Jornalismo

R$ 4 milhões pelo lobby: as conexões e os contratos milionários de Lula com a Odebrecht

Reportagem excelente da revista Época mostra as conexões de LULA com a Odebrecht e descortina como eram feito os lobbys(palestras), do ex-presidente para construtora, a reportagem é longa, mais vale a pena. Segue:

 

EFICIENTE Lula com Hugo Chávez em Caracas, em 2011, e trechos de seus contratos com a Odebrecht (abaixo). Após uma palestra de Lula, o governo venezuelano pagou uma dívida com a Odebrecht (Foto: Jorge Silva/Reuters)

No final da manhã de quinta-feira, 15 de outubro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava bem-humorado. Por iniciativa própria, prestava um depoimento reservado ao Ministério Público Federal, em Brasília, para explicar sua atuação ao lado da empreiteira Odebrecht. Em vez de ir ao prédio da instituição, Lula foi ouvido em uma casa no Lago Sul, de forma discreta. Foi seu único pedido ao procurador, para escapar ao assédio de jornalistas. Ao seu estilo sedutor, Lula fez piadas com o procurador da República Ivan Cláudio Marx, ao dizer que o Corinthians, seu time, será campeão brasileiro. Na hora de falar sério, disse que não fez lobby, mas sim palestras no exterior com a missão de explicar a receita brasileira de sucesso em países da África e da América Latina. Procurou defender-se na investigação, revelada por ÉPOCA em maio, que apura se ele praticou tráfico de influência internacional em favor da empreiteira Odebrecht. Lula disse que não é lobista, que recebeu “convites de muitas empresas e países para ser consultor”, mas não aceitou porque “não nasceu para isso”. Num termo de declaração de quatro páginas obtido por ÉPOCA, ele sustenta que todos os eventos para os quais foi contratado estão contabilizados em sua empresa L.I.L.S. – um acrônimo de seu nome. Foi por meio dela que Lula ficou milionário desde que deixou o Palácio do Planalto, em 2011.

Contratos assinados entre Lula e Odebrecht (Foto: reprodução)

 

ÉPOCA obteve cópia dos contratos privados, notas fiscais edescrições das relações entre o ex-presidente e sua principal contratante. Nomeado projeto “Rumo ao Caribe”, as viagens de Lula bancadas pela Odebrecht inauguraram um padrão de relacionamento do ex-presidente, poucos meses após deixar o Planalto, com a empreiteira-chave da Lava Jato.  Ao longo dos últimos quatro anos, a L.I.L.S. foi acionada para que Lula desse 47 palestras no exterior, muitas a convite de instituições. Sua maior cliente é, de longe, a Odebrecht.

A construtora que lidera a lista das patrocinadoras de Lula pagou quase R$ 4 milhões para o ex-presidente fazer dez palestras. Além disso, bancou os custos das viagens para países em que possui obras financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como Angola e Venezuela. Esses gastos de R$ 3 milhões, ao câmbio da época, incluem transporte e hospedagem em hotéis “5 estrelas ou superior”, com dormitório com cama king size, sofás, frutas, pães, queijos, frios, castanhas, água, refrigerantes normais e do tipo “zero” e, em alguns casos, fora do contrato, bebidas alcoólicas. As contratantes eram responsáveis por fretar aeronaves particulares. Ter Lula como palestrante custava caro. Mas, na maioria das vezes, valia muito a pena.

