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FOTOS: Brasileiro se muda para a Califórnia para plantar maconha, ganha dez copas de melhor haxixe e vira ídolo

HAROLD WINSTON, O BAMF, DEIXOU O BRASIL AOS 18 ANOS PARA VIAGEM DE UMA SEMANA EM AMSTERDÃ E NÃO VOLTOU MAIS (FOTO: MALACHI BANALES/ DIVULGAÇÃO)

Proibido no Brasil e seis vezes mais caro que o ouro. O cristal de poucos centímetros, levemente amarelado, quase transparente, é exposto em lojas especializadas em maconha da Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos, como uma joia.

Cada grama do extrato ultraconcentrado de maconha produzido pelo brasileiro Harold Winston, mais conhecido como Bamf, de 34 anos, pode custar até US$ 250 — o equivalente a cerca de R$ 1.000. A porção é suficiente para fazer dois cigarros — misturando com tabaco ou ervas – ou usar até cinco vezes num bong — purificador, geralmente feito de vidro, utilizado para fumar maconha.

Harold deixou o Brasil em 2003, há 16 anos, atraído pelo desejo de trabalhar com cannabis. Antes de deixar o país, ele tinha plantado 400 pés de maconha no quintal da casa onde vivia com a família em Belo Horizonte. A mãe dele descobriu, destruiu o plantio e pagou ao filho uma viagem para ele passar uma semana em Amsterdã, na Holanda. Ele nem chegou a pegar o voo de volta e, desde então, só visitou a terra natal em festas de fim de ano.

Nesse período, Harold viveu cinco anos na Holanda, ganhou 10 prêmios em competições de maconha nos Estados Unidos e se tornou uma das maiores referências do mundo canábico.

No Brasil, o plantio, a venda ou a doação de maconha são considerados tráfico de drogas, crime punido com penas de 5 a 15 anos de prisão, além de multas. Usar a erva é considerada apenas uma contravenção. Nesses casos, o usuário deve prestar serviços à comunidade e fazer um curso sobre os danos causados pelo uso de drogas.

O advogado Ricardo Nemer, da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas (Reforma) diz que muitas vezes a distinção entre usuário e traficante, feita principalmente pela Polícia Civil, é incerta e pode resultar em punições injustas.

“Depende do ‘achismo’ do delegado. Não há regra do que é pequena ou grande quantidade. Isso causa uma grande insegurança jurídica e enquadra diversos usuários como traficantes. Um exemplo são as pessoas que cultivam maconha para fazer extratos (como os produzidos por Bamf) e precisam de muitas plantas”, explica o advogado.

Mas o que há de tão especial na maconha concentrada?

“Você dá uma simples puxada e é como se você tivesse fumado uns dez baseados inteiros”, diz Fernando Badaui, de 43 anos, vocalista da banda CPM22. “Não tem nenhuma impureza. É como degustar um bom vinho. Quando você fuma uma maconha comum, tem o papel, folhas, galhos e tudo mais junto, fora a sujeira. Aquilo que o Bamf faz é o puro extrato de THC, o princípio ativo que causa a brisa. Eu já experimentei maconha em diversos países que visitei e digo que essa está entre as melhores do mundo.”

FERNANDO BADAUI (À ESQ.), VOCALISTA DA BANDA CPM22, VISITOU DIVERSAS VEZES O BRASILEIRO HAROLD WINSTON, NA CALIFÓRNIA (FOTO: FERNANDO BADAUI/ ARQUIVO PESSOAL)

Badaui é conhecido por ser um combativo ativista nas redes sociais pela liberação da maconha. No Instagram, por exemplo, ele faz constantes publicações para defender a descriminalização do uso e a regulamentação do plantio da erva no Brasil. Ele conta ter conversado com o skatista Bob Burnquist, outro assíduo defensor da cannabis.

“Falei pro Bob que a gente está junto nessa. A imagem dele é muito importante para mostrar que um atleta de elite pode usar maconha”, afirmou Badaui em entrevista à BBC News Brasil.

O brasileiro Harold diz que Badaui o visita duas vezes por ano na Califórnia e que já experimentou vários de seus produtos. “A gente virou amigo. Ele é um ativista que representa muito nossa luta e eu acho lindo todos esses caras de peso desmistificando o uso da maconha. Eles demonstram que podem fumar e serem grandes profissionais. A manifestação pública dessas pessoas é um dos caminhos para a legalização no Brasil”, afirmou.

