O BLOGDOBG conversou com o homem que foi uma das cinco vítimas de afogamento na praia de Tabatinga, no sábado (3). Ele fez um relato dramático da situação pela qual passou e sobreviveu. Uma das quatro garotas citadas por ele segue desaparecida após buscas feitas por equipes de resgate do Corpo de Bombeiros.
‘Eu sou acostumado a tomar banho ali na arrebentação em Tabatinga, na parte do mar aberto. Mas desta vez, fui para um lugar diferente, onde aparentemente tem uma corrente de retorno que só puxava para trás. Quando consegui pisar no chão, achei que não estivesse tão perigoso. E então não alcancei mais o chão e pensei, preciso sair. Mas já não conseguia. Neste momento percebi que as [quatro] meninas também tentavam sair, quando pensei em falar para elas ‘não venham que já estou tentando sair’, uma delas já começou a pedir socorro’, relatou o leitor do BLOGDOBG, uma das vítimas que se salvou do afogamento em Tabatinga, no sábado (3).
Ele continuou o relato dizendo que uma das meninas gritava por socorro cada vez mais alto. “Eu ouvia os gritos de desespero tanto da garota, quanto da mãe que estava na praia”, disse. ‘Pedi para elas tentarem preservar energia e não se desgastar. Não havia como pedir calma’, completou.
O homem, que preferiu não se identificar, contou ao blog que ainda conseguiu suspender uma das garotas por poucos minutos. “Mas eu não tinha energia para ficar por muito tempo, eu também estava, como elas, na situação de vítima e em um momento todo mundo começou a se espalhar”. Foi neste momento em que ele disse que tentou nadar de forma persistente para escapar da corrente.
“Pensei, vou morrer e elas também”
Apesar de conseguir avançar mais que as garotas em direção à praia, o homem chegou a pensar que não escaparia e que as meninas também não sobreviveriam.
“Mas não vou morrer afogado, posso morrer apagando de tanto gastar energia, vou gastar minha energia para sair da água. Não me engasguei, mas engoli muita água”, relatou. “Por um momento pensei que não havia mais o que fazer, eu já havia corrido antes de entrar no mar e já havia me desgastado muito tentanto sair”.
O salvamento
“Quando consegui me aproximar da praia, veio um rapaz com aquelas palmas de natação, para dar mais tração na mão. Ele se aproximou, cerca de 5m de mim, me indicando a direção para qual eu deveria nadar. Ele foi um herói”, disse.
“Depois de muita luta, consegui avançar, já quase sem energia. Aí vi Marcelo, amigo meu de infância, com uma boia. Isso já me animou. Mas ele começou a demorar a chegar perto de mim. Aí pensei ‘se ele não chegar logo vou apagar’. Mas ele conseguiu se aproximar de mim e me agarrei na boia e consegui recuperar um pouco de energia para enfim conseguir sair. Demorou mais um pouco, porque não estava tão fácil, mas consegui sair”, explicou.
“Quando chegamos na areia que tentei levantar, minha energia foi à zero e caí no chão, não cheguei a desmaiar, mas caí”.
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