O “Palestrante” Lula (grafado desse jeito pela própria empresa em seus papéis internos) passou a ser mobilizado para atuar em locais onde a Odebrecht enfrentava pepinos em seus contratos. Em 1º de maio de 2011, Lula se comprometeu, por R$ 330 mil, a desembarcar na Venezuela no início de junho para falar sobre os “Avanços alcançados até agora pelo Brasil”. A descrição das atividades que constam da cláusula 1.1 do contrato dizia que o “Palestrante” não participaria de qualquer outro evento além daqueles descritos “exaustivamente” no anexo 1. O tal anexo, no entanto, possui duas linhas que mencionam apenas que o ex-presidente ficaria hospedado no Hotel Marriott de Caracas. Quando superposto aos documentos doInstituto Lula sobre o mesmo evento, vê-se que Lula se encontrou com o empresário Emílio Odebrecht, pai de Marcelo Odebrecht, hoje preso em Curitiba, e com o então presidente venezuelano, Hugo Chávez, morto em 2013. Era um momento de tensão entre o governo venezuelano e a empreiteira, que cobrava uma dívida de US$ 1,2 bilhão.

Telegramas sigilosos do Itamaraty sugerem que Lula e Chávez trataram sobre a dívida. A Odebrecht construía, desde 2009, a linha II do Metrô de Los Teques e a linha 5 do Metrô de Caracas. Fruto de uma negociação entre Lula e Chávez, o projeto foi irrigado com US$ 747 milhões (R$ 1,2 bilhão, em valores da época) em empréstimos do BNDES. A pressão de Lula surtiu efeito. Quatro dias após a visita do ex-presidente a Caracas, Chávez se encontrou com a presidente Dilma em Brasília. Naquele momento, a dívida com a Odebrecht já estava acertada. As duas obras são investigadas pelo Ministério Público Federal e pelo Tribunal de Contas da União. A principal suspeita, conforme revelou ÉPOCA em maio, é que os recursos tenham sido utilizados de forma irregular e de maneira antecipada sem o avanço do projeto – o dinheiro chegou, mas a obra não andou.

Um mapa, um negócio (Foto: Revista ÉPOCA/Reprodução)

Um mapa, um negócio (Foto: Revista ÉPOCA/Reprodução)

Em alguns casos, as viagens de Lula eram sucedidas por concessões de empréstimos do BNDES para obras de infraestrutura no país.Angola é um exemplo disso. Desde 2011, a Odebrecht foi a que mais recebeu financiamentos do BNDES no país africano, que está no topo da lista de recursos destinados pelo banco para exportação. Entre abril de 2011 e abril de 2014, foram liberados US$ 3,1 bilhões dos cofres do BNDES para a Odebrecht. Nos dias 30 de junho e 1o de julho de 2011, Lula foi contratado pela Odebrecht para dar uma palestra na Assembleia Nacional em Luanda, capital da Angola, sobre “O desenvolvimento do Brasil – modelo possível para a África”. Em seguida, Lula se reuniu por 40 minutos com o presidente do país, José Eduardo dos Santos. Após a conversa, Lula se encontrou com Emílio Odebrecht e com diretores das empreiteiras Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Lula aterrissou em São Paulo no dia 2 de julho, à 0h30. No dia 28 de julho de 2011, o BNDES liberou um empréstimo de US$ 281 milhões (R$ 455 milhões, em valores da época), tão aguardado pela Odebrecht, para a construção de 3 mil unidades habitacionais e desenvolvimento de infraestrutura para 20 mil residências em Angola.