‘Amor’ pela erva

Harold nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, mas seus pais avaliaram que não teriam condições de criá-lo. Aos três meses de idade, o bebê foi adotado por americanos que viviam em Belo Horizonte e o batizaram com o nome do avô americano.

“Eu sempre fui um moleque doido, talvez pelo fato de ser adotado. Fui expulso de todas as escolas por onde passei em Belo Horizonte”, conta o brasileiro. Ele diz que ter se tornado uma referência na produção de maconha na Califórnia é a realização de seu maior sonho.

Todo esse amor pela maconha, conta Bamf, começou assim que experimentou a erva pela primeira vez, aos 16 anos.

“O problema foi que eu gostei demais, irmão. Um dia depois de sentir aquela sensação, comprei 25 gramas (suficiente para produzir até cerca de 50 baseados). Foi doido. A partir daquele dia, eu queria ver coisas sobre maconha o dia todo, queria experimentar a melhor maconha do mundo e fiquei na caça daquilo. Naquele mesmo ano, descobri o haxixe e pirei de vez”, conta o brasileiro aos risos.

Na época, ele passou a ter acesso e consumir grandes quantidades de haxixe trazido do Paraguai. Mas ele conta que sentia desgosto por consumir algo sujo e de procedência desconhecida. Seu sonho passou a ser produzir seu próprio concentrado, de alta pureza.

400 plantas no quintal

Sem se importar com as leis brasileiras, o adolescente passou a plantar maconha no quintal de casa, em 2002. E num volume capaz de atrair muita atenção.

 

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“Eu meti 400 plantas lá. Falei para a minha mãe que era ayahuasca porque era legal. Mas depois de certo tempo, uma amiga dela foi lá em casa e viu o cultivo. Eu estava na esperança de que não acontecesse nada, mas essa mulher colocou algumas folhas no bolso antes de ir embora. Dois dias depois, minha mãe descobriu que era maconha, ficou puta comigo e destruiu todas as plantas”, diz Harold.

Além de sustentar seu consumo diário da erva, o cultivo fornecia material para que fizesse seus primeiros testes. Na época, ele conta que passava o dia cuidando das plantas, estudando e discutindo novas técnicas para aumentar sua produção e fazer extratos de qualidade. Sua fonte era o site brasileiro Growroom, o maior fórum online sobre maconha da América Latina, com mais de 120 mil inscritos.

“O Growroom para mim era um portal da coisa mais secreta do mundo. Passava o dia ali como um louco, como se o fórum fosse um livro aberto na minha frente. Ali, foi com certeza minha primeira escola, a base de tudo que aprendi até hoje”, relata.

Depois de duas semanas sem falar com o filho por conta da plantação em seu quintal, sua mãe, Nilza Cozac, o chamou para dar uma bronca e ter uma conversa franca. Cozac, conta Harold, foi a primeira mulher a se formar em direito em Minas Gerais e tinha um profundo conhecimento sobre a legislação.

“Minha mãe já tinha mais de 60 anos, mas era muito cabeça aberta. Ela me alertou que uma plantação daquele tamanho era motivo para o governo querer tomar nossa casa, um dos poucos assuntos que despertavam atenção do governo e policiais. E disse que me presentearia com uma viagem de uma semana para Amsterdã, na Holanda, quando completasse 18 anos. Ela queria que eu conhecesse um lugar onde pudesse fumar maconha sem problemas”, conta.

Viagem para Amsterdã

A mãe cumpriu a promessa. E ele nunca mais voltou para o Brasil.

“Eu fiquei muito louco quando cheguei lá (em 2003). Parecia uma criança em loja de brinquedo. Fiquei matutando como eu poderia ficar na Holanda e passar a vender maconha por um preço 100 vezes melhor do que as pessoas no Brasil. Minha mãe ficou desesperada quando soube”.

Harold conta que morou durante um ano em um apartamento para refugiados africanos em Amsterdã, que alugava por 300 euros. Durante esse tempo, ele fez contatos e aprimorou seus conhecimentos sobre a erva.

“Eu me envolvi com pessoas que achava que tinham maconha e haxixe bom. Na Holanda, a maconha é apenas tolerada. Durante os cinco anos que fiquei no país, vi muita gente sendo presa, inclusive conhecidos. Logo começaram a me dizer que eu estava no lugar errado, que eu deveria ir para a Califórnia”, diz.

