
Foto: Lula Marques/ Agência PT
A relação entre o vice-presidente Michel Temer e a presidente Dilma Rousseff azedou de vez. Após a divulgação do teor de sua “carta confidencial” a Dilma, em que afirma se sentir um “vice decorativo” e menosprezado por ela, o peemedebista acusou o Palácio do Planalto de ter vazado o conteúdo para a imprensa. Para ele, o fato é “gravíssimo”. E mais: o vice-presidente disse que, ao contrário do que disseram dois ministros, ele vê, sim, embasamento jurídico para a tramitação de um processo de impeachment contra a presidente.
“O acolhimento tem, sim, lastro jurídico”, afirmou em relação à decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de dar andamento ao processo contra a petista. As declarações foram dadas pelo vice-presidente ao blog do jornalista Jorge Bastos Moreno, de O Globo. Temer contestou explicitamente, os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social da Presidência) que, segundo ele, o deixaram “mal jurídica e politicamente” ao informarem à imprensa que ele havia contestado a decisão de Cunha e prometera assessoria jurídica a Dilma.
“O vice Michel Temer tem longa trajetória de democrata e constitucionalista. Assim como nós, Temer não vê nenhum lastro para esse processo de impeachment”, disse Jaques Wagner na última quinta. Edinho Silva chegou a dizer que Temer, que é constitucionalista, daria assessoramento jurídico a Dilma na defesa do processo de impeachment.
O vice-presidente já havia retrucado os ministros também em entrevista a Moreno. “Essa não é função do vice-presidente da República”, afirmou em relação ao possível assessoramento jurídico a Dilma. “Eu não disse isso em momento algum da minha conversa com a presidente”, retrucou a fala sobre a falta de lastro para o processo de impeachment.
Leia o que Temer disse ao blog do Moreno:
“Escrevi uma carta confidencial e pessoa à presidente da República. Tive o cuidado de mandar pessoalmente a minha chefe de gabinete entregá-la. Mais uma vez avaliei mal. Desembarquei em Brasília agora à noite e me surpreendi com o fato gravíssimo de o palácio ter divulgado uma carta confidencial. Eu já tinha me decepcionado quando os ministros Edinho Silva e Jaques Wagner divulgaram versões equivocadas do meu último encontro com a presidente, me deixando mal jurídica e politicamente. Eu havia sido comunicado pelo Eduardo Cunha que ele acolheria o pedido de impeachment. Reconheci seu direito de fazê-lo e depois o ministro Jaques Wagner colocou na minha boca a afirmação de que a decisão não tinha lastro jurídico. Constrangido, tive que desmenti-lo. O acolhimento tem sim lastro jurídico.”
Congresso em Foco
Ciro Gomes já tinha cantado essa peça. Seria Ciro um profeta?
Não. Muita gente já estava esperando por isso. Só os menos informados continuam dando credibilidade à grande mídia.
Já passou da hora de Temer continuar calado e vendo o PT destruir o país.
O PMDB assumindo a oposição e quem sabe o governo, estará fazendo um bem enorme a todos, tirando os responsáveis pela corrupção do poder e afastando as imposições petistas do governo
Como o PMDB vai "tirar os responsáveis pela corrupção", se ele sempre foi governo, teve seus próprios operadores na Lava Jato e tem os chefes das duas casas legislativas envolvidos em corrupção? Será que o desespero do PMDB não é apenas para conseguir o poder e, com isso, frear as investigações e salvar sua própria pele?