No dia 6 de maio de 2014, Lula e Emílio Odebrecht voltaram a se encontrar em Angola. O ex-presidente viajou, numa aeronave cedida pelo governo angolano, de Luanda para a província de Malanje, onde visitou a usina de açúcar e etanol Biocom, sociedade entre a Odebrecht Angola e a Sonangol. Em depoimento de sua delação premiada, o lobista Fernando Soares, o Baiano, disse que se associou ao empresário José Carlos Bumlai, amigo de Lula, para viabilizar a palestra do ex-presidente em Angola. Baiano atendia a um pedido de um general angolano, interessado no negócio. Lula estava a todo momento acompanhado por Emílio Odebrecht, pela ex-ministra do Desenvolvimento Social Márcia Lopes e pelo ex-deputado federal Sigmaringa Seixas, além de autoridades angolanas. Na manhã do dia seguinte, o ex-presidente teve uma reunião de cerca de uma hora com o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. Nesse encontro, discutiram, entre outros assuntos, a linha de crédito do BNDES para a construção da hidrelétrica de Laúca, segundo telegramas do Itamaraty. Em dezembro do ano passado, sete meses após a visita de Lula, o ministro de finanças de Angola, Armando Manuel, assinou o acordo de financiamento com o BNDES. Em maio deste ano, o presidente do banco, Luciano Coutinho, deu o último aval para a liberação de um empréstimo que pode chegar a US$ 500 milhões (R$ 1,5 bilhão). Questionado pelo Ministério Público, Lula disse que “nada foi referido sobre o financiamento do BNDES para a construção da hidrelétrica de Laúca e que o presidente José Eduardo nunca tratou desses temas”, embora documentos oficiais do Itamaraty mostrem uma versão diferente. “Não passa de uma ilação, porque o comunicante (do Itamaraty) não teria participado da reunião”, disse Lula.

Em suas viagens pela América Latina e pela África, Lula era acompanhado de perto pelo diretor de relações institucionais da Odebrecht, Alexandrino Alencar, apontado como o lobista da construtora na Operação Lava Jato. Após quatro meses preso, o executivo foi libertado na sexta-feira por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, após quatro meses preso em Curitiba, no Paraná. O contrato original, que selou a parceria da Odebrecht com Lula, leva a assinatura de Alexandrino e de Paulo Okamotto, braço direito do ex-
presidente. Lula e Alexandrino se conhecem desde os tempos de Lula no Planalto. A proximidade entre eles era tão grande que se cumprimentavam com um beijo no rosto. Essa intimidade se intensificou após 2011, quando Lula passou a defender, ao lado de Alexandrino, os interesses da Odebrecht no exterior. Um relatório de perícia do MPF sobre os movimentos migratórios de Lula e o ex-funcionário da Odebrecht aponta que os dois companheiros compartilharam ao menos cinco voos juntos nos últimos quatro anos, de acordo com dados extraídos do sistema de tráfego internacional da Polícia Federal. Nesta semana passada, no depoimento ao Ministério Público, Lula manteve uma distância olímpica do amigo ao dizer que “Alexandrino era representante da Odebrecht, não sabendo precisar o cargo; que só tinha relação profissional com Alexandrino”.

Um dos destinos da dupla foi uma caravana para Cuba e República Dominicana entre 28 de janeiro e 3 de fevereiro de 2013. Lula recebeu R$ 373 mil pelas palestras. Naquela ocasião, Lula visitou o Porto de Mariel, parceria entre a Odebrecht e o governo cubano. Ao todo, a obra recebeu US$ 832 milhões do BNDES com um prazo para pagamento de 25 anos – e com uma parte das garantias atreladas à produção de fumo na ilha. Quatro meses após a passagem de Lula por Cuba, o banco estatal brasileiro liberou a quinta parcela do financiamento do projeto, de US$ 229,9 milhões (R$ 482,7 milhões), que estava represada devido ao atraso nos pagamentos e à falta de garantias para a operação. Em 31 de janeiro, Lula desembarcou na República Dominicana, onde se encontrou com o presidente Danilo Medina. E lá foi o líder petista visitar, novamente, outro canteiro de obras da Odebrecht. Seis meses depois, a Odebrecht conseguiu mais US$ 114 milhões (R$ 228 milhões) do BNDES para desenvolver o corredor Viário Norte-Sul no país.

