Saúde

O que explica a lenta vacinação contra covid-19 na União Europeia

Foto: EPA

Apesar de seu peso econômico e diplomático, a União Europeia (UE) vem enfrentando problemas em seu programa de vacinação, iniciado no fim de dezembro. O total de imunizados até agora está bem abaixo de países como Estados Unidos e Reino Unido.

Na média dos países do bloco, o índice é de 14,2%, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês). O total dos que já receberam as duas doses da vacina é de apenas 6%.

No início de abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) criticou a lentidão da vacinação no continente europeu, o que poderia resultar “no prolongamento da pandemia”.

Vários fatores explicam os percalços da campanha de vacinação no bloco europeu.

E não é pela falta de compra de imunizantes: foram fechados acordos com quatro laboratórios que totalizam 1,1 bilhão de doses, além de mais 500 milhões em opções futuras.

São aplicadas atualmente na UE as vacinas da Pfizer-BioNtech, Moderna e Astrazeneca/Oxford. As primeiras entregas da Janssen, da Johnson & Johnson, estão previstas a partir de 19 de abril.

Outros dois contratos foram firmados com a alemã Curevac e a francesa Sanofi, que ainda não solicitaram autorização de uso na União Europeia, e representam outros 500 milhões de doses potenciais.

No total, os gastos da UE com vacinas ultrapassam 2 bilhões de euros (R$ 13,4 bilhões).

Por que a vacinação está lenta?

O comissário europeu da indústria, Thierry Breton, responsável pela campanha de vacinação na UE, prefere apontar um responsável pela lentidão da imunização nos países do bloco: o laboratório britânico AstraZeneca, que entregou apenas 30 milhões de doses das 120 milhões previstas no primeiro trimestre do ano e ainda com atraso.

“Se tivéssemos recebido 100% das vacinas AstraZeneca previstas no contrato, a União Europeia estaria hoje no mesmo patamar da Grã-Bretanha em termos de vacinação”, disse o comissário, acrescentando que o “vácuo” registrado “é devido unicamente às falhas nas entregas da AstraZeneca.”

No segundo trimestre, o laboratório sueco-britânico deverá entregar na UE apenas 70 milhões de doses, menos da metade das 180 milhões previstas.

Discussões na Europa apontam outros erros na estratégia de vacinação do bloco, a começar pela demora na aquisição das vacinas, diferentemente do que fizeram os Estados Unidos. O governo do ex-presidente Donald Trump começou a investir para acelerar o desenvolvimento de imunizantes contra a covid-19 em abril do ano passado.

O presidente da França, Emmanuel Macron, reconheceu em um discurso recente que a Europa não soube agir rapidamente em relação às vacinas. “Somos muito lentos, muito complexos e reagimos menos rápido do que os Estados Unidos”, declarou Macron.

Segundo ele, os americanos foram “mais ambiciosos”, e a Europa precisa voltar a ter “gosto do risco”, se referindo às futuras vacinas de segunda geração contra a covid-19.

Em junho passado, a UE decidiu fazer compras conjuntas de vacinas contra a covid-19, que ficaram a cargo da Comissão Europeia.

O objetivo foi garantir condições mais vantajosas nas negociações por conta dos grandes volumes, além de proteger os pequenos países do bloco, com mais dificuldades para adquirir imunizantes de maneira isolada. A distribuição é feita de maneira proporcional à população.

Recentemente, Macron voltou a defender essa estratégia. Mas as compras envolvendo 27 países membros, com burocracias na tomada de decisões e negociações longas para tentar garantir melhores preços, atrasaram o processo.

A UE também demorou para adquirir vacinas com a nova tecnologia de RNA mensageiro, da Pfizer e da Moderna. Os primeiros contratos com esses dois laboratórios foram firmados só em novembro.

Devido à falta de doses, alguns países do bloco começaram a evocar a possibilidade de comprar sozinhos outras vacinas, como a russa Sputnik V, que ainda não tem autorização de uso na Europa.

