mais um dia intenso de mobilização e vai percorrer dez cidades do Oeste Potiguar.

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Fachin dá 24 horas para PF detalhar situação do celular de Daniel Vorcaro após cobrança de ministros do STF


Foto: Gustavo Moreno / STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, estipulou o prazo de 24 horas para que a Polícia Federal preste esclarecimentos oficiais sobre o estado e a custódia do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A ordem judicial ocorre após forte pressão dos ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, que exigem acesso integral ao conteúdo do aparelho antes da sessão plenária marcada para a próxima terça-feira (15). A movimentação responde a um pedido anterior de Zanin à presidência da Corte.

No centro da disputa, o ministro André Mendonça, anterior relator do caso havia informado que o dispositivo permanece lacrado e sob custódia na Polícia Federal, servindo apenas como contraprova e sem ter sido manusejado em seu gabinete. A indefinição sobre o manuseio e a integridade do material aprofunda o clima de tensão no tribunal a poucos dias do julgamento.

Com informações do G1

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Caravana 22 percorre quatro cidades do Médio Oeste e Styvenson reforça parceria com Álvaro


Divulgação / Campanha

A Caravana 22 de Álvaro Dias (PL) percorreu quatro cidades do Médio Oeste Potiguar neste sábado e ganhou o reforço do senador e candidato à reeleição Styvenson Valentim (Podemos). A presença do senador reforçou a união de importantes lideranças em torno da candidatura de Álvaro ao Governo do Rio Grande do Norte.

Styvenson destacou a experiência de Álvaro e defendeu a parceria. “Essa é a oportunidade para que o Álvaro possa mostrar o que já fez por Natal e nos seus 40 anos de vida pública”, declarou. O senador também ressaltou a sintonia entre seu mandato e o projeto de Álvaro para o Estado.

A agenda passou por Messias Targino, Paraú, Triunfo Potiguar e Janduís, com carreatas e encontros com moradores e lideranças. Por onde a Caravana 22 passou, uma multidão foi às ruas, fazendo o V da vitória e o 22 com as mãos, em demonstração de apoio à candidatura de Álvaro e às lideranças que caminham ao seu lado.

A Caravana 22 contou ainda com a participação do candidato a vice-governador Babá Pereira, do candidato ao Senado Coronel Hélio, além de parlamentares, candidatos à reeleição e lideranças políticas da região.

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Fachin assume relatoria do caso Banco Master e convoca plenário para julgar conversas entre Moraes e Vorcaro


Alejandro Zambrana/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu assumir pessoalmente a relatoria do caso que examina os laços entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito do escândalo do Banco Master. Além de centralizar a relatoria, Fachin determinou que a presidência da Corte decida sobre o sigilo do celular de Vorcaro e sobre as investigações de desvios no INSS.

Para dar celeridade ao processo, o presidente convocou uma sessão plenária extraordinária para a próxima terça-feira (15), data em que o plenário analisará as mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro, trazidas a público no início do mês por André Mendonça, até então relator do caso. Com a manobra, Fachin substitui Mendonça na tribuna, cabendo a ele abrir a sessão, relatar os fatos e proferir o voto inicial.

A movimentação é vista nos bastidores como uma vitória tática para Alexandre de Moraes e seu aliado Gilmar Mendes, que haviam pressionado para retirar o processo das mãos de Mendonça. O embate aprofunda a crise institucional e o racha explícito entre magistrados da Corte, despojando temporariamente Mendonça do controle das investigações mais sensíveis do país.

Entre os desdobramentos, o inquérito atinge figuras da política nacional, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, cujo nome aparece em apurações sobre aportes financeiros do banqueiro para a produção de um filme. O parlamentar nega irregularidades nas transações.

Com informações da BBC Brasil

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