Procurada, a Odebrecht afirma por meio de nota que mantém “uma relação institucional e transparente com o ex-presidente Lula. O ex-presidente foi convidado pela empresa para fazer palestras para empresários, investidores e líderes políticos sobre as potencialidades do Brasil e de suas empresas, exatamente o que têm feito presidentes e ex-presidentes de outros países, como Estados Unidos, França e Espanha”. A Odebrecht nega que Lula tenha feito lobby em seu favor junto a governos estrangeiros. O depoimento de Lula pode ter sido agradável, mas o Ministério Público Federal no Distrito Federal estuda formar uma força-tarefa de procuradores para investigar as suspeitas de tráfico de influência. Pediu até o compartilhamento de provas da Operação Lava Jato que mencionem o ex-presidente, a Odebrecht e o BNDES.

Opinião dos leitores

  1. A Época dizendo isso?!!! É sério mesmo?!!! Já foi condenada inúmeras vezes por calúnia e difamação e vem "dizendo" isso? A revista não tem mais credibilidade que até o próprio Lula para estar veiculando isso. O molusco e a revista se equivalem perfeitamente…
    O que as pessoas tem que parar e raciocinar é que não se tira um governo por não gostar dele. No Brasil o regime de governo é presidencialista e como tal o impedimento do governante só ocorre se houver crime de RESPONSABILIDADE por ato cometido pelo mesmo. NÃO HÁ (ATÉ O MOMENTO) O MÍNIMO INDÍCIO DE CRIME COMETIDO NESSE MANDATO PELA PRESIDENTE, diferentemente do que aconteceu com Collor(lembrem-se da fiat Elba).
    SEJAMOS INTELIGENTES E RACIONAIS.
    O que se está querendo é um afronte não a "esquerda", não ao PT, não a Dilma, mas a DEMOCRACIA, reconquistada à duros esforços (prisões, torturas e até vidas)…
    PS1.: Votei no Lula e na Dilma, mas hoje enxergo perfeitamente que o primeiro montou um esquema não de governo,mas de poder e a segunda, apesar de ser uma pessoa decente, está jogando o país no buraco por INCOMPETÊNCIA, FALTA DE HUMILDADE e seguidas TRAPALHADAS no campo político e economico. Não votarei mais neles. Ponto. Esse é meu maior trunfo: o voto.
    PS2.: Sei muito bem em quem e porque votei nas eleições. Cobro os que ajudei a eleger pelas suas posturas, votos e ações parlamentares. Acredito que se todos nós fizessemos o mesmo veríamos uma significativa mudança na classe política. Não adianta criticar e não AGIR legitima/legalmente para mudar. Além de ser um ato imoral é covarde…

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Fux dá 72 horas para AGU se manifestar sobre medida do governo Lula que proibiu bets

Foto: Gustavo Moreno/STF

A Advocacia-Geral da União (AGU) terá 72 horas para se manifestar sobre a medida provisória assinada pelo presidente Lula que proibiu o funcionamento das bets no Brasil. A determinação foi dada nesta sexta-feira (2) pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Fux é relator de ações que questionam a medida, incluindo uma apresentada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) também acionaram o STF e pediram a suspensão imediata da MP. As entidades afirmam que a proibição provocou um “exponencial e indevido aumento do mercado ilegal”.

Segundo as associações, um monitoramento do Observatório contra o Mercado Ilegal identificou 833 novos sites ilegais em apenas um fim de semana. O dado foi apresentado pelas próprias entidades e não corresponde a levantamento oficial.

As associações defendem a manutenção das autorizações das empresas que já atuavam de forma regular. Caso a MP não seja suspensa integralmente, pedem que seus efeitos não atinjam as empresas autorizadas ou, como alternativa, que seja estabelecido um prazo de transição de pelo menos seis meses.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

TJRN limita atuação do TCE em discussão sobre concessões de terrenos na Via Costeira

Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) concedeu mandado de segurança para impedir que o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) avance sobre questão relacionada às concessões de terrenos públicos na Via Costeira de Natal que já havia sido objeto de pronunciamento judicial. A controvérsia envolve, entre outros pontos, os prazos aplicáveis às concessões e aos empreendimentos previstos para as áreas. A decisão estabelece um limite à atuação administrativa da Corte de Contas diante de matéria já apreciada pelo Poder Judiciário.