Foi o que fez a Hungria, que preferiu nem esperar o aval da agência europeia. Resultado: 25,5% da população húngara já recebeu a primeira dose, bem acima da média europeia, e quase 10% tomou a segunda.

Recentemente, o país registrou um pico no número de mortes diárias, com base na média dos últimos sete dias.

Além disso, houve problemas de logística para distribuição das vacinas na Europa e de adaptação da capacidade de produção no continente.

Ceticismo com a AstraZeneca

Esses problemas logísticos foram solucionados, e o número de unidades de fabricação dos imunizantes contra a covid-19 vem sendo ampliado na Europa.

Mas há um outro fator que pode perdurar e dificultar a aceleração da campanha de vacinação no bloco: a desconfiança em relação à vacina da AstraZeneca por parte da população do continente.

Isso está levando várias pessoas a cancelarem agendamentos e preferirem os imunizantes da Pfizer ou da Moderna, mesmo que seja necessário esperar por sua disponibilidade.

O ceticismo em relação à AstraZeneca é devido aos raros casos de tromboses e embolias que foram detectados e levaram 12 países da UE a suspender temporariamente, em meados de março, a aplicação dessa vacina.

Após análise de um total de 29 casos de trombose na época, a Agência Europeia do Medicamento informou que ela “é segura e eficaz” e que não há uma relação direta entre o imunizante e os casos relatados. A OMS também fez declarações nesse sentido.

Diferentemente dos demais países do bloco, a Finlândia e a Dinamarca preferiram, no entanto, prolongar a suspensão por algumas semanas.

Na França, ocorreram alguns casos de mortes de pessoas que tomaram o imunizante e tiveram coágulos sanguíneos, inclusive cerebrais. O caso de um jovem de 24 anos que trabalha em um hospital e faleceu dez dias após tomar o imunizante ganhou repercussão.

As autoridades francesas vêm reiterando que a vacina da AstraZeneca é segura, possui o aval da agência sanitária do país e da UE, e que milhões de pessoas já receberam esse imunizante na Europa e no mundo, enquanto há apenas algumas dezenas de casos de efeitos graves.

Ou seja, que o risco é muito baixo e o benefício de ser vacinado é bem maior.

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, foi imunizado com a vacina da AstraZeneca em frente às câmeras de TV. A chanceler alemã, Angela Merkel, informou que também tomará esse imunizante.

Mas a desconfiança de uma parte dos franceses e europeus não foi dissipada.

Na França, locais de vacinação no norte do país ficaram com centenas doses de Astrazeneca encalhadas no último final de semana e tiveram de fechar antes do horário previsto por falta de interessados.

Em Calais, no norte, a prefeita informou que tinha 550 doses de AstraZeneca e apenas 70 agendamentos previstos para os próximos dias.

Segundo responsáveis de centros de vacinação na França, as vagas para tomar vacinas da Pfizer e da Moderna desaparecem em poucos minutos, enquanto as da AstraZeneca levam até dois dias para serem preenchidas.

Vários médicos de consultórios e farmacêuticos, que também podem aplicar a AstraZeneca na França, informam que houve cancelamentos para tomar essa vacina e alguns enfrentam dificuldades para encontrar interessados.

Além dos supostos efeitos colaterais, falhas na comunicação sobre essa vacina por parte das autoridades também contribuiu para criar uma confusão sobre o imunizante, com diferentes mudanças em relação às faixas etárias autorizadas.

Na França, inicialmente, a recomendação inicial da agência de saúde era de aplicar esse imunizante apenas em pessoas com até 65 anos. Outros países europeus, como Bélgica e Suécia, fizeram o mesmo (na Espanha, era só até 55 anos).

O argumento é de que os estudos não indicavam os eventuais riscos e eficácia para populações mais idosas.

