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Henrique Alves é o campeão em indicações para cargos de confiança no Governo Federal

Época

Desde meados dos anos 1990, fala-se em Brasília de uma lista elaborada pelo Palácio do Planalto na qual seriam compiladas as indicações políticas para cargos públicos. Os rumores atravessaram os governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva sem que a existência desse documento tivesse sido comprovada ou mesmo admitida oficialmente. A reprodução exibida na página ao lado encerra a questão. A cópia da listagem é recente. Ao obtê-la, a reportagem de ÉPOCA se comprometeu a não revelar a data em que ela foi impressa, o que poderia ajudar a identificar a fonte da informação.

A relação é restrita a não mais que uma dezena de funcionários da Presidência da República. Elaborada na Secretaria das Relações Institucionais, da ministra Ideli Salvati, ela só é conhecida pela ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e por um número muito seleto de seus assessores. A autenticidade do documento foi comprovada por integrantes do alto escalão do Planalto. Procurada por ÉPOCA, a secretaria afirmou desconhecer a existência da lista. Informou apenas que “recebe, sim, pleitos de aliados, indicações e sugestões”. “É natural que a base aliada, alicerce de sustentação do governo, pleiteie de forma legítima a divisão de espaços de comando na esfera federal”, afirmou em comunicado por escrito.

A lista é guardada como um segredo de Estado por revelar um retrato acabado da fisiologia brasileira. Nela, está expresso o apetite por cargos de cada partido, grupo e cacique da coalizão governista. Mais: o documento mostra a quem e como o Planalto deu postos. O documento enumera 229 candidatos a 318 cargos na administração federal. A discrepância de números se deve a duas razões: há casos em que um pretendente almeja mais de uma vaga e há postos reservados a um grupo político que ainda não apontou seu preferido. A listagem abrange uma pequena, mas representativa, amostra dos 24 mil cargos federais disputados com sofreguidão por políticos. Juntos, os postos da listagem movimentam mais de R$ 500 bilhões.

Nas 29 páginas da listagem, desfilam indicados anônimos e políticos famosos, como o ex-governador de Mato Grosso do Sul Zeca do PT, postulante a uma diretoria da hidrelétrica de Itaipu, ou o da Paraíba José Maranhão, mencionado para a vice-presidência de Loterias da Caixa Econômica Federal. Ambos ficaram desempregados depois da última eleição. Os nomes de Zeca, Maranhão e de cada um dos outros apaniguados foram inscritos na lista ao lado dos respectivos padrinhos. Por isso, o relatório serve também como um mapa do poder no governo Dilma Rousseff. Por meio dele, é possível ter uma ideia precisa de quem são os políticos mais influentes na atual gestão. Pode-se medir seu poder pela quantidade de pessoas que eles conseguiram incluir na lista ou, sobretudo, pelo número de seus afilhados efetivamente nomeados. Nos dois critérios, brilha a estrela do PT.

O partido de Dilma lidera o ranking de pedidos de emprego, 57% do total, e de postos obtidos, 48%. O PMDB do vice-presidente Michel Temer vem em um segundo lugar distante, com apenas 14% das indicações e 14% de nomeações. Em ambos os critérios, PR, PTB, PSB e PP não ultrapassam 10% do total. PRB, PCdoB e PDT ficam com, no máximo, 2% cada um. A hegemonia petista é tamanha que os organizadores da lista não consideram o partido como uma única entidade. Ao contrário, cada uma de suas facções é tratada como se fosse uma legenda à parte na coalizão governista. Construindo um Novo Brasil (CNB), a maior corrente petista, indicou sozinha 52 pessoas, oito a mais que o PMDB inteiro. O PT Nacional tentou nomear outros 23 filiados, número superior ao do PR, o terceiro colocado, com 19 nomes. Petistas envolvidos em escândalos também foram contemplados na relação.

Por ela, descobre-se que o negócio de José Dirceu, acusado de chefiar o mensalão, agora é trem. Ele patrocina a indicação de Afonso Carneiro Filho para as diretorias da Agência Nacional de Transportes Terrestres, da Companhia Brasileira de Trens Urbanos e da Valec. O currículo de Carneiro Filho, petista e funcionário do Ministério dos Transportes, foi encaminhado ao Planalto por José Augusto Valente, que se identifica como consultor privado. “Dirceu me consulta quando a questão é transportes”, diz Valente.