No caso concreto, a decisão se refere exclusivamente a uma empresa, que vem tentando obter licenciamento ambiental para a realização de empreendimento turístico, sem qualquer resposta dentro do procedimento existente há mais de 15 anos. O TJ reconheceu que a inércia, neste caso, não é da concessionária.

O tema vinha sendo analisado pelo TCE-RN no Processo nº 002201/2025-TC. Em março, a Corte de Contas determinou cautelarmente a suspensão de atos relacionados à renovação, revalidação ou prorrogação de concessões na Via Costeira e estabeleceu providências para a Datanorte.

Em julgamento anterior, a Segunda Câmara Cível do TJRN reconheceu a validade e a eficácia de acordo envolvendo concessão de direito real de uso de imóvel na Via Costeira, estabelecendo que os prazos relacionados à implantação do empreendimento deveriam considerar a conclusão dos procedimentos de licenciamento. No próprio processo perante o TCE, a concessionária sustentou que a suspensão do ajuste administrativo atingiria matéria protegida pela coisa julgada e afrontaria a separação dos Poderes

Com o mandado de segurança, o TJRN reafirma, no caso concreto, a prevalência das decisões judiciais sobre atos administrativos que pretendam alcançar o mesmo objeto já submetido à apreciação jurisdicional. A decisão não afasta a competência constitucional de fiscalização do TCE-RN, mas estabelece que essa atuação deve respeitar os limites decorrentes do que já foi decidido pelo Poder Judiciário, preservando a segurança jurídica e a autoridade das decisões judiciais.

 

Justiça Potiguar

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

EDITORIAL ESTADÃO: Juízes fazem o diabo para ajudar Lula

Já ficou suficientemente claro que há uma força-tarefa no Poder Judiciário dedicada a ajudar a reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Só isso explica as decisões arbitrárias e esdrúxulas que os ministros Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tomaram para inviabilizar a realização do último debate presidencial antes do primeiro turno da eleição.

Em política, como já disse a ex-presidente Dilma Rousseff, faz-se “o diabo” para vencer uma eleição. A novidade agora é que ministros de tribunais superiores mandaram às favas os escrúpulos de consciência e decidiram apelar ao Coisa Ruim para facilitar a vida de Lula e dificultar a de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), interferindo diretamente na eleição.

Como se sabe, Lula avisou que não iria ao debate na TV Globo. Conforme as regras assinadas por todos os candidatos, inclusive Lula, a emissora poderia mostrar o púlpito vazio reservado ao petista, e os demais candidatos poderiam direcionar perguntas a ele. Mas eis que o time jurídico de Lula entrou em ação, e a ministra Estela Aranha prontamente acolheu a demanda, proibindo a TV Globo de mostrar o púlpito vazio e que os candidatos presentes fizessem perguntas ao ausente. Desse modo, Estela Aranha rasgou um regulamento com o qual todos haviam concordado.

Só é possível compreender a decisão da ministra à luz de suas relações próximas com o governo Lula e com o ministro do STF Flávio Dino, fiel escudeiro do presidente no Supremo e que também está ativamente trabalhando pela campanha petista. Não é papel de uma juíza eleitoral poupar um candidato do desgaste político de se ausentar de um debate por livre e espontânea vontade, muito menos ditar o que um veículo de comunicação pode ou não exibir. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão deu à coisa o nome que ela tem: “Uma agressão à liberdade de imprensa”.

Pior fez o ministro Gilmar Mendes. Atropelando o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que negara o pedido, ele obrigou a TV Globo a incluir no debate o candidato Renan Santos, do Missão, que não tinha vaga assegurada por lei nem foi convidado pela emissora. O pedido, feito pelo partido Solidariedade, foi malandramente enxertado em uma reclamação sobre um caso do Paraná que está no gabinete de Mendes desde maio – o manjado expediente, do qual já tratamos nesta página, de escolher um juiz ao gosto do freguês. O argumento de que entrevistas anteriores criaram uma “legítima expectativa” de participação de Renan no debate não tem amparo em uma vírgula da Lei Eleitoral, como avaliaram juristas consultados pelo Estadão. Foi um ato de força.