Logo depois, a França resolveu autorizar o imunizante para todas as idades. Após o período de suspensão dessa vacina decorrente dos casos de trombose, a França decidiu limitar a vacinação com AstraZeneca a quem tem mais de 55 anos. O argumento foi de que as reações adversas ocorreram com pessoas jovens.

Na Alemanha, o governo passou a autorizar essa vacina só para pessoas com mais de 60 anos. No país, também tem ocorrido o mesmo que na França: locais de vacinação com a vacina da AstraZeneca vazios e os que aplicam o imunizante da Pfizer têm fila de espera.

‘Vacinódromo’

Alguns especialistas consideram que o ceticismo em relação à AstraZeneca será superado com a ampliação das campanhas de imunização e o aumento do número de pessoas vacinadas. Outros argumentam que as autoridades deveriam fazer campanhas de informação a respeito.

Para completar a desconfiança de parte dos europeus, a AstraZeneca decidiu mudar de nome na Europa e passou a se chamar Vaxzevria. Curiosamente, o laboratório não publicou comunicado sobre isso. A mudança foi vista no site da agência sanitária europeia.

Segundo especialistas, a mudança de nome de uma empresa ou marca não resolve seus problemas. Se a desconfiança perdurar, isso poderá atrasar o ritmo da vacinação na União Europeia, já que os países contam com a vacina da AstraZeneca para ampliar o número de pessoas imunizadas.

“Vacinar, vacinar, vacinar, de manhã, tarde, noite, aos domingos e feriados”, afirmou Macron.

A partir desta terça-feira (6/4), por exemplo, o icônico Stade de France, nos arredores de Paris, se tornará um “vacinódromo” que simbolizará a tão esperada aceleração da vacinação contra a covid-19 no país.

Mas, por enquanto, faltaram as doses para isso. Em abril, a França prevê receber mais doses de imunizantes do que o total das entregas nos últimos três meses.

O comissário europeu Thierry Breton, responsável pela vacinação, declarou que a imunidade coletiva na União Europeia poderá ser atingida em meados de julho.

UOL

Opinião dos leitores

  1. Se não fosse a Coronavac dos comunistas chineses com o Butantan , estaríamos numa situação vacinal pior.
    Bolsonaro desdenhou da coronavac.

  2. E o Brasil segue batendo recordes de vacinação, para desespero dos “lacradores”. Se os governadores e prefeitos da oposição deixassem de politicagem e ajudassem o Brasil, estaríamos numa situação ainda melhor.

  3. A verdade é que o europeu está esperando o resultado em outros países, só após isto muitos irão se vacinar.
    O Presidente da França expõe isso em seu discurso, a europa tem que criar gosto pelo risco.
    Infelizmente o mundo virou um grande laboratório cheio de cobaias, mas é o que temos para hoje.

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Brasil

Lula decide por presidente da Telebras no Ministério das Comunicações

Foto:Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

O presidente da Telebras, Frederico Siqueira Filho, deve ser o novo titular do Ministério das Comunicações. Ele se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira (23), no Planalto, acompanhado do ex-ministro da pasta, Juscelino Filho (União-MA) e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que levou a indicação de Frederico, conhecido como “Fred”.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, o presidente aceitou a indicação e deve oficializar o nome de Siqueira ainda nesta semana.

Siqueira comanda a Telebras desde maio de 2023, indicado por Juscelino.

Após a recusa do deputado Pedro Lucas Fernandes (União-MA), líder do partido na Câmara, Alcolumbre buscou um nome técnico para o posto.

Com 26 anos de experiência no setor de telecomunicações, Frederico é engenheiro civil formado pela Universidade de Pernambuco.

Atuou por 21 anos na Oi, onde foi diretor de Relações Institucionais por uma década. Mais recentemente, chefiava a área de Vendas Corporativas Governo da Oi Soluções, com foco nas regiões Norte e Nordeste.

Outro nome considerado pelo União Brasil para o cargo foi o do advogado e jornalista Miguel Matos, bem avaliado pelo presidente da sigla, Antônio Rueda. Matos preside o Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional.