O documento também mostra como o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci batalha para promover seu irmão Adhemar a presidente da Eletronorte ou, no mínimo, mantê-lo como diretor dessa estatal. Conseguiu, inclusive, que o CNB reforçasse seu pleito. De acordo com a listagem, Luiz Gushiken, ex-ministro da Comunicação Social, e Ricardo Berzoini, ex-ministro da Previdência e ex-presidente do PT, tentam enfiar no Ministério da Cultura o economista Murilo Francisco Barella. Berzoini nega ter participado da indicação, mas reconhece ter tentado nomear outra pessoa: Aristóteles dos Santos, para o Conselho da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Santos já foi ouvidor da Anatel e, em 2006, chegou a aparecer em programas eleitorais do então presidente, Lula, candidato à reeleição.

Nenhum nome se destaca tanto na relação quanto o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Ele é de longe o campeão de indicações. Em sua conta são debitados 60% dos 44 pleitos apresentados por seu partido. “Isso acontece porque atribuíram a mim todas as indicações da bancada da Câmara do partido e ainda muitas que foram feitas pela do Senado. A verdade é que isso já demorou tanto que desistimos de lutar pela maioria desses nomes”, disse Alves, ao examinar as informações do Planalto.

A lista da Secretaria de Relações Institucionais revela aspectos prosaicos das relações em Brasília, como a insistência dos políticos em encontrar sinecuras e arranjar benesses para seus amigos. Chega a ser anedótico o caso do ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento com seu ex-motorista Ronaldo Rodrigues Barbosa. Nascimento se empenhou primeiro em promovê-lo a assistente técnico do gabinete quando ministro. Agora no cargo de senador, luta para mantê-lo no posto. Uma curiosidade: a indicação de Nascimento é classificada na lista como “técnica”. “Foi um reconhecimento ao desempenho de Barbosa”, diz Nascimento.

A lista revela outras situações nada curiosas. Correligionário de Nascimento, o deputado Valdemar Costa Neto (PR), que renunciou ao mandato para não ser processado no escândalo do mensalão, aparece entre os atendidos pelo Planalto. O deputado João Pizzolati (PP-SC), considerado ficha suja, consta da relação. O ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que chegou a ser preso, também está lá. A presença delas descortina um retrato pouco alentador da política e da gestão pública brasileiras. Ao lado dos nomes dos indicados não há qualquer referência a suas qualificações profissionais. Não há menção a currículo ou experiência anterior que os habilitem a exercer a função que pretendem. “São raríssimos os casos de indicados politicamente que poderiam ser aprovados em concurso público”, diz o cientista político Alberto Carlos Almeida. Os currículos até existem. Há uma pilha de mais de 40 centímetros deles numa sala do Planalto, mas eles têm pouco valor, porque são relegados a segundo plano já no momento de formação da lista.

Os nomes são entregues à Secretaria de Relações Institucionais, em geral, por líderes partidários. Ministros e funcionários de alto escalão também conseguem fazer indicações diretas. A lista obtida por ÉPOCA mostra que o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutra de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot, demitido em julho, indicou sete pessoas para posições de confiança nessa instituição. Poucos políticos, como o senador Blairo Maggi (PR-MT), conseguem por si só colocar o nome de seus protegidos na pilha. Uma vez recebidos pela Secretaria de Relações Institucionais, todos os nomes são submetidos a um pente-fino do Gabinete de Segurança Institucional. Os currículos são encaminhados à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que verifica se o candidato tem ficha policial, se já foi condenado pela Justiça em segunda instância, se tem débitos na Receita Federal, dívida trabalhista e se é sócio diretor de empresa, entre outras coisas. Esse levantamento é revisado e aprofundado se houver chance de o indicado ser nomeado. O processo é lento, porque é realizado por apenas cinco funcionários, e alvo frequente de queixas dos políticos.

Uma vez prontas, as indicações se tornam o principal objeto de pressão sobre o governo federal. Relutar em atender aos políticos resulta em um jogo de reclamações e ameaças, que facilmente se converte em traições em votações no Congresso Nacional ou mesmo em denúncias nos jornais. Mas serve também como instrumento de controle e pressão sobre a base de sustentação do governo. “Essas indicações e as nomeações são usadas para pressionar o Congresso”, diz um expoente do Planalto que já integrou o Legislativo federal e analisou a lista exposta nesta reportagem. Ele diz que a presidente Dilma imprimiu uma dinâmica nova – e muito mais lenta – ao processo de nomeações. A demora é tal que os líderes deixaram de insistir. “Só dá desgaste”, diz o peemedebista Henrique Eduardo Alves. Até mesmo o PT, o maior participante nas indicações, está frustrado. O ex-ministro da Pesca Altemir Gregolin passou meses em Brasília esperando uma nomeação. Desistiu. A ex-governadora do Pará Ana Júlia Carepa é outra que espera até hoje. Dilma deu sinais inequívocos de que, pelo menos por enquanto, pretende manter nomeações no conta-gotas.

