Esporte

Contra o Japão, Bélgica confia na experiência e em lições do passado para duelo nesta tarde

Foto: Info Esporte

Enfrentar um azarão não traz boas lembranças à Bélgica. Dois anos atrás, o país era um dos favoritos ao título da Eurocopa e caiu nas quartas de final para o País de Gales. Em 2014, essa mesma geração chegou com pompas à Copa no Brasil e sofreu muito para passar pelos EUA nas oitavas – antes de perder para a Argentina também nas quartas.

Agora, o adversário é o Japão, e os belgas confiam na experiência que adquiriram e nas lições que aprenderam no passado recente para conseguir justificar o favoritismo desta vez.

– Há quatro anos, foi a primeira competição. Na França (Eurocopa), foi a segunda. Os jogos de mata-mata têm muito a ver com a experiência. Com um time jovem, é mais difícil, mesmo quando você tem jovens talentosos. Agora, é mais fácil. Temos o mesmo nível de maturidade, e isso vai fazer a diferença – analisou Eden Hazard, craque, camisa 10 e capitão da seleção.

Hazard é o camisa 10 da Bélgica (Foto: Divulgação)

Por conta dessas frustrações nos últimos anos, a Bélgica chegou à Rússia sob desconfiança, apesar de ter um elenco bastante talentoso. Mas, com bom futebol, voltou a chamar atenção. A equipe teve a melhor campanha da primeira fase, com 100% de aproveitamento e sete gols de saldo (nove marcados e dois sofridos). Além disso, defende uma invencibilidade de 22 jogos (17 vitórias e cinco empates). A última derrota foi em setembro de 2016 – 2 a 0 em amistoso com a Espanha.

Se depender do Japão, a Bélgica viverá uma segunda-feira sofrida em Rostov. Elogios à parte, o técnico Akira Nishino pretende complicar a vida dos rivais.

Kagawa é o principal jogador do Japão e maior ameaça à Bélgica (Foto: REUTERS / Damir Sagolj)

– Analisamos tudo deles. São muitas grandes estrelas de times europeus. A Bélgica é provavelmente melhor e tem muitos trunfos, mas tenho certeza de que eles têm falhas, e eu gostaria de aproveitá-las – afirmou o comandante japonês.

Para não ser surpreendida pelo Japão, a Bélgica tem a experiência como diferencial. E é claro que segue confiando no talento de seus jogadores. Além de Hazard, o time tem outros grandes destaques, como De Bruyne, Lukaku e Courtois.

– É hora de brilhar, definitivamente. Temos grandes jogadores, jogamos como grupo. Temos 23 atletas, vimos isso contra a Inglaterra. Está nas nossas mãos. Temos que jogar juntos, dar tudo e ver o que acontece – disse Hazard.

Em uma Copa de azarões, que eliminaram ou ajudaram a eliminar – quando complicaram o caminho dos rivais no mata-mata – Alemanha, Argentina, Portugal e Espanha, o Japão tem motivos para acreditar na zebra. A Bélgica, por sua vez, passará por um fracasso ainda maior do que os de 2014 e 2016 se não avançar às quartas. A pressão, portanto, é grande, e é nessa hora que vamos ver se a experiência realmente será colocada em campo.

Prováveis escalações:

Bélgica: Courtois, Alderweireld, Vermaelen (Boyatá ou Kompany) e Vertonghen; Meunier, Witsel, De Bruyne, Hazard, Mertens e Carrasco; Lukaku. Técnico: Roberto Martínez.

Japão: Kawashima; Sakai, Yoshida, Shoji e Nagatomo; Hasebe e Shibasaki; Haraguchi, Kagawa e Inui; Osako. Técnico: Akira Nishino.

Globo Esporte

 

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Esporte

Neymar brilha, Brasil despacha o México e avança para as quartas

Neymar comemora seu gol contra o México – Fabrice Coffrini/AFP

O Brasil está classificado para as quartas de final da Copa do Mundo. Com um gol de Neymar e outro de Roberto Firmino, a seleção venceu o México por 2 a 0 na Arena de Samara, na tarde desta segunda-feira (02).

A terceira vitória do Brasil no Mundial foi novamente sofrida.

O time nacional agora espera o jogo de mais tarde para saber quem será o próximo adversário, Bélgica ou Japão. A partida das quartas de final será na cidade de Kazan, na sexta-feira (06).

O volante Casemiro está fora da próxima partida. Ele levou em Samara o segundo amarelo no torneio e terá que cumprir suspensão automática. Fernandinho é o mais cotado para substituí-lo.

Assim como na fase de grupos, o primeiro duelo do mata-mata foi um sufoco.

Além de Neymar autor do gol, o meia Willian foi também o destaque da quarta partida da seleção. Ele deu o passe para o gol e fez belas jogadas.

A defesa voltou a ter uma boa atuação. O time comandado por Tite foi dominado boa parte do primeiro tempo, mas o setor conseguiu segurar a pressão.

Ao lado do Uruguai, a seleção brasileira é a menos vazada da Copa, com apenas um gol tomado.

Com o gol de carrinho, marcado aos 5min, Neymar é o artilheiro da seleção na Copa ao lado de Philippe Coutinho.

Essa foi sua quinta partida desde que o ex-santista voltou da cirurgia que fez no pé direito, em maio.

O atacante foi decisivo para a classificação, repetindo o protagonismo de seus colegas de PSG, o francês Mbappé e o uruguaio Cavani.

A vitória em Samara foi a 20ª da era Tite. Sob o comando do treinador, a seleção brasileira tem quatro empates e apenas uma derrota.

Na quente cidade russa (fazia 33º C), os mexicanos começaram melhor.

Apoiados por uma torcida barulhenta, eles pressionavam os brasileiros e perderam a primeira oportunidade de gol logo no primeiro minuto.

No início, a cada passe trocado pelos mexicanos a torcida cantava “olé”.

Osório mexeu no time e a mudança surpreendeu o Brasil. Ele escalou Rafa Marquez como uma espécie de volante. Na partida desta segunda, o zagueiro de 39 anos entrou para a história por ser capitão de uma seleção em 5 edições de Copas.

Pressionando muito, o México dificuldade a saída de bola do Brasil.

Os jogadores não conseguiam sair tocando a bola, como Tite ensaiara.

A primeira chegada do Brasil foi só aos 24min, quando Neymar fez uma jogada individual, entrou na área adversária e obrigou Ochoa a fazer bela defesa.

O lance animou o time, que começou a pressionar os mexicanos. Aos 25min, Coutinho aproveitou o rebote da defesa e chutou.

A partir daí, o Brasil melhorou, mas os mexicanos permaneciam com mais rapidez.

No segundo tempo, Tite insistiu na mesma formação. O time voltou melhor. Logo aos 2min, Coutinho obrigou Ochoa a fazer boa defesa.

O gol não demoraria a sair. Aos 5min, Neymar abriu o placar de carrinho, dentro da pequena área, aproveitando um cruzamento forte de Willian.

Em vantagem, a seleção se soltou e começou a criar mais oportunidades de gol.

Sem marcar ainda na Copa, Gabriel Jesus mudou de posição no segundo tempo.

Ele foi para a esquerda deixando Neymar mais centralizado.

Satisfeito com o time em campo, Tite só mexeu nos minutos finais. Aos 35min, ele colocou Fernandinho no lugar de Paulinho.

Em seguida, ele tirou Jesus e colocou Firmino.

O atacante do Liverpool ainda teve tempo de fazer o segundo do Brasil.

Aos 42min, Firmino aproveitou o passe de Neymar e fez o gol para a festa dos brasileiros em Samara.

Até o técnico Tite invadiu o campo para comemorar com os jogadores.

Folha de São Paulo

 

Opinião dos leitores

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Diversos

Prefeitura de Caicó e paróquia apresentam programação da Festa de Sant’Ana 2018

O prefeito de Caicó, Batata Araújo, e o pároco da catedral, padre Alcivan Tadeus Gomes, apresentaram neste domingo (1º) a programação oficial da Festa de Sant’Ana 2018. “Estamos nos esforçando para manter o alto nível do evento. E Caicó é peculiar, pois tem sua festa em vários espaços”, disse padre Alcivan.

O Município de Caicó é parceiro da Paróquia de Sant’Ana na programação cultural que é desenvolvida pela paróquia, com estrutura, com a Banda de Música Recreio Caicoense, com pessoal para segurança, organização do transito, limpeza pública, entre outras demandas.

“A Secretaria de Trabalho, Habitação e Assistência atua diretamente na mobilização da Marcha dos Idosos do Seridó, na primeira sexta-feira de Festa, e esse ano também seremos parceiros da Caminhada das Crianças com a Avó Sant’Ana, no primeiro sábado”, disse o prefeito.

Já a Secretaria de Educação, através da coordenação de Esportes, está à frente da Corrida de Sant’Ana, umas das maiores provas de rua do Rio Grande do Norte. O evento acontecerá no primeiro sábado de Festa de Sant’Ana, dia 21 de julho.

“A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento contribuirá com o suporte logístico de mais uma Cavalgada de Sant’Ana, no domingo (22)”, lembrou Batata

A coordenação de Cultura do Município também desenvolve o projeto Banda na Praça, com a apresentação de dez filarmônicas de diversos municípios na praça Senador Dinarte Mariz. A primeira atração, no dia 19 de julho, será a Filarmônica Honório Maciel (São João do Sabugi).