Ele é casado com a ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Daniela Teixeira, indicada ao cargo pelo presidente Lula, e também é fundador do portal jurídico Migalhas. Apesar da boa avaliação, seu nome acabou sendo preterido em favor de Siqueira.

Desistência

A escolha de Frederico ocorre após a recusa de Pedro Lucas, que havia sido convidado por Lula e chegou a ter seu nome anunciado oficialmente após reunião no Palácio da Alvorada.

Entretanto, na última terça-feira (22), anunciou que não aceitaria o cargo. Em nota, agradeceu o convite.

CNN

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Geral

Uso de maconha aumenta em até 4 vezes risco de demência, diz estudo

Foto: RAUL ARBOLEDA / AFP

Pesquisadores da Universidade de Ottawa, no Canadá, descobriram que o consumo regular de maconha está associado ao desenvolvimento de demência. A lista de possíveis efeitos do uso também inclui problemas cardiovasculares graves, como AVCs, ataques cardíacos, arritmias cardíacas e insuficiência cardíaca.

Publicado no dia 14 de abril na JAMA Neurology, o estudo ganhou notoriedade por sua abrangência, já que analisou os dados de saúde de cerca de 6 milhões de pessoas. A pesquisa inclui somente adultos canadenses com 45 anos ou mais, sem diagnóstico prévio de demência.

Outro dado importante descoberto pelos cientistas foi que os usuários de cannabis já foram hospitalizados ou precisaram visitar o pronto-socorro por conta da droga tem até quatro vezes mais chances de receberem o diagnóstico de demência em até cinco anos.

“Alguém que vai ao pronto-socorro ou é hospitalizado por causa do uso de cannabis tem um risco 23% maior de desenvolver demência em cinco anos, em comparação com alguém que foi ao hospital por outro motivo”, disse Daniel Myran, coautor do estudo, em nota à imprensa. Ele reforça que o risco é 72% maior quando comparado à população geral.

Ainda, ele menciona que os números consideram demais fatores de risco para a doença, como idade, sexo, saúde mental, além do uso de substâncias e condições crônicas (como diabetes).

Estudos feitos anteriormente apontam que usuários de maconha também têm mais chances de recorrer ao atendimento emergencial ou hospitalização.

Apesar dos dados, Myran destaca que não é um estudo que vincula oficialmente a maconha com a demência, mas com o objetivo de entender mais a associação que está aumentando em pesquisas científicas.

Vale destacar que outros fatores de risco da demência são a idade, pressão alta, diabetes, má alimentação, problemas cardíacos e de sono, além da falta de atividade física.

Fatores adicionais

A análise foi feita a partir de registros médicos de 2008 a 2021, com mais de 6 milhões de pessoas entre 45 e 105 anos, moradores de Ontário, no Canadá, sem demência. Os pesquisadores encontraram aproximadamente 16 mil pessoas que passaram por atendimento médico por conta de reações negativas ao uso de maconha.

Myran reforça que após cinco anos da visita ao hospital ou internação, 5% desse número foi diagnosticado com demência. Em dez anos, cresce para 19%.

Ao longo dos 13 anos analisados, o número de adultos de 45 a 64 anos que foram ao pronto-socorro por causa do uso de maconha foi cinco vezes maior. Entre os idosos com 65 anos ou mais, esse número cresceu ainda mais: foi quase 27 vezes maior, de acordo com o estudo.

Caso seja comprovado que a maconha realmente causa demência, é necessário entender como isso acontece no cérebro dos usuários frequentes. O coautor acredita na possibilidade de que o uso diário pode mudar a forma como as conexões entre os neurônios funcionam.

Segundo Myran, há indícios de que o uso frequente de maconha possa estar ligado a processos inflamatórios e danos em pequenos vasos sanguíneos do cérebro. Outra hipótese é que esse hábito contribui para o surgimento de outros fatores associados à demência, como quadros de depressão e isolamento social.

