Por Tribuna do Norte
No dia que a Polícia Militar solicitou à Polícia Civil a nomeação de um delegado especial para apuração do caso de assassinato do professor e lutador de MMA, Luiz de França Souza Trindade, o delegado responsável pelo caso, até então, Sílvio Fernando Nunes Silva, sustenta a suspeita de Iranildo Félix de Souza como autor do crime após colhimento de novos depoimentos com o reconhecimento da roupa do indivíduo no dia do crime.
Em meio ao andamento das investigações, a solicitação foi expedida pelo comandante geral da Polícia Militar, Francisco Canindé Araújo, com a justificativa do “clamor público ao caso e do noticiamento de um oficial militar dentro das investigações”. “Na própria lei civil, caso haja um clamor público ou inspire investigação com rigor, deve ser designado um delegado especial”, relata Araújo. “Solicitamos também para preservar a instituição da Polícia Militar”.
Até o fechamento desta edição a notificação ainda não havia chegado ao gabinete do Delegado Geral, Ricardo Sérgio, conforme informação da assessoria de imprensa da Polícia Civil e. A notícia surpreendeu o delegado Sílvio Fernando, que relatou não ter conhecimento do pedido. Mesmo com a notícia, ele continua com andamento das investigações.
Investigação
A revelação da vestimenta do autor dos disparos, pelo depoimento de Aldemir Junior, foi fundamental para a investigação. “Junior disse que a pessoa que atirou no Luiz de França estava de moletom verde e a bermuda preta e esse moletom verde foi visto com o acusado na Companhia (de Polícia) pelo Capitão Juscelino, que disse que ele esteve lá antes do crime com a bermuda preta e moletom verde”, afirma o delegado.
Os disparos também atingiram o Aldemir Junior nas pernas. Ele estava ao lado do Luiz da França no momento do crime, surpreendidos por dois homens numa moto.
Na tarde de ontem também foi ouvida a namorada do principal suspeito, parte de uma linha de investigação do crime supondo agressão do tenente cometida contra ela por ciúmes de Luiz de França. Ela se encontra internada em um hospital particular de Natal com fratura num braço e na clavícula. Segundo Sílvio Fernando, ela nega a agressão e qualquer envolvimento com o professor. Mesmo assim, o delegado vai requerer o prontuário médico da mulher e a quebra de sigilo telefônico.

Eu não entendi a parte que diz "inspire investigação com rigor". Então existem investigações feitas sem rigor e com rigor? E eu achando que a Polícia Civil se pautava numa atuação igualitária em casos como esse, que como sabemos, aumentaram significativamente. Acho que isso explica o número irrisório de inquéritos sem solução.
Outra coisa: esse pedido é para preservar a instituição militar, como se ela estivesse sob ameaça. Lembraria que essa "preservação" deve ser cobrada de seus integrantes e não da Polícia Judiciária em detrimento da sociedade que quer o esclarecimento do caso.
Ao invés desses pedidos, deveriam, para proteger a instituição militar, instaurar procedimento administrativo para apurar internamente a responsabilidade do oficial.