A prefeitura também é parceira da FAMUSE (Feira de Artesanato dos Municípios do Seridó), uma realização do CRACAS e SEBRAE. Segundo a coordenadora da FAMUSE, Arlete Silva, o Município participa com investimento financeiro, disponibilização da Praça de Artesanato Dona Maria Vale, no Complexo Turístico Ilha de Sant’Ana, e com o stand da Caicó Mostra Caicó.

“O Gabinete de Gestão Integrada (GGI) estará reunido no próximo dia 04 de julho para traçar o planejamento de segurança da Festa de Sant’Ana. O Município dá suporte logístico a diversas instituições de segurança pública para viabilizar o trabalho dos agentes”, disse o prefeito. Mais de 200 câmeras de segurança farão o monitoramento a partir do 6º BPM.

As secretarias de Infraestrutura e Meio Ambiente estão iniciando um trabalho de recuperação das praças, limpeza, correção na iluminação pública, instalação de banheiros e poda de árvores, principalmente nos locais e nas vias de acesso aos principais espaços que compõem a programação da Festa.

A Saúde trabalha todos os dias, disponibilizando ambulâncias e profissionais para os eventos públicos, a vigilância sanitária com a fiscalização dos estabelecimentos de alimentação e bebidas, e o reforço nos plantões das casas de saúde, por exemplo.

E esse ano o Município de Caicó desenvolverá por conta própria a programação na Ilha de Sant’Ana, com show de 25 a 29 de julho, espaços para parques, bares e lanchonetes.

Quarta-feira (25):

Circuito Musical

Noda de Caju

Forró dos Três

Quinta-feira (26):

Brandões do Forró e Arrocharme (feirinha)

Joãozinho Banda Sete

Almir Ex-Fevers

Parcélio & Paulinho

Sexta-feira (27):

Waldonys

Flavio Leandro

Confraria do Fole

Sábado (28):

Naldinho

Vicente Nery

Aduílio Mendes

Domingo (29):

Isac Queiroz

Hugo, Heitor e os 4 Forrozeiros

Laercio Vaneirão

Opinião dos leitores

  1. Parabéns aos organizadores da festa de Santana 2018, programação muito boa, no entanto fui surpreendida com a cobrança de R$ 20,00 para estacionar o carro na rua e segundo o rapaz, foi a prefeitura que orientou a cobrança!! Será verdade??

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Diversos

É preciso esperar 24 horas para registrar um desaparecimento?

Todo filme, série e novela traz sempre a mesma exigência: aguarde um dia antes de ligar para a polícia. Mas, na vida real, isso é verdade?

Foto: (BrianAJackson/iStock)

No Brasil, não existe tempo mínimo de espera para notificar a polícia sobre o desaparecimento de alguém. O recomendado, inclusive, é que a ocorrência seja registrada nas primeiras horas da ausência. Isso tende a facilitar a localização pelos investigadores.

“Essa ideia foi incorporada por filmes e seriados, já que cada país tem seu próprio procedimento”, diz o delegado Gabriel Bicca, da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Os gaúchos, por sinal, ocupam o segundo lugar no ranking nacional de desaparecidos, atrás apenas de São Paulo.

No País, 85% dos casos de desaparecimento são resolvidos quando a pessoa retorna para casa por conta própria. Nos EUA, no entanto, cada Estado tem autonomia para determinar quanto tempo é preciso esperar.

Super Interessante

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Tecnologia

WhatsApp pode ameaçar estabilidade no Brasil, diz pesquisadora de Harvard

Claire Wardle, do First Draft: o Comprova vai combater a desinformação na campanha eleitoral (Facebook Comprova/Divulgação)

Durante a eclosão do conflito étnico que levou ao genocídio de Ruanda em 1994, quando mais de 800 mil pessoas foram brutalmente assassinadas, o rádio teve um papel preponderante, em um primeiro momento, para incitar o ódio e a violência dos hutus contra os tutsis, e, posteriormente, para disseminar propaganda contra os hutus.

O cenário do Brasil em 2018 é, evidentemente, muito diferente do de Ruanda em 1994. Mas o potencial de plataformas como o WhatsApp ecoa paralelos com o cenário que favoreceu à crise social nesse país da região central da África, na visão da pesquisadora britânica Claire Wardle, diretora de pesquisa do projeto First Draft News, ligado à Universidade de Harvard e comprometido com o combate à circulação de conteúdos deliberadamente falsos na internet.

Segundo a pesquisadora, dois elementos tornam o Brasil especialmente vulnerável aos efeitos do compartilhamento de rumores: a elevada polarização política e o fato de o país ainda ser uma democracia relativamente jovem. “Minha preocupação é do papel do WhatsApp no Brasil. Se as informações compartilhadas lá não forem checadas, haverá pessoas acreditando em informações que podem colocar em risco a estabilidade do país”, afirma em entrevista a EXAME.

Na semana passada, Claire veio ao Brasil para lançar o projeto Comprova, uma iniciativa do First Draft que contará com uma coalizão de veículos brasileiros — EXAME entre eles — para checar e combater a circulação de informações falsas durante as eleições de 2018. Em 2016, o grupo liderado pela pesquisadora organizou um projeto semelhante durante as eleições francesas. Na ocasião, foram checadas mais de 70 informações imprecisas durante 10 semanas e 30 redações se envolveram com o trabalho.

Veja trechos da entrevista que ela concedeu a EXAME pouco antes do lançamento da plataforma:

EXAME: A senhora não gosta do termo “fake news” para descrever o fenômeno de informações falsas circulando pela internet. Por quê?

Claire Wardle: Primeiro, esta palavra se tornou sem sentido porque não descreve a complexidade do ecossistema de informação. Por exemplo, muitos dos problemas que vemos hoje é de imagens genuínas mas recicladas [fora de contexto], então, elas não são falsas. Logo, o termo não descreve realmente aquilo que nos preocupa.

E, segundo, esse termo tem sido usado para atacar a imprensa tradicional ao redor do mundo. Pesquisas mostram que o público tende a acreditar que as notícias falsas são da mídia tradicional. Eu defendo que jornalistas não usem esse termo porque isso está sendo empregado para nos atacar e, portanto, minar nosso trabalho perante o público.

Pessoas mal informadas sempre existiram e isso sempre foi uma ameaça para a democracia. Qual é o problema agora?

A misinformation [desinformação ou falta de informação] sempre existiu. Se a minha mãe compartilha algo no Facebook e não sabe que isso é falso, isso é misinformation. Nós sempre tivemos isso, as pessoas compartilham rumores sem saber que eles são falsos. O que nós temos agora é a disinformation [um conteúdo deliberadamente falso], quando alguém cria ou compartilha informações falsas para causar algum dano. Em uma era em que a tecnologia barateou e tornou mais fácil criar um site ou manipular uma foto ou um vídeo, é muito mais fácil criar e compartilhar conteúdos deliberadamente falsos. Nós sempre tivemos esse problema, mas nunca uma tecnologia que tornasse tão fácil a criação desse tipo de conteúdo e seu compartilhamento.

No Brasil, há algumas iniciativas do Legislativo para combater o compartilhamento de conteúdo deliberadamente falso na internet. Até que ponto, leis são efetivas nesse caso?

A dificuldade é não ter definições claras. É sempre muito perigoso querer regular a liberdade de expressão porque é muito raro que algo seja 100% falso, pois, geralmente, é apenas impreciso. Nesse espectro, como dizer onde fica a linha? É muito difícil distinguir entre o que é misinformation [desinformação ou falta de informação] e disinformation [um conteúdo deliberadamente falso].

No caso de pornografia ou de discurso de ódio, a definição é clara e há leis específicas contra isso na Europa, por exemplo. Mas quando se está lidando com um conteúdo impreciso, como regular isso? Quem vai ser o árbitro do que é ilegal? Minha preocupação é que, se regularmos isso, podemos cair em uma espécie de censura que afeta todos os tipos de informação. O combate aos conteúdos deliberadamente falsos deve ser feito por meio da educação do público e de melhorar as plataformas. Há muito o que podemos fazer, mas não por meio de regulação ou de criar leis contra isso.

Até que ponto educar o público é, de fato, efetivo?

A educação demora um bom número de anos para mudar uma cultura. Mas da mesma forma que dizemos às pessoas que elas não podem jogar lixo pela janela do carro porque isso polui o meio ambiente ou que não se pode dirigir depois de ingerir bebidas alcóolicas, é dizer que vivemos em uma ambiente de informação e que é preciso ter responsabilidade sobre aquilo que se posta no Facebook, que o celular é uma ferramenta muito poderosa que vem com uma responsabilidade.

Qual o papel da imprensa nesse processo?

A imprensa está sob ataque hoje e isso tem sido feito de maneira deliberada por políticos que não querem uma imprensa forte atuando como fiscalizadora. Nesse ambiente, a competitividade do jornalismo se torna uma de suas fraquezas. Os veículos de imprensa devem trabalhar de maneira conjunta, se ajudando mutuamente. Também tem a ver com ser mais transparente no processo de reportagem. O público não sabe que jornalistas checam suas fontes, que há sempre um editor que recheca nosso trabalho, que, para se publicar algo, é preciso no mínimo duas fontes. O público não entende todo processo. Nós deveríamos explicar melhor por que nossa informação é confiável, mas somos muito ruins em fazer isso. O resultado disso é que o público não entende por que somos diferentes dos outros produtores de conteúdo.