Depois de fazer uma série de pesquisas e assistir a vídeos no YouTube, ele decidiu se mudar para os Estados Unidos.

Primeiro, ele foi para Nova York, mas depois de um ano vivendo “num frio dos infernos” e presenciando uma forte repressão policial contra usuários de maconha, ele resolveu se mudar, em 2009, para Los Angeles, na Califórnia, onde vive até hoje.

“Eu mal cheguei e enlouqueci. Eu fiquei gritando na rua, literalmente, porque a cada esquina tinha loja para você comprar equipamentos. Você fica louco mesmo. Entrei na primeira que eu vi e fiquei conversando com o dono durante horas sem parar”, lembra Bamf com euforia.

Três dias depois de chegar à “meca” da maconha, Harold comprou uma luz especial – ideal para seis plantas – e começou a plantar a própria erva dentro de casa. Seis meses depois, tinha dez lâmpadas. Um ano depois, tinha 15.

Depois da longa experiência em Amsterdã, o jovem avaliou que o mercado na Califórnia tinha bons equipamentos, uma legislação muito favorável, mas ainda era pouco desenvolvido. Sua maior surpresa, porém, foi quando assistiu à uma edição da Cannabis Cup, a maior competição de maconha dos EUA, promovida pela revista High Times.

“Eu não acreditei que os caras vacilavam tanto. Num país de primeiro mundo, com ótimos equipamentos e maconha boa, eles poderiam fazer muito mais”, relata o brasileiro. Aquele era o incentivo que faltava para ele começar sua própria produção e buscar seu espaço no mercado.

Riscos para a saúde

O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador, há 30 anos, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da universidade, Dartiu Xavier, condena o uso de maconha por adolescentes, como fez Harold.

“Eu acho que ninguém deveria fumar antes dos 18. Alguns autores dizem a partir dos 21. O ponto mais preocupante é que a maconha pode desencadear uma psicose, quando o usuário sai da realidade. Caso ele tenha uma predisposição para isso, a maconha pode funcionar como um gatilho”, explicou.

Por outro lado, o médico afirma que no seu ponto de vista a regulamentação do uso da maconha diminuiria o consumo da erva no país e seria um avanço na área da saúde.

“Nos lugares onde existem políticas mais tolerantes ou legalização, como a Holanda ou Estados Unidos, as pessoas não fogem das informações. Há inclusive uma grande política de redução de riscos. No clima de proibicionismo como há aqui, ninguém tem informação. A Holanda, inclusive, é um dos poucos países onde o consumo de maconha vem caindo. Uma prova cabal de que a proibição do uso aumenta o consumo”, afirmou Xavier.

Entretanto, o coordenador do Projeto Antitabágico do Hospital Universitário da USP, João Paulo Lotufo, diz que qualquer relaxamento em relação ao consumo de maconha seria um erro.

“Nos Estados Unidos e no Uruguai, onde o uso é permitido, dobrou o número de dependentes. Se hoje há um surto psicótico a cada 100 pessoas, se libera, você dobra para 2. Vai subir o número de acidentes automobilísticos causados pelo uso da droga, sem contar que as lesões causadas pela maconha no cérebro são irreversíveis”, disse o médico.

BAMF GANHOU DEZ PRÊMIOS – OITO CONSECUTIVOS – DE MELHOR EXTRAÇÃO DE MACONHA PELA REVISTA MAIS IMPORTANTE SOBRE O ASSUNTO NOS EUA (FOTO: BBC)

Lotufo diz ainda que a maconha é mais cancerígena que o tabaco (com base em estudo publicado na revista European Respiratory Journal em 2008) e que os custos arrecadados com impostos em caso de regulamentação não seriam suficientes nem mesmo para bancar o aumento dos gastos com saúde.

“O imposto arrecadado com a venda de cigarros também não cobre a lesão que o tabaco provoca no sistema de saúde. Liberar o uso no Brasil seria um absurdo. Alguns falam na internet que a maconha é medicinal, mas não tem nada disso. O canabidiol (CBD) sim é medicinal, mas trata-se de um extrato que nada tem a ver com o uso recreativo”, afirmou o médico da USP.

Para ele, a pressão para a regulamentação do uso recreativo ocorre por uma forte pressão financeira, que ignora os riscos à saúde.

