Aplicativos criam uma nova forma de fazer supermercado

Foto: (Reinaldo Canato/VEJA.com)

A forma de fazer compras para a casa está mudando. O consumidor prefere usar o tempo livre em atividades prazerosas ao invés de passar horas empurrando carrinho em supermercado. De olho nessa tendência, crescem os sites e aplicativos que oferecem serviços de entrega de alimentos e outros itens domésticos.

Para Claudio Felisoni, coordenador-geral do Provar (Programa de Administração de Varejo) da FIA (Fundação Instituto de Administração), o consumidor tem muito mais acesso à informação sobre preço hoje, o que o empurra para as compras online, inclusive as de supermercado.

Outro fator que impulsiona a compra online é o desejo de aproveitar melhor o tempo. “As pessoas têm pressa, o tempo está mais valorizado. Elas querem economizar o tempo que perdem com compras recorrentes, como arroz e feijão”, diz Felisoni.

A maior dificuldade do varejo alimentício online, segundo ele, é a distribuição. “O consumidor não quer comprar hoje e receber daqui a três dias.”

De olho na mudança de comportamento surgem empresas que permitem que o consumidor compre pela internet, seja pelo computador ou celular, toda a compra a do mês. Uma delas é o Supermercado Now, que promete entregar produtos frescos, como frutas, verduras e carnes na casa do comprador. Entre os diferenciais da empresa está a possibilidade de escolher como o produto será entregue: a fruta mais madura ou o bife mais fino, por exemplo.

“A gente tem a vantagem dos produtos: são todos frescos, não ficam no caminhão o dia todo. Sai da loja, perto da casa do cliente, direto para a casa dele. Já entregamos até sorvete, produto congelado”, afirma Marco Zolet, CEO da empresa.

A outra vantagem, segundo ele, é a entrega rápida. “As grandes redes levam até 3 dias e não têm uma janela de entrega favorável, tem que escolher entre o período da manhã ou da tarde. A gente consegue entregar em janelas de até 2 horas no mesmo dia ou nas horas disponíveis.”

O segredo está no funcionamento do serviço. O supermercado Now utiliza compradores profissionais para fazer as compras. São pessoas que vão até o supermercado, escolhem os produtos e entregam na casa do cliente.

“A gente localiza o entregador disponível, que a gente chama de shopper, mais próximo do supermercado. Ele recebe o pedido no aplicativo, vai até a loja com a lista de compra e toda as características da compra e entrega no horário combinado”, diz Zolet.

Esses compradores recebem por entrega – a remuneração é a taxa de entrega, que gira em torno de 20 reais. “São profissionais autônomos, pessoas que têm uma parte do dia livre para fazer compras. Meu modelo de ganhar dinheiro é com supermercado e marcas”, diz Zolet.

O supermercado Now investe em parcerias para expandir a área de atuação. O objetivo é chegar a cem bairros por meio de uma aliança com a rede D’Avó.

Planejamento das compras

A HomeRefill funciona como um assistente de compras do consumidor, ajudando-o a se programar para que não falte nada em casa. Como? O cliente monta sua lista de compras, com os produtos e quantidades desejadas, define a data de entrega e de quanto em quanto tempo quer repor esses itens.

“A ideia é construir uma mecânica para as pessoas conseguirem comprar aquilo que é essencial para a casa delas, que elas já sabem que precisam”, diz Guilherme Aere dos Santos, CEO da HomeRefill.

Segundo ele, a empresa não é um supermercado-online, embora permita a compra planejada de produtos. “Configuro uma lista de refil e digo de quanto em quanto tempo quero receber e revisar essa lista. É assim que funciona. A pessoa não precisa se preocupar em sair de casa para comprar aquilo que já sabe que precisa e vai adquirir.”

Essa mudança na relação com a compra tem a ver com a forma como os clientes querem aproveitar seu tempo. “O supermercado tem que se transformar em um lugar para você experimentar novos produtos. O supermercado tradicional continua existindo, mas vai se transformar em um lugar com um melhor sentido de distribuição”, diz Santos.

Felisoni afirma que o supermercado continua existindo, mas pode mudar de formato. “No futuro, pode ser que as redes prefiram formatos menores de loja.”

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