Como o Comprova vai funcionar?

O Comprova é formado por 24 redações em todo o Brasil e todos estarão looking accross diferentes assuntos porque haverá muita informação imprecisa e deliberadamente falsa circulando durante as eleições. Nenhuma redação poderia dar conta disso sozinha. Se todas as redações fizerem isso de maneira separada, estarão perseguindo as mesmas coisas.

Todos os dias, cada redação irá monitorar diferentes tipos de plataformas problemáticas, como grupos no Facebook ou no WhatsApp, contas no Instagram e perfis no Twitter a fim de encontrar conteúdos problemáticos e alimentar um site central com relatórios que serão checados por outros membros da coalizão. Nada será publicado antes que três redações concordem com a reportagem, isso deve melhorar a qualidade do que é produzido. Isso vai ser publicado no site do Comprova e nos sites de nossos parceiros para expandir o alcance do conteúdo para muitas pessoas no Brasil.

Como foi a experiência nas eleições da França, em 2016?

Foi muito positiva. Foi um projeto piloto, fizemos isso durante 10 semanas com cerca de 30 redações e publicamos cerca de 70 matérias. Fizemos uma pesquisa depois, e o público afirmou que confiava no projeto porque havia muitas redações trabalhando junto. Já os jornalistas ficaram muito satisfeitos por melhorar as próprias habilidades e porque não havia erros, já que cada um estava assumindo a responsabilidade pelo trabalho do outro. Então, o jornalismo como um todo melhorou.

O Brasil é considerado um dos países mais ativos em redes sociais do mundo. Isso torna o país mais vulnerável?

O Brasil é muito polarizado. Qualquer país com esse perfil se torna mais vulnerável porque, nesse contexto, as pessoas tendem a não ser críticas com relação a informações que endossem seu ponto de vista ou ataquem o outro lado. Como você disse, os brasileiros gastam muito tempo nas redes sociais e no WhatsApp, e checam as informações com menos frequência. Além disso, como o Brasil é um país muito grande, há diferentes níveis de alfabetização digital e nem todos aprenderam as lições sobre em quais fontes confiar.

A democracia de vocês é muito jovem. Veja que a democracia dos Estados Unidos, apesar de ser uma das mais antigas do mundo, é muito vulnerável aos conteúdos deliberadamente falsos. Minha preocupação é que o fato da democracia brasileira ser relativamente jovem potencializa a vulnerabilidade à circulação de rumores. Nós vimos isso durante a greve dos caminhoneiros. Há muitos paralelos com Ruanda, onde o rádio foi muito poderoso. Minha preocupação é do papel do WhatsApp no Brasil, se as informações compartilhadas lá não forem checadas, haverá pessoas acreditando em informações que podem colocar em risco a estabilidade do país.

Como checar informações no WhatsApp, já que as mensagens circulam em grupos fechados?

Um caminho é levar o público a enviar dicas sobre o que eles estão recebendo. É criar uma rede pelo país de pessoas que estão em grupos e tratá-las como uma espécie de embaixadores do programa. Precisamos ser muito estratégicos sobre como coletamos os conteúdos que circulam no WhatsApp e como compartilhamos as informações confiáveis.

Exame

 

Opinião dos leitores

  1. O que desestabiliza o Brasil é o Estado, é a maior carga tributária do mundo, são os penduricalhos do setor publico, a corrupção desenfreada.

  2. BG
    Quem está desestabilizando o Brasil são grande parte dos políticos e alguns ministros do Supremo. Precisam todos serem CASSADOS para o bem da Nação Brasileira.

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Diversos

FOTOS: “Técnica” para deixar biquíni ousado divide opiniões no Instagram

Em fotos postadas na rede social, diversas modelos e influenciadoras aparecem com a parte de cima do biquíni amarrada de forma bastante inusitada que deixa os seios bem juntinhos, mas levanta muitas perguntas

Pensou que as tendências bizarras de moda parariam nas calças com rasgos no bumbum e não chegariam às roupas de banho ? Errou. Nesta semana, uma marca australiana expôs uma forma inusitada de deixar um biquíni ousado e dividiu opiniões nas redes sociais, já que, na imagem, a modelo aparece usando a parte de cima do conjunto… De cabeça para baixo.

Reprodução/Instagram: @Valentinafradegrada. Após a modelo Valentina Fradegrada postar fotos com esse ‘biquíni ousado’, a tendência tomou o Instagram

A modelo que aparece no Instagram da marca, porém, não foi a primeira a apostar nessa forma inusitada de usar a parte de cima do biquíni. A tendência do ” biquíni ousado ” parece ter começado a se espalhar com a modelo Valentina Fradegrada, que, usando a hashtag #upsidownbikini (“biquíni de ponta cabeça” em tradução livre), vive compartilhando fotos usando roupas de banho diferentes dessa forma.

Com as postagens da musa, outras influenciadoras digitais caíram nas graças do biquíni de cabeça para baixo e começaram a postar fotos testando a tendência, mas, para os seguidores das moças, algumas perguntas não querem calar. No post feito pela marca, uma internauta questiona: “como ele fica no corpo enquanto você nada?”.

Outras afirmam que essa moda só funciona em um tipo específico de peitos, enquanto outras criticam (“é a coisa mais horrenda que já vi”) ou fazem brincadeiras, como a internauta que, após marcar uma amiga na publicação, comentou: “Meus peitos cairiam no buraco”. Há ainda as pessoas que não estão entendendo nada, como uma usuária que perguntou: “Por que a parte de cima do seu biquíni está ao contrário?”. E você, testaria essa forma de deixar o biquíni ousado?

É isso mesmo: em vez de amarrar as cordinhas da peça do jeito convencional, a moça amarrou as que ficariam em torno do pescoço logo abaixo dos seios, deixando-os mais juntinhos – e com cara de que estão prestes a ser expostos ao mundo. Na legenda da foto, a marca pergunta aos seguidores sobre o que eles pensam desse “ biquíni ousado ”, e é de se imaginar que as pessoas tenham um bocado de questionamentos (e críticas) a ele.

IG

Opinião dos leitores

  1. As noras que mamãe queria. Tudo mulher honesta e recatada.
    Top pra casar e constituir família.

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Diversos

Quem são (e o que querem) as pessoas que trabalham de graça para políticos

Redes sociais: voluntários para trabalhar nos sites dos políticos estão em alta (Dan Kitwood/Getty Images)

Será que mesmo com todos os índices de rejeição lá no alto, com os desdobramentos quase infindáveis da Operação Lava Jato e traições de praxe ainda é possível encontrar quem dedique tempo e suor a um político ou partido sem receber nada em troca – seja dinheiro, promessa de emprego ou qualquer tipo de vantagem? Ainda existe quem faça campanha por amor?

A maioria dos pré-candidatos já possuem voluntários em suas campanhas. Ou seja, gente que se dispõe a participar de ações de rua, convencer indecisos ou alimentar redes sociais sem receber nenhum benefício direto. Na maioria das vezes, eles nem sequer são filiados ao partido do presidenciável que apoiam e juram participar da campanha apenas por dever cívico.

A empresária Cristina Rando, de 44 anos, por exemplo, tem feito reuniões e panfletagens na zona sul do Rio de Janeiro para amealhar simpatizantes para o presidenciável João Amoêdo (Novo). Ela tem atuado nos bairros do Leblon, Ipanema e Copacabana – sempre tentando convencer moradores da região de que é possível mudar o País a partir da força do empresariado. Cristina diz não querer cargo ou qualquer compensação pelo trabalho, mas não descarta a hipótese de um dia também entrar na política.

Já o agricultor Joni Paulo Varisco, de 63 anos, que se declara voluntário da campanha de Alvaro Dias (Podemos) tem um amplo currículo na política nacional. Em 1990, Varisco foi deputado federal pelo PMDB e chegou a ganhar alguma notoriedade ao defender a extinção de Brasília como capital.

No Paraná, Varisco já foi assessor do homem que hoje diz trabalhar por amizade. “Vou pegar o carro e visitar as fazendas dos conhecidos para convencêlos do projeto de Alvaro Dias”, disse. O agricultor garante que não quer fazer dessa “ajuda” um trampolim para voltar à política. “Quando tudo acabar volto a cuidar dos meus netos.”

Redes sociais

Voluntário interessado em trabalhar nas redes sociais e nos sites dos candidatos parece uma modalidade em ascensão. Daniel de Santana Alves, de 18 anos, é de uma família influente na política de Jacareí, no interior de São Paulo. Na própria casa, ele tem membros atuantes do PSDB e do PT. “Mas assisti a uma palestra da Marina Silva (Rede) e me senti inspirado por ela”, afirma. “Claro, nos encontros de família, sempre tem uma alfinetada”, completa. Santana alimenta site e redes sociais com notícias referentes à candidata. Ele também pensa em seguir carreira política no futuro.

Também ligada ao universo digital está a publicitária Tatiana Moreira Alvarez, de 23 anos, voluntária na campanha de Jair Bolsonaro (PSL). Ela disse que se aproximou da política em 2013 – durante as jornadas de junho. Agora, pretende ajudar Bolsonaro na produção de memes e vídeos. Com sua colaboração, quer combater “o comunismo”. Tatiana não descarta uma candidatura no futuro e diz que trabalhar em uma campanha é uma espécie de “estágio não remunerado”.