Técnica secreta

O primeiro passo de Harold Winston para entrar no mercado canábico foi convencer Nikka T, produtor do que muitos consideram o melhor haxixe vendido nos EUA na época, a ensiná-lo a fazer o produto. Haxixe é uma pasta densa feita da resina de maconha, fumada em bong, narguilé ou em cigarro- misturado com tabaco ou maconha.

“Fiquei enchendo o saco dele igual um fã durante seis meses, até que um dia ele resolveu me ensinar. Ele me convidou e eu fui até o Colorado para aprender a técnica e, na semana seguinte, eu já era o melhor hashmaker (produtor de haxixe) da Califórnia. Isso foi há nove anos, na mesma época que minha mãe morreu de câncer”, relata ele.

Ao contrário do haxixe vendido no Brasil, feito com restos de maconha de baixa qualidade, muitas vezes feito das sobras de resina que grudam na mão das pessoas que colhem a planta no Paraguai, o produto de Bamf passa por um complexo processo.

Assim que ele fez o primeiro haxixe usando uma técnica de extração à base de água, sem solventes, ele teve a certeza de que tinha condições de era algo inédito e quis colocar seu produto à prova num campeonato. Mas, para isso, era necessário ser dono de um dispensário. Apenas a loja Buds and Roses aceitou o pedido.

O produto de Bamf chamou a atenção logo no momento da inscrição por conta de sua cor clara – sinal de pureza – e por ser o único feito com água. A maioria dos concentrados, conta Harold, é feita com gás butano – o mesmo usado em isqueiros.

 

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Em meio a 40 competidores, o brasileiro ganhou seu primeiro seu primeiro troféu. No dia seguinte, ele viu sua popularidade disparar e seu produto se tornar uma referência num dos mercados mais exigentes do mundo. A demanda foi tão grande que ele conta ter ficado sete dias sem dormir fazendo haxixe sozinho em sua casa para dar conta de alguns pedidos.

Uma das encomendas foi feita pelo grupo americano de rap Cypress Hill. “Eles encostaram na minha casa com um caminhão cheio de maconha para eu fazer haxixe para eles. Perguntei se estavam loucos porque eu demoraria um ano para terminar aquilo sozinho. Uma semana após terminar o serviço, eles levaram outro caminhão cheio”, conta.

Pouco tempo depois, Harold fundou sua própria empresa, a Bamf, que aos poucos virou o nome com o que Harold passaria a ser conhecido no mercado canábico. O nome significa Badass Motherf***er e foi inspirado em uma cena do filme Pulp Fiction.

A Bamf começou a se tornar uma referência de qualidade na Califórnia. Ganhou oito Cannabis Cups consecutivas de melhor haxixe e passou a ser cultuado por usuários de maconha não só na Califórnia, mas ao redor do mundo.

“O campeonato não dá dinheiro, mas no momento que você sai do palco com o troféu, aparecem mais de 50 donos de lojas querendo comprar tudo o que você tem. Gente tirando maços de dinheiro e do bolso. Eu pensava que era até policial querendo me pegar”, conta.

A marca começou a virar moda. A Bamf passou a vender camisetas, souvenirs e sementes. No Instagram, a marca é elogiada por diversos consumidores – alguns, famosos – americanos e brasileiros. Mas o crescimento trouxe alguns problemas para Harold e ele sente medo dessa expansão.

“A Bamf me deixou muito satisfeito e ciumento. Hoje, tenho 35 funcionários, mas sinto medo de ampliar demais, crescer, e precisar entregar meu segredo para mais pessoas. Eu criei um monstro. Imagine criar um gorila dentro de um quarto. Uma hora você vai tomar um soco. Aconteceu isso comigo. Teve gente que veio, aprendeu e hoje criaram as coisas deles. Mas como eu comecei primeiro que todo mundo, ainda estou alguns passos à frente”, afirmou.

Mesmo assim, ele revelou à BBC News Brasil alguns “segredos” da estratégia para se obter um produto de alta pureza.

“O segredo maior é olhar para as flores da maconha como se ela fosse uma vaca. No momento em que você abate a vaca, ela deve estar em ambiente refrigerado para não degenerar. Quando você corta a maconha é a mesma coisa porque ela começa a morrer. Se você não mantiver ela refrigerada em uma hora para manter ela viva, a planta começa a secar e perde óleo”, afirmou.

Harold não deu mais detalhes, mas afirmou que mantém a planta congelada até o momento da extração, e que “o solvente e o produto devem ser mantidos em temperaturas negativas”.