As indicações políticas para cargos públicos são um fato da democracia com o qual os governos são obrigados a conviver. Em regimes democráticos, nomeações políticas são normais e salutares. É preciso que os partidos que ganhem as eleições dividam entre si os cargos de confiança no governo para implementar as políticas que lhes deram a vitória nas urnas. “É natural que um partido político aponte gente de sua confiança para ocupar cargos de sua própria representação”, diz o sociólogo Antonio Lavareda. A questão no Brasil é outra. A lista da Secretaria de Relações Institucionais mostra que mesmo cargos eminentemente técnicos, como as diretorias de bancos estatais, foram incluídos pelo governo petista nas negociações partidárias. Postos de menor expressão na administração pública também. A regra não são os programas eleitorais, mas o loteamento e aparelhamento da máquina pública. “No Brasil, esses vícios foram agravados pelas características do sistema partidário e da base governista, extremamente fragmentados. Como eles são muitos, a demanda por cargos de confiança é maior”, afirma Lavareda.

Os vícios do sistema nacional ficam ainda mais evidentes quando comparados com as regras de democracias mais consolidadas. Nos Estados Unidos, que possuem uma das maiores administrações públicas do mundo, apenas 4.500 cargos podem ser preenchidos por indicação política – um sexto do que ocorre no Brasil. O Senado americano publica a lista dos escolhidos pelo presidente desde 1952. O Plum Book (Livro Ameixa), como é conhecido, é uma tradição. Para chegar ao cargo, o candidato deve ter conhecimento técnico na área em que deseja trabalhar – exigência que não existe por aqui. A França, um dos países que mais valorizam o funcionalismo público, reserva apenas 500 vagas para indicações políticas. A maioria dos funcionários da máquina estatal é de servidores de carreira. O Reino Unido permite apenas 300 indicações de caráter político – e, mesmo assim, os escolhidos têm de comprovar capacidade técnica. O país mais restrito é a Alemanha, onde o Estado tem apenas 170 cargos para indicações políticas. No Brasil, isso não seria o suficiente para satisfazer nem um partido médio, quanto mais a ampla e sedenta base de apoio do governo federal.

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Trump nega exceção de tarifa a eletrônicos e diz que produtos serão colocados em ‘balde’ diferente

Foto: Megan Briggs/Getty Images via AFP

Depois de o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, dizer neste domingo, 13, que a isenção de tarifas sobre produtos tecnológicos importados anunciada na sexta-feira, 11, é “temporária” e que em breve serão adotadas alíquotas específicas para semicondutores, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que “não foi anunciada nenhuma ‘exceção’ de tarifas na sexta-feira”.

“Ninguém vai ficar livre por causa das balanças comerciais injustas e das barreiras tarifárias não monetárias que outros países usam contra nós, especialmente a China – que, de longe, nos trata da pior maneira”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social.

Ao dizer que nenhuma “exceção” tarifária foi anunciada, o presidente norte-americano acrescentou que “estes produtos (tecnológicos) estão sujeitos 20% da tarifa de fentanil já existente, e eles estão sendo apenas colocados em um ‘balde’ (uma rubrica) tarifária diferente”.

Trump impôs uma taxa de 20% sobre a importação de produtos chineses em retaliação ao um suposto papel do país asiático no tráfico da droga. A China diz que a acusação não tem nenhum fundamento.

O mandatário norte-americano reclama que a imprensa não alinhada a ele, que ele chama de “fake news”, sabe que a isenção anunciada na sexta não é uma “exceção”, “mas se recusa a relatar isso”.

“Nós vamos analisar os semicondutores e TODA A CADEIA DE ABASTECIMENTO DE ELETRÔNICOS nas próximas Investigações sobre Tarifas de Segurança Nacional”, declarou. O governo Trump vem aplicando tarifas sob o argumento de que está protegendo a segurança nacional e com isso tenta escapar do escrutínio do Legislativo, pois mudanças tarifárias têm que passar pelo crivo do Congresso.