InfoMoney

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Brasil

VÍDEO: Veja momento em que Bolsonaro recebe intimação de Moraes dentro da UTI

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi intimado pelo Minostro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, nesta quarta-feira, 23, no leito onde está internado no Hospital DF Star, em Brasília.

No inicio da noite, Bolsonaro divulgou nas redes sociais o momento em que a oficial de justiça entra no leito de UTI para entregar o documento.

Houve momentos de tensão, uma vez que aliados do ex-presidente se revoltaram com a presença da servidora do Judiciário na unidade de saúde.

Os documentos são referentes à ação penal a que Bolsonaro responderá no STF após a Procuradoria-Geral da República acusá-lo de golpe de Estado. O inquérito é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes.

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Brasil

Entidades envolvidas em operação no INSS têm elos com centrão e PT

Foto: reprodução

Duas das entidades que foram alvo de mandados de busca e apreensão em investigações de fraudes bilionárias em pagamentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) têm ligações com o centrão, caso da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), e com o PT, caso da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

A de atuação mais agressiva, segundo fontes do INSS relataram à CNN, é a Conafer. O principal elo da associação no governo Lula 3 foi André Fidelis, diretor de benefícios do INSS até julho de 2024. Ele foi exonerado do cargo após uma série de reportagens do portal Metrópoles abordar esquemas fraudulentos de descontos sobre os vencimentos de aposentados.

Fidelis era quem assinava parcerias com associações e sindicatos para que eles oferecessem serviços aos aposentados, em troca dos quais os descontos eram aplicados. O resultado foi uma explosão no número de filiados e no faturamento da Conafer, o que levou o INSS a fazer um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com essa entidade para que fossem revalidados os descontos.

Por isso, a avaliação interna no INSS é de que a operação desta quarta-feira (23), que envolve a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal (PF), era uma questão de tempo. O esquema, segundo essas fontes, existia há anos e foi avo de tentativas recorrentes de correção tanto na atual gestão do instituto quanto em administrações passadas.

Funcionários do INSS relataram à CNN que Fidelis se gabava de dizer que não respondia ao presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que pediu demissão do cargo após a operação e cuja saída já havia sido decidida pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Stefanutto é considerado no meio um técnico sério e com domínio dos assuntos do órgão, o que explicaria a tentativa do ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), em mantê-lo no posto.

O agora ex-presidente do INSS não foi a primeira opção de Lupi para o cargo, mas ambos acabaram se alinhando no decorrer do governo. O ministro havia indicado Glauco Wamburg, que foi exonerado ainda em 2023, acusado de uso irregular de passagens e diárias pagas pelo governo. Também houve incômodo no Palácio do Planalto com o fato de as filas do INSS terem aumentado naquela gestão.

Já a Contag tem ligação histórica com o PT, por meio dos vínculos com os sindicatos de trabalhadores rurais. O atual presidente, Aristides Veras, foi vereador e vice-prefeito de Itabira pelo partido. Quem conhece bem o INSS relatou surpresa com o envolvimento da entidade, considerada “organizada e republicana”, segundo uma fonte.

Ambas conseguiram multiplicar descontos associativos porque, até 2019, para comprovar a aposentadoria rural, bastava uma declaração do sindicato, o que poderia ser reavaliado pelo mesmo sindicato anos depois. O caminho ficou mais difícil após a edição da Medida Provisória (MP) 871, de 2019, mas durante sua tramitação no Congresso houve brechas para que a prática continuasse.

O desconto associativo envolve valores entre R$ 20 e R$ 50 por pessoa, algo considerado baixo, mas rentável para as entidades pela multiplicação do benefício.

CNN Brasil

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Brasil

Presidente do INSS é demitido por Lula após operação da PF

Foto: Breno Esaki/Metrópoles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou a demissão do diretor-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, após operação da Polícia Federal (PF). A investigação apura cobranças indevidas feitas por entidades em contas de pensionistas e aposentados. O caso foi revelado pelo Metrópoles.