Já o advogado Miguel Mussinich, de 25 anos, diz participar voluntariamente de reuniões sobre a criação do programa de governo de Geraldo Alckmin(PSDB). Para ele, participar de uma campanha é combater “os radicalismos”. Mussinich afirma que sua colaboração é técnica e não política. Ainda assim, deixa uma porta aberta. “Tenho histórico político na família. Meu bisavô foi ministro da Justiça, entre 1932 e 1934.”

De Genipabu (RN), vem o voluntário do pré-candidato Flávio Rocha. Sebastião Cândido, de 54 anos, é bugueiro e presidente da Associação de Profissionais de Turismo da região. “Quando alguém sobe no meu bugue e puxa papo de política eu logo saio falando do Rocha.”

Cândido, que já foi suplente de vereador, afirma que sua admiração por Rocha nasceu há mais de 20 anos. “Ele era deputado e eu pedi um fax para a minha associação. Não teve enrolação, ele deu na hora.” O bugueiro diz que se chamado para trabalhar em um eventual governo de Rocha aceitaria de pronto.

Eficácia da participação é assunto questionável

Especialistas em marketing político divergem sobre a possibilidade da participação do voluntariado “fazer a diferença” ou ser minimamente efetivo em uma campanha presidencial. Para o estrategista e especialista em marketing político Marco Iten, a presença de voluntários será pequena ou ineficiente.

“Só aqueles que tiverem uma ligação muito próxima dos candidatos ou uma relação de amizade e confiança irão se envolver. Ninguém quer pôr a mão no fogo por candidato nenhum.”

Conforme Iten, o ambiente político não está propício para participações espontâneas e as campanhas nem sequer estão estruturadas para receber esse tipo de apoio. “O que pode existir é esse voluntário entre aspas. Ou seja, alguém que tenha pretensões políticas ou sonhe com um emprego em algum gabinete.”

Iten considera que os candidatos mais extremados são aqueles que podem arregimentar algum voluntariado.

“Principalmente nas redes sociais, sem suar a camisa, existe gente que acaba atuando para determinados candidatos mais radicalizados.”

Para o especialista em marketing político e professor da ESPM Marcelo Vitorino, o voluntariado terá uma participação importante no pleito.

“Na eleição presidencial, existem inimigos claros. Você se engaja em uma campanha para combater alguém que você não gosta. Isso vai acontecer muito – principalmente com voluntários nas redes sociais”, afirmou. “Ter voluntários é uma forma de o candidato falar com quem está fora da sua própria bolha eleitoral.”

Exame, com Estadão

 

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Jornalismo

Grupo Globo divulga diretrizes sobre o uso de redes sociais por jornalistas

Grupo Globo divulgou neste domingo (1) uma série de diretrizes sobre como os jornalistas de seus diversos veículos devem usar as redes sociais. Em carta, o presidente do Conselho Editorial do grupo, João Roberto Marinho, explica que o objetivo é que os jornalistas evitem tudo aquilo que possa comprometer a percepção de que exercem a profissão com isenção e correção.

Essas recomendações foram incorporadas aos Princípios editoriais do grupo, publicados originalmente em 2011 e agora atualizados (veja a íntegra dos Princípios Editoriais).

A seguir, leia a carta que João Roberto Marinho enviou aos jornalistas do Grupo Globo e as diretrizes de uso das redes sociais:

Carta de João Roberto Marinho
Caros companheiras e companheiros,

Ninguém discordará de que o advento das redes sociais é um dos fenômenos que definem o século XXI. De uma maneira inédita na história da humanidade, elas conectaram pessoas em nível planetário, permitindo a formação de comunidades, o compartilhamento de ideias, fatos e opiniões, a aproximação de pessoas que frequentemente nem se conhecem. É algo extremamente positivo e bem-vindo.

Como tudo, porém, logo descobrimos que elas têm também um lado sombrio: podem ser usadas para manipular grupos, disseminar boatos e mentiras com fins antidemocráticos e permitir que a intimidade das pessoas seja clandestinamente conhecida. Com a consciência desses defeitos, porém, seus usuários se tornam cada vez mais capazes de produzir anticorpos para esses males. Na balança entre o bem e o mal, nós acreditamos que o lado bom das redes sociais supera o lado mau, embora seja necessário ainda muito estudo e atenção para combater os malefícios. Somos, enfim, entusiastas do potencial positivo das redes sociais.

Nós, jornalistas, como todos os cidadãos, podemos fazer parte delas seja do ponto de vista pessoal ou profissional. Podemos compartilhar impressões, sentimentos, fatos do nosso dia a dia, assim como utilizá-las para fazer fontes, garimpar notícias, descobrir tendências. Não é novidade para nenhum de nós, no entanto, que o jornalismo traz bônus e ônus.

O bônus é o prazer de exercer uma atividade fascinante cujo objetivo último é informar o público, para que possa escolher melhor como quer viver, como fazer livremente escolhas, uma atividade que nós, sem modéstia, consideramos absolutamente nobre. O ônus é justamente aquele que nos impomos para poder fazer um bom jornalismo: em resumo, tentar ao máximo nos despir de tudo aquilo que possa pôr em dúvida a nossa isenção.

Sei que não é preciso, mas dou aqui um ou dois exemplos. Todos os jornalistas que cobrem economia (e aqueles que compõem a chefia da redação), por exemplo, se privam da liberdade de aplicar em papéis de empresas específicas para que jamais levantem a suspeita no público de que determinada notícia sobre esta ou aquela empresa tem por trás um interesse pessoal. Um jornalista de cultura que seja parente de algum artista se considerará impedido de cobrir as atividades dele. Nós conhecemos bem as nossas restrições, aliás descritas em nossos princípios editoriais que o Grupo Globo publicou em 6 de agosto de 2011. E nada disso nos perturba ou incomoda porque temos a consciência de que o propósito é permitir que façamos um bom jornalismo e que sejamos reconhecidos por isso.

As redes sociais nos impõem também algumas restrições. Diferentemente das outras pessoas, sabemos que não podemos atuar nelas desconsiderando o fato de que somos jornalistas e de que precisamos agir de tal modo que nossa isenção não seja questionada. Já no lançamento dos princípios editoriais, previmos isso quando estabelecemos o seguinte: “A participação de jornalistas do Grupo Globo em plataformas da internet como blogs pessoais, redes sociais e sites colaborativos deve levar em conta três pressupostos: (…) 3- os jornalistas são em grande medida responsáveis pela imagem dos veículos para os quais trabalham e devem levar isso em conta em suas atividades públicas, evitando tudo aquilo que possa comprometer a percepção de que exercem a profissão com isenção e correção.”

Desde então, porém, o uso de redes sociais se universalizou de tal forma que é necessário detalhar melhor como nós jornalistas devemos utilizá-las de modo a não ferir, de maneira alguma, aquele que é um pilar da nossa profissão: a isenção. É por essa razão que estamos acrescentando uma seção aos nossos Princípios Editoriais sobre o uso das redes sociais.

Essas recomendações sobre como devemos nos comportar nas redes não têm nada de idiossincrático ou exclusivo. Na verdade, estão rigorosamente em linha com o que praticam os mais prestigiados veículos jornalísticos do mundo, como The New York Times e BBC, para citar apenas dois de dezenas de exemplos.

É fundamental que todos leiamos com atenção essas diretrizes e as sigamos com o rigor que nos caracteriza em nossas atividades profissionais.

Dito isso, a Seção II de nossos Princípios Editoriais terá um novo item, de número 5, apresentado ao fim desta carta.

Tenho absoluta convicção de que todos nós entenderemos as razões dessas diretrizes mais detalhadas e as seguiremos. Agradeço pela atenção e disponibilizo a seguir o texto que será acrescentado, a partir de hoje, aos nossos Princípios Editoriais.