Maconha no Brasil

Harold diz que sua empresa está em plena expansão e conta que acabou de comprar uma área de 2 hectares – equivalente a mais de dois campos de futebol – no Estado de Oregon apenas para plantar maconha rica em CBD, usado principalmente para a produção de remédio.

Essa cepa não tem THC, o princípio ativo da planta, que causa o “barato”. Ele diz que fará isso porque se sente na obrigação de se colocar em todos os setores do mundo canábico.

Harold se diz triste com a lei de drogas brasileira. Para ele, a legalização do cultivo, comércio e consumo da erva poderiam ser de grande ajuda à combalida economia do país.

“A salvação do Brasil é a maconha. É a única coisa que pode gerar milhares de empregos e trilhões de reais no mercado econômico de maneira imediata e o povo precisa entender isso. O país está perto da linha do Equador, tem um clima perfeito e terra abundante, emprego. Sem falar que a maconha é matéria-prima de 35 mil produtos diferentes, num ciclo de dois meses. Para quê cortar árvore? Eu amo o Brasil e estou doido para e poder trabalhar com o que eu gosto no meu país”, afirmou.

Ele pondera, por outro lado, que até mesmo o mercado americano ainda não é tão claro sobre o que pode ser feito.

“Eu mesmo fui preso há três anos. Aqui é legal, mas ao mesmo tempo não é. Fui parado por um policial e tinha 20 kg de maconha no carro. Eu tinha uma licença e disse que mostraria ao policial, mas ele disse que rasgaria o documento caso eu mostrasse. A sorte é que nos EUA você não é condenado até esgotar o processo. Depois de dois anos e meio, fui absolvido”, afirmou.

Na Califórnia, a venda da maconha recreativa é legal. Por outro lado, a erva continua classificada como um narcótico ilegal sob a lei federal americana.

“Há um conflito de leis federais e estaduais que cria uma zona cinzenta nos Estados Unidos. Há a legalização, mas por outro lado há uma grande dificuldade para conseguir as licenças e isso causa uma grande insegurança jurídica”, diz o advogado Ricardo Nemer.

Já no Brasil, ativistas dizem que o caminho mais provável para descriminalizar o uso da maconha e dar o primeiro passo rumo à legalização é o julgamento no STF de um processo que pode revogar o artigo 28 da Lei Antidrogas. Isso permitiria a posse de pequenas quantias e plantio da erva para consumo próprio.

Esse processo, parado desde 2015 após o ministro Teori Zavascki pedir vistas, está marcado para ser retomado no dia 5 de junho. A pausa ocorre porque, depois da morte de Zavascki, o caso foi para as mãos de Alexandre de Moraes.

No ponto de vista do músico Badaui, que diz ter visitado diversos países onde há regulamentação, tolerância ou descriminalização do uso da cannabis, diz que é apenas uma questão de tempo para que o mesmo ocorra no Brasil.

“Há dez anos, esse assunto era tratado como tabu. Hoje, todos sabem que esse consumo não vai parar e que não tem como seguir outro caminho a não ser o da legalização. Por mais conservador que seja o governo, o Brasil sempre seguiu o modelo americano. É hora de desmantelar o mercado negro e explorarmos economicamente a cannabis”, afirmou o músico.

Bamf também acha que a legalização da cannabis no Brasil não deve demorar. Ele diz que diversos setores da sociedade estão fazendo uma grande pressão no sentido de permitir o consumo e o comércio da erva, como ocorreu antes da legalização em países como Canadá e Uruguai.

“Chega uma hora em que a polícia não tem condições de ir atrás de quem planta e fuma. Os próprios policiais se questionam se eles devem ir atrás de político ladrão e grandes bandidos ou se vão ficar perdendo tempo indo atrás de usuário de maconha num país com tanto problema de verdade.”

Época Negócios, com BBC

 

 

Opinião dos leitores

  1. Isso é uma grande notícia, quando muitos chorão os seus filhos mortos pelas drogas aí vem essa grande materia ,isso sim é louvável!!!

    1. Eu ia comentar justamente isso. Mas pelo seu Nick vc deve estar sendo irônico. Já Eu, falo sério.

  2. Reportagem muito educativa, que esse doido fique por lá mesmo, aqui já temos muitas cracolândias.

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Política

[VÍDEO] Multidão participa da Motocarreata da Liberdade em apoio a Flávio Bolsonaro em Mossoró


Uma multidão participou, nesta quarta-feira (30), da Motocarreata da Liberdade, realizada em apoio a Flávio Bolsonaro, em Mossoró.