“O que está claro é que precisamos fabricar produtos nos Estados Unidos e que não seremos reféns de outros países, especialmente nações comercialmente hostis como a China, que farão tudo ao seu alcance para desrespeitar o povo americano”, acrescentou Trump.

Estadão Conteúdo

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Em protesto contra Elon Musk, grupo destrói veículo da Tesla em Londres

Foto: AFP

Um veículo da Tesla foi destruído em Londres nesta semana em protesto por conta das ações de Elon Musk, bilionário que é dono da montadora e agora um homem da administração do Governo Trump.

O grupo responsável pelo protesto se chama Everyone Hates Elon (Todo Mundo Odeia o Elon, em tradução literal).

“Estamos dando às pessoas comuns a chance de mostrar como se sentem em relação a Elon Musk e suas opiniões odiosas”, disse o grupo.

Os participantes se reuniram no estúdio Hardess, no sul de Londres para revezar-se batendo no carro com marretas e tacos de beisebol.

O veículo elétrico destruído custa cerca de £14 mil na Europa e será leiloado nas próximas semanas, e toda a renda será destinada a instituições de caridade que mantêm bancos de alimentos.

O carro destruído foi um Tesla Model S do ano de 2014, doado por uma pessoa que preferiu não se identificar. O veículo não estava mais em circulação e seria descartado.

Talia Denisenko, escritora de 32 anos, vestia uma bandeira da Ucrânia enquanto golpeava o capô do carro ao som de Hit Me Baby One More Time, de Britney Spears, que tocava em um alto-falante.

“Minha família é ucraniana e Elon Musk quer nos manter ocupados”, disse ela ao jornal britânico The Guardian. “As coisas estão muito desanimadoras no momento. Isso aqui é um pouco de terapia.”

IstoÉ

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VÍDEO: Moradores protestam novamente no Passo da Pátria, queimam pneus e bloqueiam ruas; PM está no local

Moradores do Passo da Pátria voltaram a protestar no início da noite deste domingo (13), eles atearam fogo em pneus interditando vias na região. Há muita fumaça no local. A Polícia Militar está no local tentando controlar a situação

Um protesto semelhante já havia ocorrido na noite de sábado (12), após uma moradora da comunidade ter sido atingida por uma bala perdida durante um tiroteio. Ela veio a óbito.

Com informações de Via Certa Natal

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Cirurgia de Bolsonaro já dura mais de 9h; ex-presidente tem quadro estável


Imagem: reprodução

A cirurgia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já dura mais de nove horas. Em uma publicação nas redes sociais, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro informou que o procedimento tem previsão de se estender por mais uma ou duas horas.

“Queridos, a cirurgia continua. Os marcadores estão normais e o quadro segue estável. A equipe médica informou que ainda há uma previsão de mais 1 a 2 horas de procedimento. Assim que eu tiver novas informações do centro cirúrgico, compartilharei aqui com vocês. Obrigada pelas orações, pelo carinho e por estarem conosco nesse momento tão delicado. Que Deus continue abençoando cada um!”, escreveu Michelle em seu perfil no Instagram.

Bolsonaro passa por uma cirurgia de abdômen chamada laparostomia exploratória, que teve início pela manhã. A publicação de Michelle foi feita às 17h55.

CNN Brasil

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Geral

ABC sai na frente, mas sofre empate no fim do jogo contra o São Bernardo/SP em estreia na Série C

Foto: Divulgação/São Bernardo

ABC estreou com empate em 1 a 1 contra o São Bernardo/SP, na tarde deste domingo (13), pelo Campeonato Brasileiro da Série C.

O gol do alvinegro foi marcado por Carlos Eduardo em cobrança de falta os 32 minutos do segundo tempo.

O time do interior de São Paulo conseguiu empatar no final do jogo, já nos acréscimos, com o atacante Rodolfo.

Na próxima rodada, o ABC fará seu primeiro jogo em casa na Série C 2025. O Mais Querido vai ter pela frente o CSA-AL no estádio Frasqueirão. A partida acontecerá no dia 20 de abril, às 16h.

 

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O peso da inflação: R$ 100 em 1994 equivalem a R$ 12,71 hoje

Foto: Bibiana Dionísio/G1 PR

Quase 31 anos depois de ser lançado, o Real perdeu 87% do seu valor. Uma nota de R$ 5 em 1994, quando começou a circular, vale hoje 64 centavos, por exemplo.