Rio de Janeiro, dia 1 de julho de 2018

João Roberto Marinho

Presidente do Conselho Editorial do Grupo Globo

As novas diretrizes

Seção II: Como o jornalista deve proceder diante das fontes, do público, dos colegas, do veículo para o qual trabalha e das redes sociais

(…)

5) Diante das redes sociais:

a) O Grupo Globo considera que toda rede social é potencialmente pública. Mesmo que alguém permita o acesso ao que nela diz ou publica a apenas um grupo de pessoas, há uma alta possibilidade de que tal conteúdo se torne público. E, quando essa pessoa é um jornalista, a sua atividade pública acaba relacionada ao veículo para o qual trabalha. Se tal atividade manchar a sua reputação de isenção manchará também a reputação do veículo. Isso não é admissível, uma vez que a isenção é o principal pilar do jornalismo. Perder a reputação de que é isento inabilita o jornalista que se dedica a reportagens a desempenhar o seu trabalho. Isso se aplica a todas as redes – Twitter, Instagram, Facebook, WhatsApp ou qualquer outra que exista ou venha a existir;

b) Em alguns casos, a perda da reputação de isenção é evidente de imediato. Em outros, é preciso uma análise criteriosa. Essa avaliação deve ser feita pelas chefias imediatas e compartilhada com a direção de redação, que decidirá quando é o caso de encaminhar a questão ao Conselho Editorial do Grupo Globo;

c) É evidente que, em aplicativos de mensagens, como WhatsApp e outros, em que há mais controle sobre o acesso, todos têm o inalienável direito de discutir o que bem entender com grupos de parentes e amigos de confiança. Mas é preciso que o jornalista tenha em mente que, mesmo em tais grupos, o vazamento de mensagens pode ser danoso à sua imagem de isenção e à do veículo para o qual trabalha. E que tal vazamento o submeterá a todas as consequências que a perda da reputação de que é isento acarreta. Assim, compartilhar mensagens que revelem posicionamentos políticos, partidários ou ideológicos, mesmo em tais grupos, exige a confiança absoluta em seus participantes – confiança que só pode ser avaliada pelo jornalista;

d) Em sua atuação nas redes sociais, o jornalista deve evitar tudo o que comprometa a percepção de que o Grupo Globo é isento. Por esse motivo, nas redes sociais, esses jornalistas devem se abster de expressar opiniões políticas, promover e apoiar partidos e candidaturas, defender ideologias e tomar partido em questões controversas e polêmicas que estão sendo cobertas jornalisticamente pelo Grupo Globo. Em síntese, esses jornalistas não devem nunca se pôr como parte do debate político e ideológico, muito menos com o intuito de contribuir para a vitória ou a derrota de uma tese, uma medida que divida opiniões, um objetivo em disputa. Isso inclui endossar ou, na linguagem das redes sociais, “curtir” publicações ou eventos de terceiros que participem da luta político-partidária ou de ideias. Quando acompanhar a atividade nas redes sociais de candidatos, partidos, entidades ou movimentos em torno da defesa de ideias ou projetos for fundamental para a cobertura jornalística, é permitido que o jornalista siga as suas páginas ou contas (mas não se deve curtir os seus posts). Quando for assim, o jornalista deve seguir todos os candidatos a um cargo majoritário e, nos outros casos, partidos e movimentos que defendam ideias opostas ou essencialmente diferentes, para que fique claro ao público que a iniciativa de os seguir não se deve a preferências pessoais. Da mesma forma, esses jornalistas devem avaliar se sua imagem de isenção estará sendo comprometida ao compartilhar material de terceiros. Agir de modo diferente compromete de forma irremediável a isenção do jornalista e mancha a reputação do veículo para o qual trabalha, com a consequência já mencionada;

e) Como em todos os veículos de imprensa, há no Grupo Globo jornalistas cuja função é analisar fatos e controvérsias e opinar sobre eles. Por óbvio, tais jornalistas não ferem o princípio da isenção. Primeiramente, porque agem com transparência, deixando explícito que não fazem uma reportagem objetiva sobre os fatos, mas a partir deles os analisam e opinam sobre eles (ver Seção I, item 1, letra t). É uma atividade jornalística diversa da reportagem, mas que atende também a uma demanda do público: ter acesso a opiniões e análises sobre fatos e controvérsias para que possa formar a sua própria opinião. Tais jornalistas, normalmente chamados de comentaristas, analistas ou colunistas de opinião, devem ter uma atuação na rede social que não permita a percepção de que são militantes de causas e que fazem parte da luta político-partidária ou de ideias. A eles, como a todos, é vedado apoiar candidatos ou partidos, dentro e fora de eleições;

f) Colaboradores, em seções de análise e opinião, que não sejam jornalistas, mas profissionais de outras áreas de atuação, devem julgar como atuar nas redes sociais, conscientes de que a sua reputação, fundamental para sua condição de colaborador, é afetada por essa atuação. Não é permitido declarar voto ou fazer propaganda para candidatos ou partidos no material produzido especificamente para os veículos para os quais trabalham;

g) Por razões correlatas, é imprescindível que o jornalista do Grupo Globo evite a percepção de que faz publicidade, mesmo que indiretamente, ao citar ou se associar a nome de hotéis, marcas, empresas, restaurantes, produtos, companhias aéreas etc. Isso também não deve acontecer em contas de terceiros, e o jornalista deve zelar para evitar tais ocorrências. Participantes de programas esportivos televisivos, radiofônicos ou transmitidos pela internet seguirão neste quesito a política comercial de seus veículos. O jornalista deve evitar criticar hotéis, marcas, empresas, restaurantes, produtos, companhias aéreas etc., mesmo que tenha tido uma má experiência. O motivo é simples: a posição que ocupa nos veículos do Grupo Globo pode levar a que tenha um tratamento preferencial no reparo de danos sofridos;

h) Essas diretrizes em nada diminuem a importância que o Grupo Globo vê nas redes sociais. O Grupo Globo estimula o seu jornalista e os seus veículos a utilizarem as redes sociais como valioso instrumento para se aproximar de seu público, ampliá-lo, reforçar a imagem de credibilidade de que já desfrutam, divulgar os seus conteúdos, encontrar notícias, fazer fontes. Nessa atividade, devem, porém, observar as regras até aqui descritas. E outras deste código;

i) Os jornalistas do Grupo Globo devem sempre priorizar os seus veículos na divulgação de notícias, ou seja: noticiar os fatos sempre em primeira mão nos veículos para os quais trabalham. Somente então, poderão disponibilizar as notícias nas redes sociais, mas seguindo regras: as notícias devem ser brevemente resumidas e acompanhadas de um link que permita ao leitor ler a sua íntegra no veículo que a publicou. Quando a notícia não dispuser de um link específico, é obrigatória a publicação de um link do veículo para o qual trabalha, com a especificação da editoria, para que o leitor possa buscar mais detalhes. Devem agir de forma igual os comentaristas, analistas e colunistas de opinião em relação ao que produzirem para os veículos para os quais trabalham;

j) A publicação de reportagens certamente vai gerar comentários dos leitores. O jornalista do Grupo Globo deve tratar todos com respeito. Pode esclarecer dúvidas e comentar críticas. Se estas forem ofensivas, talvez seja melhor simplesmente não responder. Se se sentir vítima de abuso, é legítimo que o jornalista do Grupo Globo bloqueie os ofensores. Mas é preciso critério: não confundir críticas contundentes, mas legítimas, com ofensas e abusos;

k) O jornalista do Grupo Globo, sem exceção, não pode, por óbvio, criticar colegas de suas redações ou de redações de competidores nas redes sociais. O crítico acaba sempre por se diminuir diante do público. Da mesma forma, chefias não devem usar as redes sociais para elogiar os próprios veículos ou criticar concorrentes. Elogios e críticas podem ser interpretados como arrogância, algo que deve sempre ser evitado. Nesses dois casos, com propósitos construtivos, devem ser sempre priorizados os canais internos;

l) Essas regras são válidas para todos os jornalistas do Grupo Globo e devem ser rigorosamente observadas. As chefias diretas ficam com a incumbência de implementá-las, torná-las uma realidade e, em caso de faltas por parte de jornalistas, dividir os episódios com a direção de redação do veículo, que decidirá então se é o caso de levá-los à apreciação do Conselho Editorial do Grupo Globo;

m) O Grupo Globo tem a compreensão de que, muitas vezes, o jornalista pode se sentir em dúvida sobre se um texto seu nas redes sociais resvala na tomada de posição, ferindo o princípio da isenção. A única solução é consultar a chefia.

G1

 

Opinião dos leitores

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Polícia

VÍDEO: DHPP prende suspeito de homicídio na Grande Natal

Uma equipe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) realizou a prisão em flagrante, na noite de sábado (30), de Marcelino Cardoso da Silva, 20 anos, suspeito pelo homicídio de Luiz Antônio Basílio da Costa, no distrito de Capela, em Ceará-Mirim.

As primeiras investigações da DHPP, ainda no local do crime, apontaram para Marcelino como autor do crime. Em diligências realizadas pela região, o suspeito foi localizado e preso na casa de seu pai, no mesmo distrito onde realizou a ação criminosa. Após a prisão, Marcelino confessou que efetuou disparos de arma de fogo contra a vítima, e afirmou que a motivação para o assassinato foi uma dívida de R$ 100.00, que Luiz Antônio tinha com ele.

Autuado pelo homicídio, Marcelino Cardoso foi encaminhado ao sistema prisional, onde ficará à disposição da Justiça.

https://www.youtube.com/watch?v=XeZBh2ZwQf4&feature=youtu.be

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Política

López Obrador, o novo presidente mexicano que já foi comparado a Chávez, Lula e até Trump

Foto: Goran Tomasevic/Reuters – 2.7.2018

O candidato de esquerda Andrés Manuel López Obrador confirmou seu favoritismo e foi eleito neste domingo (1º) o novo presidente do México, em uma eleição considerada histórica tanto pela quantidade de cargos em disputa — mais de 18 mil em âmbitos local e federal — quanto pelos altos níveis de violência e pela mudança radical de poder.

AMLO, como é conhecido, teve mais de 53% dos votos, mais do dobro de seu rival mais próximo, tornando-se o primeiro presidente esquerdista do país em décadas.

O ex-prefeito da Cidade do México (2000-2006) é eleito presidente em sua terceira tentativa e com uma plataforma de combate à corrupção, de fim de “regalias” a políticos e empresários, de melhora na qualidade de vida dos mais pobres e de revisão de privatizações realizadas no setor petrolífero.

“Vamos purificar a vida pública do México”, afirmou em comício recente.

