Foto: Anastácia Vaz
As festas juninas são sinônimo de quadrilhas, comidas típicas e também de fogueiras, balões e fogos de artifício. O contato mais frequente com fogueiras e o manuseio inadequado de fogos de artificio faz com que o risco de acidentes com queimaduras aumente. Esse risco torna-se ainda maior se considerarmos que estamos também em época de férias, período em que as crianças passam mais tempo em casa e, consequentemente, estão mais suscetíveis a acidentes domésticos que podem causar traumas como as queimaduras.
O professor Rodrigo Assis Neves Dantas, do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), trabalhou durante oito anos no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do Estado (SAMU 192-RN) e é vice-coordenador de um projeto de extensão que instrui professores e alunos sobre a prevenção de queimaduras e sobre os primeiros socorros que devem ser tomados. Segundo Rodrigo Dantas, as queimaduras podem ser compreendidas como traumas decorrentes de agentes como energia térmica, química ou elétrica, capazes de produzir o aumento excessivo do calor e assim danificar os tecidos corporais acarretando a morte celular. Tais agravos podem ser classificados como queimaduras de 1º ao 4º grau, dependendo da gravidade.
“As queimaduras de 1º grau são aquelas mais simples, ocasionadas, geralmente, pela radiação solar. A de 2º grau atinge a epiderme e a derme da pele e se caracteriza pela formação de uma estrutura que a gente conhece como bolha. Já a queimadura de 3º grau acomete a epiderme, a derme e pode atingir músculos e outros tecidos. A de 4º grau, que é a mais grave de todas, atinge todos os tecidos da pele e pode atingir órgãos, tendões e até sistema neurológico,” explica o professor.
Rodrigo Dantas lembra ainda que as queimaduras não estão totalmente ligadas ao fogo. “Existem as queimaduras térmicas que podem ser pelo calor ou pelo frio, as queimaduras químicas, que são ocasionadas por substâncias como ácidos, e existem também as biológicas, que são ocasionadas, por exemplo, por caravelas e águas-vivas,” ressalta.
Os motivos são inúmeros e as crianças, por exemplo, podem se queimar brincando com fósforos, ao encostar em aparelhos elétricos quentes, no fogo ou fogão ou até mesmo serem queimadas pelo sol. Porém, baseando-se na literatura local e nos dados do atendimento do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Walfredo Gurgel, que é referência de atendimento de trauma do estado, a maior incidência de queimaduras é por conta de acidentes domésticos, de maneira geral com líquidos quentes. “Geralmente as crianças se queimam com líquidos quentes. Elas alcançam as panelas que estão no fogão com água fervendo, por exemplo, e puxam, então o líquido se derrama sobre seu corpo e causa a queimadura. Essa é a maior incidência,” afirma Rodrigo Dantas.
Um período que merece atenção é o das festas juninas. “Obviamente, na época das festas juninas, o risco de queimaduras por fogo aumenta bastante por causa do contato com os fogos de artifício e pela falta de segurança no seu manuseio, já que algumas empresas não indicam uma maneira adequada para utilização. Então é comum o aumento no número de casos, mas isso não significa que seja a maior incidência comparando com outros períodos do ano. A maior incidência continua sendo nos períodos de férias,” enfatiza.
Primeiros socorros
Segundo o professor, a primeira coisa que se deve fazer diante de uma queimadura por fogos de artificio, que é uma queimadura térmica, é conduzir imediatamente esse indivíduo para uma fonte de água corrente e limpa que esteja na temperatura ambiente, como o chuveiro. “Esse é o único tratamento pré-hospitalar que deve ser feito por leigos no atendimento a um paciente queimado. Dependendo da gravidade dessa queimadura o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) precisa ser acionado pelo 192,” afirma.
O professor também fala sobre a aplicação de substâncias em queimaduras. “Há uma crença cultural de algumas pessoas de que se deve passar pasta de dente, urina, pó de café e outras substâncias para tratar queimaduras, mas isso não é aconselhável, como também não é aconselhável estourar as bolhas das queimaduras de 2º grau em ambiente doméstico. As bolhas precisam ser estouradas, mas dentro de um ambiente hospitalar,” esclarece.
Além disso, Rodrigo Dantas lembra que não se deve puxar a roupa do paciente caso ela esteja grudada na pele, pois isso pode aumentar a lesão e, consequentemente, contribuir para a piora do ferimento. “Nos casos de queimadura, há um consenso entre os especialistas de que não se deve desgrudar a roupa do contato da ferida, pois a roupa tende a colar na pele. Então, no ambiente pré-hospitalar, não se deve puxar para não aumentar a lesão e agravar ainda mais o quadro. Esse procedimento deve ser feito com anestesia dentro do ambiente hospitalar,” explica.
Com informações da UFRN
Deplorável o estado do paciente na foto… Imagem muito forte.
Viram crianças, não brinquem com fogo.