O motivo da desvalorização é uma inflação de 686,64% no período, o que reduziu o poder de compra. Esse fenômeno não é exclusivo da moeda brasileira e acontece sempre que há inflação.

“A inflação significa que se você colocar um determinado valor em dinheiro no bolso e você conseguir com aquele valor comprar algumas coisas hoje, daqui a alguns meses, anos, em alguns casos, daqui a alguns dias, você não consegue comprar as mesmas coisas”, explicou o economista Robson Gonçalves, professor de MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Ou seja, quando se fala em desvalorização de uma moeda, está se falando de perda de poder de compra.

“Desde a crise de 1929, isso acontece com todas as moedas. A questão é só a intensidade e a previsibilidade com que isso acontece”, afirmou Gonçalves.

Nos Estados Unidos, por exemplo, US$ 1 em 1994 vale hoje US$ 0,47. Ou seja, a moeda perdeu pouco mais da metade do seu poder de compra.

Veja quanto cada nota vale hoje, em termos reais (ajustados pela inflação):

Veja quanto valem as notas do real hoje em comparação com o valor de 1994, quando foram lançadas — Foto: Arte/g1

O g1 usou a calculadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para verificar a perda de valor do Real no período de julho de 1994 a março de 2025.

O IBGE considera a variação do Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre duas datas para fazer a conta.

Essa mesma perda de valor aconteceu também para as três moedas lançadas posteriormente a 1994. A primeira, nota de R$ 2, lançada em dezembro de 2001, hoje tem um poder de compra de apenas R$ 0,50, após sofrer com uma inflação de 297,49%.

A nota de 20 reais, lançada em junho de 2002, hoje equivaleria a R$ 5,18, com uma inflação de 286,12%. Já a nota de 200 reais, lançada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em setembro de 2020, hoje teria um poder de compra equivalente a R$ 149,67, após uma inflação acumulada de 33,63% agir sob ela.

De acordo com o Banco Central, nos doze meses anteriores ao lançamento o país acumulava uma inflação de 4.922% e a moeda chegava com a promessa de acabar com essa hiper variação de preços que afetava a população.

Quase 31 anos depois, o Brasil acumula nos últimos 12 meses uma inflação de 5,06%. O mês de fevereiro registrou a maior variação de preços para o mês dos últimos 22 anos.

Nesse período de 31 anos, o país registrou inflação anual acima de 10% apenas quatro vezes, sempre motivado por instabilidades político-econômicas.

Inflação acumulada por décadas, a partir do lançamento do Real:

  • 94 a 2004 – 151,88%
  • 2004 e 2014 – 70,03%
  • 2014 e 2025 – 82,00%

g1

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Saúde

Médica natalense Juliana Florinda preside Simpósio Internacional na área de oncologia

A oncologista natalense Dra. Juliana Florinda presidiu o 5º Simpósio Internacional do Grupo Brasileiro de Tumores Gastrointestinais (GTG) realizado em Brasília de 10 a 12 de abril.

O evento contou com a participação de 8 palestrantes internacionais, 52 palestrantes nacionais e mais de 300 médicos inscritos.

Dra. Juliana é a atual presidente do GTG, é formada em medicina pela UFRN com residência em clínica médica e oncologia clínica pela USP-SP, e possui doutorado em ciências também pela USP-SP.

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Geral

Financial Times avalia que guerra tarifária entre EUA e China pode ser ‘bênção’ para o agro brasileiro

Foto: Bloomberg

A escalada da guerra tarifária entre Estados Unidos e China, que abala produtores americanos, abre uma janela estratégica para o agronegócio brasileiro. A avaliação é do britânico Financial Times, em reportagem publicada nesta domingo (13).

O jornal aponta que o Brasil foi um dos “grandes beneficiados” na primeira guerra comercial entre a Casa Branca e Pequim ao se tornar o principal fornecedor de alimentos para a China. “Agora, a tendência é de que o país avance ainda mais”, avalia o FT.

O texto lembra que as exportações brasileiras para a segunda maior economia do mundo já vinham aumentando antes mesmo do “tarifaço”. A venda da carne bovina brasileira para a China, por exemplo, cresceu em terço no primeiro trimestre de 2025, na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto o comércio de carne de frango e soja também escalou.

Os Estados Unidos, por outro lado, têm visto um declínio nas exportações para o país asiático e principal desafeto comercial de Donald Trump, como lembra o Financial Times.