Nascido em 1953 no Estado sulista de Tabasco, AMLO é filho de comerciantes e estudou Ciências Políticas e Administração Pública na UNAM (Universidade Nacional Autônoma de México).

É conhecido por despertar tanto lealdade quanto rechaço incondicionais, característica que já o levou a ser comparado a outros líderes do continente: o venezuelano Hugo Chávez, o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e, curiosamente, até mesmo o americano Donald Trump.

López Obrador assumirá um país com níveis historicamente altos de violência, em plena guerra entre cartéis do narcotráfico e forças de segurança.

O país registrou um recorde de mais de 25 mil homicídios no ano passado, cifra que tende a aumentar neste ano, segundo previsões de especialistas.

A violência respingou também na campanha eleitoral, durante a qual foram assassinados mais de 120 políticos.

O cenário, somado a escândalos de corrupção, impactou negativamente a popularidade do atual presidente, Enrique Peña Nieto, do PRI (Partido Revolucionário Institucional), que deixa o cargo com menos de 20% de aprovação. Em 2012, quando tomou posse, chegou a superar os 60% de aprovação.

E foi também com críticas à política tradicional e às condições macroeconômicas que López Obrador conquistou grande parte de seu eleitorado.

“As políticas que temos aplicado nos últimos 30 anos não funcionaram. Sequer tivemos crescimento econômico”, afirmou ele em seu último comício, na quarta-feira. “O que cresceu foi a corrupção, a pobreza, o crime e a violência. Por isso, vamos mandar essas políticas à lixeira da história.”

AMLO já havia tentado a Presidência duas vezes antes pelo Partido da Revolução Democrática (em 2006 e 2012, quando perdeu para Peña Nieto), sem sucesso. Agora, postulou-se pelo Movimento de Regeneração Nacional (Morena), que fundou há quatro anos e hoje tenta se firmar como a segunda principal força política do país.

É visto com ceticismo pelo mercado financeiro e pela comunidade empresarial mexicana, por suas críticas de longa data ao neoliberalismo e sua promessa de reverter alguns pontos da reforma do setor energético, no que diz respeito à exploração privada das reservas petrolíferas do México.

Tais características já o fizeram ser comparado a Lula, que também enfrentou resistência do mercado quando eleito pela primeira vez, em 2002.

Partidários de AMLO afirmam que o novo presidente já não é mais tão radical quanto no passado e lembram que ele recrutou assessores próximos ao mercado financeiro, como um aceno conciliatório.

López Obrador também enfrentará a descrença de parte considerável da classe média mexicana, que o vê como um radical messiânico e que teme que o país encampe políticas socialistas e nacionalistas semelhantes às venezuelanas, iniciadas por Hugo Chávez.

Em pleitos passados, AMLO chegou a ser chamado de “um perigo para o México”, crítica que qualifica de “guerra suja” eleitoral.

Ele despontou na política nos anos 1980 como militante do PRI no sul do país e, na década seguinte, no ativismo em defesa de causas indigenistas. Em seu Estado natal, Tabasco, chegou a liderar dezenas de protestos indígenas contra danos ecológicos causados pela exploração de petróleo nas comunidades.

Na prefeitura da Cidade do México, criou sistemas de aposentadoria municipais e distribuiu material escolar gratuitamente aos estudantes de educação básica. Já nessa época era conhecido por seu discurso de austeridade e anticorrupção, o que o levou a criar uma legião de “seguidores fervorosos”, explicam analistas políticos.

Para parte do eleitorado, “ele se converteu em um mito e disso vem seu êxito na política nacional”, dizem os historiadores Saray Curiel e Alfonso Argote, autores de uma biografia de AMLO.

Eles concluíram que o candidato cultiva entre seus seguidores a ideia de que o México precisa de um “salvador que o resgate”, algo que críticos também usam para traçar paralelos com o chavismo.

Já defensores afirmam que seu discurso de tolerância zero à corrupção e atenção aos mais pobres lhe rendeu apoio entre profissionais liberais e entre o eleitorado mais jovem.

No que diz respeito ao combate à violência, suas promessas até agora foram consideradas vagas, em geral centradas a uma anistia aos traficantes de menor porte e uma visão “mais inteligente” de enfrentamento ao crime.

Ao mesmo tempo, o novo presidente assume em um momento de relações especialmente espinhosas com seu principal vizinho, os EUA, por conta das políticas contrárias à imigração e por uma guerra comercial.

AMLO foi um forte crítico de Trump durante a campanha eleitoral, pedindo “respeito aos mexicanos”, prometendo colocar o presidente americano “em seu lugar” e rejeitando a política migratória do vizinho.

O curioso é que seu histórico de declarações fortes e de tom populista, suas críticas ao livre comércio e sua popularidade ao se apresentar como alternativa aos políticos tradicionais também lhe renderam comparações com o presidente americano, em um momento de rejeição recorde ao status quo partidário em ambos os países.

“Ele (López Obrador) acabou sendo o candidato certo para o momento atual, o candidato antissistema”, disse à AFP o fundador da empresa de pesquisas Parametría Francisco Abundis.

Mas uma diferença crucial em relação ao bilionário Trump é que AMLO cultiva um estilo de vida simples e prometeu “governar pelo exemplo, com austeridade”. Afirmou que vai cortar o próprio salário, continuar a morar em sua casa de classe média na Cidade do México e transformar o palácio presidencial em um centro cultural.

“Nem chavismo, nem trumpismo (…), sim ao mexicanismo”, declarou AMLO pelo Twitter, do qual também é usuário frequente.

Com reportagem adicional de Alberto Najar, da BBC News Mundo na Cidade do México

BBC Brasil

 

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Esporte

SINAL DE ALERTA: ABC e Globo próximos do g4 e da zona de rebaixamento: confira a classificação do grupo A da Série C

Reprodução: Futebol Interior

Potiguares precisam reagir em busca da classificação entre os quatro primeiros colocados no grupo A do Campeonato Brasileiro da Série C. Enquanto o Globo parece estar vivendo uma crescente na competição, o ABC vive momento oposto, vindo de resultados negativos sucessivos, e apresentando um futebol amarrado e pouco inspirado.

Na medida que o g4 ainda se encontra muito próximo, o pesadelo da proximidade zona de rebaixamento também é sinal de alerta para se ligar. Não bastasse, concorrentes têm evoluído na tabela.

Veja abaixo os duelos da próxima rodada:

Reprodução: Futebol Interior

 

 

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Diversos

Como funciona o maior grupo de propagação de ódio na internet brasileira, que lucra com misoginia, racismo e homofobia

Além da superfície de imagens fofas e curtidas, a internet cultiva o ódio. Rede narcísica, estimula um novo personagem: o troll. É aquele usuário que provoca e enfurece outras pessoas, com comentários injustos, ignorantes e, muitas vezes, criminosos. O objetivo do troll é provocar a ira dos outros internautas — e, se possível, ganhar algum dinheiro de modo fácil. Os trolls se alimentam da atenção que atraem e se valem de qualquer coisa para tal. Talvez, por isso, esta reportagem possa não ser uma boa ideia, exceto pelo fato de que precisamos falar sobre esse novo Kevin.

É um monstrinho digital à moda do personagem da escritora americana Lionel Shriver. O Kevin, de Shriver, é aquela criança mimada que aprende que a violência é um método aceitável e simples para obter o que quer. O Kevin digital o emula nas redes sociais e, principalmente, em fóruns privados de discussão.

A internet nasceu como pátria do livre fluxo de informações. Se você não sabe como enrolar o cabo do fone de ouvido para que caiba na caixinha original, alguém na internet explica. Se quer descobrir qual a razão para tomar cloreto de magnésio, surgirá quem prometa equilíbrio e vigor a cada colherada. Se você disser, no entanto, que está sofrendo com a depressão, haverá quem tentará incitá-lo a se matar. Os psicólogos definem tal comportamento como efeito de desinibição on-line, no qual fatores como anonimato, invisibilidade, solidão e falta de autoridade eliminam os costumes que a sociedade construiu milenarmente. Por meio de telefones celulares inteligentes, tal desinibição está se infiltrando no dia a dia de todos.

No mundo digital, troll era inicialmente o método de pesca em que ladrões on-line usam iscas — uma foto fofa ou promessa de riqueza — para encontrar vítimas. A palavra se origina de um mito escandinavo que vive nas profundezas. Passou a simbolizar também os monstros que se escondem na escuridão da rede e ameaçam as pessoas. Os trolladores da internet têm um tipo de manifesto, em que afirmam que agem para o “lulz”, a zoeira, numa tradução livre. O que os trolls fazem na busca do “lulz” vai de brincadeiras inteligentes — como os memes da tomada de três pinos — a assédio e ameaças violentas. Abusam do doxxing — a publicação de dados pessoais, tais como números de carteira de identidade, CPF, telefones e contas bancárias — e de trotes como pedir uma dezena de pizzas no endereço de uma vítima ou ligar para a polícia denunciando supostas plantações caseiras de maconha.

