Estabelecido o desentendimento entre gestores locais, uma ‘juíza’ veio de Brasília para interceder na disputa entre a seção potiguar do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e a Fundação José Augusto quanto à responsabilidade administrativa da Fortaleza dos Reis Magos.
Com a presença da presidente nacional do Iphan, Jurema Machado, uma visita a estrutura e uma reunião com representantes do Governo e da Prefeitura de Natal, realizadas na última segunda-feira (17), serviram para ajustar discursos e definir projetos – uma emenda parlamentar da bancada potiguar no Congresso Nacional, no valor de R$ 19,7 milhões, foi aprovada no Orçamento Geral da União para três prédios tombados: a própria Fortaleza, a Pinacoteca e o Memorial Câmara Cascudo. Enquanto o Iphan projetou intervenções na Fortaleza, o Estado agregou o entorno, com a idéia de construir o Memorial aos Habitantes da Terra, na área de quiosques, e um espaço para receber e acomodar turistas.
“A reunião foi boa e produtiva. Praticamente definimos o que a gente pensava sobre a gerência da Fortaleza, que é da União mas sempre foi administrada pelo Estado. A presidente do Iphan vai aguardar nosso pleito, que é continuar como estava [com a FJA à frente da Fortaleza]. Queremos utilizar bolsistas e pessoas carentes na restauração na restauração. E o bom é que ela permanecerá aberta durante as obras”, diz Iaperi Araújo, médico e representante da FJA na reunião. Uma espécie de canteiro-escola servirá para visitantes acompanharem in loco o trabalho de restauradores, ao mesmo tempo em que conhecem parte da história potiguar.
Sobre o fechamento de 48 horas, determinado pelo superintendente do Iphan no Estado, Onésimo Jerônimo Santos, em virtude de manchas de cal em objetos, como mesas e canhões do século 17, ele garante que “Houve informação errada. As adequações foram pedidas ao próprio Iphan. O que tinha ali era simplesmente cal, que sai com um pano molhado. Ele [O superintendente Onésimo] agiu de forma intempestiva, mas voltou atrás quando viu que eram só uns pingos”.
Com a última reforma consistente registrada em 1961, as obras de reparo e restauração na estrutura que marca o início da cidade contemplarão também um projeto voltado à museologia. Dentro da emenda parlamentar aprovada, estão R$ 8,5 milhões, provenientes do PAC Cidades Históricas, sem contrapartida estadual. “Tivemos uma reunião com o Governo, que está com um projeto de utilização do entorno, assim como o município, que tem a Fifa Fan Fest, durante a Copa. São quatro mil metros quadrados que têm preocupado todo mundo”, diz a superintende do Patrimônio da União, Yeda Cunha, chefe de um órgão responsável por uma área que contém mais de 500 imóveis públicos fora das praias – com os das praias, passam de 11 mil.
Enquanto isso, o secretário estadual de Turismo, Renato Fernandes, enaltece a Fortaleza dos Reis Magos e aguarda a definição do imbróglio. “Acho as praias, como Ponta Negra e Genipabu, lindas, mas, para mim, o cartão postal de Natal é a Fortaleza. É um equipamento que não pode parar, que precisa ser visto por turistas, mas também pela população. A união dos projetos é boa para a recuperação da estrutura. Para mim isso é o mais importante”. Primeira obra tombada pelo Iphan no Rio Grande do Norte, em 1949, a Fortaleza foi fundada em 1599, em plena Dinastia Filipina, que deixava Portugal sob domínio espanhol. O pernambucano Jerônimo de Albuquerque, capitão-mor da Capitania do Rio Grande, foi quem comandou a obra.
Do JH
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