A reportagem destaca que os agricultores americanos ainda sequer se recuperaram da guerra comercial anterior, deflagrada no primeiro governo Trump.

Demanda vem também da Europa

Em uma carta aberta citada, a Associação Americana de Produtores de Soja chegou a pedir que o presidente negociasse com a China, ressaltando que o setor perdeu 10% de participação no mercado chinês, um espaço nunca depois recuperado.

Produtores brasileiros ouvidos pelo FT destacam que a demanda chinesa tem aumentado. Além disso, o Brasil pode se beneficiar também de um volume maior de importações da União Europeia, já que o bloco impôs tarifas retaliatórias de 25% sobre soja, carne bovina e frango dos EUA.

Apesar da janela de oportunidade, o jornal britânico cita que há um temor de que o Brasil não consiga atender à demanda global. Ao FT, o CEO do Conselho de Exportação da Soja dos EUA, Jim Sutter, diz que os estoques brasileiros “serão rapidamente absorvidos” se tanto a China quanto a Europa concentrarem suas compras no país.

O Globo

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Michelle diz que Bolsonaro passa por “cirurgia longa” e possui “muitas aderências” intestinais

Imagem: reprodução

A esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Michelle Bolsonaro, foi às redes sociais, neste domingo (13), comentar sobre a cirurgia que ele precisou ser submetido para tratar de um quadro de obstrução intestinal.

De acordo com a ex-primeira-dama, o procedimento será “longo”. “A equipe médica nos informou que será uma cirurgia longa, pois ele está com muitas aderências”, escreveu.

As aderências no intestino de Bolsonaro decorrem das múltiplas cirurgias que o ex-presidente já fez após levar uma facada durante a campanha eleitoral de 2018.

No post, ela aproveitou para pedir apoio e orações aos apoiadores da família. “Contamos com suas orações. Assim que possível, compartilharemos o próximo boletim médico”, concluiu.

Em comunicado disparado nas redes sociais, o pastor Silas Malafaia também comentou sobre a cirurgia de Bolsonaro. Segundo ele, o procedimento está “ocorrendo bem” e tem previsão para ser finalizada por volta das 19h deste sábado.

CNN Brasil

Opinião dos leitores

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Mulher dopa, mata e arranca órgãos genitais do namorado após ele ‘alisar’ a filha em BH

Foto:  Dirceu Aurelio / Governo de Minas Gerais

Na madrugada desta sexta-feira (11 de abril), uma mulher de 42 anos foi detida após admitir ter matado o parceiro, de 47, a facadas e pauladas em Taquaril, bairro da região Leste de Belo Horizonte. De acordo com seu depoimento, o crime ocorreu após ela flagrar o homem assediando sua filha de 11 anos. A vítima teria tocado a criança momentos antes do ocorrido, desencadeando a reação violenta.

A polícia foi acionada após uma denúncia anônima informar que um corpo havia sido abandonado em uma área de mata na rua Desembargador Bráulio. Ao chegarem ao local, os militares encontraram o cadáver carbonizado e com os órgãos expostos. Durante as buscas, um rastro de sangue levou os agentes até a residência da suspeita, que não hesitou em confessar o homicídio.

PROTEÇÃO DA FILHA

Em seu relato, a mulher afirmou que mantinha um relacionamento casual com a vítima, mas já havia percebido seu comportamento inadequado em relação à filha. Ela revelou ter encontrado mensagens do homem tentando seduzir a menina. Na noite do crime, ele chegou à casa sob efeito de drogas e, segundo a acusada, tocou a perna da criança. Apesar de ter visto a cena, a mãe fingiu não notar e, em seguida, convidou-o para beber.

A estratégia foi planejada: ela colocou clonazepam — um sedativo — na bebida do companheiro e, após manter relações sexuais com ele, esperou que adormecesse. Assim que ele dormiu, atacou-o com uma faca e golpes na cabeça. Para ocultar o crime, contou com a ajuda de um adolescente de 17 anos, com quem transportou o corpo até a mata. Lá, mutilaram o cadáver e o incendiaram. O jovem, no entanto, não foi localizado pela polícia.

A menina foi encaminhada para a tia, que afirmou à polícia que a criança negou qualquer envolvimento sexual com o homem, mas confirmou o toque inapropriado. A suspeita foi presa em flagrante e o caso segue sob investigação da Polícia Civil. O corpo foi encaminhado ao IML, enquanto as autoridades buscam esclarecer todos os detalhes desse crime chocante.

Terra

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