Os trolls estão transformando as mídias sociais e painéis de comentários em um gigante recreio de adolescentes malcriados, repetindo epítetos raciais e misóginos, definiu uma reportagem recente da revista Time. Uma pesquisa que a publicação cita mostrou que 7 em cada 10 jovens sofreram algum tipo de assédio por meio da internet. Um terço das mulheres já se disse perseguida on-line. Um estudo de 2014 publicado no periódico de psicologia Personality and Individual Differences constatou que 5% dos usuários da internet que se identificaram como trolladores obtiveram pontuação extremamente alta em traços obscuros de personalidade: narcisismo, psicopatia, maquiavelismo e, principalmente, sadismo. E não pense que isso não ocorre em sua vizinhança.

O analista de sistemas Ricardo Wagner Arouxa foi vítima do maior grupo de ódio que atua na internet brasileira (Foto: LEO MARTINS/AGÊNCIA O GLOBO)

Ao atender o telefone, o analista de sistemas Ricardo Wagner Arouxa, de 28 anos, achou que seu pai havia morrido. A caminho do trabalho, no bairro carioca da Tijuca, recebeu a ligação desesperada de sua mãe. Naquele dia, 27 de dezembro de 2017, seu pai se recuperava de um cateterismo realizado após sofrer o terceiro infarto. Pensou no pior ao perceber a mãe aos prantos. Ela demorou a recuperar-se para explicar o motivo da aflição: a Polícia Civil havia invadido a casa da família em Pilares para o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. Estavam prestes a arrombar a porta da residência quando ela voltava do hospital, ainda sem o marido, que fora mantido internado. Quando Arouxa conseguiu chegar em casa, a polícia já havia recolhido seus computadores, celulares e discos rígidos — até hoje não devolvidos.

Além de apostar em conteúdos que gerem indignação, como ataques racistas, os grupos de ódio costumam mirar em personalidades com fama na internet, como o deputado Jean Wyllys e a advogada Janaína Paschoal

A razão da operação policial seria uma ameaça de bomba, supostamente feita por Arouxa. Os alvos seriam a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro e o advogado Rodrigo Mondengo. Ambos haviam processado Arouxa. A pendenga, que tramita em segredo de Justiça, só não tomou proporções maiores porque o analista de sistemas colabora há um ano com as investigações sobre imputações falsas de crime, em inquérito da Delegacia de Repressão de Crimes de Informática da Polícia Civil do Rio.

De anônimo, Arouxa quase se tornou réu da acusação de terrorismo. Na realidade, ele sofria por ter se tornado um dos alvos da maior quadrilha de crimes de ódio da internet brasileira, que hoje se articula por meio de fórum de discussão que tenta se manter anônimo. Chamado Dogolachan, o fórum foi criado por Marcelo Valle Silveira Mello — a primeira pessoa condenada por racismo na internet no Brasil — e Emerson Eduardo Rodrigues. A Polícia Federal considera Mello e Rodrigues os grandes articuladores da maior rede de ódio que atua há ao menos uma década no Brasil, usando ferramentas digitais. Eles chegaram a ser presos na Operação Intolerância, em 2012, mas se livraram porque havia, naquela altura, vácuo na legislação brasileira para crimes cometidos na internet. Antes do Marco Civil da Internet (2014) e da Lei Antiterrorismo (2016), os ataques reiterados articulados pelo grupo só podiam ser enquadrados em crimes contra a honra ou injúria racial, por exemplo.

Integrantes do Dogolachan registraram o portal Rio de Nojeira, que publicava textos de cunho racista, machista e homofóbico, no nome de Ricardo Wagner Arouxa, utilizando seus dados pessoais. Quem chegava ao registro da página, feito propositalmente de forma pública, tinha acesso a informações privadas do carioca, como seu telefone e endereço. Arouxa também era o nome usado por um dos supostos redatores do Rio de Nojeira, deixando sempre rastros de ódio na tentativa de incriminar outros desafetos do grupo.

O primeiro post de notoriedade do Rio de Nojeira fazia ataques racistas a alunos da Unicarioca, faculdade localizada no Rio Comprido, região central do Rio, onde Ricardo estudava. “Quando foi que a Unicarioca deixou de pertencer à elite branca e passou a ser infestada por favelados, mulatos, negros cotistas?”, questionavam os autores. Segundo especialistas e investigadores ouvidos pela reportagem, o Rio de Nojeira faz parte de uma longa linhagem de páginas usadas pelo grupo criminoso para propagar discurso de ódio.

O primeiro site do grupo a ganhar os holofotes foi o Blog do Silvio Koerich, que se apropriou do nome de um empresário catarinense. Até março de 2012, a página havia sido alvo de 69.729 denúncias à Polícia Federal. O site compartilhava textos e fotos com conteúdo discriminatório e fazia apologia de crimes como violência sexual e pedofilia. Um dos artigos de maior repercussão buscava “ensinar a prática de estupros corretivos” em lésbicas. Outros blogs do gênero, como o Homem de Bem, tiveram trajetória parecida até serem tirados do ar. O modus operandi dos integrantes da quadrilha é criar sites e fazer postagens propositalmente absurdas, provocando repercussão, aquela história de “lulz”. Além de apostarem em conteúdo que gere indignação, como apologia da pedofilia ou ataques racistas, também elegem como alvo personalidades com fama na internet — do deputado federal Jean Wyllys e da blogueira feminista Lola Aronovich, à esquerda, até a advogada Janaína Paschoal, ícone do antipetismo, à direita. A ousadia é demonstrada em pequenos detalhes: Marcelo Mello trabalhava em uma prestadora de serviços para a Justiça Federal e diversas vezes usou a rede Wi-Fi do Conselho da Justiça Federal para realizar os ataques.

(mais…)

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Diversos

TRAPAÇA SEM LIMITE – (FOTO): Raio-x detecta celular em gesso para fraudar concurso da PM em Sergipe

Dois homens foram presos nesse domingo (1º) por tentarem fraudar a prova do concurso da Polícia Militar de Sergipe.

Segundo a assessoria de comunicação da PM, a polícia já estava acompanhando tentativas de fraudar a prova e chegaram até dois homens que estavam em uma mesma sala. Um deles chegou a fazer a prova e o outro foi preso em flagrante quando o celular tocou dentro da sala de aula.

Ao realizar um exame de raio-x foi constatado que um aparelho celular estava dentro do gesso (Foto: PM/Divulgação)

Um deles estava com o braço imobilizado com gesso, questionado sobre a fratura, ele teria dito que sofreu um acidente de moto, porém foi levado para um hospital e ao realizar um exame de raio-x foi constatado que um aparelho celular estava dentro do gesso. O outro estava com um aparelho celular colado com fita embaixo da mesa da prova.

Eles continuam presos, e são do município de Carnaíba, em Pernambuco. Agora a Polícia investiga se a dupla tentou fraudar outras provas de concursos.

G1

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Judiciário

‘Problema do STF é juiz que acha que o poder existe para proteger amigos’, diz Barroso

O ministro do STF Luís Roberto Barroso em sessão plenária da corte – Pedro Ladeira/Folhapress

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), diz que o problema da corte não é pressão interna, como declaram alguns magistrados. “É juiz que faz favor e acha que o poder existe, não para fazer o bem e a justiça, mas para proteger os amigos e perseguir os inimigos”, afirma.

Veja aqui , ao fim do texto, clicando ao lado, em fotos, por quem cada ministro do STF foi indicado

Mônica Bergamo – Folha de São Paulo

Opinião dos leitores

  1. Já que nem uma instituição pode nos defender contra os bandidos do STF, chegou a hora de recorrermos juntos a OEA e a ONU. Bom iniciar um abaixo assinado imediatamente.

  2. Com essa daí,é para o sujeito que faz isso e o Brasil todo sabe quem é o salafrário pedir para sair. Mas isso ele não faz ,está enchendo as burras de dinheiro,soltando os marginais.

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Diversos

Método de estudo autodidata promete aprovação rápida em concurso público

Foto: (DjelicS/Thinkstock)

“Em média, a aprovação no concurso da Polícia Federal, que está com inscrições abertas, ocorre em 4 anos e 5 meses. Nós reduzimos o tempo médio de preparação para 2 anos e 2 meses”, garante Victor Maia, CEO da EduQC, responsável por uma plataforma que utiliza inteligência artificial e metodologia para estudo autoditada.

Disponível desde 2013, a Máquina de Aprovação já foi utilizada por 4 mil alunos, para provas relacionadas a 10 áreas, incluindo fiscal, jurídica e policial, e também para o Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Entre os concurseiros, um a cada quatro conseguiu passar na seleção após pouco mais de dois anos de estudo. “A média geral de outros cursos, para o mesmo período de 2 anos e 2 meses é de um a cada dez”, diz Maia.

A aprovação duas vezes mais rápida não vem pelas mãos de professores e, sim, pelos algoritmos de um robô. Com a inteligência artificial é possível identificar padrões de aprendizado que funcionam

“Conseguimos saber o que o aluno bem-sucedido faz e orientamos os demais alunos a seguirem o mesmo caminho”, diz Maia. O que atrapalha o rendimento também é mapeado. “Dizemos aos nossos alunos o que não fazer”, diz o CEO da EduQC, que já foi concurseiro.

Formado em engenharia civil aeronáutica pelo ITA, Maia também já passou na seleção da Previc e para auditor de Finanças e Controle da CGU (Controladoria Geral da União). Em concursos da Polícia Federal, Maia coleciona aprovações para agente em 2009 e para perito engenheiro civil em 2013.