A mobilização dos apoiadores saiu da Avenida Rio Branco e percorreu diferentes bairros e avenidas da cidade. As imagens mostram a dimensão da mobilização pelas ruas mossoroenses.

Mais cedo, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo ao lado do senador Rogério Marinho, coordenador de sua campanha presidencial, convidando seus apoiadores para o evento.

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Brasil

MAIOR PESQUISA DA CAMPANHA: Instituto Veritá aponta Flávio Bolsonaro à frente para presidência e detalha raio-X do eleitorado

Reprodução

A nova pesquisa nacional do Instituto Veritá mostra Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula (PT) em diferentes recortes do eleitorado e detalha os resultados por religião, renda, idade, sexo, escolaridade, ocupação, raça e estado.

No panorama geral de votos válidos para o primeiro turno, o levantamento aponta Flávio Bolsonaro na liderança com 45,14% das intenções de voto, seguido pelo atual presidente Lula (PT), que registra 44,65%, configurando uma vantagem de 0,49 ponto percentual a favor do candidato do PL. Os demais candidatos somam 10,21%.

Reprodução

Entre os evangélicos, Flávio aparece com 62,7%, contra 27,3% de Lula. Entre católicos, Lula tem 50,2%, ante 40,6% de Flávio. No grupo sem religião, o petista registra 63,0%, enquanto Flávio soma 23,2%.

Por renda, Flávio lidera entre os eleitores que recebem de 2 a 5 salários mínimos, com 49,8% contra 40,2% de Lula. Acima de cinco salários, são 47,4% a 42,6%. Entre os que ganham menos de dois salários, Lula aparece com 50,0%, contra 39,6% de Flávio.

No recorte por idade, Flávio tem 46,4% entre 35 e 54 anos e 46,5% entre os eleitores de 55 anos ou mais. Entre os jovens de 16 a 34 anos, Lula registra 43,3%, contra 42,2% de Flávio.

Entre os homens, Flávio marca 45,7%, ante 43,4% de Lula. Entre as mulheres, Lula tem 45,8%, contra 44,6% de Flávio.

No ensino superior completo ou incompleto, Flávio aparece com 45,0%, contra 42,2% de Lula. Entre eleitores com até ensino médio completo, Lula tem 45,4% e Flávio 45,2%. Na População Economicamente Ativa (PEA), os números são 45,5% para Flávio e 43,4% para Lula.

Por raça, Flávio registra 49,3% entre os eleitores brancos, contra 40,4% de Lula. Entre pardos, Lula tem 47,9%, contra 41,9% de Flávio. Entre negros, o petista aparece com 48,9%, ante 41,9% do candidato do PL.

Nos estados, as maiores vantagens de Flávio aparecem em Roraima, com 51,87%, Rondônia, com 40,95%, Acre, com 36,34%, Mato Grosso, com 33,00%, e Santa Catarina, com 32,73%. As maiores margens de Lula aparecem em Piauí, Bahia, Ceará, Maranhão e Paraíba.

A pesquisa ouviu 40.500 eleitores entre 20 e 25 de setembro de 2026, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,0 a 3,5 pontos percentuais por UF.

 

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Política

ELEIÇÕES 2026: Blog do BG e Meio Dia RN divulgam nesta quinta-feira (1º) a última pesquisa do Instituto Perfil antes do 1º turno no RN

Reprodução

O Blog do BG divulga nesta quinta-feira (1º) a última pesquisa de intenção de votos, feita em parceria com o Instituto Perfil, que mostra como está a disputa pelo voto às vésperas do primeiro turno no Rio Grande do Norte.

O levantamento será divulgado a partir das 12h30 no programa “Meio Dia RN”, na 96 FM, com publicação simultânea no Blog do BG.

Essa é a última pesquisa realizada pelo Blog do BG em parceria com o Instituto Perfil antes do 1º turno das eleições de 2026. O levantamento apresentará o cenário atualizado da disputa pelo Governo do Estado, as duas vagas ao Senado, os cargos de deputado federal e estadual e a Presidência da República.