Stefanutto deve sair no cargo ainda nesta quarta. Fontes no Palácio do Planalto afirmaram que a decisão pela saída partiu do próprio Lula.

A demissão foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União na noite desta quarta. A saída não foi “a pedido”.

A megaoperação, batizada de Sem Desconto, resultou no afastamento de Stefanutto e outros quatro membros da cúpula do órgão. São eles:

  • o procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho;
  • o coordenador-geral de Suporte ao Atendimento ao Cliente do INSS, Giovani Batista Fassarella Spiecker;
  • o diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão, Vanderlei Barbosa dos Santos; e
  • o coordenador-geral de Pagamentos e Benefícios do INSS, Jacimar Fonseca da Silva.

Ao todo, foram cumpridos 211 mandados de busca e apreensão e seis de prisão contra alvos no Distrito Federal e em 13 estados. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Passos, a operação também apreendeu motocicletas e carros de luxo utilizados pelos investigados.

“De maneira inicial, é o começo da investigação, conseguimos esse mapeamento. Tanto que hoje, com um único alvo, foram apreendidos vários carros, Ferrari, Rolls-Royce, avaliados em mais de R$ 15 milhões; mais de US$ 220 mil com outro; e US$ 150 mil com outro [investigado]. […] Isso, por si só, aponta a gravidade daquilo que estamos falando e o tiro certo que demos nessa investigação”, ressaltou Andrei.

Metrópoles

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Esporte

Camarote Rooftop Dunas terá serviços de open bar e open food no jogo América X Treze deste sábado (26)

Torcedores que buscam uma experiência premium com serviços de open bar e open food e visão panorâmica do campo, poderão assistir neste sábado a partida entre América X Treze (PB) no Rooftop Dunas. O jogo é válido pela segunda rodada da série D do Campeonato Brasileiro.

O jogo marca a estreia do novo camarote premium em partidas de futebol. O Rooftop Dunas abrirá três horas antes da bola rolar, a partir das 13:30h, com serviços de buffet premium, open bar, música ao vivo, ilha de fogo e outros.

Quem quiser garantir um lugar na festa, pode adquirir o ingresso em: www.rooftopdunas.com.br

“Ficamos muito felizes em estrear nossa nova estrutura em uma partida de futebol. O América é um grande time, com uma torcida incrível. Por isso, é muito bom podermos fazer parte disso. Tenho certeza que os torcedores vão adorar toda a estrutura e as ativações incríveis que iremos oferecer. Nosso objetivo é sempre oferecer a melhor experiência ao fã de futebol”, celebra Léo Rizzo, CEO da Soccer Hospitality.

Com capacidade para até cinco mil pessoas, o Rooftop Dunas é um empreendimento da empresa Soccer Hospitality, que atualmente marca presença com camarotes premium em alguns dos principais estádios do futebol brasileiro, entre eles Allianz Parque, Neo Química Arena, Morumbi, Vila Belmiro, Nilton Santos, Casa de Apostas Arena Fonte Nova, Arena do Grêmio e Estádio dos Aflitos.

Mais informações: @rooftopdunas
@casadeapostas.arenadasdunas

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Geral

Governo suspende acordos de desconto sindical no INSS após fraude

Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a suspensão de todos os acordos que permitiam o desconto de mensalidades sindicais diretamente de benefícios do INSS, após a descoberta de um esquema de fraudes envolvendo descontos não autorizados em aposentadorias e pensões. A medida foi confirmada nesta quarta-feira (23) pelo ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho.

Em entrevista à imprensa, o ministro explicou que a decisão busca dar “um freio de arrumação” no sistema e garantir que os descontos irregulares sejam interrompidos de imediato. Ele também afirmou que a CGU será responsável por assegurar a implementação da medida, que visa corrigir o problema e organizar o sistema de deduções.