Mais uma vez, nada disso veio de graça. Desde a vergonhosa sessão do STF de 15 de setembro, está claríssimo que Gilmar Mendes integra o time do Supremo que joga pesado para impedir que Flávio Bolsonaro se eleja presidente e, conforme previsto, modifique drasticamente o jogo de forças dentro da Corte.

Não é segredo para ninguém que a reeleição de Lula interessa ao grupo integrado por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Já a vitória de Flávio fortaleceria o grupo de André Mendonça, do qual fazem parte os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. O que está em jogo é o controle sobre os rumos do STF e o destino jurídico de alguns de seus ministros envolvidos no caso Master, principalmente Alexandre de Moraes. Ao longo do próximo mandato presidencial, ao menos quatro cadeiras serão preenchidas, entre elas as de Luiz Fux, de Cármen Lúcia e a do próprio Gilmar Mendes. Essa guerra intestina no STF já interfere diretamente na disputa eleitoral, e os ministros nem sequer se dão mais ao trabalho de disfarçar.

Em nome de seus interesses políticos, Gilmar Mendes e Estela Aranha violaram a liberdade de imprensa e cassaram o direito do eleitor de ouvir as propostas dos candidatos à Presidência da República no que seria o último encontro entre eles antes do primeiro turno. E pela força de canetadas judiciais. É amarga a ironia de que a lisura da campanha eleitoral, defendida a duras penas contra o golpismo bolsonarista, seja agora tisnada justamente por quem tinha o dever de resguardá-la.

Estadão

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Transporte público será gratuito em Natal durante as Eleições 2026


Foto: Demis Roussos/ STTU

O transporte público municipal será gratuito para toda a população de Natal durante as Eleições Gerais de 2026. A medida será válida no primeiro turno, no dia 4 de outubro, e, caso haja segundo turno, também no dia 25 de outubro. Durante a operação especial, não será necessário possuir, apresentar ou utilizar o cartão NuBus para embarcar nos ônibus.

A medida tem como objetivo facilitar o deslocamento da população até os locais de votação e evitar que o transporte seja um obstáculo ao exercício do direito ao voto. Diferentemente da gratuidade praticada nos domingos convencionais, a operação eleitoral terá acesso universal.

A operação será coordenada pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), que manterá as 62 linhas do sistema regular em circulação, com itinerários de dia útil, garantindo a cobertura das diferentes regiões da cidade e o acesso aos locais de votação.

Ao longo do dia, estão programadas cerca de 1.836 viagens, número superior às 997 viagens realizadas em um domingo convencional e aproximadamente 2,6 vezes maior que as 694 viagens registradas no segundo turno das eleições de 2022.

Naquele pleito, o sistema municipal transportou aproximadamente 101 mil passageiros. Para 2026, a programação foi dimensionada considerando o comportamento histórico da demanda eleitoral e a necessidade de ampliar a oferta de transporte no dia da votação.

Operação especial

Agentes de mobilidade e fiscais de transporte estarão distribuídos pelos principais corredores viários e terminais de integração para acompanhar a operação, orientar os passageiros e auxiliar no funcionamento do sistema durante o dia.

A STTU orienta a população a utilizar o sistema normalmente, observando os itinerários e horários programados para a operação eleitoral. A grade completa de horários das linhas poderá ser consultada nos canais oficiais da Prefeitura do Natal.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

FEDERAÇÃO UNIÃO BRASIL/PP: Projeção de 1 deputado federal, com grandes possibilidades de uma segunda vaga

Nosso estudo foi elaborado com base em aproximadamente 20 mil entrevistas, realizadas em 12 pesquisas eleitorais divulgadas entre 20 de julho e 1º de outubro, pelos institutos Perfil, Consult, Agora Sei, Datavero e Metadata, além de nossas próprias análises.