Seguir carreira policial é justamente o que quer a concurseira Carolina Liberato, de Minas Gerais, de 33 anos. Ela contratou a Máquina de Aprovação e os serviços de orientação de Maia em abril deste ano. Vai prestar para agente da PF e, se não passar, mira o concurso da Polícia Civil do Distrito Federal.

“Faço simulados de um em um mês e, de acordo com a minha nota, o sistema disponibiliza um plano de estudos”, diz. A inteligência artificial da EduQC indica, a partir do seu desempenho e da sua disponibilidade para estudo, o que, quanto e como Carolina deve estudar. “O que as pessoas, em geral mais sentem falta, é essa organização do estudo. Eles oferecem o método, a técnica e o controle de estudo”, diz.

Um dos métodos que Carolina utiliza para estudar é um velho conhecido dos estudantes: a técnica Pomodoro, criada pelo italiano Francesco Cirillo na década de 1980. “Estudo durante 25 minutos e paro 5 minutos. Ao final de quatro períodos de 25 minutos, descanso 15 minutos. Não cansa e fico em contato com a matéria o tempo todo”, explica a concurseira.

Ela diz que se dá bem estudando sozinha por meio de leitura e prática de exercícios e revisão. “ Eu aproveito mais do que escutando o professor falando. O pessoal da EduQC até fala mesmo que a videoaula não é tão proveitosa”, diz.

Carolina vai muito pouco à internet buscar aulas. “Se tenho dúvida na leitura, sobretudo com o vocabulário de direito com que não estou muito acostumada, busco videoaula porque tem vocabulário mais comum, mas é raro”, diz.

Quando contratou o serviço em abril deste ano, Carolina diz que estava acertando 40% a 50% dos simulados. “Agora estou chegando a 80%”, diz.

Como estudar sozinho de maneira mais efetiva?

Fazer uma revisão usando suas próprias anotações é 45% mais eficiente do que ler teoria. “Entretanto, 68% do tempo os alunos estudam teoria e revisam em apenas 14%. Mesmo para estudar teoria, o modo escrito é 25% mais eficiente que as aulas presenciais, mas o aluno, via de regra, não se atenta a isso”, diz Maia.

De acordo com o CEO da EduQC, a preparação ideal se dá sob três condições:

1.Você precisa saber onde está e aonde vai.
2. Procure saber se está no caminho certo a todo momento.
3. Ter metas de estudo adaptadas ao seu conhecimento e a sua disponibilidade.

Victor Maia divide o planejamento de estudos em cinco etapas. “O primeiro passo é se avaliar em todas as disciplinas. Como dito, você precisa saber onde está para saber se está no caminho certo, ao longo da preparação”, diz Maia.

Em seguida, ele recomenda que o concurseiro escolha o cargo. Sua recomendação é avaliar as chances de aprovação. “Eu recomendo fazer aquele que você tem mais chance. Essa condição é personalíssima. Depende muito das suas proficiências nas diferentes disciplinas. Muita gente acredita, erroneamente, que a dificuldade de passar é ditada pela remuneração e o número de vagas”, diz o CEO da EduQC.

O terceiro passo é analisar a rotina e garantir que haja o tempo adequado de preparação. “A boa notícia é que você não precisa se matar de estudar! Estatisticamente, a carga com maior aprendizado semanal é em torno de 36h líquidas, ou seja, horas efetivas de estudo, descontadas as pausas)”, diz Maia.

“Eu estou fazendo 36 horas de estudo por semana. Estudo diariamente de cinco horas e meia a seis”, conta Carolina que também destina mais de uma hora por dia à prática de esportes, para dar conta do difícil teste físico exigido pela Polícia Federal.

Estudar mais do que 36 horas segundo Maia, é desperdício de energia. “Também é mais eficiente quem descansa um dia na semana”, diz.

O quarto passo, segundo ele, é criar um ciclo de estudos , com disciplinas intercaladas. A divisão de tempo entre as disciplinas deve levar em conta três fatores:

1) quanto maior o peso no edital;
2) quanto menor o seu conhecimento;
3) quanto mais fácil a disciplina.

“Só o último passo é o estudo em si. A maioria das pessoas acredita que só precisa de um bom material’ e ‘só estudar’. Isso não é verdade”, afirma

Segundo ele, a forma de estudar é mais importante do que a fonte. “O processo como um todo também é cíclico. Após estudar, você deve se reavaliar com frequência”. Ele indica que a reavaliação seja feita uma vez por mês antes do edital sair e duas vezes ao mês quando ele já estiver publicado. “ São suficientes”, diz.

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Diversos

Ligação para prevenção ao suicídio se torna gratuita em todo o país

Voluntária do CVV de Ribeirão Preto (SP) durante atendimento – Silva Junior – 14.jun.2012/Folhapress

É madrugada. Um telefone toca na zona norte de São Paulo. Imediatamente, alguém atende: “CVV, boa noite, gostaria de conversar?”

Buscar ajuda por telefone se tornou inteiramente de graça. A partir deste domingo (1º), o número do Centro de Valorização da Vida (CVV), o 188, está disponível em todo o território nacional graças a uma parceria com o Ministério da Saúde.

Desde 2017, o telefone já era acessível a 23 estados brasileiros. As exceções eram Bahia, Maranhão, Pará e Paraná. ​​

O CVV, órgão sem fins lucrativos que funciona desde 1962, é dedicado a escutar qualquer pessoa que esteja passando por dificuldades, funcionando como uma prevenção ao suicídio. Em 2017, recebeu cerca de 2 milhões de ligações. Neste ano, espera ultrapassar 2,5 milhões.

Segundo Félix Flor, servidor público e voluntário há 4 anos, as pessoas procuram a instituição porque precisam desabafar e contar histórias que, muitas vezes, amigos e familiares não aguentam mais ouvir.

“Imagina a caminhada que essa pessoa já deve ter feito para pegar o telefone e falar sobre suas angústias para uma pessoa que ela não conhece”, diz Antônio Batista, voluntário há 18 anos, “Falar do seu íntimo não é uma coisa tão simples”.

O suicídio, segundo Esther Hwang, psicóloga e pesquisadora da USP, é uma questão de saúde pública. “É reflexo de uma sociedade doente, e não necessariamente de uma pessoa doente”, diz. Segundo o Ministério da Saúde, todos os dias cerca de 30 pessoas tiram a própria vida no Brasil.

Para os voluntários do CVV, o suicídio, em si, é uma ação impulsiva, mas há um processo por trás do ato: isolamento, desistência de hobbies, falta de contato com a família e amigos podem ser interpretados como sinais. Depressão e o abuso de álcool e drogas também exigem atenção.

“Se a pessoa diz que vai embora, que quer sumir, que um dia vai acabar com tudo, é preciso ficar atento”, diz Elaine Macedo, gestora institucional e voluntária há 23 anos.

Segundo a Organização mundial da Saúde (OMS), os idosos correspondem à faixa etária de maior risco para o suicídio. No Brasil, a taxa de mortalidade entre pessoas com mais de 70 anos chegou a 8,9 a cada 100 mil habitantes entre 2011 e 2015.

Todos os voluntários aconselham a mesma coisa: o idoso precisa sentir que é importante para alguém, mesmo que esse alguém lhe dê apenas um “boa noite”.

A taxa de suicídio também é alta entre os jovens: é a quarta maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos no Brasil. Dentre os adolescentes que contatam o CVV, muitos expõem histórias de conflitos com os pais, amigos e preocupações com a escola.

Já os jovens adultos relatam o medo de não conseguir um emprego, falam sobre relacionamentos complicados e sobre sua própria solidão.

“Os dias da semana também influenciam nas ligações”, diz a voluntária Elaine. “A noite de sexta-feira, quando o jovem ‘deveria’ ir pra balada, mas se sente sozinho, é diferente de uma noite de um domingo, quando as pessoas estão preocupadas com questões relacionadas ao emprego”, diz.

Além do número 188, o CVV disponibiliza atendimentos presenciais, por chat e por email. Segundo a OMS, 90% dos casos de suicídio poderiam ser prevenidos.

Quem deseja ser voluntário do CVV precisa primeiro passar por um treinamento de cerca de 3 meses. Depois, é instalado em um posto da instituição para fazer um plantão de quatro horas por semana via telefone, chat ou email.

Além dos plantões, há um grupo de apoio para o voluntário que se reúne uma vez por mês. ”Ao entrar em contato com a história de uma pessoa, você também começa a se conhecer e pode se sentir tocado”, diz Antônio.

Para não levar o peso das ligações para casa, os voluntários conversam entre si, principalmente durante as trocas de plantão, e tentam espairecer entre uma ligação e outra.

“Sempre há ligações que nos tocam mais, mas o nosso preparo como voluntário nos ajuda a separar as coisas”, diz Elaine.

Na rede pública de saúde, quem precisa de ajuda psicológica pode recorrer aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), tais como os 2.555 CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), que atendem transtornos psíquicos e dependência de álcool e outras drogas.

Se necessário, os pacientes são encaminhados para leitos de saúde mental em hospitais gerais.

O Ministério da Saúde pretende atingir a meta de reduzir em 10% os óbitos por suicídio até 2020.

“O CVV foi criado com a intenção de que um dia deixe de existir”, diz Elaine. “Em um dia que a sociedade seja tão solidária e fraterna que ninguém precise ligar para uma instituição para dizer que está sofrendo.

Folha de São Paulo

 

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