A decisão ocorre após uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e da CGU, que revelou que entre 2019 e 2024, R$ 6,3 bilhões foram indevidamente descontados de benefícios de aposentados e pensionistas. A Justiça Federal, em resposta à operação, determinou o afastamento do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que, posteriormente, pediu demissão do cargo.

Além disso, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que ainda não há um levantamento exato do número de aposentados impactados pela fraude. Contudo, ele sugeriu que os descontos indevidos possam ser revertidos já na folha de pagamento do mês de maio.

“A administração por cautela vai suspender, vai dar um freio de arrumação, e examinar o quadro para regularizar o desconto”, explicou Lewandowski.

InfoMoney

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Brasil

“VAMPIRISMO SOCIAL”: André Marinho compara fraude no INSS com golpe do mensalão


A operação de hoje (23) no INSS, que apreendeu mais de R$ 1 bilhão em bens se tornou um dos assuntos mais comentados do país, inclusive pelo humorista André Marinho.

Ele classificou o esquema como “vampirismo social” e destacou que este escândalo pode ser comparado ao esquema do mensalão, em meio a rejeição que o governo Lula vem sofrendo e aumentando com o passar do mandato.

Operação do INSS

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos, afirmou que as investigações sobre cobranças indevidas feitas por entidades em contas de aposentados e pensionistas estão na fase inicial. Até o momento, no entanto, a megaoperação desta quarta-feira (23/4) resultou na apreensão de carros de luxo utilizados pelos investigados.

O esquema, resultou no cumprimento de 211 mandados de busca e apreensão e outros seis de prisão no Distrito Federal e em 13 estados.

Blog do BG

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Brasil

[VÍDEO] Aposentados foram “vítimas fáceis” de fraude no INSS, afirma ministro Lewandowski

 

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou, nesta quarta-feira (23), que os aposentados foram “vítimas fáceis” da fraude bilionária no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo operação da Polícia Federal (PF), foram identificados descontos associativos em aposentadorias e pensões que não foram autorizados. Esses valores são pagos mensalmente a entidades e sindicatos que representam os aposentados e pensionistas. Qualquer desconto precisa ter autorização prévia do beneficiário para acontecer. A única exceção é para casos envolvendo decisão judicial.

A fraude é estimada em R$ 6,3 bilhões, no período entre 2019 e 2024, segundo o cálculo dos investigadores.

“Trata-se, portanto, de uma operação de proteção dos aposentados, foi uma fraude contra os aposentados, pessoas que já estão numa fase naturalmente mais debilitada da vida e foram vítimas, vamos dizer, fáceis destes criminosos que se apropriaram das pensões e das aposentadorias”, declarou Lewandowski.

O ministro destacou ainda que a operação é especial, mas não extraordinária, e que ela se “insere no conjunto de operações no Ministério da Justiça contra o crime organizado”.

CNN

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Geral

Deputado Gustavo Carvalho apresenta projeto que institui Política Estadual de Tratamento e Reabilitação de Dependentes Químicos no Rio Grande do Norte

O Deputado Estadual Gustavo Carvalho (PL) apresentou, nesta quarta-feira (23), um projeto de lei que institui a Política Estadual de Tratamento e Reabilitação de Dependentes Químicos no Rio Grande do Norte. A medida visa garantir atendimento gratuito, especializado, contínuo e humanizado às pessoas com transtornos decorrentes do uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas.

O projeto prevê a criação de Centros Estaduais de Tratamento e Reabilitação de Dependentes Químicos, distribuídos pelas regiões do estado, e com equipes multidisciplinares compostas por profissionais de saúde e assistência social. “A iniciativa visa enfrentar com seriedade e estruturação esta grave questão de saúde pública que assola o nosso estado”, afirmou Gustavo Carvalho.

A matéria também prevê, nas escolas públicas estaduais, a realização de programas de prevenção ao uso de drogas, articulados com a rede estadual de saúde e assistência social.

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