A pesquisa ouviu 2.000 eleitores em todas as regiões do Rio Grande do Norte entre os dias 26 e 29 de setembro de 2026. A margem de erro é de 2,19 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os números BR-01598/2026 e RN-08009/2026.

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Brasil

Lula e seu governo são desaprovados por mais da metade dos brasileiros, aponta Futura

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O presidente Lula (PT) é desaprovado por 52,8% dos brasileiros, enquanto 44,1% aprovam sua gestão, segundo levantamento da Futura/100% Cidades divulgado nesta quarta-feira (30). Outros 3,1% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder.

A avaliação do governo também registra índices negativos. Para 48,2% dos eleitores, o trabalho de Lula é “ruim” ou “péssimo”. Já 36,3% consideram a gestão “ótima” ou “boa”, enquanto 14,6% avaliam como “regular”. Outros 0,9% não souberam responder.

A pesquisa ouviu 2 mil eleitores, por telefone, entre os dias 25 e 29 de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Instituto Futura, custou R$ 160 mil e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01122/2026.

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Brasil

TSE forma 3 a 1 para manter proibidos posts que ligam Flávio a ataque a Nossa Senhora

Crédito: Evaristo Sá / AFP

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou placar de 3 a 1 para manter fora do ar publicações que associam Flávio Bolsonaro (PL) ou sua família a uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. André Mendonça, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques votaram pela proibição, enquanto Ricardo Villas Bôas Cueva abriu divergência.

Mendonça, relator do caso, afirmou que não existe projeto, declaração ou ato de Flávio que sustente a acusação. Segundo o ministro, a ordem não impede críticas, opiniões ou manifestações religiosas, mas alcança postagens que apresentem a informação como verdadeira.

A decisão original determinou a retirada de publicações das redes sociais. O caso provocou uma disputa entre ministros do STF depois que Flávio Dino liberou os conteúdos e Luiz Fux restabeleceu a ordem do TSE.

O julgamento ocorre no plenário virtual e termina às 23h59 desta quarta-feira (30). Ainda faltam três votos e basta mais um favorável à decisão de Mendonça para formar maioria.

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Geral

Ecolimp: tecnologia e rastreabilidade para uma gestão de resíduos mais eficiente

Reprodução

Gerenciar resíduos exige muito mais do que realizar uma coleta. Exige controle, rastreabilidade, segurança e informação em cada etapa do processo.

É isso que a Ecolimp oferece.

A Ecolimp integra tecnologia e operação para proporcionar uma gestão de resíduos mais eficiente, organizada e transparente. Em um único sistema, empresas e órgãos públicos podem acompanhar suas coletas, consultar datas e agendamentos, acessar registros fotográficos, emitir e consultar o CTR digital e acompanhar a localização do caminhão.

Tudo isso permite maior visibilidade sobre os serviços realizados, facilita o acompanhamento das operações e oferece informações importantes para a gestão e a fiscalização.

Mais do que coletar resíduos, a Ecolimp ajuda sua empresa ou instituição a ter mais controle sobre seus processos, mais segurança nas informações e mais transparência em suas operações.

Uma gestão eficiente também significa cumprir responsabilidades, preservar o meio ambiente e transformar informação em decisões mais seguras.

Quer saber mais sobre as soluções da Ecolimp?

Fale com a equipe pelo WhatsApp: (84) 99134-3410.

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Brasil

“CADÊ NOSSAS NORUEGUESAS?”: mensagens mostram intimidade do senador Irajá com Vorcaro

Reprodução

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostram uma relação próxima do ex-banqueiro com o senador Irajá (PSD-TO). Nas conversas, o parlamentar chama o ex-controlador do Banco Master de “líder”, troca brincadeiras e trata de viagens e encontros no Brasil e no exterior.

O primeiro contato registrado ocorreu em outubro de 2024. Irajá perguntou: “Cadê nossas norueguesas!?”. Vorcaro respondeu que seria necessário mandar alguém buscá-las. Em outro momento, o banqueiro convidou o senador para viajar a Dubai.

As mensagens também indicam uma visita de Irajá à casa de Vorcaro, no Lago Sul, em Brasília, além de conversas sobre um encontro em Saint-Tropez, na França. Em abril de 2025, ao dizer que enfrentava um momento complicado, Vorcaro ouviu do senador que estava à disposição para ajudar.