A projeção do nosso estudo indica que a Federação União Brasil/PP deverá eleger 1 deputado federal de forma direta, com grandes possibilidades de conquistar uma segunda cadeira, conforme o desempenho eleitoral da nominata.

CANDIDATOS EM DESTAQUE

Principal nome na projeção:

  • Robinson Faria

Na disputa pela segunda vaga:

  • Benes Leocádio
  • João Maia

Robinson Faria aparece com vantagem na disputa pela primeira vaga da federação, de acordo com os resultados analisados.

Na disputa pela segunda cadeira, Benes Leocádio apresenta vantagem sobre João Maia no cenário projetado. Entretanto, João Maia permanece na disputa e poderá alterar esse quadro caso alcance uma votação superior à estimada em nosso levantamento.

Assim, a segunda vaga da federação dependerá especialmente do desempenho desses dois candidatos e da votação total alcançada pela nominata.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

PL: Projeção de 3 deputados federais, com possibilidade de uma quarta vaga

Nosso estudo foi elaborado com base em aproximadamente 20 mil entrevistas, realizadas em 12 pesquisas eleitorais divulgadas entre 20 de julho e 1º de outubro, pelos institutos Perfil, Consult, Agora Sei, Datavero e Metadata, além de nossas próprias análises.

A projeção do nosso estudo indica que o PL poderá eleger 3 deputados federais, com pequenas possibilidades de conquistar uma quarta cadeira, a depender do desempenho eleitoral da nominata.

CANDIDATOS EM DESTAQUE

Nome consolidado na projeção:

  • Nina

CANDIDATOS COM BOAS CHANCES:

  • Gonçalves

Na disputa pelas demais vagas:

  • Cabo Deyvsson
  • Juninho Saia Rodada
  • Carla Dickson
  • Girão

Nina aparece como um dos principais nomes da nominata, com uma posição consolidada no cenário projetado.

Gonçalves leva ligeiro favoritismo sobre os demais para assegurar uma das vagas. Cabo Deyvsson, Juninho Saia Rodada, Girão e Carla Dickson travam uma disputa muito equilibrada pela terceira vaga.

A possibilidade de o PL alcançar uma quarta vaga permanece no cenário, embora dependa de um desempenho eleitoral superior ao estimado.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

FEDERAÇÃO BRASIL DA ESPERANÇA (PT/PV/PCdoB): Projeção de 2 deputados federais, com possibilidade de uma terceira vaga

Nosso estudo foi elaborado com base em aproximadamente 20 mil entrevistas, realizadas em 12 pesquisas eleitorais divulgadas entre 20 de julho e 1º de outubro, pelos institutos Perfil, Consult, Agora Sei, Datavero e Metadata, além de nossas próprias análises.

A projeção do nosso estudo indica que a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, poderá eleger 2 deputados federais, com grandes possibilidades de conquistar uma terceira cadeira.

CANDIDATOS EM DESTAQUE

FAVORITOS PARA AS VAGAS PROJETADAS:

  • Nathalia
  • Thabata
  • Dr. Bernardo

Correndo por fora:

  • Odon Júnior
  • Mineiro

Nosso estudo aponta Nathalia, Thabata e Dr. Bernardo como favoritos para ocuparem as vagas da federação.

Odon Júnior e Mineiro também integram a nominata, mas, no cenário projetado, apresentam menores perspectivas de eleição. De acordo com nossa análise, a conquista de uma vaga por esses candidatos dependeria de um desempenho eleitoral acima do estimado.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

DEPUTADO FEDERAL: Análise proporcional de projeção de vagas na Câmara dos Deputados

Nosso estudo foi elaborado com base em aproximadamente 20 mil entrevistas, realizadas em 12 pesquisas eleitorais divulgadas entre 20 de julho e 1º de outubro, pelos institutos Perfil, Consult, Agora Sei, Datavero e Metadata, além de nossas próprias análises.

