Política

Bolsonaro discute com a Câmara dos Deputados mudança na Lei de Improbidade Administrativa: “É muita burocracia”

FOTO: ISAC NÓBREGA/PR

O presidente Jair Bolsonaro reforçou o coro pela mudança na lei que pune práticas de improbidade administrativa cometidas por gestores públicos. Em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, terça-feira (23), o presidente disse que a legislação atual “engessa o prefeito” e afirmou já ter conversado com o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), sobre mudança nas regras.

“É muita burocracia. Tem muita lei do passado que realmente é para combater a corrupção e etc., mas engessa o prefeito. Muitos aí respondem por 20 anos de improbidade administrativa. Alguma coisa vai ser mudada, pode deixar”, afirmou Bolsonaro a um apoiador que reclamou de medidas tomadas pelo prefeito de Chapecó (SC), João Rodrigues (PSD).

A mudança na lei é discutida na Câmara dos Deputados. Um dos pontos, conforme o Estadão revelou ontem, é aproveitar o debate para permitir o nepotismo, que consiste na contratação de parentes – o presidente não falou especificamente sobre essa articulação.

Um dos trechos em discussão é o que permite responsabilizar prefeitos por prestar contas fora do prazo. Segundo o entendimento dos que defendem a mudança na legislação, é preciso haver algum tipo de dolo (intenção de cometer uma irregularidade) para que haja punições como cassação ou perda de direitos políticos.

No caso do nepotismo, a prática é punida pelo artigo 11 da mesma lei. O dispositivo define como improbidade atos que violem os “deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições”. Como mostrou o Estadão, o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (Progressistas-PR), defende a exclusão do artigo 11, para que a prática deixe de ser punida. “O poder público poderia estar mais bem servido, eventualmente, com um parente qualificado do que com um não parente desqualificado”, defendeu Barros.

Clã

Na conversa com apoiadores, Bolsonaro disse que tem atuado para que a mudança na Lei de Improbidade seja aprovada. “Tenho conversado com o Arthur Lira para a gente mudar alguma coisa para dar liberdade ao prefeito”, afirmou o presidente. Questionado, o Palácio do Planalto não respondeu se Bolsonaro também é a favor da exclusão do artigo 11.

Quando era deputado, Bolsonaro nomeou 13 parentes em gabinetes da família. Além disso, o clã Bolsonaro empregou 102 pessoas com laços familiares, segundo levantamento feito pelo jornal O Globo.

No primeiro ano como presidente, em 2019, Bolsonaro chamou de “hipocrisia” as críticas de que seria “nepotismo” a indicação de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para o cargo de embaixador nos Estados Unidos. O presidente chegou a criticar a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que proibiu contratações de parentes na administração pública.

Estadão

Opinião dos leitores

  1. Realmente, para tentar evitar o roubo, desvio, malversaçao do dinheiro público são necessárias leis rígidas e fiscalização periódica. Vale o pequeno "atraso" que possa causar nos projetos. Se com tudo isso, o dinheiro que tem sido desviado já é enorme, imagina com a "flexibilizaçāo" proposta pelo presidente. Até a volta do nepotismo já está sendo cogitada por um de seus fiéis colaboradores. Brasil e Venezuela cada vez mais próximos.

  2. O que o Brasil avançou nos últimos anos no combate à corrupção, está sendo jogado fora ultimamente. Seja pelo STF, seja pelo congresso, seja por esse presidente. Lamentável ?.

    Prisão em 2 instância
    Lava jato
    Lei de responsabilidade fiscal
    Juiz de Garantias
    ….

    País bom para bandido.

    1. Pode crer! Não eh a toa que Renan Calheiros vive elogiando o MINTOmaníaco por todo o sucesso dele em não deixar avançar o combate a corrupção. E agora estamos vendo a cada dia o inepto querer derrubar os maiores e melhores controles que o Estado tem no combate a corrupção. Eh impressionante como ainda tem gente que segue esse minto cegamente. ..

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