Em nota, o gabinete de Irajá afirmou que o único assunto tratado entre os dois foi o PL 2.234/2022, que prevê a legalização de cassinos e resorts integrados no Brasil. Relator da proposta, o senador disse que a articulação em busca de apoio faz parte da discussão do projeto.

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Política

PESQUISA VIA CERTA/PITÁGORAS: Zenaide cresce e se aproxima da liderança na disputa para o Senado

Marcos Oliveira /Agência Senado

A senadora Zenaide Maia aparece com 46,1% das intenções de voto na soma das duas opções para o Senado na nova pesquisa Via Certa/Pitágoras. O levantamento mostra Zenaide a 7,2 pontos percentuais da liderança, enquanto o terceiro colocado registra 35,2% – 11 pontos a menos que Zenaide.

Na pesquisa, Styvenson Valentim aparece com 53,3%, reeleito assim como Zenaide, com os 46,1%. Na sequência estão Coronel Hélio, com 35,2%; Samanda de Lula, com 28,8%; Rafael Motta, com 20,6%; e Tércio Tinôco, com 9%.

O levantamento ouviu presencialmente 1.200 eleitores do Rio Grande do Norte entre os dias 25 e 28 de setembro. A margem de erro é de 2,83 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela Via Certa Natal Comunicação Digital Ltda. e está registrada sob os números RN-04828/2026 e BR-03649/2026.

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FORA DA AGENDA: Vorcaro recebeu Padilha em jantar restrito antes de encontro com Lula, indicam mensagens

Alexandre Padilha- Foto: Gabriela Biló – 28.set.26/Folhapress

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro recebeu o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para um jantar restrito e fora da agenda oficial em sua casa, em Brasília, no dia 23 de outubro de 2024. O encontro ocorreu menos de dois meses antes de Vorcaro se reunir com o presidente Lula no Palácio do Planalto, segundo mensagens obtidas pela Folha.

Na época, Padilha comandava a Secretaria de Relações Institucionais e foi acompanhado pelo então secretário-executivo da pasta, Olavo Noleto. As conversas extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro indicam que o jantar foi marcado para as 22h e reuniu cinco pessoas.

Reprodução Folha de São Paulo

Àquele momento, Vorcaro tentava se aproximar do núcleo político do governo e já havia comprado 25% das ações da farmacêutica Biomm. No ano seguinte, a empresa firmou parceria com o governo federal para fornecer insulina ao Ministério da Saúde. A reportagem não aponta que o jantar tenha resultado na contratação.

Padilha e Noleto não informaram o assunto discutido. Em nota, a assessoria afirmou que o então ministro participava diariamente de encontros com representantes de vários setores, que não houve desdobramento relacionado ao jantar e que, naquela data, não existiam acusações contra o Banco Master. O encontro de Vorcaro com Lula ocorreu em 4 de dezembro de 2024 e foi intermediado pelo ex-ministro Guido Mantega.

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Geral

CRISE NO STF: Gilmar critica vazamentos e uso eleitoral de investigações durante homenagem a Fachin

Foto: Luiz Silveira/STF

Durante a homenagem ao primeiro ano de Edson Fachin na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes criticou nesta quarta-feira (30) o que classificou como vazamentos seletivos e uso político-eleitoral de investigações.

Decano da Corte, Gilmar comparou o atual momento com sua atuação ao lado de Fachin durante a Operação Lava Jato. Segundo ele, apesar da sensibilidade dos documentos, não havia vazamentos nos gabinetes dos ministros.

“Naquela quadra não houve notícias de vazamentos seletivos em nossos gabinetes. Apesar da sensibilidade dos documentos que estavam sob nossa responsabilidade. Tampouco qualquer ato que pudesse indicar uso político eleitoral das investigações”, afirmou Gilmar.

Fachin assumiu a relatoria da Lava Jato no STF após a morte do ministro Teori Zavascki. Gilmar destacou que os dois divergiam em questões jurídicas, mas mantinham o entendimento de que a Justiça não deveria ser utilizada para interesses políticos.

“A partir de compreensões distintas sobre o processo penal. Essa divergência, porém, jamais alcançou aquilo que nos unia – a convicção de que o juiz não é parte nem instrumento de causa alguma”, disse.

Ao comentar a gestão de Fachin, Gilmar afirmou que o presidente do STF mantém uma postura sóbria mesmo diante de um ambiente de “temperatura elevada”. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também elogiou Fachin e destacou sua capacidade de diálogo e de saber “como e quando agir”.

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