A partir desse levantamento, apresentamos uma projeção de como poderão ser distribuídas as 8 cadeiras do Rio Grande do Norte na Câmara dos Deputados.

PROJEÇÃO DE VAGAS

  • Federação Brasil da Esperança (PT/PV/PCdoB): 2 + 1
  • PL: 3 + 1
  • Federação União Brasil/PP: 1 + 1

De acordo com nosso estudo, 6 das 8 vagas seriam preenchidas pelo cálculo das vagas diretas, com a seguinte distribuição: PL (3), Federação Brasil da Esperança (2) e Federação União Brasil/PP (1).

A primeira das vagas a serem distribuídas deve ficar com a Federação União Brasil/PP, enquanto a última vaga seria disputada pelo PL e pela Federação Brasil da Esperança, que, segundo nossa análise, apresenta perspectivas de conquistar uma terceira vaga.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

MDB: Projeção de 1 deputado estadual, com possibilidade de uma segunda vaga

Nosso estudo foi elaborado com base em aproximadamente 20 mil entrevistas, realizadas em 12 pesquisas eleitorais divulgadas entre 20 de julho e 1º de outubro, pelos institutos Perfil, Consult, Agora Sei, Datavero e Metadata, além de nossas próprias análises.

A projeção do nosso estudo indica que o MDB deverá eleger 1 deputado estadual pelo cálculo das vagas diretas, mantendo também a possibilidade de conquistar uma segunda cadeira, conforme o desempenho eleitoral da nominata.

CANDIDATO EM DESTAQUE

  • Walter Alves

CANDIDATO FAVORITO PARA SEGUNDA VAGA

  • Bibiano

CANDIDATOS QUE DISPUTAM A SEGUNDA VAGA

  • Ivan Júnior
  • Antônio Jácome

De acordo com nosso estudo, Walter Alves aparece como um dos principais nomes do MDB na disputa pela vaga projetada diretamente para o partido.

Bibiano também se destaca no cenário analisado, com possibilidade de disputar uma segunda cadeira para a legenda.

Ivan Júnior e Antônio Jácome são outros nomes de destaque da nominata, porém em nosso estudo, apenas algo extraordinário daria chances de algum deles se eleger no domingo.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

PSDB/CIDADANIA: Projeção de 3 deputados estaduais, com possibilidade de uma quarta vaga

Nosso estudo foi elaborado com base em aproximadamente 20 mil entrevistas, realizadas em 12 pesquisas eleitorais divulgadas entre 20 de julho e 1º de outubro, pelos institutos Perfil, Consult, Agora Sei, Datavero e Metadata, além de nossas próprias análises.

A projeção do nosso estudo indica que a Federação PSDB/Cidadania deverá eleger 3 deputados estaduais de forma direta, com possibilidade de conquistar uma quarta cadeira, dependendo do desempenho eleitoral de sua nominata.

CANDIDATO EM DESTAQUE

  • Ezequiel Ferreira

CANDIDATOS QUE BRIGAM PELAS DEMAIS VAGAS

  • Cristiane Dantas
  • Eriko Jácome
  • Gustavo Soares

CANDIDATO QUE CORRE POR FORA

  • Taveira Júnior

Nosso estudo aponta Ezequiel Ferreira como o principal nome da federação, com perspectiva de ser o candidato mais votado da nominata.

Cristiane Dantas, Eriko Jácome e Gustavo Soares aparecem em uma disputa equilibrada pelas demais vagas projetadas, com possibilidade de também participarem da disputa por uma quarta cadeira.

Taveira Júnior, por sua vez, também está no cenário, com chances de entrar na disputa pela possível ampliação da bancada da federação.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *